terça-feira, 9 de março de 2010

Luanda menina, mulher...










Temos a Avenida Brasil, ( 1ª e última fotos ) a Baixa, a Ponte da Ilha, a descida para a Igreja da Nazaré ( onde estão os 3 prédios em construção ), o Bairro Prenda.









Daqui vê-se S. José de Cluny, a baía e a ilha

















































Parte de trás da av. Luís de Camões









Marginal, vista da Fortaleza



















Luanda, vista da Ilha.
Junto ao Cais de Quatro









Ilha do Cabo








Avª Luís de Camões









Prédio da Sonangol










Quiosque em frente à Escola Industrial

segunda-feira, 8 de março de 2010

Flores para Flores

Ofereço flores a todas as mulheres que privam comigo, de quem sou amiga, colega.
Nunca tive oportunidade como hoje, que é o nosso dia, de deixar os seus nomes aqui escritos e não vou perder esta oportunidade por nada deste mundo.
A todas desejo que tenham uma vida feliz e que cumpram tudo a que se propôem.
À minha amiga de infância mais antiga, que desde que me lembro de existir, me lembro dela, Lisete. Às manas Rocha, à Milú, Mena Lima, Arlete, Susete, Julieta Tonet, Faty Tonet, Ana Maria Costa, São Soares, Mimi Lima, Teresa Brito, Maria do Amparo, Isabel Pereira, Célia Sereno, Eduarda Rodrigues, Gracinda, Cristina, Fernanda, Linda.
À Filomena, Cila, Lena, Ana, Suzy.
Às mais recentes, Helena Amaral, Elizabeth, Clara Lima, Fernanda Bartolomeu, Celeste, Constância, Célia.
Um abraço maior do que o Universo para todas e mil beijos.
Que os dias sejam todos vossos.

PORTUGAL 1984

Por ser mulher, e ter sido escolhido o dia 8 de Março, para assinalarem o dia como Internacional da Mulher, aqui estou dando os parabéns a mim própria.
Gosto de ser Mulher e não me veria sendo de outro género.
Ofereço-vos esta música da Maria Guinot, uma mulher, evidentemente.
Mas tenho de confessar que o que eu gostava mesmo é que não fosse destacado o dia da Mulher. O mundo seria bem mais justo. O dia da Mulher, como diz uma amiga, são todos os dias, todas as horas, minutos e segundos.
Mas já que se instituiu, que seja. Salvé o dia 8 de Março, em todo o mundo.
Parabéns...Um bom dia para todas.

