quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

à mesa...redonda

Do que falam, meia dúzia ou mais, mulheres, quando se reunem numa mesa redonda, ainda que, e sobretudo para jantar?
Nem imaginam, não é? Pois, nem eu...quando me sento com as restantes.
Ponham-se a advinhar, vá. Difícil, não?
Julgam que só falam de gajos? Mentira.
Falam de gajas também.
Falam de tudo. Porque oito línguas de trapo é obra. Sobretudo quando são todas da minha idade. Quer dizer, não, mais novas, porque não sei porquê mas sou quase sempre a patroa da lancha. Sendo a antiguidade um posto não sei se me agrada o lugar. Bem, somos todas maiores, é o que interessa, no caso. Maiores e vacinadíssimas pela vida madrasta que todas temos ido, umas mais que outras. Afinal, que graça tinha uma vida sem mácula nem desgostos ou traições? Não dizem que no melhor pano cai a nódoa? Pois então! O que interessa é ir cumprindo para que a vida nos deva a nós e não o contrário, ficando assim com a faca e o queijo na mão...para jantar que foi o que aconteceu, portanto.
Por falar em cumprir, sabiam que há instituições bancárias que ordenam aos seus subordinados que pressionem os clientes devedores, de qualquer jeito, chegando ao cúmulo dos funcionários terem mensagem gravada no telemóvel pessoal e apenas mudarem as quantias em dívida e as datas e aí vai disto?! E sabiam que são ainda pressionados a andarem a bater de porta em porta pedindo contas a quem deve? Pois é. Foi o que me venderam. E eu acredito. A vida pelos vistos custa a todos, mesmo aos que não são funcionários públicos. Ganha-se bem mas nem sempre é uma alegria. Por vezes é uma animação quando um devedor os encara de arma em punho, mas pronto, isso são pormenores que não interessam nada e para resolver estas pequenas particularidades existem os tribunais( ??????).
Acabar a noite a falar de dívidas, empréstimos, ex qualquer coisa, tribunais, traições, ou trabalho, também não é novidade pois não?
É que as mulheres são seres como outros quaisquer, com sentimentos, senhores.
Só não se falou de futebol o que foi uma pena porque gosto do tema. Foge-me o pé para o chinelo, bola de trapos, antigo namorado, sim porque mulher que se preze já namorou com um jogador de futebol, e neste tema podemos sempre ir parar ao Zé Mourinho que embora nunca fosse jogador nem ex de ninguém dali, é uma alegria e pode-se até ganhar pouco mas a vida há-de ser uma animação com uma criatura assim por perto.
Onde é que ele está? Aonde? Aonde?

Pinto Ferreira Elogio da Estupidez ao vivo

Todos os dias oiço a Antena 3. Conheço as vozes de quem ali fala e de quem ali canta diariamente. Gosto de vozes. Muito. Gosto de ouvir falar. Bem. Apaixono-me por vozes. De ficar em contemplação. Gosto de vozes que declamam. E que cantam. E que encantam.
Um dia ouvi esta voz. Que conhecia bem. De alguns anos atrás. E achei que era o Bruno. Mas sabia que cantava em inglês numa banda. Cheguei a dizer que parecia o Bruno. Este menino da esquerda que aparece mais destacado. Tantas vezes ouvi que soube que era mesmo o Bruno. De esclarecer que oiço a Antena 3 no mínimo porque é no horário do trabalho, com permissão claro, mas no mínimo. Soube que eram os Pinto Ferreira e descobri que o Bruno estava nesse projecto e que se chamava Pinto. Apenas sabia do outro apelido.
O Bruno é um menino, um homem, que eu conheço, admiro, respeito e gosto muito, muito mesmo.
E cada vez que o oiço, fico orgulhosa de o conhecer e de ter privado com ele, bastante, e até ter feito uma letra que ele musicou e que levámos ambos a um festival.
E fico feliz cada vez que o oiço numa telenovela da TVI, como já ouvi Rui Veloso, Luís Represas, José Cid ou Pedro Abrunhosa.
O Bruno quis sempre ser músico e está a conseguir. E eu cada vez que o oiço sinto o orgulho que sei que a mãe dele sente.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

