domingo, 19 de fevereiro de 2012

ninhos de cegonhas



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Cegonhas no ninho, no Paul de Boquilobo.



plantar batatas



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Aprendi hoje que:
Lavra-se a terra. Fazem-se regos.
Corta-se batatas de semente ( com grelo ) em duas ou quatro.
Deita-se estrume nos carreiros.
De seguida, deita-se o azoto.
Depois o adubo químico e tapam-se os carreiros com a terra que está dos lados.
Finalmente põe-se as batatas com intervalo de cerca de 30 centímetros umas das outras.
Cobre-se.
Estão as batatas semeadas.  

caso de sucesso

O Denis Filipe está na final...
Que final? Ah, pois. Nem toda a gente sabe quem é o Denis. 
O Denis é filho do Xarepa, músico de Torres Novas que canta e toca desde que me lembro de estar nesta terra e da Adília. Quem havia de dizer que o seu filho estaria na televisão e na final de um programa televisivo tão importante como A Voz de Portugal, quando estivemos as duas à conversa à esquina, perto das casas de ambas, um dia destes?!
O Denis andou na pré e na primária e na secundária com a minha cria mais velha. O seu pai é demais conhecido de nós. Já dancei ao som da sua música e da sua voz em várias festas de casamento. A sua mãe tabalhou durante anos e anos perto da minha casa. Tem uma simplicadade e simpatia brilhantes.
E é uma alegria  saber que o Denis hoje foi escolhido pelo Rui Reininho e pelo público para estar na final.
O Denis, o Xarepa e a Adília, Torres Novas, estão de parabéns. Este menino faz-se. Ainda se vai ouvir falar muito nele.
Eis aqui um caso de sucesso no Ribatejo.

sábado, 18 de fevereiro de 2012

almoço de sábado

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Foi o meu almoço, hoje. Feijão de óleo de palma com peixe espada grelhado.
À semelhança do que se fez, faz e fará em Angola, num costume tão antigo que não tenho lembrança.
Soube-me pela vida.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Martinho da Vila - SALÃO DE CARNAVAL

N'ga sakidila


Recebi um telefonema. Não foi um telefonema qualquer. Foi um amigo, que ouvia os relatos de futebol no rádio lá de casa com outros do tamanho dele, do lado de fora da janela de rede, por causa dos mosquitos, nos domingos de descanso, enquanto o sô Santos e os amigos jogavam à sueca na mesa da sala, do lado de dentro da janela de rede mosqueteira, ainda eu não sabia quem era nem o que andava a fazer neste mundo de Deus, de tão candengue eu era.Tardes de calor sufocante e húmido. Tardes de cacimbo gostoso. Tardes na rua do Saber Andar. Tardes de Luanda. Um amigo da Vila Alice, que com outros jogava ao chinquilho debaixo da sombra das mulembas da minha casa. 
E por falar em mulembas me lembrei doutro kamba, noutra época, depois da descolonização, que me levou à Barra do Kuanza e me mostrou a estrada que vai sul a baixo, e me fez dar encontro com as árvores frondosas, de raízes exteriores caindo como se fosse chuva e que dá uns figos minúsculos que eu comia enquanto candengue, vendo o sô Santos e os amigos jogar à sueca ou o meu amigo e os outros jogarem ao chinquilho enquanto me baloiçava com a Sebastiana nos " fios " das mulembas. Mas eu reconheci logo que bati os olhos nelas. 
Isto são mulembeiras, eu disse, de máquina fotográfica na mão, filmando e gravando sem querer. 
Ninguém imagina a coisa boa dentro do peito, na pele, na cabeça, na voz, que a gente sente se  está 33 anos sem ver as árvores da nossa infância feliz e de repente...Isto são mulembeiras! Têm estes fios! Ai que engraçado...aos anos que não via isto! Eu vivi numa casa que tinha mulembeiras...
Recebi um telefonema de um amigo que está ficando kota. Mais de 60 anos. Que me conhece desde quando eu nasci, ali do lado. Na casa do avô.   Que conheço desde que me deram à luz. Que me traz à memória momentos, rotinas, alegrias, vivências que têm como palco a minha casa. O sô Santos, o avô Carvalho, o tio Augusto. A minha mãe. O terreiro onde as mulembas assistiam às brincadeiras de rua que eu, a Berta, a Lisete, a Carminho e a Sebastiana tínhamos, numa liberdade que só aquele tempo, aquele sol, aquele cenário nos podia dar.
Há telefonemas felizes. Que nos provam que não somos números. Ainda que algumas vezes a vida nos queira resumir  e reduzir a zeros. 
Há pessoas que nos ajudam a manter vivas as memórias e que não só vivem nas nossas como as nossas pessoas vivem nas suas memórias.
O que é que eu posso dizer? N'ga sakidila kamba diami.

cinema à quinta-feira

Eu já vi. E gostei bastante. 

cortando a direito


A minha faca corta direito. Trabalho na justiça. E é da minha natureza tentar não se injusta.
Tal como denunciei mais uma avaria no telefone e internet pela PT também agora venho dizer que já tudo está nos seus lugares, como sempre. 
Pûs de lado a pen canguru para internet móvel, pois é para lá de um dinheirão. E aqui estou como se nada se tivesse passado. Avaria arranjada, contas feitas com a PT, vou esquecer o incidente e continuar a navegar sem limitações senão as que me imponho ou as condições físicas mo impõem. 
Desta vez a PT portou-se benzinho e até me apetece dar um abraço aos técnicos que andaram por cá resolvendo a tal " avaria no exterior " como dizia a menina que ontem conversou comigo animadamente para não dizer, esquisofrenicamente. Mas isso já lá vai. O que eu quero é sopas e descanso e manter-me em contacto com o mundo indo ao mundo já que o mundo não vem a mim...

