domingo, 20 de novembro de 2011
temos pena!
O fim de semana vai a meio. Um dia passou depressa. Falta outro. De repente já estaremos com a angústia de domingo à noite.
Domingo passado alguém me dizia que os domingos são depressivos. De facto, quase todos os são. A partir das 6 da tarde.
Falo por mim, que viajo nesses dias, parecendo um burro carregado de pancada.
Este fim de semana não viajei. Fui para fora cá dentro do Ribatejo e diverti-me nessa passeata. E soube que tenho fama de que sou a dar para o desbocada e com as bocas que mando há quem se divirta e ria. E esse alguém é o meu herói Paulo. E diz que estando eu, não são necessárias anedotas para a gargalhada fácil e inconsequente. A fama que a gente ganha! Que é o contrário do, ganha fama e deita-te a dormir. Aqui é mais deita-te a dormir e ganhas fama...
Bem, há equívocos que não desfaço, porque não vale a pena. Vale mais andarem toda a vida enganados do que um simples desengano a desiludi-los.
E assim o que sei é que aquele automóvel de sábado à tarde é só rir com as anedotas que lá se contam e eu que apenas sei a anedota do tomate que diz para a tomata, tu matas-me, divito-me à brava com o sotaque brasileiro do mano Zé ou a anedota várias vezes contada pela caçula sobre os gémeos que foram baleados ainda no ventre materno.
Acabando a noite a beber chá de camomila com pêssego da máquina de café do mano Zé, depois de um jantar bem agradável e de uma conversa opiniosa, música de décadas atrás ( descobri uma, quer dizer, o mano Zé redescobriu-a e deu-ma a ouvir, que tem décadas e que me fazia sonhar cor de rosa nesse belo tempo em que pintava de colorido a minha vida futura num sonho pateta e imaturo ) e um filme documentário sobre angola no tempo dos cubanos, aqui estou de novo com a Pitanga aos meus pés enroladinha num novelo bonito, virada para a televisão, ouvindo e vendo a Clara Ferreira Alves e o Daniel no Eixo do Mal.
Na verdade, pensava que ia ser um fim de semana triste e cheio de saudades das minhas crias que viajaram para fora lá fora, mas apenas senti as saudades porque as tristezas nem me pagaram dívidas nem me fizeram sentir pena de mim própria e só me resta sorrir e dizer: Temos pena!
Domingo passado alguém me dizia que os domingos são depressivos. De facto, quase todos os são. A partir das 6 da tarde.
Falo por mim, que viajo nesses dias, parecendo um burro carregado de pancada.
Este fim de semana não viajei. Fui para fora cá dentro do Ribatejo e diverti-me nessa passeata. E soube que tenho fama de que sou a dar para o desbocada e com as bocas que mando há quem se divirta e ria. E esse alguém é o meu herói Paulo. E diz que estando eu, não são necessárias anedotas para a gargalhada fácil e inconsequente. A fama que a gente ganha! Que é o contrário do, ganha fama e deita-te a dormir. Aqui é mais deita-te a dormir e ganhas fama...
Bem, há equívocos que não desfaço, porque não vale a pena. Vale mais andarem toda a vida enganados do que um simples desengano a desiludi-los.
E assim o que sei é que aquele automóvel de sábado à tarde é só rir com as anedotas que lá se contam e eu que apenas sei a anedota do tomate que diz para a tomata, tu matas-me, divito-me à brava com o sotaque brasileiro do mano Zé ou a anedota várias vezes contada pela caçula sobre os gémeos que foram baleados ainda no ventre materno.
Acabando a noite a beber chá de camomila com pêssego da máquina de café do mano Zé, depois de um jantar bem agradável e de uma conversa opiniosa, música de décadas atrás ( descobri uma, quer dizer, o mano Zé redescobriu-a e deu-ma a ouvir, que tem décadas e que me fazia sonhar cor de rosa nesse belo tempo em que pintava de colorido a minha vida futura num sonho pateta e imaturo ) e um filme documentário sobre angola no tempo dos cubanos, aqui estou de novo com a Pitanga aos meus pés enroladinha num novelo bonito, virada para a televisão, ouvindo e vendo a Clara Ferreira Alves e o Daniel no Eixo do Mal.