Mulher

Hoje, que é dia Internacional da Mulher vou lembrar mulheres que tiveram e têm um papel preponderante na minha vida.
Mulheres que eu amo, admiro e respeito muito. A quem eu devo, a pessoa que sou.
A primeira, é a minha Mãe. Mulher que partiu com 53 anos e que viveu uma vida de amor, de sacrifícios, de entrega e de doença.
A mulher mais sofrida, mais resignada, mais pacífica e tranquila que conheci. Uma Mulher e mãe LINDA. A mais Linda. A mais doce.Uma Mulher de quem tenho uma saudade sem fim. A minha Mãe...
A Paula, minha irmã. Tenho uma profunda admiração por esta mulher que todos os dias faz das tripas coração para vencer o dia e as agruras. Que tem Força para levar por diante um projecto de vida que abraçou e não recua um milímetro dessa tarefa. Uma mulher que veio cá com uma missão e tem sido solicitada a cumprir de uma forma dolorosa e aceita isso como um karma. E com um sorriso nos lábios e resignação no coração. Uma mulher nova, bonita, inteligente e sensível. A minha caçula linda. A menina que eu ajudei a criar e que me chamava " Tache " ou " Tachinha " em vez de Clara ou Clarinha, quando era pequena. Uma Guerreira de Luz.
A minha filha Ângela. Uma mulher a desabrochar. Uma aluna excelente. Uma irmã perfeita. Uma amiga fiel. Um ser humano riquíssimo. Inteligente, íntegra, justa. Uma acérrima defensora das minorias, levando esse propósito com tanta paixão que o mundo muda, o mundo onde ela se movimenta, perante a sua persistência. Uma profissional exemplar. Uma filha Linda.
Arminda Correia, uma velha amiga que vive em Angola e que ao longo de 34 anos embora distante e sem nunca mais nos vermos, manteve essa amizade comigo, apenas falando ao telefone. Com 74 anos e uma família gigante, composta por filhos, genros, noras, netos, sobrinhos, trabalha para este clã com determinação e coragem. É a matriarca da família. Com valores admiráveis e uma esperança grande, leva por diante a sua vida e interfere e determina os destinos de muitas pessoas à sua volta, positivamente. Neste momento tem um infantário que gere sozinha trabalhando diariamente 10 horas. Tem 38 crianças a seu cargo. A minha mãe de África, como eu gosto de lhe chamar. A minha mãe negra.
Eduarda Soares, uma mulher que partiu há 1 ano e que me deixou marcas profundas. Criou os filhos sozinha e conheceu a dor de ter sido traída e a dor de perder dois dos seus filhos. Uma mulher muito sofrida mas com uma dignidade muito tocante. Um porte de rainha e uma elegância na voz e na atitude. Uma mulher do signo caranguejo, para quem a família e o lar eram tudo.
Zita Fernandes. Minha professora da 3ª classe. Minha entidade patronal, durante o meu breve emprego de professora em Luanda. Madrinha da minha irmã. Uma amiga muito dedicada. Uma mulher que gostava muito de mim e da minha família. Muito bonita, muito elegante, muito bem formada, que me tratava por Clarinha e que me aconselhava com muito carinho e respeito. Uma mulher muito requintada, que emitei, pelo exemplo. Partiu há alguns anos.
Milú Sores. Uma mulher de mão cheia. Colegas de liceu, conhecemo-nos com 9 anos. E nunca mais nos perdemos de vista. Afastadas fisicamente durante 34 anos, fomo-nos vendo ao longo dos anos. Cultivou a nossa amizade a partir de Luanda e leva-me a Luanda ao fim de 33 anos de afastamento. Oferece-me metade do bilhete de avião, a sua casa e tudo o que isso implica. Oferece a casa aos meus filhos em Lisboa, cerca de 3 meses até que a minha casa estivesse na minha posse. Ali estiveram com tudo ao dispor. Amiga de todas as horas, nos bons e maus momentos. Generosa como ninguém, leal, verdadeira. Uma mulher que ao longo destes anos tem feito favores a uma infinidade de gente, como se fosse uma missão sua ou um dever.
Uma mulher inteligente e bem humorada.Com a rara capacidade de desvalorizar e ridicularizar o que merece tal, e a capacidade de se rir de si própria. O seu optimismo é um bálsamo e encoraja-me. É a minha confidente desde o tempo em que éramos miúdas. A minha kamba de sempre e para sempre. Quando for grande, quero ser como ela.
Manuela Dias. Uma mulher de têmpera. Antes quebrar que torcer. Uma força da natureza. Uma amiga verdadeira. A grande amiga como irmã, neste deserto que é o mundo onde vivo durante a semana. A mulher em que me apoio quando me vou abaixo. De um optimismo admirável, de um humor rápido e brilhante, de uma generosidade e altruísmo invejáveis. Agarra as causas como se fossem suas e puxa a si responsabilidades. Matriarca. Luta diariamente contra o tempo por abraçar muitas causas. Dois filhos adultos, um com quase 3 anos, uma família imensa, um emprego e um curso a meio, numa faculdade a 3 horas de caminho da sua casa, uma actividade a par com a profissão e parece que o tempo não estica mas fá-lo esticar para mim e todos os que precisam dela. Nunca se nega.
Para além destas mulheres da minha vida, há uma mulher que me marcou profundamente pelo seu brilhantismo como profissional. Com quem trabalhei.
Maria Helena Fazenda. Uma Procuradora. A melhor profissional com quem algum dia trabalhei.
Uma mulher com garra, com astúcia. Perspicaz, teimosa, muito inteligente e esperta, habilidosa, segura, carismática. Um força da natureza. Uma mulher que me fez gostar mais da minha profissão porque honrou a dela e respeitou a minha, respeitando-me muito. Ouvimos presos em primeiro interrogatório, noites inteiras, depois de um dia inteiro de trabalho e nunca me senti violentada por isso. Éramos uma equipa. Trabalhávamos para um fim comum. Com um propósito único. É uma mulher de sucesso devido à sua capacidade de se destacar no que é e faz.
Por fim, há as outras mulheres. Da minha família. Amigas. As colegas, que comigo trabalham diariamente.
As que não conhecendo, admiro pelo que fazem, no mundo. Nas artes, na medicina, no jornalismo, no voluntariado...
Há contudo uma mulher que destaco. Uma mulher de tamanho mínimo mas com uma obra gigantesca. Alguém que mudou de facto o Mundo. Da qual as mulheres não se esquecem.
Madre Teresa de Calcutá.
Não tenho ídolos. Mas se retirasse um predicado diferente a cada uma das mulheres que admiro e interferiram ou interferem na minha vida, e os juntasse, na construção de uma personalidade, seria certamente, o ídolo de muitas mulheres.
Hoje, neste Dia Internacional da Mulher, desejo a todas as Mulheres uma sociedade mais justa e digna, onde as mulheres não tenham direitos e deveres diferentes.
Parabéns e tenham um Bom Dia da Mulher.