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

pior que o deus me livre


Hoje estou piurça, pior que o deus me livre, gata assanhada, rsrsrsrsrs...
Não é que os senhores PT mais uma vez me deram motivos para meter o pé no chinelo, mão na cintura, fazer asneiras com os dedos e mentalmente dizer com todas as letras...Fóooooonix?!!!!

Desta vez estou sem Net e sem telefone fixo. Assim do nada. 
A senhora das avarias que parecia uma grafonola, disco rachado, louca varrida num discurso gravado e despachado a cada reclamação, sem pestanejar, gaguejar e outras palavras acabadas em ar, como se fôssemos meros números, disse-me que é uma avaria exterior. Demora até 36 horas a ser resolvida pela equipa técnica, mas pode demorar mais. 
Eu pergunto, será que a troika sabe disto?

E eu? Como é que é? Disparei que sou uma criatura que vive só e já não vou para nova.
Não adianta. Não se comoveu. Diz que não pode fazer nada.
Por isso meus amigos, como a net canguru custa para xuxú ( rimei ), acho que o meu fim de semana vai ser longe de vocês, porque não acredito que os senhores PT  me resolvam o problema, tendo compaixão de quem lhes paga a tempo e horas.


A ver vamos onde isto vai parar. Eu e a PT temos uma incompatibilidade antiga e quer-me parecer que vai agravar-se com este incidente, anomalia, diz a " marta " dos telefones. Eu chamava-lhe tragédia mas como isto é uma comédia vou rir-me porque tristezas não me pagam as dívidas.
Kandandu para todos os meus amigos. E uma boa noite de quinta-feira. 
Assim como assim estou para ir ao cinema.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012

de braço dado com o mar

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no masculino

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gaivotas

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porto de abrigo

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Partir, voltar, viver e sorrir. Respirar...
Peniche é assim.
Chegar a esta terra é chegar a casa. Ao porto de abrigo.
Inspirar todo o ar que necessito para repor energias.
Se o belo nos faz bem então a beleza desta costa faz-me sentir no paraíso. Sempre...
Há lugares que inspiram coisas boas. Que nos dizem que estamos protegidos.
Que nos acenam e nos acolhem.
Há lugares que nos namoram e nos prendem para sempre.
Este fim de semana o Oeste foi um deserto. E eu um camelo...
Na mente e no coração reservas para um tempo de ausência. Espero que pouco...

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

astro de fogo


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Astro brilhante
Bola de fogo
Reinas no povo
Inspiras o amante
Quebras a lei
Tarde serena
Noite que chega
Na brisa amena
Roubas o tempo
Calas a voz
Cegas-me de cor
Dás-me um momento
Cheio de amor
Beijas-me...
Invades-me  
O pensamento
Teima teimosa
Boca de rosa
A receber
Aquela lágrima
Que seca ao rolar
Quando em segundos
Te vais naufragar
No além-mar...
Astro de fogo
Bola laranja
Invades-me a vida
E num segundo
E num olhar
Me perco do mundo
Dou-te   guarida



m.c.s.




Parabéns à Rádio


Hoje é o Dia Mundial da Rádio.
E isso faz-me viajar no tempo da Rádio em Angola. Ali os profissionais da comunicação eram Grandes. Os melhores.
E o povo encostava o ouvido no seu rádio eléctrico e bebia as palavras e as músicas. Dançava, cantava e ria.
De vez em quando tinha de bater lá atrás porque ficava fanhoso e não podia perder pitada da radio-novela da época. O Inimigo. Ou a Simplesmente Maria. 
E o Raul Solnado na sua chegada à guerra, estava esta ainda fechada. Podióoooo chamá-lo?
As histórias do macaco que ia para Angola, dos três Porquinhos e do Lobo Mau. Do João Ratão no seu caldeirão. Havia também os parodiantes de Lisboa com o inspector Ventoinha e a publicidade às máquinas Oliva do José Pirão. 
Também a Maria Lucília Pita Grós Dias, que era o nosso orgulho do Vila Alice com o seu programa diário - Radio Magazine e mais tarde o Mais Alto e Mais Além. À tarde o programa do Eduardo Helder e à noite o Luanda sessenta e tal, até setenta e cinco, mudando cada vez que o ano mudava.  Também o Chá das Seis que era transmitido aos sábados do cinema Restauração e o Cazumbi aos domingos, do Miramar. E o programa para miúdos da Minah Jardim . E havia os relatos de futebol. De hoquei e de basquete. E as corridas. E o festival da Canção. Da Eurovisão depois. E as Misses. E tudo e tudo... 
Não havia televisão e a Rádio era devorada em doses industriais e todos a adorávamos.

