quinta-feira, 10 de maio de 2012

ainda a Feira...

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O alcaide da História, cavalgando para o castelo

ainda a Feira...

A princesa da História 

no cruzeiro do burgo

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Uma princesa de jeans e ténis.
É o que se chama, uma princesa  prá frentex.

Ainda a propósito de...

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Na feira Quinhentista de Torres Novas, um pedido de crepe Burguesia, que provocou um sorriso trocista e ao mesmo tempo algo como: Não acredito...tinha logo de ser Burguesia?!
Mas quem o escolheu não resistiu porque tinha recheio de chocolate e jinguba. Não fui eu. Até porque sou canhota e não receberia uma coisa gostosa destas com a mão direita porque poderia deixá-la cair. 

A mão é de alguém de muito bom gosto. A princesa má linda desta feira Quinhentista. 
É claro que não há dote para ela.  

quarta-feira, 9 de maio de 2012

ao jantar, salada

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O meu jantarinho, feito com muita dedicação à arte de cozinhar. Que no caso não foi bem cozinhar, foi mais ajeitar. O queijo, a beterraba, o salmão fumado, o ananás, a alface, o tomate...

hoje é dia não

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Hoje não estou para grandes coisas. A minha mãe partiu há 23 anos, para todo o sempre numa eternidade que  me doi mais hoje, porque volta tudo.
Há uma semana sonhei-a. Linda, jovem e sorridente. Hoje uma amiga de infância disse-me que sonhou com ela. Que lhe oferecia algo de presente. E que sorria. 
Fiquei comovida com esta revelação. Esta amiga vive em Luanda, foi minha vizinha e a sua mãe é minha madrinha do crisma. Saber que a minha mãe vive no sono da noite duma pessoa que em 1975 viu a dona Celeste pela última vez fez verter umas lágrimas dos meus olhos ansiosos por chorarem. A irmã desta pessoa disse-me que a minha mãe era extremamente bondosa e doce e que nem sabia repreender. Verdade. Como me sacudia o pó a dona Celeste!
O dia foi difícil. Não via a hora de chegar a casa. Dona Pitanga fez-me ir ao Modelo gastar dinheiro pois gulosa que é, não é qualquer lata que lhe serve. Como a pachorra para andar a pé era pouca, esperei o TUT. Uma senhora chegou entretanto encalorada. O dia aqueceu e há quem diga que chegou aos 30 graus. 
Isto dá cá uma saúde dos diabos. Num dia chove e faz frio e no outro abafa-nos.
A criatura desaustinada com o calor, não perdeu o pio e foi um ver se te avias a desenferrujar a língua. Desde dizer que era cozinheira no colégio A.Corvo, a dizer que faz um part- time no hotel dos cavaleiros e que esteve a trabalhar na feira quinhentista, ela foi desabafando de tudo um pouco. Fiquei a saber que o hotel se safou, mas que foi neste ano que menos quartos foram reservados para o efeito.
O TUT chegou rapidamente e acomodei-me. A mulher virou-se para dentro e não mais a ouvi. Junto à ex Abidis entrou a Maria José. Reconheci-a de imediato bem como ela a mim. Desenhou um sorriso e sentando-se à minha frente logo começou a falar. A Maria José é uma jovem que já esteve à conversa comigo quase meia hora na mesma paragem de hoje. Descobri na altura que mora perto de mim. Que tem o sogro em Angola e que tem um cão que passeia à noite. Não gosta de viver em Torres Novas e quer ir embora para Lisboa de onde veio. Ficou de me ligar para bebermos um café. Deixou-me o telefone e levou o meu.
Vim direita para casa. Hoje é daqueles dias que antes só que bem acompanhada.
Olho o retrato da minha mãe. Sempre que passo no corredor a vejo. E não evito pensar que a minha mãe é um anjo bom que Deus colocou no mundo para me dar à luz e que esteve neste mundo fingindo sempre viver à sombra da família, mas que afinal foi a actriz principal da minha existência.
Obrigada mãe! 