ouvindo

Passou um avião, daqueles escuros e bojudos, por cima de nós. Facto estranho, nestas terras do Ribatejo. Sobretudo porque voava baixissimo. E porque a Base de Tancos está desactivada.
Eu ia a ouvir música no meu MP4 e só percebi quando as mulheres que diariamente vão no autocarro e dão conta de tudo, viraram os pescoços para trás. Uma disse:
Deve ser o Renato Seabra que vem do states.
Gargalhada geral.
Não tenho paciência, e voltei à minha música.
De novo uma gargalhada do mulherio. Prestei atenção porque sou curiosa e a estupidez alheia por vezes aguça-me a cusquisse. Para me perceber e perceber quem me rodeia.
O sr. Carvalho, motorista da viagem para torres novas quase discursava. E dizia:
Vejam lá se no caso de ontem estavam o Cavaco ou o Portas ...quem é que estava a defender o povo? Um gajo do Bloco de Esquerda e outro do Partido Comunista. E deixaram-se prender e não tiveram medo, os gajos. Homens valentes. Não se admite que a polícia bata nas mulheres, algumas já velhotas e tudo...
Foi a minha vez de sorrir. Para não chorar.
Este país está de pantanas, lá isso está e o povo não sabe tudo. Se tivessem acesso a determinados serviços é que viam como estamos todos tramados.
Como dizia um na Antena 3 hoje, esqueçam as algemas para as fantasias eróticas. Não funcionam e será uma frustração. Sexual. Mais uma a juntar a tantas outras frustações que o zé povinho sente.

quando o sol se despede de nós


O pôr de sol, último, que me foi dado ver, na minha terra

monumento

Mausoléu
O Mausoléu de Agostinho Neto. O primeiro Presidente de Angola.
Esta estrada é nova. Variante marginal, que vai dar à Samba.

parabéns Elena

Parabéns Elena.
Porque o sanzalangola ainda me traz coisas boas e me dá a oportunidade de fazer amigos, aqui estou neste dia.
Desejo-te tudo, tudo de bom. E que um dia voltes a Luanda e à avenida dos Combatentes. E sejas feliz.
Um dia pleno.
Kandandu.

parabéns Ana Maria

Porque hoje fazes anos.
Porque te conheço há 35 anos.
Porque somos colegas de profissão.
Porque tenho uma dívida de gratidão para contigo que será eterna.
Porque gosto muito de ti.
Porque sim... é que te desejo o melhor do Mundo.
Um dia feliz.
Sucesso. Amigos e afectos. Paixões.
Serenidade e paz. Saúde. Lucidez.
E o euromilhões ( bem lutamos as duas para que nos saia, numa sociedade semanal e numa crença do caraças).
São os meus votos hoje, para o presente e futuro.
Um abraço do tamanho do Mundo.
Parabéns...

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Os Azeitonas - Balada de Um Banco de Jardim