Hoje é dia da Rádio. Diariamente oiço a Antena 3, das 9 às 17. Antes, oiço a Rádio Comercial. Depois oiço a RFM. Não saberia viver sem a  notícia. A curiosidade. A entrevista. A música. A Voz...
Parabéns à Rádio, que hoje faz anos.

dia feliz


Porque hoje fazes anos
Porque és meu afilhado
Porque és meu sobrinho
Porque gosto de ti, lembrei-me.
Porque vamos estar juntos mais daqui a pouco, porque cada vez somos menos a reunir à volta dos afetos e da mesa de aniversário, porque eu vou estar, é que não são precisos discursos.
Apenas que faças muitos anos e os festejes. E tenhas saúde. E sucessos.
E sejas feliz. 
Beijos no teu coração.
Parabéns, Bruno.

voar


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Gaivota que toca o mar
Beija o arrastão
E namora ao luar

Liberta-me o coração
Das penas do meu sofrer
Das grades deste viver

Nas asas que rasgo os ares
Liberdade a gritar
Desejo  lançado ao vento
Ensaio num passo de dança
Desenho de criança
Com que atravesso o tempo
Voar, voar...
Fechar os olhos e voar
Bater asas e ficar
No voo que é sonhar
Voar, voar...
Olhar o mundo e partir
Quebrar, levantar
Sem deixar de sonhar
Sem deixar de sorrir

Voar, voar...

m.c.s.





domingo, 12 de fevereiro de 2012

fim de semana especial

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Há fins de semana e fins de semana.
Há vidas e vidas. 
Há famílias e famílias. 
Tive um fim de semana daqueles! Vivi dois dias daqueles. Tenho uma família daquelas!
Quando um presente de Natal serve de pretexto para ir para fora cá dentro, numa região portuguesa que mora no meu coração, pouco mais há para dizer porque está tudo dito.
Adorei o meu fim de semana. 
Obrigada gente, que vive no meu coração. 

atravessando a passadeira



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eterno

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Se me perguntares o nome
Te chamo canção
A cor?! te bordo de  prata
Se quiseres saber do perfume,
Te cheiro paixão
Se quiseres voz te oiço poema
Se perguntares pela pele
Te sinto carícia
Se quiseres saber o que inspiras,
Te pinto a saudade
Um pensamento?! faço a viagem
Um sonho?! te vejo miragem


Mar, sol e céu
Gaivota planando
Domingo sem véu
Horizonte
Tão longe e tão perto
Barco no meu deserto
Minha fonte
O meu chão
Se me perguntares se existes
Te proclamo eterno
No meu coração 

m.c.s.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

fim de semana

Sabem o que é isto? 
Eu sei mas não digo.. já.
É que eu vou ali num pé e venho noutro :(.
Ver o Mar mais lindo de Portugal. :))

Ora bem!!!


Não sei bem porquê mas gosto desta frase:

" Águia que vai à frente, alumia duas vezes "

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

desejo


Sopra o vento
Fere a pele
Doi cá dentro
Meu lamento
A sufocar
Sopra frio
De gelar
Alma triste
Calafrio
D'arrepiar
Vai-te mágoa
Finda inverno
Arde em chamas
Labaredas
Neste inferno
Se me amas
Traz-me a brisa das manhãs
Traz-me as tardes soalheiras
Traz-me as chuvas 
De Abril, águas mil
Primeiras
Traz-me as flores
Traz-me amores
Perfeitos e imperfeitos
Traz-me estevas e giestas
E também as rosas brancas
E o perfume do jasmim
Traz-te a mim...


m.c.s.



Andre Rieu - Toque de silêncio (IL SILENZIO)

em memória do rui

Na minha terra há mulheres que são santas. E há algumas que têm esse nome posto na hora da água benta na cabeça, do sinal da cruz na testa e do choro do candengue assustado com desnecessária violência .
Eu conheci mais do que uma Santa de nome. Na Vila Alice. Não sei porquê que é nome de africana. Será que é mesmo por isso? A religiosidade sempre na vida dos angolanos.
Era menina quando dos fundos da casa das mulembeiras, fugia para o largo. O famoso largo da vila alice das minhas memórias.  Passava a fronteira e ficava ali aonde eu era mais eu. Conhecia todos. Como numa pequena sanzala. A Susete, a Lili, o Armindo, o Américo, o Luís, a Maria João, o Kaquito, a Laura, a Lisete...ai a Lisete, irmã do Kaquito e da Laura, filha da Dona Rosa e do sr. Eurico e  minha amiga mais antiga, desde que nasci, que vive agora no Barreiro, os filhos do sr. Ulisses, a Ana Maria, o Quinito, a Fernanda, a Nela, a Lena, a Fátima, a Céu, a Ana, Aurora, Delfina, os Cunhas...
Os Cunhas eram filhos da Dona Santa, uma mulata cambuta e roliça que andava sempre com a empregada e afilhada atrás e  me disse um dia que eu estava verde e me deixou tão assustada que fui no consultório daquele médico mestiço que ficava na avenida brasil e me dei de caras com uma patologia grave porque me convenci que era hipocondríaca desde aí. Se eu não era lagarto, nem rã, nem louva-deus, nem  nada, como é que estava verde? Era doença, só podia e muito má.
Dona Santa, andava sempre na banga. Era do tempo do lenço na cabeça, a apertar no queixo, das unhas grandes e vermelhas e do gingar da anca a andar...
Os Cunhas eram um conjunto, como se dizia naquele tempo. Um conjunto musical. Todos irmãos. Uma vontade enorme de serem diferentes. De sucesso. Tocavam nas farras. Nos casamentos e outros eventos.
Ensaiavam no cair do sol e todo o largo os ouvia. Quase indiferente.  Eram da nossa rua. Do nosso largo. Do nosso bairro. Nossos. Um orgulho para todos encarado como dado adquirido. Estavam lá e faziam parte da nossa vida, dia após dia.
Recebi a notícia. O Rui partiu. Uma amiga desse tempo é que me deu. No facebook. Este facebook que nos dá alegrias e tristezas. Surpresas e contrariedades. Indiferenças e novidades. Notícias...
Fiquei a olhar no canto da minha memória fotográfica, a casa de rés de chão e primeiro andar mesmo por trás da minha casa da avenida brasil. Fiquei a olhar a alegria daqueles rostos todos parecidos, filhos da dona Santa.
Fiquei a ouvir os acordes das guitarras e as vozes repetindo letras de músicas ensaiadas noite após noite.
Fiquei a olhar o passado da minha lembrança de nascida e crescida na vila Alice entre a avenida e o Largo Camilo Pessanha. Fiquei a ver o tempo a passar. E me faltou a esperança. Tudo o que tive já não existe, mesmo que ainda não tenha terminado no tempo.
Era preciso repovoar o largo, a minha rua, a Vila Alice, Luanda, com as minhas memórias e a de todas as pessoas desse tempo e dessas vivências, como num filme, para acreditar que o passado não fica lá atrás nas pautas, claves de sol e dós arrancados a uma vocação qualquer, a uma alma qualquer, a uma terra qualquer...
Nesse tempo lá para trás, numa noite de sábado, chovendo tropicalmente, num palco dum cinema ao ar livre ouvi-os a tocar o " Silêncio " e retive esse momento para sempre na minha memória afectiva. Eram os Cunhas. Os filhos da dona Santa. Meus vizinhos.

