segunda-feira, 23 de agosto de 2010

lusco-fusco

O lusco-fusco é quase irreal.
Demora o tempo de um suspiro, de um afago, de um acenar de mão, de um beijo nos lábios...
Fugaz e rápido.
Ao domingo, o lusco fusco tem o cheiro do mar a vazar. Da melancolia.
E a cor violeta da perda.
E a assinatura do fim.
E como despedida, segreda-me ao ouvido, eu que odeio segredos, que nesta solidão de domingo galopando para a noite, também eu sou um lusco-fusco.

domingo, 22 de agosto de 2010

a praia e eu

O mar estava lá todinho à minha espera. E eu, claro, eu fui que não me fiz rogada.
Mas hoje foi mais praia que mar. Contemplação, tem hora e a minha hora foi de banho.
Estendi a toalha azul ( não tenho outra ) e cobri-a com o biquini azul, igual ao azul tantos que vi ao sol.
Mal pude esperar e fui molhar os pés. Surpresa das surpresas, a água estava quase tépida. Uma novidade em terras do Cabo Carvoeiro. E nem pestanejei.
Um bom banho salgado e muitas algas a temperarem a ousadia. Depois foi secar ao sol, para rematar.
Foi assim o meu dia em Peniche.

hoje, o mar

Devagar e a passo certo chego ao mar.
Falta-me percorrer a distância da calçada, até lá.
O sol está quente e há poucas sombras.
Abrigo-me na minha.

" O Pedro "

Se gostam de comer peixe fresco e passear até à praia, o Restaurante " O Pedro " em Peniche, na rua dos restaurantes, a caminho do porto, é o ideal. A relação qualidade/preço é fantástica, os empregados são simpáticos, o dono, mais ainda e fixa-nos e pergunta-nos pela família, o que pode ser constrangedor, mas pronto se não querem levar a família, ou se há elementos que já não fazem parte do núcleo duro, das duas uma, ou não vão ou vão e enfrentam a pergunta e desculpam-se como melhor souberem e quiserem. Eu aconselho-vos a irem. Não tenho comissão nenhuma. Nunca tenho. Gosto que os meus amigos, o povo todo saiba onde se come barato e bem. A caldeirada de peixe é muito boa e custa 21 € para duas pessoas que podem ser três. A dose de sardinhas custa 6,50€. A espetada de peixe 10€ e por aí adiante. Então? Parece-vos bem? Ah, hoje esteve agreste o serviço de mesa. Tiveram uma enchente dos diabos e vi claramente visto, com estes olhinhos de lince e ouvi com estes ouvidos de tísica, um empregado pedir a um cliente que se encontrava a comer que se levantasse porque precisavam de ir a uma dependência que ficava ali mesmo ao lado. E não é que o cliente se levantou? Eu noutros tempos ficaria piursa mas hoje também me levantava na boa, nem que fosse para ter uma história para contar sobre o restaurante da minha eleição, nesta terra que eu amo. Parece que não tenho grande exigência na escolha não parece? Mas tenho sim. Eles, mesmo quando fazem pedidos no mínimo inoportunos, são simpáticos e são mais que muitos de forma que os nossos pedidos também são satisfeitos na hora. Vale uma visita e não precisam de dizer que vão da minha parte porque eles não sabem o meu nome. Apontam-no, como faz o " Toucinho " ou o " Minhoto " em Almeirim para a sopa da pedra, mas esquecem de seguida. Bom almoço...

palhaçadas and so on



Hoje há circo em Peniche.