recordando


Há sinas e sinas. E não há coincidências.
Há pessoas que mantêm o seu passado intacto.
O lugar onde nasceram, o outro onde cresceram.
A pulseirinha que o avô deu. As fotografias dos primeiros passos, da 1ª comunhão. O livro da 1ª classe. O dente que caiu e a mãe guardou. O caracol que cortou de propósito para conservar dentro do albúm de fotografias de bebé. O primeiro sutien. O livro de autógrafos. A carta de amor primeira. O single que foi oferecido. A mala do enxoval.
Enfim! Um sem número de recordações que servem para viajar no tempo com ternura e saudade quando se abre o baú das imbambas, que já não servem senão para lembrarmos quem fomos.
Eu, como já perceberam porque quem me lê não é burro, eu, não tenho nada disso.
Um dia de Junho entraram na minha casa no nº 126 da avenida brasil e levaram tudo. Para a sede de um Movimento armado, da mesma avenida, que para azar nosso, meu e da minha família, ficava em frente à loja do sô santos e do Colégio a onde eu estudara e dava aulas na época e onde a caçula estudava então.
Óbvio que se foram os anéis e as pulseiras, apesar de terem ficado os dedos e os braços. E os albuns de fotografias. E livros. E tudo e tudo, mesmo.
O que me foi dado guardar foi o que ficou no chão por impossibildade de carregarem e roubarem tudo, porque nessa noite fatídica faltou a luz, talvez pelos confrontos violentos entre dois dos três Movimentos, o que tornou mais difícil o assalto.
Meia dúzia de fotografias, uns colares de missangas, um copo com o emblema do MPLA, (a sorte que eu tive de não o terem visto), postais e coisas aparentemente sem importância que converti depois, em fundamentais, foi o que me restou e que ainda hoje tenho guardadas como relíquias.
Nesse dia, 4 de Junho de 1975, saí da minha casa no 126 e nunca mais voltei a viver lá. A tal casa que penso que foi demolida para lá construirem e que este ano pude chegar bem mais perto e perceber que ali já não há nada de meu senão as mangueiras que o avô plantou. E os meus sonhos, bem como os do mano Zé, da mãe, do pai e do avô Carvalho.
Nesse dia que falei, fugi da minha casa e procurei abrigo no início da avenida, junto à alameda d. João II. No 3ª C deste prédio. Da direita. Ali vivia a família Garnacho Rocha. A minha madrinha de crisma e o marido bem como os seus quatro filhos. Que viveram ao meu lado durante anos a fio, quando vivi junto à casa Bastos, no 162.
Curioso... Vivi em quatro casas diferentes. Todas na avenida brasil; duas delas com os números de porta idênticos. 162, 126.
Era quase aqui que queria chegar. Das quatro moradas diferentes, três das casas já não existem.
Sobrou apenas esta, a do rés-do-chão, onde vivi entre Junho e Julho de 1975. Exactamente aquela onde está o reclame Vitécnica.
Depois de uns dias no 3º C, passei para o rés-do-chão e dali para Portugal.
É bom poder lembrar tudo isto passando por cima das cicatrizes sem que estas doam numa dor de alma de não perdoar.
A avenida Brasil foi palco de uma violência tão grande como dolorosa para quem ali vivia nesse 74/75 fatídico. De todas as habitações onde vivi apenas sobrou esta. E apesar da saudade que tenho desses tempos, do que vivi em cada uma das casas, conformei-me com esta grande coincidência(?). Logo eu, uma carangueja assumidíssima que tanto escarafuncha o passado e tanto se alimenta dele, apenas consegue fotografar o lugar onde viveu um mês em vinte de vida...
Nada acontece por acaso e mantenho que não há coincidências.
Porque será que isto aconteceu comigo? Só queria perceber, porque perdoar, perdoei há muito.

avenida dos Combatentes

Esta é a avenida dos Combatentes. Durante os dias que estive em Luanda, raros foram os mesmos que não passei por aqui. Conheço esta avenida assim, como a palma das minhas mãos.
Havia aqui uma pastelaria que tinha bolos deliciosos e que me recebia depois da missa de S. Paulo, ao domingo de manhã. Quase em frente, o Mónaco e na esquina antes a Paladium.

rotação

O sol nasceu assim, hoje, neste lugar do Ribatejo

Ontem, o sol pôs-se assim, no Ribatejo

gémeos? Não, muito obrigada.


Gémeos? Não. Muito obrigada.
Diz que agora deixei de ser Caranguejo. E passei a Gémeos.
Não aceito isso. Toda a vida fui uma carangueja de gema, orgulhosamente feliz por pertencer ao signo do Amor, da Família e do Lar, da Água e da Lua, e subitamente por culpa de um qualquer Serpentenário que se foi infiltrar entre o Escorpião e o Sagitário, já não sou quem era.
Querem dar comigo em doida ou quê?
Como se diz na minha terra - Querem-mi matáriiiiiiiii...
Aviso que continuarei a ser Carangueja nem que a vaca tussa, chovam canivetes, os porcos ganhem asas, ou os caranguejos percam as pinças.

domingo, 16 de janeiro de 2011

o sol pondo-se


Há duas semanas atrás, num domingo, o sol pôs-se assim no horizonte. Para os lados do Mussulo.
Em Luanda...