Hoje, respeitosamente, faço um momento de silêncio em memória do Rui. Dos Cunhas...

lá vamos...



Passavam 5 minutos da hora.
Há dias trôpegos. E que rendem pouco. Para cúmulo, mil e uma coisas me cairam das mãos como que sinais de que tinha de ir com calma. Mas nervosa porquê? Quinta-feira...um pé no fim de semana. A vontade de o viver. Diferente. Então porquê esta inquietação preguiçosa e desastrada? Deixo p'ra lá. Não tenho respostas p'ra tudo. Não tenho respostas, ponto.
A manhã está fria. Sei sempre quando a temperatura baixa. As luvas são o indicador. Se sobe, não as visto. Se desce, sou obrigada a isso. E apertar o casaco. E enrolar o cachecol no pescoço. E fico de pingo no nariz. Que sorte a dos que  não se fazem à rua pelos seus pés! Que estranho, também. Pensando bem há muita coisa que apenas passa a raspar, neles. E isso será bom? Receio que seja apenas uma forma de me convencer, mas deixo também para lá.
O percurso é rápido. O tempo é que é pouco. Ao longe já vislumbro o viaduto. Não fosse isso e num ápice estaria lá em cima. Vejo um homem de sobretudo escuro e andar gingão. O mesmo andar de sempre. E o jeito. Estou atrasada. Não posso deter-me nem para o cumprimentar. Aproxima-se mais. Sinto-me mais inquieta. Sempre que comigo se cruza, rouba-me tempo, dá-me sorrisos. Sempre lhe achei piada. Sempre foi o bobo da corte. Nas estórias com os turistas que confiantes o metiam no automóvel para que do ribatejo lhes ensinasse o caminho para o Algarve, no fim dos anos 70. Ou de todos lhe alimentarmos o vício do tabaco, sem que gastasse um escudo e depois um euro. Ou ainda, ir com o doutor, um certo advogado desta praça, boémio e demais conhecido, para Lisboa, correr as casa de fados e outras com a carteira vazia  . Ou fazer-se passar por outros. Ou das tangas que dava a uns e outros, a nós, amigos também. A culpa da sua estranha, chula e divertida personalidade era atribuída ao serviço militar no ultramar. Numa Angola que não esqueceu. Um Nambuangongo que o marcou definitivamente. Foi o tempo da liamba. Das negras e do medo.
Vejo-o sorrir. Com os músculos. Olhos. Boca e  dentes. Pára. Eu não. Agarra-me pelo cotovelo. Páro. Forçada. Mais ou menos.
- Isto está lindo está, Clara! 
Sorrio. 
- Sabes o que é que me apetece? 
- Não - disse.
- Recuar cinquenta anos e cantar - Lá vamos cantando e rindo..
Soltou-se a minha gargalhada da manhã. Largou-me o cotovelo, sorriu e seguiu o seu caminho. 
Quando parei para olhar o carro que tinha ao meu lado no início do viaduto, acho que ainda sorria.
De dentro ouvi uma voz conhecida num sorriso franco e generoso: Quer vir? 
- Claro. E entrei no automóvel do guarda da gnr que dias antes me prometera boleia. É meu conhecido há muito tempo e julgava que eu levava a mal o oferecimento. O rádio em altos berros distraiu-me do encontro com o João S.
Cheguei lá acima adiantada nas horas. 
Há dias trôpegos mas divertidos. Que dão sorte.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

The Gift - Primavera

hoje, apenas hoje

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Dei tréguas ao caminho. Ao esforço. Ao sacrifício. 
Dei tréguas aos " castigados " da conversa. À pitangueira e à cidade.
Tudo porque a minha cervical se pôs a latir que nem um cachorro pulguento.
Tudo porque o pânico me invadiu. 
A minha hérnia de estimação voltou a atacar...
E ganhou aos sete quilómetros de estrada por percorrer.
Hoje. Apenas hoje.

será?.........