Santogold I'm A Lady/ lyrics

domingo, 7 de março de 2010

Reprise, em estreia Vip

De novo com o filme " Amar é...complicado ".
E porque eu gostei tanto do filme que perante a hipótese de acompanhar quem o queria ver, não hesitei.
Vira-o sozinha ( como tinha desejado ) na Covilhã. Sem qualquer companhia amiga, familiar, ou ocasional. Apenas mais 4 pessoas numa sala enorme. Em estreia.
Ontem, depois de uma tentativa frustrada, por estar uma fila daquelas que nunca mais tinha fim, acabámos por optar pela sala de sempre, no Corte Inglês. Só que, cedo percebi que já não havia lugares senão para a segunda fila, isto é, aquela fila que nos deixa com o pescoço completamente avariado e o estômago com náuseas.
A senhora disse: Só se for na sala Vip.
Ena pá... nem pensei duas vezes. Sala Vip! Ah pois é. Já tinha lido o preço do bilhete nessa tal de sala vip. O dobro do que o proletariado paga. Vip é vip, pois então...
Deu-me um certo gozo imaginar-me numa sala Vip fazendo o mesmo ( ? ) que os vips todos fazem.
Pareço complexada, porque não encaro isto com naturalidade. Mas não.
Muitas vezes, antes de entrar no recinto dos cinemas, observo o 1º andar, que eu sou muito curiosa e gosto de pessoas e observar os comportamentos delas e até tentar adivinhar o que lhes vai na alma e no corpo. Via por lá, uns sofás que me pareciam confortáveis e interrogava-me sobre se era necessário que os vips se sentassem nos sofás antes de entrarem na sala vip para assistirem a um qualquer filme. Quanto aos vips, já se sabe, há de tudo mas o protótipo é, versão, mulher, a partir dos 40 anos, cabelos compridos, loiros ( porque será que as morenas não são vips, caindo de pára quedas ali, como eu? ) roupas de marca, tigresas, botas altas com calças para dentro das botas e casacos de peles. E o ar... o ar delas para lá de altivo, arrogante, mesmo, sobretudo se têm um vip de braço dado, ou de mão dada, e está a olhar na mesma direcção que a delas, mas por outros motivos. Ou seja, a lambuzarem-se a olhar para nós, ditas intrusas do ambiente. Eles, homens de 50 para cima, calças de bombazine ou sarjadas, sapatos de vela, polo lacoste e outras marcas muito mais caras, lenço no pescoço, casaco de antílope...quando não são carecas, quase nunca são, não sei porque razão, talvez implantes; os cabelos brancos azulados, diferente cor da dos pobres, coitados, que não acertam com a tinta. Também há os casais em que, ela tem 25, 30 anos e veste muito descontraidamente, jeans e tenis, magríssimas ( que inveja ), cabelos compridos e morenas ( aqui, já são morenas. Porque será? ) e mochila de pele, claro, mas mochila em vez de carteira ou saco e ele para lá de 50, babando insufladamente com a companhia, com aqueles tiques próprios de dono e senhor e ao mesmo tempo atormentado de pânico que ela respire outro ar mais arejado . Há de tudo, claro.
Os " meus " vips de ontem passaram-me despercebidos porque o que nós queríamos mesmo era pipocas ( e na sala de espera do 1º andar até há bar próprio, que luxo! ), coca-cola zero e água e sentarmo-nos a ver o dito filme que eu adorei, vai-se lá saber porquê...
Quando finalmente entrámos, percebi tudo. Eu desconfiava mas queria ver com estes olhinhos que a terra há-de papar gulosamente.
Bem! Uns sofás 5 estrelas. Que dá para os obesos mórbidos e para gente com mais de 1,80m na boinha. Que conforto, Jesus Maria.
Sentir-me Vip por duas horas, ainda que num filme que até já tinha visto, teve porras.
Adorei, queridos.
Mas ao longo do filme percebi algo que me deixou a pensar, não que eu também não suspeitasse, mas comprovei ali e naquelas 2 horas. Os Vips não têm tanto sentido de humor. Ou são mais contidos, é claro, nas suas manifestações de prazer e descontracção. Não são tão livres, nem tão genuínos. Que pena. Seriam mais felizes, nem que fosse por 2 horas...
Cá pela minha parte, que não sou loira, nem tenho casacos de peles, nem acompanho com homens de calças de bombazine e sapatos de vela, casacos de antílope, ou todos vestidos de preto, casaco castanho ou cor de mel, de antílope, de bigode, fumando cachimbo ou charuto e carro desportivo de dois lugares ( que pena, dirão vocês), mas pronto, vou sozinhinha ao cinema, ou com uma menina que também, por acaso nem é vip, apesar de falar muito com eles, fartei-me de rir com a Meryl Streep e com todas as cenas hilariantes do filme em questão. E comi pipocas e bebi coca-cola e adorei, de novo, o filme.
Não vou repetir a façanha, até porque há sempre filmes para ver e ficaria muito caro, mas que foi uma experiência curiosa, lá isso foi.
Quanto a Vips, cada um é p' ró que nasce e se eles se sentem felizes, ora bem, vivam lá nesse mundinho à parte, que por acaso, só por acaso, não é o meu.

