domingo, 4 de setembro de 2011

curiosidades I

foto tukayana.blogspot A capela da aldeia de Gouveia, terra do sô santos, no interior de Trás-os-Montes. Deu nome à rua, que se chama, a Rua da Capela. Se pensam que esta aldeia se ficou com uma capela, desenganem-se. Há uma igreja também. Logo no ínicio do povoado.

sábado, 3 de setembro de 2011

ainda o SPA de Alfândega

fotos tukayana.blogspot
















o tempo e eu

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Sonhei, um lago imenso
Onde a chuva caía
E eu chorava, porque chovia
Ao tempo pertenço
Nele me entristeço e choro
Chovem rios e mares dentro de mim
Afogo-me nas correntes em frenesim
E me devolvo ao sol brihando na nostalgia
Que arranco e transformo, em alegria.
Mudo como o tempo e o vento
Ora sul, ora norte
Que se afogue a má sorte
Porque se chove, eu choro
Se brilha o sol eu sorrio
Sou parceira do vento
Fruto do tempo
Amante do sonho
Que num lago navega o encantamento
E acorda, manhã, setembro cinzento
E pinta de branco a nuvem que passa
E cobre num manto bordado a cristais
O frio lugar, onde o meu olhar
Transparece
Ao encontro da paz
E chora e brilha num tempo inventado
Num sono profundo
Ou num sonho acordado
E é nesse meu tempo
Dentro de mim
Que se agiganta o mundo
Num tempo sem fim.

m.c.s. ( O.B. 11.09.02 )

Umberto Tozzi-Ti Amo

Diz que o dia que acabou agora era o dia do AMO-TE. Deixaram isso no meu mural com uma advertência. Para mandar a 20 pessoas a mesma mensagem que recebera e amanhã, quer dizer, hoje iria ter um dia muito especial e feliz. Bem sei que é sábado. E dia 3 do calendário, o que quer dizer que na numerologia é o meu número. Estou de férias ainda e por isso posso ter um dia especial, único, feliz e outras tretas, sem que tenha de cumprir a tarefa chantagista. Claro que não a pûs no mural de ninguém a não ser no da minha caçula, só para ela se rir, Só pode.
Mas encontrei esta música postada num grupo do facebook de que faço parte e achei piada. Já não a ouvia há tanto tempo, há mais de trezentos anos, desde o tempo em que era pirosa como o é o amor. Sim porque o amor é uma piroseira. Bem sei que, de que todos gostam, mas tal como o amor é uma piroseira quem ama é piroso e eu que amanhã, quer dizer, hoje não o vou dizer a ninguém porque não amo ninguém neste amor que lhes está a puxar o corpinho para a brincadeira, nem o vou cantar, já o fiz em tempos como toda a gente, se calhar mais que toda a gente, estou aqui a falar em piroseiras, a ser pirosa e a publicar músicas pirosas.
Afinal quem é que não foi já piroso?

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Té Macedo - Mama My Wayayé (Live)

Hoje no CCB esta voz magnífica. Não percam.

outra composição daquelas

foto tukayana.blogspotA Pátria

A pátria é a terra onde criam os nossos pais, os nosso tios e os nossos irmãos.
A pátria é linda querida dos portugueses e dos antepassados e dos nossos irmãos e dos nossos tios e avós. A pátria é uma terra enorme e lá vive muita gente como na serra da Estrela.
Eu nunca fui à pátria.
( redacção de um exame da 4ª classe para adultos e feita por um adulto )

composição de anónimo

foto tukayana.blogspotUma composição feita há mais de duas décadas, por um aluno no exame da 4ª classe de adultos, em Trás-os-Montes.

O Infante D. Henrique
O Infante D. Henrique foi o primeiro rei de Portugal.
Descobriu 3 terras que eram a Madeira e os Açores.
Os portugueses descobriram muitas terras com os mouros.
O Infante D. Henrique foi o 1º casado com a D. Filipa de Lencastre que deixou cair do regaço rosas que D. Duarte beijou que eram de Santa Maria.
O Infante D. Henrique estava a ver que nunca mais chegava ao Brasil.


