domingo, 20 de junho de 2010
varanda
sábado, 19 de junho de 2010
recado
Queriam aprender esse linguajar para lhes levarem recados que deixam ficar na areia, caminhantes como eu.
Prometi voltar amanhã para a primeira lição e deixar também um recado.
flor
Ontem, a propósito de homenagem a Saramago, a televisão passou uma entrevista que o mesmo deu algures. E a páginas tantas o escritor dizia que quando morresse queria que as suas cinzas fossem enterradas no jardim de sua casa, por baixo de uma pedra grande. Só queria que de vez em quando lá fossem colocar uma flor, para que não ficasse esquecido.
O desaparecimento comove-me e angustia-me mas o esquecimento desespera-me e assusta-me.
Guardei estas flores que colhi para a minha máquina fotográfica no último feriado , em que fui lembrada pela amizade. São de um jardim onde as flores para além destas que aqui coloquei, abundam e são lindas e nobres.
Guardei-as para as oferecer. Chegou o momento. Para que ninguém seja esquecido.
sinal
Hoje é 19. Que em numerologia significa Sol. E vitória. E força. E ego. E independência.
Estou presa a um dia 19 e simultaneamente liberta num dia 19.
Esta noite, estranhamente, sem haver motivo aparente, tive um sonho. Sonho sonhado, embalada nos braços de morfeu. Numa quietude tão serena que parece estou ainda na nuvens do repouso e do sonho. Um sono só. Meia noite, sete e meia da manhã.
Acordei sorrindo.
Devagar. Sob o efeito do meu sonho e das pessoas do meu sonho.
Não sei o que quer dizer. Não pensei nestas pessoas quando me deitei. Nem no dia 19.
Mas se sonhei com elas há um sinal qualquer que quero perceber e aceitar.
" Estava junto ao mar. Num porto. Onde havia muitos barcos. Subitamente vi um barco todo branco. Com o nome duma pessoa que me atravessou a vida breve e intensamente.E ma alterou. Só podia ser sua pertença. O nome, peculiar, único que conheço assim, é estranho, que nem parece nome de gente. E não é.
Esse nome aparece-me à frente. Como que por magia. Encarnando um corpo. Zangado. Acusador. Não percebi porque estava assim. Porque se zangava comigo. Eu já não me zango. Magou-me, entristeço-me, desiludo-me, mas não me zango...o tempo é tão escasso! Que não há tempo nem motivo para virarmos costas...
Alguém do bem, alguém que foi ternura, amor e compaixão apareceu junto de nós. A minha mãe.
Linda como era. Como eu a recordo. Como a tenho no meu coração.
Com a mão, apontei esse corpo com nome estranho, que não parece encorpar pessoa, e disse à minha mãe quem era. Ela sorriu-me. Sorriu-lhe e deu-lhe dois beijos. E numa ternura espiritual e de alma pura e elevada fez-lhe uma festa no rosto, na face direita.
Eu observava a pouca distância. Viraram-se alma e corpo para mim e vieram na minha direcção."
Acordei.
Acordei envolta nesta áurea.
Há palavras que nunca direi. Sonhos que nunca sonharei. Pessoas que nunca verei. Nomes que nunca saberei.
Mas na elevação da alma ninguém poderá intervir e a minha mãe, hoje dia 19 de um mês sem significado, senão o mês em que ela casou, sábado, nesta terra junto ao mar, que eu amo muito, veio trazer-me um sinal que vou querer interpretar.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Voando
Onde me antevejo caminhando ao encontro do Sol dos sóis.
Aquele que me de dá beijos.E me derrete no calor do meio dia, meia hora, meio tempo...
Num fazer de conta que me beija só a mim.
Gosto deste mar azul que me chama para sonhar madrugadas por adormecer e manhãs para namorar...
Que se senta ao meu lado e me ensina a meditar.
Gosto deste mar azul que me vem soltar o corpo e despertar a alma inquieta em desejos de liberdade.
a caminho do paraíso
Isto é o paraíso!
Sorri sarcasticamente. Em gestos de desdém.
Que triste figura a minha!...sempre vivendo futuros que nunca ou quase nunca chegaram esquecendo esse presente que era estar aqui, neste lugar.
Passava temporadas no paraíso e não sabia.
minha praia de eleição
mini férias
Partiu o Escritor

Ontem, antes de sair de casa, para gozar quatro dias sem nada fazer nem atrapalhar quem faz, olhei os livros que tenho e ainda não li.