Jardim da Gulbenkian ao sábado

Há tardes repousantes e verdes.
Um som, um livro e tempo.
Para uma conversa, companhia.
Um passeio; escadas e caminhos por entre os canaviais.
Parar. Sentar nos bancos de pedra, ou deitar na relva junto ao lago.
Captar imagens.
Ouvir o som de tardes de sábado e de paz. Da água fresca dos riachos.
Seguir o vôo das aves.
Ensaios de momentos.
Breves instantes tocando pequenos céus com as pontas dos dedos.
Estar às portas de casa...

uma movida madrilena

Lisboa a partir dos Restauradores. E da noite.
Captei esta imagem num momento de calma. Mas desenganem-se se pensam que o verão e o fim de semana estavam de férias de Lisboa.
Nas Portas de Santo Antão não se conseguia dar um passo que não se pedisse perdão a um turista, pelo transtorno causado pelo encosto, pisadela ou encontrão.
E no Santini a fila vinha para a rua uns bons metros. Os restaurantes a abarrotar.
O Chiado subia e descia de chinelo no pé, saltos altos e ténis. Calções e mini-saias. Rumo ao Bairro Alto.
A Baixa no seu melhor.
A capital tão luminosa, alegre e fervilhante a fazer lembrar Madrid, aos sábados à noite.
Uma verdadeira " movida madrilena " esta Lisboa que eu amo.

encarnados desmaiados


Oh Jesus! Desce à terra....
Os homens não são anjos nem têm asas. Estão sem força nas canetas. E de encarnado desmaiado. Cá para mim que sou uma pessoa crente, precisam é do patrocínio da Herbalife, seguindo assim a Académica.

sábado, 21 de agosto de 2010

Quando, quando, quando.

palavras escritas

" Gosto tanto, tanto, tanto de ti, que...acho que te amo "

Li estas palavras, algures de alguém para ninguém.
É uma declaração de amor tão bonita que me apeteceu eternizá-la. Aqui.
Ainda que não fosse verdade, ou não passassse apenas do momento da escrita.
Que interessa isso?
A intenção não é importante.
O que importa é a coragem para se pintar de vermelho essa paixão de segundos.
Qual tela de pintor. E alguém que não é ninguém, a musa inspiradora.
O amor fica sempre bem no retrato.
Li estas palavras, feitas declaração de amor e não esqueci.
Hoje apeteceu-me eternizá-las.

Colbie Caillat - You got me

Cartas para Julieta - Trailer

Eu sei que vão gostar " cartas para julieta "


Ainda há filmes que me comovem. E me fazem chorar.
Ainda há histórias que me fazem acreditar. Que não são mera ficção. Que acontecem.
Conheço algumas que passaram tão perto de serem uma história assim que quase revejo os protagonistas nesta bonita comédia romântica.
Chamem-lhe clichê, história batida ou outra coisa qualquer. Eu gosto. Senti-me dentro da história e gostei do que senti.
Quem é que não acredita num grande amor? Quem é que acha que é tarde demais?
Quem já desistiu?
Se por acaso estão fartos de calor e praia, vão ver este filme " Cartas para Julieta ".
Eu sei que vão gostar.

ao sabor do tempo


O sol invadiu-me o dia, logo pela manhã.
Eu deixo. Porque é sábado.
Acordo na luz, ao toque do seu afago morno.
Que promete.
Gosto de acordar neste lugar.
Acorda-se mais e melhor.
O tempo parece parar nas madrugadas e recomeçar nas tardes quentes.
A noite voa até à aurora mas não se despede.
Fica. Permanece. Tem o sabor do amor que nunca morre.

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

jovens

" Vem comigo vem prá rua...vem..."
Cantando e assobiando, um puto entra no autocarro feliz e bem disposto. Os outros riem-se.
-Meu, ganda som.
Ouvem-se mais gragalhadas.
- Sabes o que é isto? - diz o pseudo cantor.
- F......, c......,isso é uma merda.
- É da Deolinda, meu. Nem conheces. É fixe.
- Para avacalhar é do melhor. - Diz o terceiro puto.
- Eh pá, isso é música do Avante. - Diz o segundo.
- Não gostas do Avante? Não vais. - Responde o cantor.
- Eu pá, és maluco ou quê? É o festival da erva...
Uma gargalhada nervosa por parte dos outros dois.
- Não gostas, não! - Continua o cantor.
- Puto, não me f...., yá?
Isto aconteceu no primeiro minuto, dentro do autocarro.
São estudantes de qualquer coisa e iam para a Nazaré passar o fim de semana.
Numa casa de dois quartos e uma sala. Vão lá estar quinze. Iguaizinhos a estes, aposto.
Não queria estar na pele dos donos da casa na segunda-feira. Parece que nem sabem que são tantos. Uma prima de um deles, filha do dono, convidou e eles aceitaram, claro está.
Não queria ser a dona do apartamento mas queria ser mosca para perceber o que acontece com quinze jovens, numa casa de pequenas divisões, num fim de semana.
Tudo ao molhe e fé em Deus, provavelmente.
E quem se lixa é o mexilhão, ou seja, os mais velhos e donos da casa.