as sombras verdes da minha terra


Arrisco dizer que o mamoeiro é a árvore de fruto que mais se vê nos quintais, em Luanda.
É um prazer para os olhos, poder chegar a Luanda, percorrer a cidade e ver tanta sombra verde.
As árvores frondosas cá estão a emprestar à cidade aquele ar caseiro e bairrista das vivendas antigas e modernas. E nas ruas, por todo o lado vemos árvores de jardim.
Nesta altura do ano, são as acácias que tomam o lugar da frente com as suas flores de acácia vermelhas, lindas. Também as de flor de frangipani nos dão o cheiro doce, intenso, a lembrar a infância feliz, naquelas ruas.
Mas os mamoeiros, altos e elegantes, carregados de mamões verdes, dizem-nos que lá estão escolhidos, votados para reinarem em cada quintal, rico, pobre ou remediado. E ainda bem, porque é uma árvore muito bonita. Diferente. E o mamão é só um manjar de deuses que nunca ouvi a ninguém, dizer que não gostava. Pelo contrário.

grande superfície de Luanda


É o mais novo hipermercado de Angola. Fica a caminho de Nova Vida, a sul de Luanda. Abriu as suas portas dias antes do Natal.
Estive lá e gostei.
Neste espaço existem todos os produtos necessários para a economia doméstica e já não é necessário levar de fora seja o que for. Até que enfim que assim é.
Agradou-me o facto de neste hipermercado não haver necessidade de na saída se mostrar o talão de compra para que o segurança confira as nossas compras, como ainda se faz no Jumbo, da estrada de Catete. Aos poucos as mudanças vão acontecendo e não tarda muito, tudo se processará de uma forma prática e normal.

luandando










O comércio ambulante ou das lojas. Nos arredores de Luanda, desde a Samba até ao Nova Vida. Para sul de Luanda.

D. Pitanga

Acaba-se por ora a vida mulata da minha felina. Foram três semanas de boa-vai-ela.
Hoje volta para o kimbo para mais uma jornada. Dura. Mas o que é bom acaba logo, eu que o diga, que a semana passada estava no quentinho festivo de áfrica minha e hoje estou nesta europa cinzenta e triste que não me pertence.
Valha-me ao menos a minha Pitanguinha, linda de morrer, posando ainda há pouco, sem sonhar que daqui a pouco terá de viajar dentro de uma caixa deprimente e limitativa.
Mas não há-de ser nada...

agradecendo sempre


Quem não se encanta com um presente?
Eu adoro presentes. E embrulhados deste jeito então...
E quando se desembrulham e a gente percebe que são glosses de várias tonalidades, da Estêe Lauder, é o êxtase.
Sobretudo quando já passou o Natal, não é data de aniversário e vem da mão de uma jovem que não faz aquele pim-pam-pum que a gente bem conhece quando tem mil pessoas a quem oferecer. E ela tem mil ou mais...
Em Luanda falaram-me da Pipoca mais Doce. Filhas de amigas minhas seguem o seu blog com uma devoção entusiasmante. Sem que soubessem que eu a conhecia. Quer dizer, eu conheço a Ana Garcia Martins, que por acaso tem um blog que se chama A Pipoca Mais Doce.
Foi giro perceber mais uma vez que o mundo é uma ervilha e foi um prazer e orgulho dizer que esta menina bonita, simpática, inteligente e generosa me presenteia muitas vezes ao longo do ano com estas coisinhas caras, e boas, só porque sim; porque se lembra da " mamãe " aqui.
Eu sou vaidosa, adoro receber presentes e fico imensamente satisfeita quando desembrulho uma prenda bonita assim, porém mais do que tudo isso, penso que de facto a Leninha tem razão e sou uma pessoa abençoada porque há muita gente que se lembra de mim e me tem afecto. Porque será? Até tenho medo de perguntar...
Não sei se mereço, mas isso é outra história. Quem me conhece não precisa de me desembrulhar nem tirar a fita. Eu sou o que sou e pronto.
Mas para quem não conhece a Ana Garcia Martins, jornalista da Time Out e não só e A Pipoca Mais Doce e seu blog, fiquem a saber que esta menina é um doce.
Obrigada Ana, mais uma vez, pela contribuição para que me sinta mais vaidosa e bonita.
Abraço grande, assim de um tamanho sem tamanho, que é como quem diz, gigantesco que não dá para imaginar.