Na verdade, pensava que ia ser um fim de semana triste e cheio de saudades das minhas crias que viajaram para fora lá fora, mas apenas senti as saudades porque as tristezas nem me pagaram dívidas nem me fizeram sentir pena de mim própria e só me resta sorrir e dizer: Temos pena!
ó p'ra mim com mais uma receita
Pão recheado
Um pão caseiro, 200 gramas de bacon cortado fininho e em pedacinhos pequeninos, um frasco de azeitonas desencaroçadas, cortadas às rodelas, um frasco pequeno de maionese, 2 colheres de chá de pó de alho, miolo do pão. Corta-se uma tampa do pão. Retira-se o miolo para uma taça e esfarela-se. Deitam-se as azeitonas, o bacon, o pó de alho e a maionese. Envolve-se tudo. Deita-se a mistura para dentro do pão. Tapa-se com a tampa de pão e vai ao forno até que o pão toste.
Barre tostas com esta mistura, que servirá de entrada para uma bela refeição.
Bom apetite.
( Receita dada pela minha cunhada Lurdes Alves Santos, obrigada sim? Estava bem boa a tua entrada )
Um pão caseiro, 200 gramas de bacon cortado fininho e em pedacinhos pequeninos, um frasco de azeitonas desencaroçadas, cortadas às rodelas, um frasco pequeno de maionese, 2 colheres de chá de pó de alho, miolo do pão. Corta-se uma tampa do pão. Retira-se o miolo para uma taça e esfarela-se. Deitam-se as azeitonas, o bacon, o pó de alho e a maionese. Envolve-se tudo. Deita-se a mistura para dentro do pão. Tapa-se com a tampa de pão e vai ao forno até que o pão toste.
Barre tostas com esta mistura, que servirá de entrada para uma bela refeição.
Bom apetite.
( Receita dada pela minha cunhada Lurdes Alves Santos, obrigada sim? Estava bem boa a tua entrada )
sábado, 19 de novembro de 2011
quem ganhará?
A casa dos Segredos é um reality show que passa na estação televisiva que a malta diz não gostar de ver. " Eu? Aquilo ali é só telenovelas e concursos "...
" Eu? Não conheço o concurso. Nunca vi. Deus me livre e guarde. Eu? Só vejo o canal 2 ". Isto puxando o queixo para cima e olhando à volta num desafio à pirosice e ignorância dos portugueses que vêm a TVI. Mão invisível na gola do casaco e a ironia e superioridade na postura e no olhar.
Mas, a vida tem sempre um mas. Dois, milhões. Mal irá a nossa vida se tudo encaixar qual puzzle bonitinho, matemático, num dois mais dois, quatro.
Senhores, mas, quem não viu a entrevista da senhora ministra à Judite de Sousa? Foi só por acaso que fazendo zapping lá foram parar?
Senhores, mas, quem não vê os jogos de futebol? E o sorteio do euromilhões? E o pivô José Alberto Carvalho dando-nos e bem, as notícias?
Senhores, mas quem é que não conhece a Kátia? " Kátia? Aquela da Casa dos Segredos? Ahahahahahahaahah! Farto-me de rir com essa miúda. Mas aquilo é mesmo assim ou é jogo? Ela nem sabe que África é um continente. E qual a capital de Espanha. E o que é um alpendre. E como se diz recipiente " Dizem uns e outros. Afinal como é que a fama da Kátia já é dum tamanho tal que se fala tanto nela como no dominguinhos que agora até está na pildra? É que esse é falado, mal falado, nos jornais, nos canais e noutros lugares onde se podem dar ais que o país afinal tem mãos marotas para o kapiango e cultura para o Globo pois que a América do Sul é um continente onde se encontram milhões e Portugal um país de kátias e gente que não vê kátias de porta escancarada, mas que às escondidas espreita pelo buraco da fechadura e põe culpa no vizinho pindérico e poucochinho que todas as noites assume a Casa dos Segredos como o seu programa de eleição.