semana profícua

A semana está no seu final. Sobrevivi. Sobrevivo sempre.
Mais do que isso. Vivo.
O tempo é galopante e assusta quem dele depende.
A mim já quase, não. Quero viver só o segundo, o minuto presente. De vez em quando tenho recaídas e faço planos, mais que um dia, um mês, meses. Nunca chego ao ano. São muitos dias somados para fazer contas de cabeça e a matemática nunca foi o meu forte.
Sou mais das letras. Da palavra e da voz.
Ontem jantei com a caçula. Para falarmos. Ambas cansadas e desgastadas. Eu, sem motivo aparente. Ela, com os motivos todos. Mas foi bom. É sempre. Soube das novidades do Paulo, que me deixam muito feliz. À saída o sr. Vítor mais uma vez me gabou o perfume. E me perguntou se queria levar o Alfredo para Luanda. Conversa mole, esta. Mas, conversa. Comunicação. Palavras. Que caiem bem.
O que me caiu para lá de bem, foi uma caixa de tigeladas que a caçula me ofereceu. Deram-lhas a ela e ela passou-as a mim. Porque será? Uns bolos feitos de ovos, e fritos,com a consistência das omeletas, redondos e que são a especialidade da cidade de Abrantes, que fica a poucos quilómetros de Torres Novas. Levei-as para casa. E não lhes toquei.
Ao longo da semana foram fazendo-me ofertas no campo da culinária. Um queijo fresco de cabra, acabado de fazer depois da ordenha do leite à própria da cabrinha. E figos brancos, pingo de mel, tudo do quintal da D. Laurinda.
Quiabos enormes nascidos e criados na quintarola do mano Zé, que vão para o tacho este fim de semana, um frasco de doce de tomate da horta, feito pela Lurdes ( minha cunhada ) . As terras do Ribatejo são boas e dão quiabos que até dá gosto vê-los quanto mais comê-los. E tomate. E por aí a diante.
Comprei " bolos de cabeça " para levar às crias. São bolos típicos e massudos que parecem duas cabeças juntas. E se oferecem aquando dos casamentos, às pessoas convidadas e não só, nas aldeias. Têm sabor a canela e limão. Gosto deles torrados à fatia e com manteiga ou queijo creme ( não é nada assim que se comem, mas eu só desta forma é que gosto ).
De forma que hoje vou para Lisboa de cesto à cabeça,( não é, mas quase ) parecendo uma provinciana que vai à cidade com os produtos da santa terrinha.
Porque não?
Ah, ainda recebi uma prenda de aniversário muito afectuosa. Um álbum de fotografias. Com fotos de pessoas que me dizem muito. E com momentos meus, das crias e nossos, que captaram. Coisa linda e amorosa e que me faz agradecer muito o cuidado posto neste presente que se quer eterno.
Há, no álbum de papel reciclado e colorido, pardo e amarelos, às bolas, uma pessoa que já não está entre nós, mas está e estará sempre. Há os aniversários dos meus filhos. A minha caçula e o seu Paulo. O mano Zé e a Lurdes. A passagem de ano de 2009/2010, o 1º dia de 2010. O Carnaval e eu e mais alguns, com uma cabeleira à Jimmy, divertida e ridícula. Há os pequeninos. Rafael e Teresinha. Ele a tomar o primeiro banho e as minhas mãos agarrando-o. Há os restantes elementos da família e alargada a outros elementos em noites de verão, no alpendre do " Bom Amor ".
Há muito empenho. Muita amizade. Muito cuidado. Como sempre.
Esta semana foi um tempo muito positivo. Recebi. Muito. Como que a dizerem-me que vão-se uns tempos e vivem-se outros. E o que interessa é que se Viva. E eu vivi.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