Douro acima até ao Pocinho II












Douro acima até ao Pocinho

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Douro acima, a caminho do Pocinho, vinda do Pinhão. De comboio. A linha por vezes passa junto à margem a pouco mais de um metro.

navegando Douro abaixo




hoje é deste jeito ou não...

foto tukayana.blogspotChove que Deus a dá e eu posso observá-la, à chuva. E também, Olival Basto.
Dia triste e cinzento, este. Eu não saio. Vou tirar o dia para me espreguiçar, curtir a televisão, a música, o computador, a Pitanga e uma sesta. Lembro a Leonor que diz que lá na Gouveia com este tempo já acendem as lareiras.
Parece que apetece, sim. E comer chocolate. E chá. E ler. E ir buscar a manta e tapar-me até ao pescoço e ficar quieta, sem pensar nem sequer falar ou pestanejar. A ouvir o coração a bater devagar e compassadamente.
Vejo o nosso primeiro em Paris e sinto uma coisa parecida com enjôo. É o que me provoca. Mesmo sem querer. É visceral. Como gordura para a minha vesícula. Não o consigo evitar. Que é que querem? Estamos num país livre. Como? Será que estamos? Adiante.
Ontem vi a entrevista da Judite de Sousa a Paulo Macedo e senti o mesmo. E a cada hesitação deste, senti o espaço vazio da insegurança em que estes homens deixam a nossa saúde e a nossa vida.
Acho que vou sair, só mesmo para atravessar a rua e dirigir-me ao antipático da tabacaria aqui em frente, para um boletim do euromilhões, diz que são 114 milhões, jesus maria, xinamene... que a sair, me fará curar a vesícula nem que seja à força. Mudava tudo. Ia já de férias de novo. Nem que chovesse a cântaros, picaretas, potes e chouriços.
P'ra onde? Ainda se pergunta?
Onde o cacimbo chega ao fim. Os dias ainda passam devagar se o quisermos, as tardes têm o perfume do frangipani, da castanha de cajú a assar, do iodo que nos chega das rochas junto ao mar azul verde esmeralda. Onde os alpendres servem para nos sentarmos a conversar na noite que se anuncia com a partida do sol vermelhando o horizonte numa festa multicor. E o fresco da noite nos acaricia a pele queimada dum dia de praia à nossa escolha. Onde há kiandas a povoarem-nos a imaginação. A memória se suplanta e reinventa momentos de felicidade. No único lugar do mundo onde eu quero acabar. Com euromilhões ou não...

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

viagem de volta a lisboa

foto tukayana.blogspotHá uma semana que não ligava o MP4. Nem via televisão. Nem ouvia a Antena 3. Há uma semana que estava afastada de tudo e de todos. Há uma semana que vivi noutro cenário. Com outras pessoas, outras coisas. Há uma semana que estava perto, muito perto do que eu gosto de ter sempre. Paz e tranquilidade. Momentos de doce felicidade perto de pessoas que amo e onde me sinto acarinhada. Perto, muito perto do chão que também me pertence por via de uma herança que o sô santos se encarregou de deixar, falando anos a fio daquele lugar e fazendo-me conhecer tudo como se eu tivesse também nascido ali.