Creditação












Tenho o dia pendurado
Na minha janela...
Contemplo a cor
E paro a dor
À flor que se abre
Ao toque da mão
O vento me diz
P'ra ser feliz...
Traz até mim
O suave perfume
Aroma a limão
Espevita os sentidos
E o meu coração
Tenho o dia pendurado
Na minha janela...
O sol a abrir
Segreda intenções
Diz-me que, sorrir
Me dá soluções
Abro a portada
Olho p'ra fora
Olho para o céu
Mais uma jornada
A conquistar
Tudo de meu.

À espera de melhores dias














Já não bastava o acidente da grua, sábado passado, que caiu lá em cima junto ao colégio Santa Maria, e destruiu uma varanda do último andar de um prédio terminado há pouco tempo, mais outro pedaço de prédio ao lado, bem como um carro, e foi notícia do Correio da Manhã, pelo menos, e agora as cheias que chegaram à cidade.
Desde que aqui vivo, muitos foram os anos de cheias na cidade, alagando a Avenida, junto ao rio, por o rio fugir do seu leito e transbordar, bem como junto à discoteca " Emotion ", perto do mercado municipal, também nos Mesiões e junto ao Shopping.
Hoje os terrenos dos Mesiões, Escola Profissional e edifício do Nersant já tinham água pelos tornozelos e junto ao Shopping já estavam transformados num enorme rio e lago. A Ribeira do Alvorão vai enorme, como raramente se vê e o Almonda insuflou de tal forma que já está a causar prejuízos.
Há alguns anos que a cidade do Almonda não tinha água a arrefecer-lhe os pés.
Que é uma cidade que frequentemente se põe em bicos dos pés já todos sabem, mas com água pelos joelhos não é comum. Agora é que é caso para se dizer que as cheias chegaram aos calcanhares da cidade do Almonda.Ultrapassaram-nos.
Não só a cidade, mas todo o Ribatejo está a fazer promessas.
E à espera que os dias melhorem.

sábado, 6 de março de 2010

Bom Amor


Foi feliz quem pôs tal nome a esta fonte. E felizes deviam ser as pessoas que vivem no " Bom Amor ". Os fluidos positivos que este nome sustenta são por si só uma benção. Conheço algumas pessoas que aqui vivem. Aliás, conheço-as todas. Mas a família que conheço melhor, faz jus ao nome do lugar e à rua onde moram.
Se me fosse dado escolher o sítio ideal para morar, na cidade do Almonda, ah pois, não hesitaria.
Seria no " Bom Amor ". Era um bom começo de vida. Com Amor tão bom e com uma fonte por perto onde " beber " o romantismo e a beleza que este lugar possui, só poderia ser Bom.

O BOM AMOR parece-me o lugar ideal para viver e amar.

Pirolito




Apresento-vos Pirolito. Género, feminino...



Há meninas que são baptizadas com nomes masculinos....JOSÉ. JOÃO.
A Pirolito aconteceu uma coisa mais ou menos assim.
Esta coisa linda e doce é um sobrevivente. Tal como a Pitanga, " bateu " à porta dos meus amigos Manuela e Zé Manel e Rafael. E como seria de esperar eu que os conheço muito bem, a porta foi aberta e esta criaturinha entrou.
O Rafael de imediato baptizou-a. PIROLITO foi o nome.
Foi visto o sexo depois de ser acolhida e tratada e a conclusão foi que é uma menina.
Como maria José ou maria João, o Pirolito é uma Pirolito.
Não vai fugir da sua função e condição. Mas para todos é o que o coração do pequeno Rafael ditou. Pirolito...
Não é proibido, não faz bem nem mal, não a aquece nem arrefece e é um nome giro.
Que seja então PIROLITO!

Casca de noz

Foi este avião que me levou para Marselha, há 3 semanas, a fim de ver e abraçar o meu filho.
É tão pequeno e parece tão frágil que nos assalta a idéia de não ser possível ir para França, mas vai e de olhos fechados.
Foi a viagem de avião mais tranquila que já fiz. Correu tão bem que não hesitarei em repeti-la, assim o possa fazer.
Ir encontrar um filho, é o encontro mais feliz que se ambiciona e não é uma casca de noz que nos inquieta.
Não ir é que é difícil. As saudades é que nos atrofiam e dominam, não o medo de aviões. E eu estou cheia de saudades e ainda não passou sequer um mês.