Mas...afinal qual é o problema? Não é este país um reality show? Eu diria mais e que se lixe quem me criticar. Este país saiu-me uma Casa dos Segredos que não passa só na TVI. Até porque somos todos, mas é que é todos concorrentes manipuláveis e manipulados, não por uma VOZ, mas por vozes iluminadas e soberanas.
Quem vai ganhar? Eu arriscaria dizer que é justo que ganhe quem jogar melhor. Mas não. Desde o princípio que a gente sabe quem ganha isto.
Aceitam-se apostas. Eu não posso dar prémios. É que já vi a minha folha de ordenado deste mês e...senhores, só o que me descontaram dava para mais uma viagem, com estadia, a Luanda.
Quem ganha este jogo, posso nem saber. Mas o que sei é que eu não sou de certeza. Sou fraca jogadora e não tenho pedalada para Segredos. Não os tenho, não gosto nem sei guardá-los.
E...deixem-se de tangas. A Casa dos Segredos é uma vergonha, sim. Mas todos, todos nós, sabemos quem é Kátia. E afinal, é uma menina como outra qualquer. Engraçada, fazendo-se de burrinha e ignorante, ou não...e jogando, para ganhar. Que é o que qualquer ser quer da vida. Ganhá-la.
Eu cá, voto na Kátia! Fora os dominguinhos...
" Eu? Não conheço o concurso. Nunca vi. Deus me livre e guarde. Eu? Só vejo o canal 2 ". Isto puxando o queixo para cima e olhando à volta num desafio à pirosice e ignorância dos portugueses que vêm a TVI. Mão invisível na gola do casaco e a ironia e superioridade na postura e no olhar.
Mas, a vida tem sempre um mas. Dois, milhões. Mal irá a nossa vida se tudo encaixar qual puzzle bonitinho, matemático, num dois mais dois, quatro.
Senhores, mas, quem não viu a entrevista da senhora ministra à Judite de Sousa? Foi só por acaso que fazendo zapping lá foram parar?
Senhores, mas, quem não vê os jogos de futebol? E o sorteio do euromilhões? E o pivô José Alberto Carvalho dando-nos e bem, as notícias?
Senhores, mas quem é que não conhece a Kátia? " Kátia? Aquela da Casa dos Segredos? Ahahahahahahaahah! Farto-me de rir com essa miúda. Mas aquilo é mesmo assim ou é jogo? Ela nem sabe que África é um continente. E qual a capital de Espanha. E o que é um alpendre. E como se diz recipiente " Dizem uns e outros. Afinal como é que a fama da Kátia já é dum tamanho tal que se fala tanto nela como no dominguinhos que agora até está na pildra? É que esse é falado, mal falado, nos jornais, nos canais e noutros lugares onde se podem dar ais que o país afinal tem mãos marotas para o kapiango e cultura para o Globo pois que a América do Sul é um continente onde se encontram milhões e Portugal um país de kátias e gente que não vê kátias de porta escancarada, mas que às escondidas espreita pelo buraco da fechadura e põe culpa no vizinho pindérico e poucochinho que todas as noites assume a Casa dos Segredos como o seu programa de eleição.
Mas...afinal qual é o problema? Não é este país um reality show? Eu diria mais e que se lixe quem me criticar. Este país saiu-me uma Casa dos Segredos que não passa só na TVI. Até porque somos todos, mas é que é todos concorrentes manipuláveis e manipulados, não por uma VOZ, mas por vozes iluminadas e soberanas.
Quem vai ganhar? Eu arriscaria dizer que é justo que ganhe quem jogar melhor. Mas não. Desde o princípio que a gente sabe quem ganha isto.
Aceitam-se apostas. Eu não posso dar prémios. É que já vi a minha folha de ordenado deste mês e...senhores, só o que me descontaram dava para mais uma viagem, com estadia, a Luanda.
Quem ganha este jogo, posso nem saber. Mas o que sei é que eu não sou de certeza. Sou fraca jogadora e não tenho pedalada para Segredos. Não os tenho, não gosto nem sei guardá-los.