quem vê caras, não vê corações


terça-feira, 8 de maio de 2012

o castelo de Gil Pais

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segunda-feira, 7 de maio de 2012

crepe de chocolate e coco

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a feira quinhentista

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the day after


Chove desde a noite passada num chuva irritante que torna tudo pegajoso. Parece um inverno moribundo a castigar a primavera. 
É uma segunda-feira especial. De restos. 
Depois de três dias meio carnavalescos, com muita luz, muita cor e muita fantasia, uma verdadeira movida torrejana, parece que estou a ouvir a Antónia encostada ao balcão da sua tasca a dizer-me: Vão embora? Então não vêm a chegada da princesa? Eu sorrio trocista e ela corresponde do mesmo jeito. A minha princesa sorri também como que a dizer-me: Vês?
É que a sua opinião é que entro completamente no espírito da coisa e dou-me às cerimónias da história tão escandalosamente oferecida que devo mesmo alugar ou até comprar um traje e  abrir completamente a porta à fantasia ao invés de ser simples, simples uma ova, ao invés de ser ansiosa espectadora dessa feira dos séculos passados.
Na verdade, eu gosto da beleza. Das luzes, da música, das danças. Do faz de conta, era uma vez...
Na verdade a gente está sempre a representar, quantas vezes fingindo tanto que até doi lá bem no fundo da nossa alma. Quando a representação nos faz felizes, porque não? Venham feiras quinhentistas. Venham oportunidades para darmos uma boa gargalhada ou entrarmos na narrativa, no sonho que se prolonga por 3 dias e 3 noites em que o clima vivido é idêntico a acontecimentos como a expo, o euro, o rock in rio. Boa onda, porque as pessoas estão felizes.
Mas hoje é segunda-feira. E a ressaca do vivido traz dor de cabeça, sono, enjoo, depressão, vazio.
Passando o dia a sonhar com a minha cama, chegada a casa nem por isso cumpri o desejado. Meter-me na cama e tapar-me até às orelhas. Não gosto muito de cama. O corpo puxa-me para ela, o resto não.
Hoje decididamente não é dia de olhar para a frente. Mergulho no passado mais recente e pergunto-me com o posso eu ser uma criatura equilibrada, com uma vidinha simples e tranquila se num dia tenho tudo e no outro um vazio? 

Estou de resto. A cidade também  está. Afinal, hoje é... the day after...

a propósito da feira

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De quinta-feira a domingo foi uma roda viva em Torres Novas.
A feira quinhentista fez-se presente. Os torrejanos também. 
Os forasteiros, muitos. 
Os residentes na cidade resistiram aos cortes ao trânsito, ao som vindo da praça 5 de outubro e do castelo. Aos cavalos e cavaleiros passeando-se pelas ruas. À chuva. Ao frio. Ao sol e ao calor que se fez sentir hoje. À festa.
Foi uma grande festa. Foi uma bonita feira. 
Acho que para o ano alugo um traje e vou encarnar uma personagem qualquer e vivo os três dias da feira entre muralhas, entre a fantasia e a representação. O sonho e a cor. A beleza e a arte. A realeza e a plebe. A doçaria e os petiscos.
Recordando o que um puto que conheço diz. A feira não devia terminar. O castelo devia continuar enfeitado.
E isto ele não diz mas se  calhar pensa, Torres Novas ganha alma nova com esta feira, nós ganhamos uma nova alma e todos ganhariam se torres novas fosse alegre e bem humorada, bela e fantasiada como nesse tempo. Não, não quero a monarquia. Quero uma terra com andamento. Como já foi. Há uma década atrás. Duas. Três. Quero uma cidade recebendo gente de outras terras, aberta aos projectos, ansiando por saber.
Quero sentir-me viva e sentir que há povo nas ruas, respirando a dois pulmões, participando, sendo feliz. 
Nestes três dias usei bem os 4 euros que paguei pela entrada e diverti-me.
Acabou a feira quinhentista cujo tema este ano era O Dote da Princesa.
Para o ano, se a crise deixar, haverá mais. 
Enquanto isso vamos vivendo outras experiências. E esperando...

tantas prendinhas...ser mãe é bué!

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Bethânia, Caetano e Dona Canô cantam Oração da Mãe Menininha

domingo, 6 de maio de 2012

Mãe




Umas noites atrás, visitaste-me na minha necessidade sonhada.
Trazias o vestido verde água e o sorriso de sempre, no rosto.
E as tuas mãos de rainha tocaram-me o rosto.
Olhavas-me como se eu fosse a tua luz.
Quantas saudades eu tinha de ti...
Quantas saudades eu tinha do teu olhar...