fixação


Gosto do domingo de manhã. Só até à hora do almoço. Se estiver cá. Quer dizer, estou sempre cá.
Não gosto da tarde de domingo se tenho de voltar para o tarrafal.
Recapitulando, habitualmente o domingo é bom até ao almoço. Mas curto bués tardes de domingo em que não faço nada e fico no sofá a preguiçar. Como se o mundo parasse e eu contribuísse para tamanha pasmaceira.
Se não houver sol. E fizer frio. Olhando labaredas duma lareira que não tenho, alimentando-me de domingos tão bonitos e sem hora marcada para regressar que já vivi e sonhando realidades que ficaram para trás, bebendo chás de aromas, sabores exóticos que já provei, tendo sensações de prazer e paz que as tardes de domingo nos dão.
Mas há pesadelos que não nos abandonam assim às primeiras. Nem segundas, nem terceiras. Do tipo, peçonha, que moem e remoem, porém um dia acabam num basta com os dois punhos fechados em cima da mesa, de preferência de pedra, para não quebrar.
Nas manhãs de domingo tenho um ritual que muito me fortalece e alivia. Como que um exorcismo. Lançar dardos num tiro ao alvo que imagino até à exaustão, do esforço que faço para acertar em cheio no dito saco de pancada.
Acontece quando volto das compras e passo a ponte a pé, puxando o carrinho de rodas, vermelho, cheio de peso. Assim que saio do super mercado e enfrento a estrada e o movimento na rua, surge como que uma vontade enlouquecida de dizer asneiras dirigidas como tiros de dardos directos ao alvo. Eu não sou louca mas também não sou santa e um palavrão assim muito à moda do norte, não recuso.
Cheira-me a domingo. E é até pecado esta prática tão pouco cristã. Pareço os putos da escola no autocarro, dizendo cada palavrão maior que outro. Para dentro, claro, que ninguém me ouve uma vogal sequer que denuncie tão escabroso vocabulário. Não tujo nem mujo, porém alivio os ombros e a coluna, do peso da condição em que me coloquei. E o coração faz as pazes com o meu cérebro que não deseja mal a ninguém, nem mesmo a quem me fez mal.
É o momento de despejar o que não presta e entregar ao Universo, porque não me serve nem para reciclar.
Não sei se já perceberam mas é uma coisa assim como que expulsar demónios e matá-los. Não sou doida, nem me passo. Às vezes até rio deste vício em forma de arremeço. Isto acontece porque me vejo a caminho de casa puxando um carrinho de compras. Aos domingos. A pé. Depois de o ter feito mais de mil e uma vezes noutra condição.
É só uma ponte e uns metros de rua. É só uma escolha que faço. É só uma forma de viver que não tem volta atrás. É só conversa minha, ritual ou vício de dizer asneiras ainda que para dentro ecoando só na minha mente e com endereço.
É só um pouco de pena de mim, quer dizer, da minha coluna.
É só para depois, chegar aqui e debitar um texto que pareça bem verdadeiro a provar que tenho domingos de manhã bem animados.
É só...mas também...

saudade


Ensinaste-me tudo o que sei sobre a maior ave do mundo. O albatroz.
Ensinaste-me que a liberdade é preciosa. E que o desejo de a obter é sagrado.
Ensinaste-me a gostar do albatroz e da liberdade.
Não cheguei ainda à espiritualidade que me faria ambicionar ser um albatroz noutra vida que acaso venha a ter.
Mas adoraria ver o vôo rasante destes animais, nem que fosse de binóculos, nos mares do Sul...
Respeito muito um animal que é fiel e apenas tem uma parceira, embora voe livremente pelos mares e volte a terra uma vez no ano para acasalar.
Obrigada por me mostrares o mundo para além dos humanos.
Hoje, especialmente hoje, um abraço daqueles, do tamanho do Mundo. Maior...
Um abraço maior do que o Universo.
Podes não compreender, mas agradeço-te muito o que me ensinaste.
Muito, muito obrigada.
Continuas presente.