Pedro Abrunhosa - Fazer o que ainda nao foi feito (novo single)

sexta-feira, 5 de março de 2010

Peditório

Não pertenço à Cáritas. Mas fui solicitada a ajudar neste peditório anual que dura 4 dias e começou 5ª feira, indo terminar dia 8, domingo.
Nem pensei. Quando me apercebi, estava a dizer que sim, que podia. Na 6ª feira. Ou seja, hoje. Que não iria para Lisboa e daria 2 horas ou mais, da minha noite, ao serviço da Cáritas.
Convidei a Manuela a fazer par comigo. Ela aceitou.
Foi-nos destinado o hipermercado Continente.
Entregaram-me todo o material de " trabalho " necessário ao desempenho, que se resumia a: 2 latas com ranhura para pendurar ao pescoço, dois rolos de selos para colarmos nas lapelas dos benfeitores, dois cartões identificativos para pendurarmos ao peito e uma credencial que nos autorizava a fazermos o peditório.
Tudo simples.
As pessoas são abordadas de uma forma simples, também. Umas são receptivas, procuram os trocos e contribuem. Alguns cavalheiros dão mesmo uma nota de 5 euros.
Outros, à pergunta feita com um sorriso nos lábios:
Boa noite, quer contribuir para a Cáritas?
Respondem: Por acaso, não. Não posso. Estou desempregado. Outra vez? À saída, está bem?
De qualquer forma achei que podia ter sido pior. As pessoas são generosas e contribuem.
Ao fim e ao cabo, acho que cumprimos. O melhor que soubemos.
Não sei se voltarei a fazer algum peditório, o que sei é que terminado este, senti-me aliviada e com a sensação de que fiz o que deveria ser feito.
Quando for abordada para qualquer contribuição, tenho a certeza de que pensarei duas vezes antes de qualquer resposta a dar.
Mais uma experiência que correu bem, mais uma atitude que eu precisava de tomar para me pôr à prova e mais uns tostões para a Cáritas.
Inicio o meu fim de semana, em paz comigo e com o Mundo.

Casa no Campo - Elis Regina

A minha viagem à Covilhã convidou -me a viver paisagens, cores, cheiros, diferentes.
Não há nada como nos sentirmos bem para que Elis Regina seja mais um apontamento de bem estar e conforto a acrescentar a tudo isto.
Casa no campo, também eu gostaria, para me esquecer do superficial e acreditar no que é verdadeiro e simples. Usufruindo dos prazeres pequenos que o campo nos dá podemos tornamor-nos também seres simples e despretenciosos e encontrarmos a paz e a alegria que por vezes está ali tão perto e fácil e é só estendermos a mão...ou caminharmos por esse campo fora.

Quase dada

Almocei no Mr. Pizza.
Queria fazer um agrado à minha amiga Manuela e oferecer-lhe o almoço.
Ela sugeriu a pizzaria. Era rápido. Tinha faculdade de tarde. Enquanto isso, eu, faria o que me apetecesse.
O dia esteve bonito. Não fez frio e o sol apareceu, espreitando, brincalhão, neste início de Março.
Fui conhecer a falada pizzaria.
Pedimos o que queriamos e ia caindo para o lado, completamente pregada ao chão, quando o rapazinho que nos atendeu me disse o total a pagar.
Nem vão acreditar o que paguei por duas fatias de pizza,( mas duas fationas ), e duas Colas Zero, em copo.
A irrisória quantia de 5,60€.
Tive de perguntar de novo e só acreditei porque a minha amiga me disse que assim era.
Quis eu fazer um figurão, oferecer o almoço, e tal e tal...e afinal, paguei por dois almoços o que não pagaria por um, na capital.
Se as pizzas não engordassem tanto, quase me apetecia ir viver para a Covilhã, só para comer tão barato...ah pois!

quinta-feira, 4 de março de 2010

Fui ao cinema





Estava à espera deste filme já há algum tempo. Porque tem Meryl Strep, como protagonista e porque gira à volta de gente da minha faixa etária. Quanto à história...pois, identifiquei-me sim.
Porque é possível retratar-se esta história, e passá-la para a tela, ela é só mais uma história, como há tantas, de casais que se separam, por infedilidade de uma das partes. Ser-se divorciado é difícil e aprender a ser-se apenas uma pessoa normal, é tarefa que o abandonado tem que gerir com muita inteligência e alguma frieza e sobretudo muito equilíbrio emocional.
Gostei muito do filme. Sem fazer qualquer tipo de exercício, exorcisei alguns fantasmas ali.
Às vezes, os filmes servem para que a nossa vida nos passe à fente dos olhos como se de um filme se tratasse. Quando assim é, tudo é mais claro, transparente, mesmo.