E...deixem-se de tangas. A Casa dos Segredos é uma vergonha, sim. Mas todos, todos nós, sabemos quem é Kátia. E afinal, é uma menina como outra qualquer. Engraçada, fazendo-se de burrinha e ignorante, ou não...e jogando, para ganhar. Que é o que qualquer ser quer da vida. Ganhá-la.
Eu cá, voto na Kátia! Fora os dominguinhos...
sexta-feira, 18 de novembro de 2011
Crumble de Maçã

CRUMBLE DE MAÇÃ ( que pode ser de banana )
Modo de fazer: - 5 ou 6 maçãs grandes- 1 chavena de chá de farinha- 1 chávena de chá de açucar- 5 ou 6 ovos (conforme o tamanho)- 2 colheres de sopa de manteiga- canela.
Unta-se um pirex comprido com manteiga.Descascam-se as maçãs, tira-se o centro com as sementes e corta-se em rodelas ou gomos. Dispõe-se no pirex bem acamadinhas. Rega-se com a manteiga derretida e salpica-se com canela.À parte mistura-se o açúcar com a farinha envolvendo muito bem.Cobre-se toda a fruta com esta mistura. Batem-se os ovos muito bem batidos e rega-se tudo. Se fôr feita com bananas devem ser cortadas ao meio.
A foto é minha. A sobremesa também. A receita foi-me mandada pela minha amiga:Maria Helena Sines.
Deliciosa esta sobremesa! Deixa-se comer que é um encanto.
Apenas um pormenorzito sem qualquer importância, só porque correu bem. Descobri que não tinha açúcar em casa e já estava de maçãs cortadas. Vai daí, substituí por mel. Ficou óptima. Mas parece que não é para fazer substituições. Diz a Helena e diz muito bem, que a mistura do açúcar com a farinha e o suco da maçã vão tornar a mistura num creme que não acontece com o mel. Cá p'ra mim ficou óptimo. Com passas de uva e, ou, nozes também deve ficar assim de comer e chorar por mais. E sem querer desvirtuar a receita, mas com uma bola de gelado de baunilha, natas ou limão, então?
Bem, fico-me por aqui porque tenho tanta tonelada em cima que um dia destes não ando, rebolo.
Modo de fazer: - 5 ou 6 maçãs grandes- 1 chavena de chá de farinha- 1 chávena de chá de açucar- 5 ou 6 ovos (conforme o tamanho)- 2 colheres de sopa de manteiga- canela.
Unta-se um pirex comprido com manteiga.Descascam-se as maçãs, tira-se o centro com as sementes e corta-se em rodelas ou gomos. Dispõe-se no pirex bem acamadinhas. Rega-se com a manteiga derretida e salpica-se com canela.À parte mistura-se o açúcar com a farinha envolvendo muito bem.Cobre-se toda a fruta com esta mistura. Batem-se os ovos muito bem batidos e rega-se tudo. Se fôr feita com bananas devem ser cortadas ao meio.
A foto é minha. A sobremesa também. A receita foi-me mandada pela minha amiga:Maria Helena Sines.
Deliciosa esta sobremesa! Deixa-se comer que é um encanto.
Apenas um pormenorzito sem qualquer importância, só porque correu bem. Descobri que não tinha açúcar em casa e já estava de maçãs cortadas. Vai daí, substituí por mel. Ficou óptima. Mas parece que não é para fazer substituições. Diz a Helena e diz muito bem, que a mistura do açúcar com a farinha e o suco da maçã vão tornar a mistura num creme que não acontece com o mel. Cá p'ra mim ficou óptimo. Com passas de uva e, ou, nozes também deve ficar assim de comer e chorar por mais. E sem querer desvirtuar a receita, mas com uma bola de gelado de baunilha, natas ou limão, então?
Bem, fico-me por aqui porque tenho tanta tonelada em cima que um dia destes não ando, rebolo.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
obrigada meu irmão
A minha família é gente de bom paladar. E dedo para os cozinhados.