Dizem que os amigos são para as ocasiões. Então, aqui vai.............
Alguém tem uma cervical a mais?
É que estou muito necessitada...
Será que é de olhar para a lua nestas noites de lua cheia ou é mesmo a PDI?

sinónimos

PIEGAS - Ingénuo, Romântico, Sentimental, Tolo
Que ou quem é dado a pieguices
Pessoa afetada, ridícula nas maneiras, dada a infantilidades...
SOMOS TUDO ISSO?
O nosso (? ) Primeiro está a ver mal os sinónimos. 
Se fossemos do tempo da outra senhora até lhe dávamos umas reguadas. 
Que está a merecê-las, lá isso...

Tiken Jah Fakoly -- Africain à Paris

namoro

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a lua namorando o castelo

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luar hoje

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hoje o entardecer

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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

um par de botas

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Era uma vez um par de botas...
Nasci duma história bonita de amor com contornos de proibido naquele tempo do parece bem.
Nasci no cacimbo; dias  mais pequenos e noites frias a pedir aconchego e romance. Sob o signo do caranguejo, signo do lar, da família e do amor.
A minha mãe, mulher bonita, mãos de princesa e porte de rainha, frágil, sofrida e triste nas recordações e forte no amor, sabia estórias de me deixar presa. E eu ouvia  e nunca me cansava.
O meu pai, homem charmoso e bonito, olhos escuros e brilhantes, tez morena, seguro nas atitudes e no amor,    trazia estórias do lugar onde vivera que contava e eu ouvia extasiada.
O meu avô, homem muito alto, com porte de judeu, nariz fino e direito, olhos honestos, sorriso franco e convicções fortes e inalteráveis, tinha uma vida repleta de histórias bonitas, romanceadas, vivências louváveis, altruístas. Gostos saudáveis. Profunda capacidade para o sucesso. Dava-me de presente exemplos e estórias que eu recebia encantada e das quais me alimentava avidamente.
Tive um amigo imaginário. Inventava-o. E dizia que o meu tio mais novo, crescido na minha casa era meu irmão mais velho. Inventava estórias que apenas se descobriam não ser verdadeiras porque os meus pais me  denunciavam. Na escola, depressa gostei de saber estórias dos professores e dos colegas. Para acescentar às minhas estorietas. Cozinhava tudo e criava romances ao meu jeito. Houve um tempo que me perdia pelas páginas inventadas das minhas estórias e não vivia a minha verdadeira história. A fantasia me encantou  desde que me vi como gente.
A terra ajudava com as estórias dos escravos, condenados,  feiticeiras, cipaios, sobas, mato,  jiboias, kiandas, hienas. O choro das hienas,  que batiam às portas fingindo de crianças, as calemas, as trovoadas, o chefe de posto, o carnaval. E eu registava e acomulava...
Redacções eram canja para mim. A dificuldade era separar trigo de joio e filtrar a palha. Como agora. Nunca soube sintetizar. Como poderia ser jornalista e escrever Xs caracteres apenas?  
O encanto das estórias está logo no começo. Era uma vez...
O encanto da estória é fazermos parte dela, vivê--la. Protagonistas. Papel principal. Não para sermos os maiores mas p'ra estarmos em todas as acções da estória.
Gosto de estórias. Muito. De as ouvir e de as contar. Gosto que me aconteçam. Vivê-las vale a pena. Fazem a minha história.
Quando o fim de semana é frio, de arrepiar e não saio de casa, nada de assinalável acontece.
A menos que...
Era uma vez um par de botas. Não é um par de botas qualquer. São botas oferecidas no Natal por alguém que amo. Só as recebi porque fui invejosa. Sim, sim, contrariamente ao que afirmo com grande orgulho, que não sou invejosa, as botas chegaram-me às mãos porque andando com a minha irmã, a caçula, às compras, coisa que fazemos todos os anos, perante uma lista de nomes de gente dela, palpito e ela aceita ou não. E assim, entrámos na loja repleta destas botinhas. Várias cores. Confesso que não gostei delas p'ra mim. Cinzentas, pretas, cor de rato, castanhas. E opinei acerca de dois pares. Mas de repente bati com os olhos curiosos nestas botinhas românticas, juvenis e fofinhas e disse: Estas até eu gostava p'ra mim. E logo a caçula disse: Queres? Dou-tas no Natal. E eu que não me imaginava com um par de botas novas e oferecidas, apesar de não me ter feito ao piso, juro que não caçula, disse para comigo: ahn, pois, porque não? caraca, botas fofimhas estas, para as levar quando formos as três da vida eirada a Berlim que parece que é no dia de são nunca à tarde, tantas vezes que já foi adiada essa viagem. E, sim, sim, quero, apressei-me a dizer não fosse a caçula arrepender-se por que já lá tinha um perfume e outras coisas lindas para me fazer feliz como criança de rebuçado na boca. E foi assim  que as botas viajaram connosco para o ribatejo, diretamente da capital.
No dia 24 de Dezembro, na hora da família dar presentes, lá vieram as botinhas numa surpresa fingida mas num sorriso de prazer. Na euforia que é esse momento do quem deu o quê, quem recebeu o quê, uma  garrafa de licor bem caseirinho da quinta do mano Zé feito pela minha cunhada foi juntar-se com as botas num namoro sério e perigoso. E eis senão quando, num safanão meu, como se fosse possível eu não fazer asneiras, o saco bonito e grande que acumulava vários presentes bonitos, foi parar ao chão e a garrafinha de licor ficou reduzida a mil cacos. As minhas botas, coitadinhas...pois então, lamberam no seu pêlo e pompons farfalhudos todo o líquido entornado. E vi-me com umas botas novas bêbedas e mal cheirosas e impotente para resolver a questão que me pareceu difícil. Lavei-as. Lavei-as quase todos os dias. Sempre pegajosas. Sempre mal cheirosas. Eu que odeio cheiro de álcool. Fiz das tripas coração e não desanimei. Passou um mês e meio. Nunca as calcei. Vão passando da janela para o lava-loiças para mais uma banhoca e vice-versa.
Hoje decidi. Depois de uma estória tão acidentada e trágica está na hora de cumprirem a sua função. O frio justifica. E nunca estive tanto tempo para estrear uma vaidade. Por isso, é hoje.
Hoje vou dar corda aos atacadores, pois que, chega de estar enfiada em casa que eu não fui feita para tanta parança. E as minhas botas novas vão encerrar um capítulo e iniciar outro que espero bem mais útil e alegre.
Se é uma estória verdadeira? Claro que é. Já não as invento senão quando venho divagar para aqui. E ainda assim, há um fundo de verdade em tudo o que escrevo quando não é um, com a verdade me enganas.
Era uma vez um par de botas...
assinado maria clara
  