A Covihã de uma janela







A Vista para a Serra

Gosto da Covilhã.
É uma cidade com história. Monumentos.
Fria, gelada, com neve.
E muita gente nova; cerca de 20 mil alunos, cursando, nas diversas faculdades. Outrora fábricas de lanifícios e laticínios e hoje, desactivadas e convertidas em Universidades.
Uma cidade de interior, com os actractivos das grandes cidades e com a vantagem de ser segura.

Karaoke


Biri Night é só um Bar.
De karaoke. Onde os universitários se juntam às 5ªs feiras à noite. E bebem. Muito. Cerveja.
E fumam. Muito.
E cantam. Muito. Bem e mal. Assim assim, também.
E há miúdos e miúdas giras.
Eu estive lá e gostei.
Ouvi músicas, que foram cantadas pelos miúdos, e que existiam já antes deles terem nascido.O Xico Fininho do Rui Veloso ou o Billy Jean do Michael Jacksom, por exemplo. Eram 3 horas quando me deitei.
Rotíssima, não podendo com um gato pelo rabo.

Rumo à Serra

Ontem rumei à Serra. Da Estrela.
De comboio. Três horas.
Para quem tem toda a paciência do mundo, ainda assim, é cansativo.
Sobretudo, à noite. Depois de um dia de trabalho.
Uma carruagem enorme, toda para mim. Num universo de cerca de 100 pessoas por carruagem, viajar no mesmo espaço com meia dúzia de pessoas, parece ser fantástico, mas também é solitário. Não acontece nada. Não há nada para ver. Para ouvir...
A minha escrita, o meu livro e o MP3 ajudaram imenso.
À minha espera, uma amiga do peito.

quarta-feira, 3 de março de 2010

( In ) conformismo ?

Os homens sentados lá fora
Esperam
Elas lá dentro se arranjam

Os homens sentados lá fora
Sorriem
Elas lá dentro se envergonham

Os homens sentados lá fora
Bebem
Elas lá dentro cozinham

Os homens sentados lá fora
Jogam
Elas lá dentro suam

Os homens sentados lá fora
Bocejam
Elas lá dentro cambaleiam

Os homens sentados lá fora
Resolvem
Elas lá dentro se lavam

Os homens levantam-se
Elas deitam-se

Os homens despem-se
Elas cobrem-se

Os homens desejam
Elas ressonam

Eles acordam-nas
Elas praguejam
Eles as tocam
Elas se abrem
Eles as possuem
Elas se conformam

A noite lá fora
E a posse cá dentro
E os dias correm
E o tempo não muda
E eles são eles
E elas...pobres
Pobres delas...

terça-feira, 2 de março de 2010

Mae Preta - Dulce Pontes

Mulher Angolana








Em S.Paulo. Na Marginal. Em Kifangongo














Na Barra do Dande







Na cidade









No Cacuaco













No Clube Náutico







No ancoradouro para o Mussulo











No Bairro Prenda




























Na Chicala









No Maculusso









No liceu Feminino











Na escola Industrial










Na avenida Brasil









Na avenida dos Combatentes






PAULO DE CARVALHO em "MÃE NEGRA"

Para todas as Mulheres de Angola, com milhões de beijos.

Mulher Angolana, Parabéns!

Porque hoje é dia 2 de Março, comemora-se o dia da Mulher Angolana.
Parabéns a todas as mulheres angolanas.
E às outras, que não tendo nascido em Angola, se sentem angolanas no coração.
Mas feliz, feliz, ficaria eu se não fosse preciso assinalar este dia. Se não houvesse necessidade de o destacar.
Se mulheres e homens tivessem a mesma condição. Fossem iguais nos direitos.
Feliz, ficaria eu, se fosse reconhecido o valor da mulher angolana. Por todos. Homens e mulheres.
E não se olhasse a mulher como um ser, apenas com deveres.
E a sociedade angolana não fosse tão machista...
A luta das mulheres pela igualdade, não terminou e por isso, aqui deixo o meu apelo.
Continuem mulheres da minha terra, lutando por um futuro melhor, onde caibam todos os direitos que um ser humano tem.
Enquanto isso, continuem a estudar, a trabalhar, a ser filhas, namoradas, mães, esposas, políticas, amigas...
Nunca se arrependam de reivindicar os vossos direitos.
Mulheres da minha terra, lutem pela Felicidade.