chamada de atenção

Pouco sei do Facebook. Inicialmente não aceitava os convites. Depois apareceram amigos que me queriam adicionar e não fazia sentido rejeitá-los. E aceitava-os. Mas nem sequer lá ia ver como aquilo era. Não tinha a menor curiosidade e tinha algum receio. Ouvia dizer que o facebook era perigoso.
Também ouvi a várias pessoas que vêm ler o blog que as fotografias publicadas aqui podem tornar-se perigosas. Já publiquei algumas, que depois retirei por não querer que as pessoas em causa se sintam inseguras ou prejudicadas. As minhas, não as retiro, e continuarei a publicá-las mas são minhas e eu assumo o risco e o perigo. E depois, com franqueza, para que querem fotografias minhas? Não servem para nada útil.
Também ouvi muitas vezes dizer que o site Sanzalangola era perigoso.
Conclusão a que chego: a Internet pode ser perigosa ou prejudicial. Será?
Eis uma questão a que talvez não saiba dar resposta. Também não tenho de saber. Aliás, sei muito pouco sobre todas as questões e mais esta.
Uma coisa eu sei. Sempre que entro no Facebook, nos blogs, em sites assumo-me como Maria Clara Santos. Tenho sete nomes no B.I. mas não é necessário escrever o nome completo para me identificar. Aliás, seria uma seca a acrescentar à seca que por vezes sou. Sei que há muita gente, mais do que deveria existir que anda por todos estes lugares da internet sob pseudónimo, assumindo personalidades que não existem, portanto, falsos que nem Judas. Deixo com a consciência ( ? ) de cada um e não é por isso que vou deixar de ser quem sou.
Uns meses antes de voltar a Luanda em 2009 comecei a ser alvo de críticas após os comentários que fazia na Sanzalangola por parte de gente que não se identificava. Como se me conhecessem e tivessem um ódio de estimação por mim. Fui chamada de bipolar entre outras coisas de um jeito que não deixavam dúvidas quanto à intenção ofensiva. Por essa altura uma mulher começou os seus comentários ali. Com nome verdadeiro. Dirigindo-se-me. Comentando a seguir aos meus comentários e aos das pessoas que se me dirigiam. Tentando chegar também, às minhas pessoas. Utilizando palavras e termos vulgares, mas que fazem parte do meu discurso, como agreste, criatura, ervilha ( para designar o mundo )feroz, entre outras. Como se fosse uma cópia de mim e do meu discurso. Inicialmente simpática e próxima. Eu sabia quem era embora não a conhecesse. Era uma pessoa que surgia do meu passado mais remoto. De criança. E que deixara para trás. Por via do sanzala encontramo-nos e eu fiquei muito contente por esse encontro. Jantámos juntas, uma vez. Ficou a saber onde morava porque me levou a casa.
Nunca mais a vi. Mas ouvi. Muitos meses seguidos. Anonimamente, o meu telemóvel e depois o fixo, que é confidencial, tocavam dias e noites numa esquizofrenia que me fez acreditar que fosse quem fosse ( porque não soube logo quem era ) estava concerteza louco. Durou de Julho de 2009 a Fevereiro de 2010. Inicilmente era só ao fim de semana e de noite, depois da meia noite, que recebia as chamadas sempre como DESCONHECIDO no ecran do telemóvel, e depois passou a ser durante o dia. Por esta altura estava de férias e a pessoa parecia enlouquecida numa compulsão assustadora. Nunca falava mas ouvia-me, porque eu simplesmente não me segurava e falava também numa tentativa de ficar com as chamadas marcadas para descobrir mais tarde junto das operadoras. E consegui. E percebi que era mulher por um sussurro ameaçador, muito ameaçador, em resposta à pergunta que sempre fazia " o que é que quer de mim? "
Avisei que ia participar criminalmente, mas isso não assustou a criatura reles e cobarde, para além de louca que eu tinha à perna. No período que estive em Luanda, claro, não recebi chamadas. No sanzala passei a ser alvo de críticas duras por parte dela que andava desconfiada. Comigo. Atacando também uma amiga minha que claramente se percebia que o era, na tentativa de me atingir. Manipulou as pessoas que iam comentar ao site ( fotos de Luanda ). Num comentário que fez atingindo uma amiga minha, passei-me e para que percebesse que eu descobrira que era ela que me tentava atormentar, escrevi de acordo. Até para que desistisse, pelo medo. Não me interessava conhecer os motivos que uma criatura possa ter para semelhante atitude obsessiva. Não existiam, não existem. Só na cabeça dela obviamente. E têm de ser analisados, por técnicos de saúde. Não por mim.