Os homens da minha família têm sido escolhidos por mim para o apaparico. Porém, as mulheres sempre cozinharam bem. A avó Clara e a dona Celeste eram cozinheiras de mão cheia e paladar apuradíssimo.
Habituados que estamos à cozinha de hoje; às pizzas, ao sushi, à comida chinesa entre outras, esquecemo-nos de um bom churrasco feito nas brasas do fogareiro lá de casa, na sopa de feijão cozido lentamente, nas iscas com aquele molho grossinho, no esparregado, no cabrito guisado com feijão verde, na canja de galinha caseira com ovinhos amarelos e hortelã, no pargo grelhado com feijão cozido e couve, no cozido à portuguesa, nas quitetas com chouriço, na feijoada com couve lombarda, no esparguete guisado com carne de vaca, na vitela estufada com puré de batata verdadeiro...
E sempre que os vivos da família se juntam, aqueles que ainda têm memória de uma família jovem, unida e feliz, é inevitável o olhar sobre o tempo da infância e adolescência. E sobre a comida do pai. E da mãe. E cresce-nos água na boca desses tempos e lágrimas de saudades. Aiuê, belos tempos!
E vai daí, que se não aligeiro isto, fico num berreiro, que ando chorona que eu sei lá, e vai daí, ontem, o mano Zé fez o favor de me surpreender com um dos pratos da nossa querida mãe. Um dos que referi. Em dia do seu aniversário. Sei que foi por causa da nossa conversa no aniversário da cria. Sei que foi porque os afectos são tão importantes que valem bem a pena serem manifestados, partilhados e nunca esquecidos.
O mano Zé não é só grande no tamanho. O mano Zé para além de Grande, Ganhou!
Por vezes dou comigo a pensar que tudo se acaba. E entristeço.
Ontem, enquanto estive à mesa, molhando pão no molho da carne estufada, igualzinha à da dona Celeste, senti que a minha família viverá para sempre...
Os homens da minha família têm sido escolhidos por mim para o apaparico. Porém, as mulheres sempre cozinharam bem. A avó Clara e a dona Celeste eram cozinheiras de mão cheia e paladar apuradíssimo.
Habituados que estamos à cozinha de hoje; às pizzas, ao sushi, à comida chinesa entre outras, esquecemo-nos de um bom churrasco feito nas brasas do fogareiro lá de casa, na sopa de feijão cozido lentamente, nas iscas com aquele molho grossinho, no esparregado, no cabrito guisado com feijão verde, na canja de galinha caseira com ovinhos amarelos e hortelã, no pargo grelhado com feijão cozido e couve, no cozido à portuguesa, nas quitetas com chouriço, na feijoada com couve lombarda, no esparguete guisado com carne de vaca, na vitela estufada com puré de batata verdadeiro...
E sempre que os vivos da família se juntam, aqueles que ainda têm memória de uma família jovem, unida e feliz, é inevitável o olhar sobre o tempo da infância e adolescência. E sobre a comida do pai. E da mãe. E cresce-nos água na boca desses tempos e lágrimas de saudades. Aiuê, belos tempos!
E vai daí, que se não aligeiro isto, fico num berreiro, que ando chorona que eu sei lá, e vai daí, ontem, o mano Zé fez o favor de me surpreender com um dos pratos da nossa querida mãe. Um dos que referi. Em dia do seu aniversário. Sei que foi por causa da nossa conversa no aniversário da cria. Sei que foi porque os afectos são tão importantes que valem bem a pena serem manifestados, partilhados e nunca esquecidos.
O mano Zé não é só grande no tamanho. O mano Zé para além de Grande, Ganhou!
Por vezes dou comigo a pensar que tudo se acaba. E entristeço.
Ontem, enquanto estive à mesa, molhando pão no molho da carne estufada, igualzinha à da dona Celeste, senti que a minha família viverá para sempre...
quarta-feira, 16 de novembro de 2011
parabéns mano Zé
Sempre que chega este dia, 16 de Novembro, lembro-me de nós na casa do sr. Praça, para onde fui com 5 anos e tu pouco mais que um bebé. Foi naquela casa, junto à loja Bastos, muro com muro com as manas Rocha e Gildinho e do outro lado da rua com o colégio, que se festejaram todos os aniversários da nossa família ( até o nascimento da caçula ), durante dez anos que ali vivemos.