O autocarro é da Auto Viação do Tâmega, Lda. Não viajo senão nos Expressos. Desconheço que os bilhetes se preenchem à mão e que é preciso o nosso nome. Paguei 20 euros Chaves/Lisboa. Não achei caro. Mas é uma séca. O autocarro vai cheio. Diz que leva 6 horas. Quase o mesmo que o avião p'ra Luanda. Que raio! Bastou entrar no autocarro para começarem as comparações. É curioso, porque quando fui comprar o bilhete com a Leonor, subimos uma rua que vai ter ao quartel. E na avenida cheia de vivendas e árvores enormes, tocando-se pelas copas, dum lado ao outro da rua, pareceu-me estar a caminho do hospital Maria Pia, ida da igreja Sagrada Família, a pé, para fazer as sessões de tratamentos de ortóptica no hospital por causa da insuficiência de convergência detectada naquele hospital numa consulta que o Hernâni, administrativo no hospital, marcara, em 1974. Até me cheirou a Luanda e afinal estava a subir a avenida até ao quartel de Chaves.
Ligo o MP4. Perdi o cabo que liga ao computador para que carregue. Quando ficar sem carga não sei o que faça.
" Eu não sei se vou ficar bem assim, eu só sei, o que vai ser melhor para mim..." diz o vocalista dos Expensive Soul. Muito chorei eu ao ouvir este tema, quando saiu, e o ouvia na Antena 3. Chorei, que era o que fazia melhor, em 2007. Também me está a apetecer agora. Raça da letra, a mexer comigo, a provocar-me...
O motorista é a mesma criatura que me vendeu o bilhete. Homem antipático! O engraçadinho veio verificar os bilhetes de todos nós que somos mais que as mães. Quando verificou o meu, disse: Ora então vamos lá a ver, vai para Lisboa city. Nem para ele olhei. Limitei-me a receber o bilhete de volta. Felismente não me cruzei com gente assim todos estes dias que estive em trás-os-montes. Ah, só com a tia Lurdes, mas essa é um caso perdido que nunca foi achado. É a viúva do tio Acácio. Foi sempre uma simplória, metida a ignorante. Mas como nunca lhe deram crédito, e ela de burra não tem nada, tem até uma esperteza macaca, percebe quando mete os pés pelas mãos, leva um abanão e segue em frente. Assim que acabara de chegar do Pocinho, onde a Sofia, a Elisa, a Beta e a Leonor me foram buscar, ainda estava com um pé no automóvel da Leonor e já estava a ver a tia Lurdes, sentada num cadeirão de madeira, junto da casa da irmã, a tia Ester de Leonor. Chamada a atenção pela Leonor, disse: Olha que se te visse por aí não te conhecia e nem te cumprimentava. A que eu respondi como sempre lhe fiz: E agora também não, se não se levantar daí para me vir cumprimentar. E só assim consegui que ela viesse a mim. Já não nos víamos desde o funeral do tio Acácio, mais de 4 anos.
A tia Lurdes sempre foi assim e nós sempre lhe demos um desconto.
O autocarro pára na primeira terra. Vidago. Das águas que a gente bebe e nem se lembra que é do norte do país, atrás das fragas e calhaus, em terras para lá do Marão.
Zeca Baleiro me diz ao ouvido como se fosse segredo que... hoje recebi um telegrama...porque no mundo tem alguém que diz que muito me ama, que tanto me ama, por isso hoje acordei com uma vontade danada de mandar flores ao delegado, de bater na porta do vizinho e beijar o português da padaria... me dê a mão vamos sair p'ra ver o sol ...
Mais de meia hora de viagem, o sol finalmente mostra-se embora timidamente.
Porque será que olho as nuvens baixíssimas, andando velozes, e me lembro da Madeira? No fundo, apenas lhe falta o mar. Se trás-os-montes fosse uma ilha, era uma ilha lindíssima, a mais linda de Portugal. Digo eu, que viajo com o coração cheio de reconhecimento e orgulho desta região bela e hospitaleira. Transparente e honesta.
As terras entre Chaves e Vila Real são muito boas. Quem aqui habita tem uma qualidade de vida que não sei se se deixará apanhar pela crise.