Os críticos de que falei anteriormente surgiram com compaixão pela criatura e criticando a minha conduta, nada percebendo sobre a minha conduta para com ela. Algumas pessoas sabiam o que se passava, nomeadamente amigas de infância que não a conheciam e algumas pessoas que escreviam no sanzala e das quais me tornara amiga. Preveni-as.
Não devemos andar sempre a dizer como somos, enaltecendo detalhes da nossa personalidade que nos possam colocar acima de outros mortais. Eu nao o faço. Porém como sempre, como agora o estou a fazer, digo o que penso sem jogos. Quando é a sério, é mesmo a sério e sei que sou honesta e acredito na lealdade porque sei que sou leal e forçosamente, tem de haver gente como eu, porque não sou especial.
Percebi que pelo menos, uma das pessoas que preveni sobre esta situação, e isto nada tem a ver com um desentendimento meu com alguém que aos restantes não diz respeito e portanto ninguém tinha de se afastar dela por minha causa, mas é algo que pode tocar a todos, e é indicativo de alguém perturbado e perigoso, não mudou a sua atitude, dizendo-me assim nas entrelinhas ( foi a leitura que fiz ) que preferia o contacto com essa senhora ao meu. E trocava anos de vivência no passado por alguém que nem sequer conhecia. O que me entristeceu e desiludiu.
O que estava a contecer era grave. São chamadas anónimas. Um crime punido com prisão. À noite. 1,2, 3, 4 da manhã. De dia. A qualquer hora. Em casa. No emprego. Na rua. Na praia. Sozinha. Acompanhada. Chamadas seguidas. Mais de seis meses ininterruptamente. É perturbação do descanso e ofensa da integridade física e psíquica. Como dizia, uma das pessoas com obrigação de saber quem eu sou e porque não conhecia a dita senhora, como tal não perdia nada, não acautelou a sua segurança, nem os laços que nos uniram no passado e não se importou com a questão trocando e-mails com ela e comentários no Sanzalangola.
Depois de chegar de Angola pouco mais escrevi no Sanzala. Aquilo descambou por culpa de todos. Não me excluo dessa culpa. Mas achei por bem nunca mais escrever ali. Entretanto os administradores do site acharam também por bem limpar os comentários das fotos sobre Luanda, acto que na época critiquei, chamando os bois pelos nomes e assinando com o meu nome. A senhora em questão desapareceu do site, pelo menos com o nome verdadeiro.
Recebi alguns mails seus muito insistentes, e também do seu marido, mas nunca respondi. Recebi um telefonema seu com o número visível. Ao fim da terceira insistência, atendi e fiz das tripas coração para manter o diálogo. Aguentei o coração e consegui que me desse mais dois números de telefone. É contra a minha natureza o cinismo, mas naquele momento não tive outro remédio. Nessa noite e madrugada, recebi mensagens repetidamente. Quase ofensivas. E e-mails.
Participei dela. Criminalmente. Sabia que era ela. Confrontando os números que constavam das listas das operadoras, com números que me ligaram, com os que tinha dela. Quanto ao processo, não me manifesto como devem calcular.
O facebook entra na minha vida. Tenho ali alguns amigos associados.
Há uns dias recebi um convite da senhora em causa. Achei diabólico. Fui verificar se as minhas pessoas estavam também a ser convidadas por ela. E sim.
É uma pessoa desiquilibrada. Má e perigosa. Loucamente infeliz. Não desite. Anda no pé dos amigos que me estão adicionados. Apareceu dissimuladamente. E puxou a ela o meu irmão, duas amigas de infância e uma amiga do sanzala. E gente que eu não adicionei propositadamente e a quem recusei o convite. Mas que conheço e que me são de certa forma, próximos. Preveni o meu irmão e uma das amigas de infância. A outra não me surpreendeu porque nunca deixou de ter contacto com ela. Quanto à amiga do sanzala, que é minha amiga virtual, ela é que sabe. Há muito a preveni.
Previno todos os outros. Anda alguém no facebook no encalço dos meus amigos convidando-os para que se tornem seus amigos. Agora com um apelido diferente, que reconheço. Não os conhece de lado algum. Deduzo que só porque são meus amigos. É uma pessoa aparentemente normal, no trato, no que me foi dado ver, porém existe ali um desvio qualquer. E bastante grave. Se acaso alguém quiser saber quem é, eu dou o nome. Para se prevenir. Mas não aqui.
O meu endereço: m-clara-s@hotmail.com