O primeiro do monte era de José Saramago. Juro que foi verdade.
Pensei, que, portanto, em três dias, ia dar para ler um pouco, à beira da piscina, na areia da praia, numa esplanada. Porém esse livro que me foi oferecido no Natal de 2008 e ainda não lhe peguei, não foi o escolhido.
Confesso que ao me negar a trazê-lo fiquei com remorsos, pelo escritor e por quem mo ofereceu.
Sei que depressa justifiquei a minha conduta, com um: para ler José Saramago tenho de estar com as cinco oitavas no lugar e na praia não estou propriamente para me tornar letrada, por isso, a escolha recaiu num dos muitos livros sobre as vivências de gente que partiu de Angola em 1975, que estão muito na moda e eu sei porquê. É que finalmente a memória deita para trás das costas as mágoas e quer recordar e perdoar e não há como um livro de memórias dos outros para nos fazer recordar, perdoando. Comigo isso não acontece, porque não há nada a perdoar, eu é que tive de me perdoar por ter abandonado a minha terra, mas pronto, vim para férias com outro livro que não o de José Saramgo. Trouxe " A Balada do Ultramar " de Manuel Acácio.Não sou pessoa de dizer que nunca me arrependo das coisas que faço. Que é isso? Se há coisa que não sou é dona da verdade e do que é certo e como a verdade absoluta para mim não é matemática e o correcto também não, arrependi-me sim de muitas coisas que fiz e muito mais de outras que quis fazer e não fiz.
Por isso, estou arrependida de não ter trazido comigo o livro deste escritor que agora nos deixou.
Partiu o escritor. Simultaneamente, o homem. José Saramago morreu hoje em Lanzarote. Aos 87 anos. O homem da Azinhaga. Ribatejo. O homem que me fez sempre lembrar um imbondeiro.
Nunca nutri grande simpatia pelo homem. Achava-o pouco humilde. Seco e rude. Mas inteligente e íntegro. E muito corajoso. Uma virtude que admiro muito. Este olhar nos olhos do outro sem medos ou comprometimentos.
Quando o livro Caim, cai nas bancas e estoira a polémica, os simples mortais como eu, exaltaram-se, julgaram e cruxificaram-no. A frase: o homem passou-se, foi o que mais ouvi .Confesso que ainda que fosse verdade, isso, divertiu-me.
E passei a admirá-lo. Perceber almas é algo que gosto muito. Descobrir as respostas.
Quando o vi pela última vez sendo entrevistado, estava muito fragilizado fisicamente e muito mais humanizado, porém sempre muito firme nas convicções e nos propósitos. O tom de voz muito mais macio fez-me pensar que podia estar perto do fim.
Não me enganei, por uma acaso apenas. Por tudo o que José Saramago, ao longo dos tempos provocou em mim, pelo que me fez questionar, pela obra que deixa, sinto a sua perda com tristeza. Portugal e o Ribatejo, perderam um grande escritor, o prémio nobel da literatura 1998. Um homem polémico e singular.
Eu, assim que chegar a casa vou lê-lo, desta vez com outro olhar...
quinta-feira, 17 de junho de 2010
o futuro é hoje
Não te peço conselho. Digo-te antes que estou tentada a...apetece-me...porque não?!
Não sei o dia de amanhã. E se não tiver outra oportunidade?
Sou eu a convencer-me. És tu a ouvires-me.
Não espero que me aproves opções. Ou que digas: Vai, faz. O que te dá na real gana.
Mas no meio de todas as minhas dúvidas, da sensatez a tentar tramar a avidez de viver cada oportunidade como se não houvesse amanhã, no meio desse breve que pode chegar e ser vivido daqui a pouco, eu ouço-te, porque te veio à memória uma frase batida:
O Futuro é Hoje!
Não te pedi conselho mas gostava que tu aprovasses. E aprovaste.
E eu tenho para mim que vou mesmo oferecer-me esse presente nos meus 55 anos, que faltam pouquinho para completar.
E dou comigo a pensar que ou é da idade ou estou cada vez mais louca porque me quero oferecer umas férias conversadas num almoço a três, assim do nada...hoje. Sem pensar muito. Sem medir pós e contras. Sem pesar...