Pedras Salgadas. Outra paragem. Aqui lembro-me bem de ter passado. Já foi há uns anitos. Quando a Leonor teve o acidente e ficou em coma. Vim vê-la a Chaves já ela estava em casa. Foi assim num de repente como eu gosto. Estava a almoçar e tive um apelo; houve aprovação total, e pusemo-nos ao caminho. Regressámos ainda nesse dia, chegando a Torres Novas de madrugada. Houve quem me chamasse maluca por fazer " loucuras " assim, e ainda chamam, porque sempre que é " necessário " as faço. Sempre fiz o que o coração manda e poucas vezes me arrependi. Ocorre-me a Julieta minha amiga desde o liceu, que vive na Suíça e num dia de aniversário meu, ligou para dar os parabéns às 6 da manhã e eu achei o máximo. Voltei para a cama e ainda dormi mais uma hora. Quando contei quem me dera os parabéns e como, recebi respostas quase indignadas pela falta de " senso " desta amiga. As pessoas não conseguem afastar-se do que é politicamente correcto, programado na cabeça delas, como normal. O que perdem, meu Deus! O que deixam de viver! Mas eu é que sou doida...
Se não entrar ninguém para se sentar ao meu lado, a viagem não terá um sr. Amorim, o que me parece bem pois preciso de sossego para pôr a minha vida em ordem e estas horinhas vão ser óptimas. Partilhar a tristeza do ponto final nestes dias tão bons, não me parece bem.
Gosto muito mais de andar de comboio. O espaço é maior. Levantamo-nos. Não nos tocam, se vão sentados ao nosso lado. Cada macaco no seu galho. Eu sou muito física, mas com os meus. Com gente que não conheço, o meu corpo rejeita, as vísceras também. E por muito que a cabeça diga que não me arrancam pedaço nenhum, não gosto.
Ainda estou a pensar em tudo isto e chega a 3ª paragem, Vila Pouca de Aguiar. Uma terra bonita. Parece Sintra, nas imediações. Lá estou eu com as comparações. É a terra do juiz Martins de Sousa, um homem com quem trabalhei e de quem gostei verdadeiramente de trabalhar. Com um sentido de humor oportuno. Com ele aprendi a expressão - Siga a marinha... há muitos anos que não o vejo, nem à Gina, sua mulher, pessoa divertidíssima que adorava os programas que faziamos naquele tempo em alegres convívios; funcionários, magistrados e famílias de ambos, mas isso foi no tempo em que Judas teve sarampo, porque hoje, estamos todos de costas viradas, até na classe dos oficiais de justiça quanto mais com magistrados. Tudo acaba, tudo morre e eu tenho pena. Primeiro porque não gosto de pontos finais, depois porque gosto tanto de viver...faz falta amizade entre pessoas que trabalham juntas anos a fio.
Se julgava que ia viajar sem parceiro ao lado, enganei-me. A criatura que se sentou desagradou-me porque assentou um rabo imenso no seu lugar esquecendo que eu ia ali. Esbracejou para um homem que ainda não se sentara e percebi que a partir dali a viagem iria ser complicada. Vi-a levantar-se e dirigir-se a uma rapariga que ia à janela, mais à frente. O meu número é o 29, um número que tem estória na minha história. E embora me alegrasse, percebi que esta mulher avantajada teve a lata de pedir à miúda que trocasse com ela para ir ao lado do homem que presumo seja marido. Entraram também uns miúdos que foram dizendo asneiras que me repugnam ouvidas na voz de quase crianças. Gente de não mais de 12 a 14 anos acompanhadas de miúdas com 16 a 18 anos. Pelo que percebi vão para Lisboa, para passar o fim de semana e regressam na 2ª feira. Um dos putos é tão parvo e atrevidamente mal educado, que o motorista perguntou se alguém saía em Fátima e ele respondeu que sim, saía ele. Não sendo verdade. Perguntam vocês, então e os putos que diariamente viajam contigo em torres novas e vão para a escola, não dizem asneiras cabeludas? Dizem, mas nós adultos somos a minoria, o ambiente é estudantil, diferente, muito diferente.
Don't panic dizem os Coldplay e eu acho oportuno e calmante ouvir este tema. Mais uma vez lembro Luanda, melhor, outra viagem, a primeira, a Luanda, depois de 33 anos de ausência, e relaxo.