sábado, 4 de fevereiro de 2012

De ser, para ter

Há dias diferentes. Que alojam sentimentos profundos. Que os distinguem d'outros dias.Há dias que não saindo de casa vou viajar no mundo dos meus afectos e nem percebo se está frio, se está dia ou se já anoiteceu. Se comi ou não. Se me faz falta. Não estou só. À distância de um clique, está alguém. Vários " alguéns ". Estive em Dili de manhã e os olhos choraram e o coração se enterneceu. Há afectos assim.
Estive no Luxemburgo e me emocionei com alguém que não vejo desde que era criança. O facebook é Grande!
Estive em Madrid e a infância voltou nas recordações que se vivem em conjunto quando a infância é de luxo nas brincadeiras e nas partilhas. 
Também estive em Luanda e soube do calor infernal para contrastar com este frio desgraçado que toma as pessoas de reféns e lhes condiciona a alma. Estive na África do Sul. E na Alemanha troquei palavras e sorrisos. Na Suécia deram-me conta dos graus negativos a que está sujeita.
Estive em Faro mas andei na minha rua que foi e é a rua de muita gente e me senti feliz de a partilhar.
Estive em Guimarães. Ah sim. Em Guimarães. E falei. Falei e ri. E perguntei e me preocupei. Afinal Guimarães é a capital europeia da cultura e eu viajei até lá na voz e no coração para ver arte. Saber como vai a arte e como vai o artista.
E também estive na viagem de comboio Cais do Sodré / Oeiras. E " vi " uma encalorada como eu, pior que eu, vestir um cachecol de lã, presente de natal e umas luvas. O frio agreste a isso obriga. E preocupei-me. E perguntei. E sorri. E lhe ouvi a voz também. É importante ouvir a voz do coração.
E descobri por um acaso, que pode ser do destino, mais uma vez o facebook a comandar o tal destino, alguém, que era criança quando a conheci. E não vejo desde 1975.  E a morte da mãe me marcou profundamente. E nunca mais esqueço porque foi  pessoa que  vi sofrer como ninguém e  acompanhei a sua doença à distância de amiga da familia e vi finar-se mais de perto, tão de perto que ainda hoje lembro como se fosse hoje. E as tias foram pessoas muito importantes na minha vida. Ma marcaram. Até hoje. Para sempre.  
Hoje é um dia diferente. É sábado. E é 4 de Fevereiro. Só por isso já não podia ser igual.
Hoje juntei os sorrisos que recebi, as emoções que senti e as lágrimas que os meus olhos não se importaram de chorar e conclui que há dias especiais. Especiais e diferentes. 
Ainda bem. Haja mais dias que nem estes, que eu quero vivê-los deste jeito. De ser, para ter...

palhaço pobre


Terça-feira de Carnaval, meus senhores, já era! Tarde piaste, que é como quem diz, tarde te mascaraste...
Não estamos em tempo de mais carnavais.
O nosso ( meu não ) primeiro, diz que não. Trabalhar muito pois isto ou de costas ou de barriga tem que ir e mascarados já eles estão...
E eu. De palhaço...pobre!

entrevista


Sara Tavares disse: Os médicos são os Anjos na Terra.
No programa Alta definição da SIC a acontecer neste momento. A propósito da sua intervenção cirúrgica, para a remoção de um tumor, que aconteceu, com sucesso.

o frio, hoje

Está um frio que não dá para facilitar.
Mesmo dentro da minha alegre casinha, apetece estar de gorro, cachecol e luvas.Bem sei que moro no último andar. Bem sei que não tenho ar condicionado. Bem sei que mesmo que tivesse não o ligava por dá cá aquela aragem vinda do norte. No Olival existe e nem assim o ligo. Bem sei que não tenho lareira, mas tenho quem me convida para ela. Bem sei que posso ficar alegremente aquecida debaixo do edredom com o sol entrando pela janela.
Bem sei que me queixo de barriga cheia...