O calendário diz que hoje o dia é teu.  
Dia de todas as mães.
O meu. E o teu dia.
Os dias são nossos.
Os dias são todos teus, minha mãe.
Porque o universo te pertence.
Sei que podes ver-me, ouvir-me e amparar-me.
Sinto a tua presença nos sinais.
Sei que estarás sempre em mim e para mim.
Obrigada, mãe.
Amo-te Tudo.

ser eu é sermos nós

Ser mãe é a atitude voluntária que mais amor me dá e me faz sentir melhor pessoa.
Ser mãe é a razão mais válida para continuar...
Obrigada meus queridos por me tornarem uma pessoa mais crente e humana.
Ser eu, é sermos nós.
Amo-vos Tudo.

quinta-feira, 3 de maio de 2012

era uma vez umas sabrinas

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Eu nunca serei chique. E muito menos rica.
Os meus pés brincaram descalços menos tempo que eu gostaria. Ainda gostam de largueza e suspiram aliviados quando me desfaço dos apertos. E gostam muito de água. Ai se pudessem! Estavam sempre na beira do mar, na beira do rio, na beira da piscina...
Mas na beira dum dilúvio é que não. Não se em vez de botins são umas sabrinas da Parfois. Sim porque eu compro barato porque não sou nem chique nem rica. E como o barato sai caro, este fim de semana que passou bem como o dia de hoje, foram terríveis para as minhas ricas chanatas. Elas até são bonitinhas. E nos tempos que correm, se quero correr tenho de calçar-me deste jeito. Confortável e seguro, digo eu. Aboli os saltos porque caio demais e de perna esticada já está a colega que saiu para almoçar e até hoje não voltou porque caiu nas suas próprias escadas e fracturou uns ossitos que nem sei bem quais são mas foram os suficientes para uma intervenção cirúrgica e mais um mês de perna esticada e sem poder poisar o pé no chão. Que horror se isso me acontecesse. Sem mãe nem pai, nem marido, nem casa térrea, nem carro, nem ajudas, nem dinheiro, nem paciência. 

E por essas e por outras é que no domingo calcei as minhas ricas sabrinas porque o sábado foi danado de cansativo e os meus ricos pés se queixaram   do calçado escolhido. Não fui única, até porque subir e descer sobre a calçada do tempo da maria cachucha exige umas sapatilhas muito boas. As minhas mais decentes aleijam-me os pés ao fim de uns quilómetros, eu bem que gostaria de ter pés de Cinderela mas tenho de me aceitar com estes pés de gata borralheira. E de forma que doridos que estavam aceitaram, apesar do frio de rachar, nunca tenho frio nos pés, estas queridas sabrinas. E vai daí que fui para Espanha deste jeito. Tão bem ou tão mal calçada que já fui muito gozada mas não estou nem aí para as piadolas. Quando me doem os pés doi-me tudo e só me ocorre a primeira telenovela que passou em portugal e que toda a gente viu, mesmo quem não admite gostar de telenovelas, Gabriela Cravo e Canela - sapato não sô nacib, sapato não!
E enfrentei um belo dum nevão de sabrinas. Canário! Mas fazer o quê se os pés estavam tão doridos que não admitiam qualquer outro calçado? À conta disso não subi ao mosteiro pois quando experimentei fazê-lo entre escorregar na neve e enterrar-me nela até aos gémeos, decidi ir para junto dos menos novos que se encontravam comodamente sentados no interior do autocarro. Desistir não é o meu forte mas nesta altura do campeonato um trambolhão na neve pode criar-me problemas graves como já vi uma criatura que é da família vir a toque de caixa para portugal porque foi armar ao pingarelho para a Serra Nevada e sem saber ler nem escrever resolveu fazer sku e partir-se todinha e lá está, viu-se na tal sala de operações de que não tenho medo, tenho verdadeiro pavor, porque acho que se me acontece, adormecem-me e esquecem-se de me acordar e dormir para sempre num lugar tão frio e impessoal, não me parece bem. Nada bem.
Pois que, então, as minhas ricas sabrinas tiveram um domingo de truz pondo-se à prova. De chuva. De gelo. De neve. É muito para umas sabrinas da Parfois. Que custaram 15 euros.  E quando as descalcei sorri-lhes agradecida porque não me deram a liberdade de fazer tudo o que me apeteceu mas não me deixaram descalça. Mas há dias e dias. E domingo era dia santo. Já hoje...