Na área de serviço de Viseu parámos e recebemos um ultimatum. Podem sair, ir à casa de banho, comer e relaxar as pernas porque não voltamos a parar até Lisboa. Podem andar por aí cerca de 15 minutos. Meti o netbook na carteira e fui como os outros. Quando saí da casa de banho a fila parecia interminável. Em todo o lado há gente que guarda tudo para o fim. Telefono para a cria. Ouvir a sua voz faz-me bem. Hello?! Estou viva?! Yá! Sou mesmo eu que vou nesta viagem que em nada se parece com as minhas viagens.
Já deixamos Trás-os-Montes. Vila Real ficou para trás e os castanheiros também. O rio Tua, o Douro. De vez em quando a paisagem ainda nos parece gritar por uma região agreste e solitária. As vinhas nas encostas e as quintas anunciadas por gigantescos cartazes ficam para trás. Agora os pinheiros dão-nos um verde garrafa repousante e o sono chega. Bocejo de tédio. Não falo com a miúda. Nem ela comigo. Tentou, dizendo que trocou com a criatura gorda e mal educada. Olhou para o computador e para o livro de crónicas do Lobo Antunes. Sorriu cúmplice, a cada disparate ouvido e tombou para o meu ombro ( não me importei, podia ser minha filha ) adormecida. Acordou assustada e pediu desculpa. Trocámos umas palavras, sim, coisa pouca, nada que não fosse circunstancial.
Chegados a Coimbra, o esperto atrás de mim, acompanhado que estava duma senhora professora, pela conversa d'ambos, pese embora o que ele foi dizendo na viagem fosse duma estupidez atroz, (no início da viagem ainda me divertiu, mas foi-me aborrecendo à medida que o tempo foi passando ) disse: isto que é? Parece Lisboa. A senhora professora lá o elucidou. Ele é um puto que ainda não tem 20 anos, mas que parece muito sabedor da política, do estado da nação, porém não se localiza nem tem esperteza e sensatez para conhecer o mapa do seu país. Nem o Mondego o sensibilizou pois que dizia bacoradas umas atrás de outras.
Em Fátima esta mesma criatura acha que está em Aljubarrota e p'ra mim foi a gota d'água. E o Almonda ali tão perto... Era mesmo ignorante, e de chico esperto tinha tudo o que irrita quem tem de o ouvir 7 horas, quer queria quer não, sim porque a viagem não é de 6 horas, mas antes, de 7. A viagem é interminável e várias vezes disse p'a mim que nunca mais, não deve ser verdade, mas é muito difícil viajar num autocarro, sem paragens e com pessoas barulhentas, mal educadas e petulantes.
Após Fátima, sinto-me em casa. É verdade. Como as coisas são. Vejo a Serra d'Aire e Candeeiros e os meus olhos reconhecem o lugar de sempre. Como as rugas à volta dos olhos. Depois de 6 horas de viagem, descendo trás-os-montes, as beiras, o douro, o Ribatejo surge e eu sinto-me peixinho dentro d'água ou não fosse o Tejo correr para o mar a par e passo connosco a partir de Santarém. Apetece-me dizer à miúda dos olhos verdes que vai ao meu lado que eu pertenço aqui. E pertenço? Sei lá! Afinal, pertenço a algum lugar? Ver a serra d'aire aqueceu-me o coração que vinha triste e frio na descida do mapa. Como colo que me estendem, a região, torres novas a poucos quilómetros, provoca-me uma estranha emoção e fico com um brilhozinho nos olhos. Nem sempre sou justa com o Ribatejo. Olho à direita e vejo Minde, Moitas Venda. Depois entramos na A1. E pronto, estou na minmha praia. Tenho uma hora de viagem. A paisagem não é deslumbrante, estamos na lezíria. Mas conheço-a como a palminha das mãos. Relaxo. Estamos quase. Agora vai custar menos. A Leonor liga para saber se já cheguei. A cria também.
Entro na Estremadura. Lisboa à vista. Chego finalmente a Oriente, às 7 horas. Aproveito e tiro fotografias ao arco-íris e ao rio. À ponte Vasco da Gama.
Saí de Chaves às 12,25 e cheguei agora. Uma tarde inteira. Com tempo mau. Chuvoso e triste como eu. Sobrevivi. E não tarda nada, estou pronta para outra. Agora só quero ver a Pitanga, tomar um banho, e atirar-me para o sofá com as pernas esticadas e descansadas. Ligar à Leonor e à cria e deixar correr o tempo...