Se olhar à volta o meu sábado será deprimente.
Que país este que tem de abrir as portas do metro para que os sem abrigo passem a noite menos miseravelmente!
Que país este que tem sem abrigo paredes meias com os ministérios...
Dizem-me quando desabafo de revolta pelos menos afortunados: Vais a Paris e encontras sem abrigo por todo o lado.
Já fui a Paris. Era Inverno. Temperaturas negativas. Circulei de noite. E, ou estava deslumbrada com a cidade luz ou os sem abrigo tinham hibernado. Ou  engolidos e esmagados por essa cidade fantástica. Mas, apesar de admitir que sim, os há um pouco por todo o lado, este país é mínimo e é inconcebível a hipocrisia dos governos, uns atrás de outros.
Hoje está muito frio. Demais. Apesar disso, o sol nasceu e brilha para alguns.Não sou friorenta.  Quando está todo o mundo aos ais, eu tenho os pés e  as mãos quentes motivo de grande inveja que me dá muito gozo numa maldade que me delicia atirar à cara dos friorentos: Eu não. Estou mesmo bem. Até o coração está quente...E surpreendem-se e enfurecem-se e dizem desdenhosamente: Como é isso? Tu que vieste lá das áfricas, habituada ao calor?!...Ou então desdenham a roupa que tenho vestida num: estás aí de corpinho bem feito, não tens frio? Nem um pouco? Insistem.  Ou ainda: De sapatos? Eu cá só de botas... Ou no exagero exagerado de quem pensa que dá fé de tudo e não se rala connosco mas está sempre à coca do que temos vestido e calçado: Eh lá...Já tiraste as meias? Isto é frequente na primavera quando me começo a despir do que não me faz falta. E eu a vê-los passar. A vê-las. Porque os homens não se perdem com estas frivolidades. Hoje está muito frio. E eu não vou facilitar. Como simples mortal que sou, apesar de ser favorecida porque  tenho casa, roupa e aquecedor,  vou tratar de mim porque se não o fizer, quem o fará? D. Pitanga? Não pode com um gato pelo rabo, encolhidinha no meu colo, tapadinha até às orelhas ( coitadinha... ). Vou beber um chá quentinho. Ou dois. Ou litradas. Assim como assim se for chá verde já me estou a ajudar em dobro, para diminuir. Como não gosto de vinho, não faço como os macacos dum país lá do leste que não recordo qual. Mas vou fazer uma sopinha bem nutritiva, para o que der e vier. E o resto, logo se verá. Não tenho contas a prestar por isso se me apetecer nem saio da cama.
Uhnnnnn... está a parecer-me que não, não entrego assim os pontos e depois, o sol brilha deliciosamente e eu não sou criatura para desperdiçar um sol radioso. Só me faz falta o mar mas o Ribatejo ainda não o tem.
Para a semana já o terei à disposição e à distância de um simples olhar. Faça chuva ou faça sol. Faça frio de rachar...

amor-perfeito


Acorda o sono
E o dia
Adormece no frio, 
A dor
Da minha nostalgia
Acorda o calor
Verão sonhado
Nasce a cor
Amor-perfeito
No prado
Acorda a cidade
Acorda a vontade
De florir
Cantar
Inventar
Sorrir...
Acorda o sol
Sopra a vela
Luz de inverno
À minha janela
Acorda a voz
No beija-flor
Traz-me a notícia
D'um grande amor

m.c.s.

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2012

ontem foi assim

Há dias estranhos. Dias em que tudo pode acontecer.
Tanto estamos a subir o viaduto num frio de rachar pelas 8,30 da matina no próprio pezinho, como subitamente uma criatura simpática e roliça, cheia de truques na voz, sorrisos e mesuras  pára o seu automóvel para nos dar a boleia que já em tempos nos dava e já um g.n.r. que priva comigo amiude dissera também esta semana: a senhora não sobe o viaduto todas as manhãs? estive para parar para lhe oferecer boleia, mas podia não gostar...
Não gostar? O que inventam Deus meu. Não gostar de  subir o viaduto comodamente instalada? Ora tenham a santa paciência pessoas que me vêm nesse esforço que pareço parideira pronta para deitar fora o coração, os pulmões, o cérebro e o pequeno almoço. Não gostar...ficou encomendado num aval para parar sempre que por mim passar que eu vou adorar.
Mas isto é só o princípio do dia. Promete bem mais. Uma marcação para 4 num sítio  gostoso demais num cumprimento de presente de natal.
O dia trabalhando. O dia acabando. Com ele no fim, uma volta de 7 quilómetros. Que podia ser o fim. De tudo e de mim também. É que vi hoje a minha vidinha andando para trás se não tivesse corrido a sete pés, num dar corda aos atacadores de coração na boca e o corpo todo tremendo, e estaria numa cama de hospital se não estivesse a fazer tijolo. É que de facto numa hora, num segundo tudo muda. Hoje eu e a minha amiga Manuela iamos sendo passadas a ferro por um louco que não conseguiu desfazer uma curva  na rotunda e não controlou o carro, isto no momento em que começávamos a atravessar a rua. Nunca vira tão perto a ameaça à minha integridade física. Digo mais, apanhei um susto de ficar toda numa tremedeira de meter dó. Depois de corrermos que atrás vinha um louco tresloucado num zigue-zague assustador mesmo à frente do nosso nariz ainda nos voltamos para trás e não eu mas a minha companheira de quase infortúnio empoleirando-se no alto das suas sapatilhas xingou o louco de tudo o que é mau, insultando a mãe, a mulher e ele próprio entre gritos e gestos.
Não fosse um telefonema da caçula a ver se iamos conversar um pouco e comer qualquer coisa e acabava a minha noite a pensar na morte da bezerra que é para não dizer, no meu fim depois de ser trucidada por um imbecil que parecia nem ter carta de condução nem as cinco oitavas no lugar. Acabei a noite a comer um cozido à portuguesa num restaurante que já não é o que era pois o sr. vítor já não existe mas que o Alfredo tenta que se pareça com o que já foi. Se o cozido à noite é veneno e não se pode comer? Se calhar é. Mas era um cozido muito soft, como são os próprios portugueses de forma que não me trabalhou no estômago. Afinal há dias que têm tudo para correr mal mas acabam num nem por isso.