Bem, hoje devia ter tido um gesto de compaixão para com elas. De chuva, o mais adequado seriam botins. Na falta destes, botas...de inverno. Sapatos abotinados. Tudo menos sabrinas. Mas eu não sou chique nem rica e nem gosto de sentir os pés sufocados e acorrentados ao parece bem.
Saí de casa ainda não chovia. Depressa senti uns chuviscos e tive de usar o guarda-chuva. Confiei na sorte e prossegui o caminho. Viaduto acima, percebi que seria apanhada num verdadeiro dilúvio. Ainda me lembrei do prazer que tinha quando chovia a caminho de casa e vinda do liceu. Chegava molhada que nem um pinto mas era tão gostoso apanhar chuva.  
Mas não estamos em Luanda embora parecesse, tal era a chuvada que não caiu toda em cima de mim mas deixou dano. Quando finalmente cheguei ao tribunal e me descalcei e as coloquei ao aquecedor é que percebi que foram tão resistentes, tão corajosas, mas coitadinhas, foi demais. E eis que me vi a colá-las com cola daquela que até cola cientistas ao tecto. E foi se quis voltar para casa calçada.

Apesar de me ter sido aconselhado a mandá-las fora, agora estão como novas. É só olhar para elas...
Uma coisa é certa. Eu nunca serei chique nem tão pouco, rica.

Começa hoje a Feira


quarta-feira, 2 de maio de 2012

mantas e frio

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chá e natas

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A Amélia, a Ana, a Rosário e eu, não quisemos ir à missa, nem tão pouco ficar no centro comercial. Fomos à descoberta de um lugar onde houvesse doces regionais. Depressa nos cansámos e escolhemos beber um chá na esplanada do largo da Sé. Bem no coração da cidade. Três crianças jogavam à bola. Um cão corria atrás delas.
A esplanada vazia e uma jovem bonita, com ar citadino vem ao nosso encontro. As mantinhas de cores bonitas nas costas das cadeiras convidam-nos a sentar. Chá de cidreira e de limão e pasteis de nata mornos, com canela e um bate-papo com a jovem que trabalha ali foi o que aconteceu. As crianças eram crias suas e por isso brincavam livremente na praça em frente sob o olhar atento da mãe.
A jovem diz-nos que a cidade está decadente. Os habitantes procuram cidades como a Covilhã e Aveiro. O hospital não serve os doentes. O comércio é mais caro que nas cidades próximas e até a diversão se procura fora de portas. Os estudantes vão estudar para a Covilhã e o resto está de resto e estava na frente dos nossos olhos. Uma imensa desertificação.
A jovem foi simpática. A Amélia falou-lhe duma miúda da sua aldeia de trás-os-montes que ali vivia e ainda não tinha acabado de falar já estava a dizer-nos: Ela vai ali. E de facto, a jovem em questão passava em frente à esplanada. Foi uma festa em terras da Beira. E uma enorme coincidência dado que a cidade apesar de estar moribunda ainda é a capital de distrito. Mas como se dá um pontapé numa pedra e aparece um transmontano nem sequer foi uma coisa de bradar aos céus. Há coincidências felizes, eu que não acredito em coincidências.

para balanço

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A Guarda é uma cidade fechada para balanço. Ou em falência.
Chegados depois do almoço praticamente não nos cruzámos com elementos da população. As ruas estreitas da judiaria estavam desertas e não fosse o grupo alegrando todos os recantos e tirando fotografias,  dar-nos-ia uma certa insegurança de ali circularmos. As lojas todas fechadas. Muitas lojas com o letreiro do vende-se ou aluga-se. 
Muito pouco trânsito, muito frio e alguma chuva intervalando com algumas abertas.  
Sábado à tarde. Primavera. E a cidade de costas voltadas para o centro histórico. Nesse mesmo centro, um grande centro comercial. O Vivaci. Ali sim. As pessoas circulavam, faziam compras ou comiam. Não chove, não faz frio porque os ares condicionados ainda funcionam e podem  ver filmes.
Uma cidade do interior que se refugia no interior medíocre da modernidade e deixa morrer o seu comércio tradicional. Eles próprios, os lojistas desanimados, nada fazem para que as coisas mudem. Encerram as lojas e...quem sabe vão comer um hambúrguer com coca-cola ao MC, pôr unhas de gel e ver o último filme de sucesso na sala moderna do shopping lá do sítio.
A Guarda é uma cidade muito bonita. Com um centro histórico belíssimo. Com uma herança fantástica. Os seus habitantes certamente serão como quaisquer outros de outras localidades. Não tive oportunidade de saber como são porque praticamente não os vi.
A Guarda está num estado deplorável. À semelhança do estado da nação.