sessão fotopitanga




















Aqui está a D. Pitanga reinando, finalmente.
Sim porque ninguém reina ou se torna dona do pedaço se estiver sozinha. E foram oito dias, oito longos dias e noites, sozinha, algures no Olival. Com uma visita dia sim dia não de quem a estima muito, e que já toma conta dela nas minhas faltas mais longas. Mas não é a mesma coisa. Este colinho que gosta tanto! Esta lata para ocupar um espaço superior ao que lhe pertence! Esta posse! Esta marcação de território!
A minha Pitanga já merecia um destaquezito. Uma sessão fotográfica, à maneira.

dourando a pílula

foto tukayana.blogspotCheguei.
Fui recebida com pompa e circunstância que até trovoada, chuva e um radioso arco íris tive direito. E um taxista novo, bonito e simpático, que podia ser meu filho ? Que me explicou como funcionam as corridas de taxi fora de Lisboa, isto depois de me perguntar de queria ir pela segunda circular ou pelo túnel do grilo e eu responder que queria ir por onde fosse mais rápido e barato. Ele riu-se e respondeu-me: bem visto, sim senhora, a senhora teve piada. Então não é? disse eu, por Lisboa tem mais semáforos, pelo túnel sai-se logo de Lisboa e o tarifário muda, mas se há um acidente a caminho do túnel, estou feita. A criatura riu-se e disse-me: a senhora é sempre assim? - Assim como? perguntei. - Diz tudo o que pensa. Tem dias... e pessoas. Sabe que há gente a quem não podemos dizer o que pensamos...não merecem. Riu mais uma vez, levantando o braço e acenando com o indicador para trás, para mim, como que a dizer que eu tinha razão. Enfim! Quando cheguei ao Olival, apressou-se a retirar as minhas coisas que pareciam chumbo, e a pôr-mas à porta. Um amor. E eu ao fim de sete horas de cu tremido, dorido e dormente, estava mesmo a precisar de um mimo.
Mas ao subir as escadas e abrir a porta tinha a Pitanguinha à minha espera. Baixei-me para lhe agarrar e ela mandou um salto para trás assustadíssima. Falei-lhe como sempre. Melhor que sempre. - Bebé, já cheguei. Já estou aqui, disse-lhe. E ela olhou para cima, bateu com os olhos em mim e deixou que eu lhe pegasse.
Aqui estou eu de novo. Espojada no meu sofá da sala, a ver televisão e com a Pitanga colada a mim.
Canário! Já tinha saudades disto. Afinal, o que fiz foi um intervalo. O filme segue de novo para a segunda parte...

no finzinho...

foto tukayana.blogspot Chove muito em Chaves. Não se vê a serra lá ao longe. O sol nem sequer se anunciou e eu estou de partida.
Já fui à missa. É... Desde que estou aqui fui à missa duas vezes. Até eu duvido, mas não estou tonta e foi verdade.
Hoje fui comprar pastéis de Chaves e umas bolas de carne. Não comprei no Joãozinho Padeiro que fica mais longe de casa apesar de ser um sítio típico de Chaves. E agora estou a queimar os últimos cartuchos. Não devia ser assim. Devíamos estalar os dedos e aqui vou eu que se faz uma pressa. Deste jeito é muito sofrimento, muita pena de deixar a Leonor, a boa vida e os ares do Norte. Vai ficar uma saudade de prima como irmã e mais uma vez a sensação de perda que me acompanha desde sempre, vai-se lá saber porque é que o meu destino foi assim traçado. Serei a eterna viajante em busca de um lugar que quem sabe não o encontro porque ainda não o procurei bem dentro de mim?! Que sei eu?!
Um dia destes deparei-me com uma verdade que não me entristeceu, pelo contrário, me fez lúcida e humilde. Preciso de toda a gente. P'ra viver bem, preciso de todos os que fazem parte da minha vida ou que com ela se cruzam.
T
enho pra mim que ninguém se cruza comigo que não seja importante. E quando não permanece a perda doi profundamente.
Estou melancólica. Será só da partida? Ou da chuva? Ou simplesmente porque não queria partir? Descer o mapa vai custar-me muito. Sobretudo porque vivi uma semana em paz e tranquilidade. Rodeada de uma família linda.
Vou para a minha realidade. Uma selva. Onde vale tudo. Onde é preciso estratagemas para se sobreviver com lucidez. Volto aos bancos de pedra e aos sonhos. Aos poemas e às historietas. Ao facebook e aos amigos virtuais. Ao trabalho e ao esforço diário para ser feliz.Vou começar já para lhe ganhar o jeito.
Eu acho que não sou cínica. Escapo por entre os pingos da chuva conforme posso. Nesta semana pôde chover à vontade. Fui autêntica sem o menor esforço. É isso que venho buscar aqui. É nas pessoas e nas terras que encontro força para continuar a caminhada. Agora, agora vou bazar...mas antes quero dizer que tive uma semana feliz e devo-o às pessoas com quem estive, por isso o meu obrigada a todas.
Beijos no coração.