Twin Shadow - Slow

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

estrela



Se esta noite o céu não chorasse, as nuvens não se precipitassem e o frio não me congelasse, eu   roubava-lhe uma estrela. 
Brilhante. Amarela.
Veloz. Elegante...
Roubava-a só para ta ofertar.
Bem sei que não ma pediste. Bem sei que não me pedes nada.  
Mas se esta noite fosse diferente, roubava uma estrela.
Uma estrela cadente. E dava-ta de presente. 
Apenas para pedires um desejo. Apenas para o realizares.
Apenas para te ver sorrir. Para mim...

falar com o mundo



Já falei  com Lisboa. Com o Norte e com o Sul. Com as Ilhas.
Já falei com Luanda. Muitas vezes. Tantas que nem dá para contar. 
Já falei com a África do Sul. Com Moçambique.
Já falei com o Brasil: Rio de Janeiro e S. Paulo. Com Porto Alegre e até com Alegrete.
Já falei com a Venezuela. E com a Argentina. Com a Tunísia. Com a China. Com o Dubai.
Já falei com a Ucrânia. Com Madrid. Bilbao. Barcelona. Montpellier. Paris. Marselha. Toulouse. 
Já falei com Londres.Com Bruxelas. Amesterdão. Berlim. Aachen.
Já falei com Geneve.
Já falei com Telaviv. Já falei com Jerusalém. Já falei com muita gente. De muitas terras. Tantas que nem lembro mais quais para além destas. 
Mas nunca tinha falado com Bali. Na Indonésia. Falei hoje e fiquei muito feliz. Se há alguns anos atrás, quando cantava convictamente a canção que João Gil e Luís Represas criaram e cantaram até à exaustão - Timor - alguém me dissesse que eu ficaria nesse estado de euforia por ter alguém na Indonésia a falar comigo, eu diria que era louca varrida.
Aí está  algo que não prevemos e a acontecer, pode ser uma grande alegria  .
Adorei falar ( teclar ) com Bali...

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

hoje é o que temos


Ligo o computador. A Pitanga salta para o sofá. Acho que passa o dia todo à minha espera. Acho. Não tenho a certeza. Mas gosto de pensar que sim. Que sabe que depende de mim. Que me aguarda como se fosse  o seu deus. Dou comigo a falar dela como a gente fala de família que ama demais. E se uma amiga me diz, ah porque o meu gato faz isto e aquilo, canário, eu faço logo o que não se pode fazer. Ah e a minha Pitanga que faz aqueleoutro?  E pronto, é uma conversa de gente, virada para gatos que eram animais que eu nem sequer tinha grande simpatia, cão é que era, muito fiel, muito amigo, muito dócil e submisso. Mas afinal o que é que eu queria? Capacho? Ainda bem que a Pitanga surgiu na minha vida e é gata. Foi Deus que fez a minha amiga Manuela encontrar a Pitanga , pequenina e abandonada junto à estrada, perto do seu quintal.E por falar em Deus, liguei o computador. E a seguir entrei no blog. Estou apaixonada. Caí de quatro pela música que coloquei no canto superior direito do blog. Quem canta? deus. E a música é nothing really ends. Por mim ficava eternamente a ouvi-la. Sem me cansar. Ligo a televisão. Senhora ministra, boa noite e oxalá. Estou farta de delírios. Onde é que  nos vai meter aos 400 que ficarão  supranumerários? Como é que vai responder ao desejo de justiça dos pobres? Acaba com ela? A justiça dos pobrezinhos, indigentes e mal amados.  Desculpe senhora ministra, nunca nos olhamos olhos nos olhos, não quer dizer que um dia não calhe, mas agora não sou capaz de a ouvir nem mais um segundo por isso vou mudar de canal. Prefiro ver os Morangos com açúcar. É mau teatro mas não  prejudica o povão. E afinal bom teatro para quê? Não há dinheiro para ver teatro à séria. Ele não há dinheiro nem para os transportes...mais um aumento. Ó senhora ministra, não vai perder tempo comigo nem os seus amigos ministros, que eu não deixo. Vou já mudar de canal. Não que o que vejo  seja melhor. Setenta e tal mortos no Egipto, num estádio...Jesus, Maria, está tudo louco e o Manuel José está feito ao bife no meio daquela loucura. Sempre simpatizei com Manuel José e não sabia onde é que ele treinava agora.Volto a ouvir deus - Nothing really ends. Linda música! Apenas eu e a Pitanga. Ouvindo. Ela no meu colo quietinha. Entre o computador e eu.
Por que raio havia de chover na hora de ir andar os meus 7 quilómetros? Três semanas andando certinho convenceram-me que seria capaz de ter prazer nessa rotina, e não é que estava a sentir essa coisa boa de mexer os músculos, sentir o corpo, aliviar o stress, dormir seguido, desenferrujar a língua nas conversas de estalo que sempre temos eu e a minha amiga Manuela? 
E mesmo sendo quarta-feira o meu jantar das quartas já ficou prejudicado, disse a caçula, que não conseguiu sair no horário certo. 
Apesar de tudo, aqui estou. Eu e a Pitanga...nós e deus...nothing really ends!