O meu olhar sobre a cidade da Guarda










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a minha alegre casinha

Chove que Deus a dá. O país queria chuva e ei-la que cai das nuvens e molha tudo. Ensopa as terras, lava as ruas e as árvores, enche as sarjetas e humedece-me a alma.
Lá está a minha alma a precisar do sol e os elementos a contrariá-la. 
Em casa mais um dia, opto por não sair. Sem querer parecer piegas, enfadonha ou velha, parece-me muito bem estar sozinha com a Pitanga que felizmente já sossegou o facho, que nos últimos dias viveu dias maus e pôs em perigo os meus candeeiros, as telas por cima da cabeceira, os livros, tudo onde chegou, sem falar duma peça em cristal que partiu, pois que a bichinha trepa às paredes a cada vez que está em período crítico e eu consumo-me com este estado de situação.
Parece-me bem deixar-me ficar sem rei nem roque. Não quero fazer perguntas. Apenas deixar correr a água debaixo da ponte. Mas estou tentada, a cada atitude que tomo. Porque me sabe bem ficar-me esquecida, isolada e adormecida nesta madorna que é acordar a qualquer hora sem despertador, tomar  banho quando me apetece, comer do mesmo jeito, ler, escrever, rir com as loucuras do Goucha, da Cristina e do Fernando Alvim, falar ao telefone ou fazer a sesta? Isso. Ontem adormeci que nem uma santa após o almoço e que bem me soube esse dormir relaxado...
Paira-me uma pergunta mais, mesmo à frente do meu prazer de estar sozinha. Porque me apetece estar só? Nunca fui disso. Sempre fugi de mim em busca da companhia de outros. Sempre, não. Mas muitas vezes. Que egoísmo é este que não me quero partilhar?  
Prometi-me não fazer perguntas. É mais fácil viver sem elas. A vida dá-nos as respostas. Os sinais. Então o melhor é sossegar eu também o facho. Abrir as guardas e deixar o sol entrar sem culpas.
Durante dois dias não gastei um cêntimo o que é uma bênção já que temos de cortar, de poupar, de mudar.
Mas hoje teve de ser. 
Dei-me conta de que não tinha fósforos e foi a Xana, mãe dos índios daqui do lado que me salvou. Emprestou-me um isqueiro como se fosse o próprio lume, numa alegria fogosa, numa chama no olhar e numa prontidão danada de boa. Ah vizinha, pode ficar com ele, até precisar, ressalvou. Claro que tem o tal v na ponta da chama, nem eu queria que fosse de outro jeito. Então hoje, logo pela manhã, foi tomar banho e pôr o pé na rua a caminho da loja da Rita que numa de surprise, surprise! a senhora a estas horas por aqui? Sim. estou de férias. Ah logo vi. Não é costume.
Enquanto escolhia o que precisava, dando-me ao luxo de comprar uns morangos, todo o resto só o que é necessário, ouvi um homem chamar a Rita à porta.
- Ó Ritinha chega cá. E a Rita foi.
- Estás  a ver aquele senhor ali? 
- Qual? 
- Este pá, que está aqui, todo  f...... 
- Sim. Ele deixou caducar a carta e agora tem de a voltar a tirar. É russo, acrescenta a Rita, o que me espantou de tão bem informada que está, pese embora a escola de condução seja ao lado do supermercado. Será por isso que tem esse conhecimento. 
- Pois é. Mas sabes quem é ele? É o director-geral da orquestra sinfónica da Rússia. Se fosse na terra dele este largo estava cheio de seguranças.
Como chega, o homem vai embora. A Rita entra na loja de novo e sorri encolhendo os ombros. 
Deixei-a pouco depois. Quando chegava à minha casa, o carteiro chega também. Entrega-me três envelopes e segue.
Entrei em casa e lembrei-me que precisava mandar uma mensagem a alguém que amo muito e cujo dia é demais importante na sua vida profissional. Escrevi como sinto. Recebi a resposta com um boneco de sorriso. Tudo está bem quando começa bem. 
Hoje foi a manhã do segundo dia de Maio. A possível. A escolhida. Segue o dia.  Aquele que tenho para viver na minha alegre casinha. 