bom dia alegria!

Cúcú!!!
Bom dia, Alegria!
Que é como quem diz, estou bem e vocês?
Coisas da Bibi. Mas nada que não me divirta. Sobretudo porque tiro poucas fotografias a pessoas e a minha prima muito pelo contrário tira fotos a pessoas nas mais variadas situações.

dia 27 de agosto, sábado

O grupo simpático e divertido que foi ao peixe do rio, à foz do Sabor, ao miradouro e ao SPA de Alfândega. Faltam alguns que escaparam à fotografia.

conhecendo e usufruindo





Este é o hotel/SPA de que tanto se fala e que está localizado no alto da serra, a uns quilómetros de Alfândega da Fé, na Nossa Senhora das Neves.
Estive aqui com mais pessoas. Pois então! Com este espaço tão bom e ia lá perder a oportunidade de usufruir...

Éramos um grupo simpático de gente de mais de 50 anos, gente bonita de Chaves, da Gouveia, de Vila Flor, de Gaia e de Angola. O mais novo de 3 anos é o meu primito Rodrigo e a seguir os seus pais Bárbara e Rui na casa dos trinta.
Estas fotos foram tiradas pela Bibi ( Bárbara ). Eu tenho muitas mais que estas, a seu tempo as trarei aqui para que conheçam o espaço em pormenor. É claro que quem conhece poderá relembrar.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

na foz do rio Sabor









fotos tukayana.blogspot

hoje foi deste jeito

foto tukayana.blogspotDe Chaves até Murça a paisagem é feita de montes e mais montes, pinheiros e castanheiros. Mas tanto castanheiro, que é um regalo vê-los. É uma árvore lindíssima e carregada ainda mais bonita se torna. Parece que no tempo da flor é uma belezura. Nunca vi. Nunca sequer reparara ou soubera que esta região é a mais rica em castanha. Não sei onde é que eu estava que não olhava com olhos de ver tudo o que me rodeava. Quando cheguei ao Cadaval deparei-me com mais do mesmo. Será que todos os anos que fui a casa do tio Augusto nunca me deu para conhecer os terrenos à volta da casa?
Hoje andei aos figos lampos. Aos pêssegos e peras.
A mesa do tio é farta. A tia é um amor e trata toda a gente a pão-de-ló. Mal acabámos de almoçar e já estávamos de volta de camarões, presunto, bola de carne, queijo, salpicão e económicos. E eu que ando a antinflamatórios já ia no terceiro copo ( pequenino ) de espumante tinto ( achava que não gostava do tinto ) quando me lembrei que ando a tomar medicamentos.
Hoje pude ouvir mais umas estórias do sô santos e mais uma vez a tia Fernanda repetiu que o cunhado era um homem muito bonito e trabalhador e quando ainda era solteiro ia aos serões para casa dos pais da tia Fernanda que era uma miúda e não sonhava que se casaria com o Augusto, irmão do sô Santos.
Mais uma vez, ansiosamente esperei este dia para rever os meus tios e passar umas horas com eles e mais uma vez fiquei quebrada, triste e a perguntar-me porque tem de ser assim.
Porque passo eu a minha vida andando de um lado para o outro, correndo atrás do que me faz bem e me dá alegria, paz e tranquilidade??! Porque diabo não tenho tudo de mão beijada? Porque não nasci eu com o cu virado para a lua?
Se me perguntassem se preferia não ir, para não ter que voltar e virar costas às pessoas que amo tanto, claro que prefiro sempre ir, estar e dizer adeus quando o tempo se esgota, mas nesse acto não devia ser preciso sofrimento, sensação de perda e de abatimento, de tristeza e saudade.
Hoje o dia foi de despedida de Agosto. A noite chegou mais cedo. Não há nada a fazer. O verão está nas despedidas. Como eu. E como eu há uma certa tristeza no ar, nos pingos da chuva a que não escapo, no vento que sopra mais frio vindo da raia de Espanha e que me faz tremer de frio ou de febre que ainda ameaça, e no galopar dos dias a caminho de dias diferentes destes que tenho passado.
Hoje fiquei da cor do outono que ainda não chegou. Porque tive de começar com as despedidas. Tal como o verão...