Lembro especialmente um dos aniversários. Uma mesa muito comprida. À hora do jantar. A mãe e o pai muito atarefados. Muitos convidados. Os tios todos. O sr. Rocha maneta, aquele que não sabia que os supositórios não se tomavam num copo d'água, ai que gozo que deu ao sô Santos descobrir esta ignorância dum homem que todos os dias punha os óculos para ler as noticias do Diário e do província de Angola e discutia à mesa o noticiário da rádio Ecclésia ou do Rádio Clube.
À mesa estavam também os teus padrinhos. E os filhos. Gostava tanto deles, que chamava também de padrinho e madrinha. E também gostava dos filhos. Sobretudo do Carlos. O Jorge sarnava-me os miolos e eu embirrava com ele.
Lembro-me que havia muito churrasco. E bacalhau. E salada de fruta. E bolo mármore que a minha madrinha do crisma, nossa vizinha, fazia tão bem. Também lá estavam os nosso vizinhos.
Era o teu jantar de aniversário.
Acho que não te dei os parabéns. Também era uma miúda e o que eu queria era muita gente, guloseimas e cantorias no fim de tudo.
Continuo a gostar de muita gente, guloseimas e cantoria. Mas cresci. E hoje, meu irmão, que comemoras mais um ano de existência, quero dar-te os parabéns e desejar-te tudo de bom.
Feliz aniversário, mano Zé.
Que tenhas um dia fantástico.
Obrigada por seres meu irmão com tudo o que isso implica.
Lembro especialmente um dos aniversários. Uma mesa muito comprida. À hora do jantar. A mãe e o pai muito atarefados. Muitos convidados. Os tios todos. O sr. Rocha maneta, aquele que não sabia que os supositórios não se tomavam num copo d'água, ai que gozo que deu ao sô Santos descobrir esta ignorância dum homem que todos os dias punha os óculos para ler as noticias do Diário e do província de Angola e discutia à mesa o noticiário da rádio Ecclésia ou do Rádio Clube.
À mesa estavam também os teus padrinhos. E os filhos. Gostava tanto deles, que chamava também de padrinho e madrinha. E também gostava dos filhos. Sobretudo do Carlos. O Jorge sarnava-me os miolos e eu embirrava com ele.
Lembro-me que havia muito churrasco. E bacalhau. E salada de fruta. E bolo mármore que a minha madrinha do crisma, nossa vizinha, fazia tão bem. Também lá estavam os nosso vizinhos.
Era o teu jantar de aniversário.
Acho que não te dei os parabéns. Também era uma miúda e o que eu queria era muita gente, guloseimas e cantorias no fim de tudo.
Continuo a gostar de muita gente, guloseimas e cantoria. Mas cresci. E hoje, meu irmão, que comemoras mais um ano de existência, quero dar-te os parabéns e desejar-te tudo de bom.
Feliz aniversário, mano Zé.
Que tenhas um dia fantástico.
Obrigada por seres meu irmão com tudo o que isso implica.
terça-feira, 15 de novembro de 2011
perdidamente confusa
Virada que sempre estive, para a função na qual me sinto predestinada, que é cuidar do que me pertence, do que gosto, do mundo, seja gente, sejam coisas ou animais, nem reparo que não tenho um grande umbigo. Se bem que naquele tempo, nesse passado em que nasci, fosse essencial tratar desse particular com tanto cuidado que pertenço ao grupo dos que acabaram tendo um umbigo pequeno mas bem feitinho, tratado que foi pela Dona Apolónia e pela mãe.
E páro para pensar que não tomando conta de mim, por " programada " que esteja para a função para que fui predestinada, e que me torna mais vivente, forçosamente, serei um desastre, um fracasso, ou mesmo uma farsa para esses outros que esperam de mim que cuide deles, ou não esperam mas que eu quero e gosto de cuidar.