Nabantinos de parabéns

Os nabantinos estiveram de parabéns, ontem, dia 1 de Março.
Foi dia da cidade, de Tomar.
Feriado municipal.
Tomar comemorou 850 anos de existência.
Às amigas que vivem em Tomar, Célia, Cristina e Mena, os parabéns.
Vivem numa cidade muito bonita, beira-rio. Uma cidade cheia de história, não fosse, a cidade dos Templários.
E dos " patos-bravos ". Isto é uma brincadeira de que os nabantinos não devem gostar, mas pronto...ficou este nome, de um tempo em que os construtores civis sairam da província para trabalharem em Lisboa.

segunda-feira, 1 de março de 2010

Segundas-feiras

Às segundas-feiras, é doloroso.
E silencioso. E mal humorado.
Como se fosse lei instituída.
E escrupulosmente cumprida.
Os adultos, do autocarro, da manhã, fingem-se de mortos.
Por vezes, se reparo neles, pergunto-me se o fim de semana vivido por estas pessoas, será assim tão especial que provoque à segunda, esta ausência espiritual e a relutância em aceitar que há vida durante a semana.
Salva-se a honra do convento com os miúdos que diariamente vão para a escola Artur Gonçalves e viajam connosco.
Sobretudo comigo, que sendo a última passageira a instalar-se, o faço junto deles, no fundo do autocarro.
Acho que já se habituaram a mim e percebem porque me sento ali. Só porque não tenho lugar à frente e duas paragens após a saída da garagem, fico confortavelmente só, porque eles debandam, alegremente.
Ouviu-se uma voz de galarote, já conhecida e que se chama Sérgio, dizer:
Oh Chicoooooo, queres sentar-te ao meu colo?
Gargalhada colectiva lá atrás.
Eu mal esperei para ouvir o Chico descalçar a bota.
O Chico respondeu: Quero.
Puto...fogo! disse o Sérgio todo confundido.
Não era para aceitares, meu.
Outra gargalhada.
Diana, diz o Sérgio, deixa-me sentar no teu colo.
Meu, prefiro o Chico.
Eu liguei o MP3. E fiquei a ouvir Chris de Burgh e o seu, meu Traveller.
Que bela forma de começar a semana...

Bom dia mês de Março

Bom dia, mês de Março!
O mês do começo da Primavera.
Da mudança da hora. Graças a Deus...
O mês dos Peixes e dos Carneiros.
O Mês dos burros, dizem os antigos.
E dizem também, que o primeiro dia de Março determina o tempo que fará nos 31 dias que tem.
E hoje já choveu e está um sol bonito.
Mal posso acreditar, que ainda agora começou o ano e já estamos no primeiro dia de Março...
Venha a Primavera e recebamos todos os benefícios que ela nos traz.

Perfil removido

Ofereço-vos o meu sorriso.
Palavras de afecto.
E beijos. Muitos. Todos.

Ana Moura- Os Búzios

Acreditar no Tarot, eis a questão

Há pouco tempo, antes do Natal, fui ao Parque das Nações.
E ao Centro Comercial Vasco da Gama.
De regresso a casa, e a caminho da estação do metro, vi uma barraquinha de advinhação.
De Tarot.
Não pensei duas vezes.
Perguntei se podia entrar e de repente estava em frente à " bruxa ".
A menos que me falem em mortes, estas coisas não me assustam.
Acho piada e tenho tendência a acreditar. Sobretudo se a coisa correr bem para o meu lado.
Não estive muitas vezes perante uma " bruxa ".
Em Luanda tinha um amigo cartomante e divertia-me que me lesse as cartas. Era acertivo, sabe-se lá por que razão. Mas disse-me vezes sem conta que jogasse porque via dinheiro e...nem a cor dele.
Em Portugal, não me perdi por esses caminhos de antecipação do futuro.
Acho patético que esteja tudo escrito e que sejamos peças desprovidas de poder para conduzirmos o nosso próprio destino.
Há poucos anos aconteceu-me uma " tragédia ". E uma menina que andava na aprendizagem do tarot, alguém que privava com outro alguém que me é muito próximo, anteveu-a. Viu a Torre.
Explicou-me o que isso era. Disse-me. Vai acontecer. O Fim. É kármico.
Ela tinha feito essa consulta dias antes e naquele dia telefonou-me para me dar conta do resultado. Porque achara importante que eu tomasse conhecimento.
Quando lhe disse que já acontecera, ela lamentou mas explicou que 5 dias antes me lera o destino nas cartas do tarot, a pedido da pessoa que me era próxima e vira tudo o que me dissera nesse momento.
Fiquei pregada com as suas revelações. Disse-me outras coisas que vi concretizarem-se. Preveniu-me contra a adversidade que vira escrita sob a forma de sinais, inclusivé no trabalho e na saúde. E não é que acertou? Na batatinha!
Passei a acreditar um pouco mais a sério, nesta coisa das cartas.
Quando a taróloga da estação do Oriente me disse que o ano não me seria favorável, não haveria amores, e mesmo as relações de amizade poderiam sair prejudicadas, por antever gente, afastando-se de mim para sempre, apenas lhe sorri parvamente.
Não sei o que essa mulher pensou de mim, nem me interessa. Sei sim que de tudo o que me disse retirei, tempos difíceis, gente voltando-me as costas, karmicamente, o que fez o favor de repetir num tom profissional e seguro.
E disse mais. Que estou a " pagar " por actos de vidas passadas.
Eh pá, essa não. Uma gaja, anda agora aqui a portar-se direitinho e ter de pagar pelo que a gaja da outra vida fez, é de uma filha da putice sem tamanho. Vê-se bem que o DESTINO é Recalcado e Vingativo.
Saí de lá com menos 10 euros e a sentença lida, que é como quem diz, a Sina traçada.
Só lá para 2012 é que a minha vida melhora. Parece que entre outras coisas, vou viver um grande amor.
Quando me disse isso, dei uma gargalhada. Apressei-me a dizer-lhe que não me ria dela, mas de mim.
E porquê? Porque se eu andasse à caça de um Amor, bem tinha que penar. Porque só estamos no início de 2010...
Bruxas da vida, por favor, tenham dó. E já agora, se me voltarem a ver perto das vossas barracas, não me deixem entrar, ok?
Que eu não sou de ferro e também quero ser feliz, com um Amor, dois ou três, sem amor, mas quero sobretudo, ter a convicção de que conquisto a minha área de conforto e prazer, por mim e não pelo arrogante e prepotente Senhor Destino.