Os tempos estão a ficar difíceis e antes que eles se tornem impossíveis, eu acho que...eu vou.
Como tu dizes, o futuro é hoje. E hoje é que conta.
Por enquanto vou gozar quatro dias junto ao mar. Férias! Hoje...
Não sei o dia de amanhã. E se não tiver outra oportunidade?
Sou eu a convencer-me. És tu a ouvires-me.
Não espero que me aproves opções. Ou que digas: Vai, faz. O que te dá na real gana.
Mas no meio de todas as minhas dúvidas, da sensatez a tentar tramar a avidez de viver cada oportunidade como se não houvesse amanhã, no meio desse breve que pode chegar e ser vivido daqui a pouco, eu ouço-te, porque te veio à memória uma frase batida:
O Futuro é Hoje!
Não te pedi conselho mas gostava que tu aprovasses. E aprovaste.
E eu tenho para mim que vou mesmo oferecer-me esse presente nos meus 55 anos, que faltam pouquinho para completar.
E dou comigo a pensar que ou é da idade ou estou cada vez mais louca porque me quero oferecer umas férias conversadas num almoço a três, assim do nada...hoje. Sem pensar muito. Sem medir pós e contras. Sem pesar...
Os tempos estão a ficar difíceis e antes que eles se tornem impossíveis, eu acho que...eu vou.
Como tu dizes, o futuro é hoje. E hoje é que conta.
Por enquanto vou gozar quatro dias junto ao mar. Férias! Hoje...
os homens da pasta
Ufa! Os homens da pasta finalmente foram embora...
Isto diria eu há uns anos atrás, vendo chegar o último dia de inspecção feita pelos senhores inspectores, os homens da pasta, como os baptizei há muitas inspecções atrás.
Todos chegavam a nós com uma altivez conferida pelo poderzinho de tomarem de assalto todo o nosso trabalho de alguns anos. Desde a inspecção anterior. Mudavam-nos os hábitos, calavam-nos a alegria e por vezes o exagero e faziam-nos ser hipócritas. Tinham-nos na mão. Da nota que nos davam, dependia por vezes a progressão na carreira, a elevação da auto estima, o respeito dos colegas. E sabiam-no. E havia uma vaidade mal dissimulada, uma arrogância declarada. Uma certeza de que faziam de nós seres acobardados e rasteirinhos.
E onde púnhamos os narizes empinados? O profissionalismo ou o cumprimento do dever? Não púnhamos. Tinhamos que nos reduzir a uma insignificância que eles controlavam. No fim, uma chamada ao " confissionário " para nos apontarem as falhas, os erros, com o ar mais paternalista e superior do mundo. Imaginam os nervos, as raivas, os ódios que acomulávamos durante um mês ou mais, a levarmos com estas criaturas horríveis e implacáveis?
Pois é. Chegou o último dia de inspecção. Hoje. Os homens da pasta disseram-nos adeus. Obrigada, felicidades e até um dia...e foram cordiais, ponderados, educados, ouvintes, simpáticos.
Pois é. Chegou o último dia de inspecção. Hoje. Os homens da pasta disseram-nos adeus. Obrigada, felicidades e até um dia...e foram cordiais, ponderados, educados, ouvintes, simpáticos.
O sr. inspector antes de chegar à comarca, telefonara várias vezes. Gostei da voz do senhor. E tive a certeza de que seria uma pessoa como se revelou depois.
Esqueci-me que eles estavam ali diariamente e isso foi bom. Significa que não foram os verdadeiros homens da pasta.
Felismente para mim, estes homens vieram desmistificar a idéia de que são todos iguais e o que nos querem é tramar. Apanhar-nos as falhas, humilhar-nos, descer-nos a nota ou não no la subir de propósito, só por vingança, ou por compadrio e conveniência de uns e outros.
Não sei que nota vou ter nem me interessa. O meu trabalho não teve reparos e ele disse-mo. Por isso estou tranquila. Mais do que a nota, foi importante que quase no final da carreira alguém tenha vindo dizer que afinal há quem ande nas inspecções, que é tal como nós e não se endeusa em redomas intocáveis.
O meu desejo é que haja mais equipas de inspectores como esta. Em trinta anos de carreira foi a 1ª vez que estive tranquilamente trabalhando enquanto o meu trabalho foi observado, analizado e avaliado.
A justiça às vezes tem surpresas. E das boas.
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