E só quando estou de mãos cheias de nada, me perco em pensamentos que me martirizam o espírito um pouco estéril do ontem, do hoje e do que pode não ser, e percebo que, logo eu, que no crer sou tão ambiciosa que ouso ter a pretenção de cuidar de todo o mundo, afinal não sei tomar conta de mim...
Podia fingir um pouco. Colocar a máscara. Mas cansa-me. Não tenho jeito. Fica-me mal. Apenas gosto daquelas que me tornam a pele mais brilhante, macia e saudável. Não vou em carnavais e ainda que queira esconder-me nuns óculos de sol, as lentes têm de ser graduadas, devido à insuficiência e estão caras demais.
Neste chove não molha que o Outono se me apresenta, vejo-me a brilhar no sol do meio dia, capaz de cuidar de todo o mundo, para logo de seguida me ver esconder do trovão que insiste em acrescentar ao meu desastrado e desatento viver, maior desassossego, dizendo-me que não sou capaz. Que não sei tomar conta de mim.
Pergunto à vida, em que é que ficamos?! Entro em pânico ou encolho os ombros e sigo adiante que para a frente é que é o caminho?
Se ao menos tivesse lapsos de memória, não saberia o que é ter pânico da escola e poderia voltar a estudar. Talvez aprendesse a tomar conta de mim...
E páro para pensar que não tomando conta de mim, por " programada " que esteja para a função para que fui predestinada, e que me torna mais vivente, forçosamente, serei um desastre, um fracasso, ou mesmo uma farsa para esses outros que esperam de mim que cuide deles, ou não esperam mas que eu quero e gosto de cuidar.
E só quando estou de mãos cheias de nada, me perco em pensamentos que me martirizam o espírito um pouco estéril do ontem, do hoje e do que pode não ser, e percebo que, logo eu, que no crer sou tão ambiciosa que ouso ter a pretenção de cuidar de todo o mundo, afinal não sei tomar conta de mim...
Podia fingir um pouco. Colocar a máscara. Mas cansa-me. Não tenho jeito. Fica-me mal. Apenas gosto daquelas que me tornam a pele mais brilhante, macia e saudável. Não vou em carnavais e ainda que queira esconder-me nuns óculos de sol, as lentes têm de ser graduadas, devido à insuficiência e estão caras demais.
Neste chove não molha que o Outono se me apresenta, vejo-me a brilhar no sol do meio dia, capaz de cuidar de todo o mundo, para logo de seguida me ver esconder do trovão que insiste em acrescentar ao meu desastrado e desatento viver, maior desassossego, dizendo-me que não sou capaz. Que não sei tomar conta de mim.
Pergunto à vida, em que é que ficamos?! Entro em pânico ou encolho os ombros e sigo adiante que para a frente é que é o caminho?
Se ao menos tivesse lapsos de memória, não saberia o que é ter pânico da escola e poderia voltar a estudar. Talvez aprendesse a tomar conta de mim...
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
há dias assim
Há dias que ainda tenho uma placenta dentro de mim...Há dias que me sinto tão mãe como todas as mães do mundo juntas.
Há dias que queria carregar as minhas placentas e voltar ao ventre da minha mãe.
Há dias que doem tanto que só colo de mãe e afago de filhos para transformar lágrimas em sorrisos e silêncios em palavras de esperança.
o melhor que há no mundo


Temos queda para o drama, vivemos entre a alegria e a tristeza, na corda bamba, entre a presença e a ausência, entre as chegadas e as partidas e a vida questiona-nos mais do que nos responde. E contraria-nos. E põe-nos à prova. Constantemente.E não há lágrima que não deslize, nem careta que não se transforme em sorriso quando nos chamam guapa.
E mesmo que hoje nos apeteça meter a cabeça na areia, ser uma couve, ou hibernar até 2012, quando nos chega a notícia e nos chamam guapa, ainda conseguimos pensar e sentir que os filhos são o melhor que há no mundo. Estejam eles onde estiverem.
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