terça-feira, 1 de maio de 2012

angústias e desabafos

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Em dia do trabalhador, olhando de quando em vez a televisão, em tarde de ócio, no filme Austrália, que já vi no cinema, um menino diz: Todos estão felizes menos eu. Sou um cabritinho, não pertenço a lado nenhum.
Por vezes, muitas vezes eu sou como o cabritinho que não estou feliz nem pertenço a lado algum.
Nesta viagem organizada por uma torrejana que aqui tem família e amigos, que aqui sempre se sentiu em casa como quase todas as pessoas que viajaram naquele autocarro rumo ao frio do norte e de espanha tive momentos de sentir que não pertenço aqui.
Se mais alguém fez a mesma pergunta: O que estou aqui a fazer? Talvez tenha feito. Sei que não sou a única que sente o desconforto de não pertencer a um grupo que não tem o mesmo modo de vida que eu, nem a idade, nem os sonhos nem as ambições ou mesmo o percurso. 
O grupo funcionou. As pessoas são simpáticas quanto baste, conhecemo-nos todos e o propósito era o mesmo. Os sentimentos que nos movem, as necessidades, o olhar e o coração são diferentes. 
Ao meu lado ouvi várias citações que me fizeram sorrir. Apenas sorrir.
A propósito do estado do país - Os pretos estão a comprar tudo.
Ou - a mãe prefere o paredão da Nazaré à baía de Luanda.
Ouvi muita coisa mas retive estas duas frases. Os pretos estão a comprar tudo, tem um não sei quê de desdém e um cunho racista sem tamanho. Um complexo tramado porque hoje é de inferioridade perante os " pretos " e não de superioridade por serem brancos. Hoje eles compram o que " nós " não conseguimos comprar.
E a outra frase - A mãe prefere o paredão da Nazaré à baía de Luanda - podia ser recorrente para pessoas que não podem ir mais além. Estão verdes não as podemos tragar...
Mas não é. A pessoa em questão podia se calhar ir visitar Luanda. Mas alguém lhe diz: Não vás que não vais gostar. A tua praia da Nazaré é que é.  E ali logo pensei que há quem não deseje um mundo maior para os outros ainda que seja o mundo da sua mãe. Mas há também quem prefira o aconchego do que conhece ao invés de partir para o desconhecido apesar desse ser infinitamente mais belo e mágico.
E faz sentido. Não há baía, não há terra como a minha. Conheço outras, mas a minha alma pára e descansa no meu chão.
Então, seguindo a viagem fui percebendo quão diferentes são as pessoas que se sentam ao nosso lado que comem connosco que nos dão um sorriso ou mesmo que podem dormir na mesma cama que nós. Em excursão rumo ao frio, ou não. 
Volto a olhar o menino do filme. Volto a pensar na minha viagem de grupo. Que voltarei a fazer se me agradar o destino. 
Todos (?) são felizes menos eu (?). Não pertenço a lugar nenhum (?).
Volto à viagem. Oiço dizer: o nosso castelo de Torres Novas, e ele não é o meu castelo. Nunca mais chegamos à nossa terra e ela não é a minha terra. Sou do Outeiro, da Brogueira ou das Tufeiras, de S. Pedro ou da Meia Via. E eu simplesmente não sou. Oiço dizer: Nós e não consigo encaixar-me nesse pronome. 
Vou de viagem. Comigo vão, ou será com eles, eu vou? Vamos, para tornar tudo mais simples, de viagem. Em excursão. Parecem-me todos serenos. Eu também. Mas há um turbilhão de sentimentos, de perguntas e de respostas. Algumas que não me satisfazem.
Penso que é urgente sair por aí em excursão ou não, ao sabor do tempo e das oportunidades e deixar a minha alma viver os momentos sem quês nem porquês. Ela a alma tem poiso certo e seguro. Porto de abrigo. Está lá, onde um dia quero desencarnar. Por enquanto sei que vão todos felizes, menos eu que não pertenço aqui. Pelo menos isso eu sei. Se pertenço lá? Uma pergunta de cada vez. A resposta? Um dia tê-la-ei. E serei para sempre feliz. Em excursão ou não.

Alpedrinha





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A Sé de Castelo Branco


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áfrica no jardim

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Jardim do Paço






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O Guardião posando para mim

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Bom dia, Trabalhador!

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Parece uma simples calçada.
De uma localidade com história.
Se clicares terás o empedrado ampliado. 
Por entre as pedras, um malmequer.
Se procurarmos, se nos esforçarmos, se estivermos atentos, se tivermos uma alma pura, sonhadora e empreendedora, chegamos lá.
Ofereço-to desejando que o teu caminho seja enfeitado de algumas flores que te façam continuar com esperança.
Bom dia Trabalhador!

Pink Martini - Je Ne Veux Pas Travailler (Sweet French cliché)