terça-feira, 30 de agosto de 2011

peixe do rio come-se aqui







Peixe do rio, frito, come-se aqui, com migas de pão, quer dizer, açorda, que é o que era.
Muito perto da foz do rio Sabor.

as minhas férias, os meus dias

foto tukayana.blogspotChove em Chaves. O céu está carregado. Cheira a terra molhada. As montanhas ao longe lembram os montes do Funchal, com as nuvens a parecerem ovelhinhas como lhe chamam, andando baixas, a caminho não sei de onde, procurando não sei o quê. E eu estou tão bem! A dor de cabeça desapareceu, o nariz continua a correr, num pingo que não me atormenta e a garganta deixou de doer. Não tenho febre e estou para as curvas e rectas, com a minha prima. O café de manhã e de tarde é como assinar o ponto, ai credo, que isso lembra-me trabalho e eu esqueci-me que ainda não me reformei, jesus maria, do que eu me fui lembrar...
O grupo de amigas da Leonor é castiço e já me saúda como se fosse mais uma delas e até me trata por Clarinha, a Matilde, que esteve connosco no peixe do rio, na foz do Sabor e no SPA de Alfândega.
A cidade foi passada a pente fino, e se de algumas zonas me lembrava, outras há de que não tinha memória. Está muito bonita e cuidada. Um primor esta cidade de Trás-os-Montes.
Hoje para além do resto, fui às termas. E bebi o copo de água que sai a ferver. Temi pelo meu intestino e ainda me armei em pessimista e pensei que tinha que fugir dali a correr e entrar no hotel em frente caso a tripa não gostasse da água das termas, mas não. Correu tudo bem, apesar da minha colite não se dar com águas quentes.
Não tenho comido asneiras nenhumas, não daquelas que se fazem com os dedos, mas das que fazem mal à vesícula. Tenho comido comida que as pessoas normais comem. Nem sequer toquei ainda nos pastéis de Chaves que não são senão feitos de massa folhada e um recheio de carne. Comi-os quentinhos acabados de fazer, lá na aldeia e pronto, deixei-me ficar por ali. Na aldeia asneirei que nem me quero lembrar, mas também, com a Sofia, a Bibi, o Miguel e o Rui ( marido da Bibi ) a cada dia a fazerem petisco para o jantar, não dava para dizer que não. E licores? Foi um chorar por mais que um cálice era pouco. E como estávamos para a prova ele foi, de canela, de figo, de ameixa, até descer às pernas e subir à cabeça.
Estou a adorar estar com a minha prima e com o Diogo, o marido. Os três apenas. Estou a adorar voltar a ter a minha prima Leonor do tempo de Bragança, aquele tempo acabado de conhecer, das farras e dos passeios, da descoberta de uma cidade como Bragança, tão cheia de gente nova e estudantil. Tão moderna e virada para o festim.
Enfim, estou a adorar as minhas férias, um pouco, muito, diferentes do costume.
Tem sido bom demais estar em Trás-os-Montes com esta família que me diz tanto. Amanhã irei até aos meus tios, lá para os lados de Murça. Tio Augusto e tia Fernanda. Vi-os no dia 15 em Alcanena quando foram ao funeral de um familiar nosso. Mas a Leonor nem me deixaria ir para baixo sem irmos visitá-los.
É assim a santa vidinha de quem está de férias e veio a Trás-os-Montes receber colo. E tenho-o tido, mas de que maneira...