Yuri da Cunha kuma directed by dj marcell

pesadelo/ sonho

Acordei assustada. Tive um daqueles sonhos, a que chamamos pesadelo, que sempre acontece quando estamos a dormir e o nosso subconsciente liberto faz o que não deve. Angustiar-nos, provocar-nos taquicardia.
Dizer-nos que é possível acontecer...se o sonhamos.
Sonhei que estava com a minha kamba, em Lisboa. E assim num de repente como quem estala os dedos ela anuncia-me que faltam quinze dias para a viagem para Luanda. E eu, entro em pânico. Dou-me conta que nem o bilhete tenho.
Eu sei o que é isto. Oh se sei!
Tenho de passar por várias barreiras até à minha estadia em Luanda que quero que seja realidade. E à medida que o tempo se aproxima, começo a ficar pessimista, estado em que me coloco facilmente, não fossem as pessoas optimistas que me cercam, estarem atentas.
Isto porque não tenho vida fácil e nada obtenho de mão beijada, assim numa facilidade que observo nas vidas de outros. Sem esforço, e sem vencer dificuldades. E por vezes tão grandes que me levam a pensar se não será melhor desistir. Mas o meu espírito um pouquito guerreiro, xinga-me num insulto de kandengue de rua: Uôôôô, mariquinhas, sempre a mesma, afinal não mudaste népias. Fica aí mesmo, te mereces..."
Picada, reajo. E não há ser que me pique mais do que o tal do espírito, fotocópia de mim. Aliás, pareço um passador...
Mas, felismente que não faltam quinze dias. Há tempo que a gente não quer que passe tão depressa assim, para que haja tempo, para saltarmos os obstáculos.
É esse tempo que eu quero para mim. Num relógio de horas certas, num tic-tac calmo e sereno para que finalmente eu possa acreditar que brevemente tenho todas as barreiras ganhas e posso sonhar com a voz do comandante, as luzes de Luanda ao cair do dia, noites cálidas, a lua prateando a baía, os galos cantando à meia noite, as manhãs melodiosas num é peixiêêê, peixiêêê, das quitandeiras, as mangas maduras, escorrendo líquidas pelos meus braços até aos cotovelos, os doces de coco, as maçãs da índia, a quitaba, a Baixa fervilhando de trabalho e movimento, a Ilha colorida e o seu farol, a luz maternal da avenida Brasil, as acácias e as mulembas, as tardes longas, o pôr do sol, os sábados do meu encanto, os domingos de manhã, o cheiro do mar dos mares, e os abraços maiores do que o universo...de um tamanho sem tamanho...
Não há como, transformar os pesadelos em sonhos! E eu sou capaz. É preciso acordar lucidamente, para Sonhar.
E neste momento só me apetece ouvir Helvio em Kuma, melodia cuiosa que faz sonhar regresso, alegria, casa, kimbo, Luanda...