Mariza- Oh gente da minha terra

Na Avenida, na Guerra!

Era uma noite fria. E longa.
De cacimbo. Final de Junho. Do século passado.
Da varanda do 3º C, da avenida, viam-se as balas tracejantes, iluminando os céus. Apenas. Como estrelas cadentes.
Nem tiros de pistola. Nem rajadas de metralhadora.Nem a sonoridade gélida e terrífica dos rockets, destruindo tudo.
Pairava no ar, um cheiro acre. A morte.
E o silêncio despertava os vivos. Petrificava-os . Ali, na varanda do 3º C, da avenida.
Os Movimentos Armados, estavam recolhidos nos seus quartéis. Tão perto, que lhes advinhava o arfar do peito.
Anunciaram na rádio, com voz grave, dramática, que os Hospitais da Avenida seriam evacuados.
Destes, restaria apenas o esqueleto agarrado ao espaço.
Noticiaram, como se fosse a última noite. A derradeira noite da avenida.
O último gesto.
E este, tardava, apesar da hora tardia.
Enquanto isso, os camiões apinhados de corpos, amontoados indiscriminadamente, sem chapa identificativa, no tornozelo, rodavam na estrada. Rumo ao desconhecido, das famílias.
A vala comum, sem funeral, nem flores, nem missas, nem lágrimas, nem lutos...
As tracejantes, continuavam traçando no céu, o destino dos hospitais da avenida.
Para outra. Na cidade calma e ainda segura. Entre a Baixa e a Samba.
Ali onde apenas os sinais da guerra, mas não o cenário real, imediato e mortífero dessa guerra, entre irmãos.
Esta não galgara o centro asfaltado, ainda...
Os falsos profetas diziam tempos antes, que se a guerra chegasse ao asfalto, a cidade estaria perdida...
Do alto do 3º C, a noite agonizava nos nossos olhos e também a cidade e a avenida.
Olhando outros 3ºs Cs, da frente, vizinhos, vislumbrava-se os mesmos medos, as iguais angústias, a mesma espera.
Ouviu-se finalmente o som da coluna militar.
Indescritível...
Sem pressa, num protocolo militarizado e rigoroso, os carros rolavam no asfalto.
Ambulâncias, autocarros, jipes, carrinhas,unimogues, alternando-se na coluna.
Médicos, enfermeiros, doentes,militares, motoristas, bombeiros, integrando esta fila.
Os militares, das Forças Armadas Portuguesas, apenas. Armados, imóveis, como estátuas.
Num silêncio avassalador.
As varandas da avenida, enlutaram-se. Arrancaram os gritos e as lágrimas à matéria e quedaram-se num óbito antecipado. Carpindo no silêncio.
Cresceu a impotência e também a coragem.
O século chegou ao fim e a guerra também.
Os hospitais retomaram a sua função. Voltaram moradores daquelas varandas.
Tudo se apaziguou.
Porém, duvido, que no mundo dos vivos, haja um sobrevivente a este episódio traumatizante de guerra, que apagasse da memória e dos sentidos, aquela noite gélida, tétrica e lúgubre.
Hoje, a avenida está bonita, de rosto lavado, de bem com o muceque e o asfalto. Evoluindo, crescendo.
Em cada 3º C, advinho a história dessa noite e de todas as outras e como assim se fez a História.