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

contrariedades (?) ou não

Cheguei ao autocarro, de mau humor. Os pés a escaldarem. Os tornozelos doridos, as pernas em esforço. A cabeça, doida.
A motorista era a senhora " generala " que de simpática que é, quase me convenceu que a vida é bela e nós é que damos cabo dela, não fosse dar uma palmadinha nas costas dum puto que deve conhecer, só pode, e que o ia tombando pondo-o vermelho que nem um tomate maduro.
Disse-lhe que fumasse à vontade que eu ia entrando e depois voltaria a ela.
As " marretas " do banco da frente, number one, hoje já estavam, e no seu melhor. Fizeram-me um cumprimento rasgadíssimo. A mais pequenina, cambuta, igual a uma bola de berlinde colorida, sorrindo simpaticamente ( não sei o que se passava hoje que todas me pareceram simpáticas )disparou:
- Já se acabaram?
Não. Não estava a acreditar. Dose dupla?
Lembrei-me assim num de repente que quando tive a pneumonia ou fosse lá o que aquilo fosse e andei mais de um mês a tossir, com febre e dores nas costas,com um ar tão desgraçado que até eu tinha dó de mim, apenas um ou outra me desejava as melhoras, muito como quem não quer a coisa, não fosse eu passar-lhes todos os vírus que não tinha. Eu não sou vingativa...mas quem mas faz, paga-mas.
- Acabaram sim. Em Setembro há mais.
Pronto, dissera-o. Mazinha. Muito mazinha sim.
- Eu também ainda tenho uns diazitos para Setembro - crescendo para berlinde e meio.
- E eu para Dezembro - Ai que prazer me deu dobrar isto, num quem dá mais.
Desistiu. Não tem mais um dia que seja para me acenar. Temi que me acenasse com alguma baixa a fingir (?), daquelas que em tempos se davam.
Eu ainda teria 5 dias de Janeiro, mas fiquei por ali. O resto do autocarro ria. Elas não são burras e conhecem-se há muito tempo. Eu não. Eu só ando de autocarro há cerca de três anos, mas desconfio e a desconfiar sou para lá de boa.
Sentei-me. Liguei o MP3 do Bruno, que ainda uso, porque o pai do Bruno ( mano Zé ) não teve tempo para pôr as minhas músicas, mais que muitas no presente que os miúdos me deram no aniversário, um MP4.
Decididamente, não é o meu dia. Voltas dadas e acabei a ouvir Paulo Flores cantar que " É doce morrer no mar " repetidamente. E não fui capaz de voltar à fase primitiva. A simples. Que não custa nada saber. Como se faz aos cachopos.
Ouvir alguém cantar esta frase durante 2,3 minutos, ok, tudo bem, assim em dose repetida, é muita morte doce no mar, e o mar que é salgado de repente ficando com aquele sabor acre e doce, enjoativo, parecido com a preparação que nos mandam tomar para fazer uma colonoscopia, deu-me para num repente, lembrar-me de todas as pessoas que sei que gostam do mar incluindo eu, e vermo-nos todos agonizando docemente num mar azul... que arrepio! Que espetáculo deprimente!
Ou eu aprendo a trabalhar com o MP3 do Bruno ou pressiono o mano Zé para aprender rapidamente as manhas do meu, de direito. E agora, por conta de um princípio de manhã miserável, para ouvir o Paulo Flores, morrendo docemente no mar, vai ser preciso que o outono chegue, para que se criem as condições necessárias para o voltar a ouvir sem que isso me incomode o estômago e a vesícula.
Porque o Outono é a estação da queda da folha, da saudade e do romantismo, feita cacimbo e qualquer música de Paulo Flores encaixa no tempo ameno de manhãs bonitas, tardes curtas e noites frias é que acredito que ainda vai ser possível ouvir esta bonita canção sem que se me revolvam as entranhas. É preciso ter fé...