terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Mussulo II





















Joanesburgo



Amiga, agora estou em Joanesburgo. Beijinhos.



Perdoa, querida, por transcrever a tua mensagem.
É que aindas estou no local de trabalho, na Net, precisamente. E não tem mal.
A colega que me levará para casa, preveniu-me da mensagem. Ouvira o som.
Perguntei-me que Banco seria agora, a oferecer-me dinheiro, ou a operadora a dizer que por 30 cêntimos, posso escolher uma música, gravar e enviar no Dia dos Namorados, ao suposto namorado, ou namorada, que isto do género, tem muito que se lhe diga.
Por 30 cêntimos só...fica o namoro barato!
Estas mensagens irritam-me, sobretudo, porque ninguém me dá dinheiro, vendem-mo.
E namorado...bem, é melhor nem tocarmos nesse assunto. Que eu saltava o Dia dos Namorados na boa, de 13 para 15, isto só porque gosto de bonbons, não me oferecem flores há muito tempo, e não me dedicam uma música há bués, que até já me esqueci se alguma vez ma dedicaram, e mesmo um anelito, daqueles que toda a gente sabe que gosto ...e eu a vê-las recebendo todas estes mimos e outros;
O namorado é o menos, mas os bonbons!!!...
Então, apressei-me a ver a mensagem e deparei-me contigo, no teu melhor.
Trabalhando. Viajando. Vivendo...
Xiça, para não dizer um palavrão maior, tu tens córaaaage.
Não consegui evitar um desabafo, para a minha colega Suzi.
" Esta mulher não pára nunca. A semana passada na China, depois no Dubai e agora na África do Sul..."
E não podes parar, não, porque depois vais estranhar demais.
Não te reformes já amiga, olha o cativeiro que é, não fazeres o que mais gostas de fazer.
Seres dona da tua Liberdade.
Boa estadia e bom regresso a Luanda... e até sexta-feira, em Lisboa.
Aka amiga! Se eu fosse invejosa, estavas agora com uma carrada de mau olhado, olho grande...
Boa sorte e desfruta essa Liberdade que tão bem sabes usar.
Um abraço grande, grande, do tamanho da nossa Amizade.

Nos Açores


Nos Açores, usam-se termos, que são como códigos.
Próprios.
Estranhos, mas que não deixam de ser acertivos.
Tenho duas colegas que estiveram a trabalhar em S. Miguel.
Contam muita coisa de terras açoreanas. E emitam os sotaques.
Hoje, gostei muito de um termo, que lhes ouvi.
CORRER A ROUPA.
Que quer dizer, passar a ferro, ou como se diz em Angola, engomar.
Quando alguém diz que vai " correr a roupa," está a querer apenas dizer que vai ter uma trabalheira do caraças, porque vai pôr-se ao ferro, a dar cabo da coluna, a ganhar varizes, calor, suor, e a perder um tempo precioso para outras actividades bem mais interessantes, tudo para que a roupinha, sua, e por vezes de outros, não fique enxovalhada, com ar de maltrapilha.
Eu cá por mim, odeio CORRER A ROUPA, mas como ninguém faz isso por mim...mas também não faço isso por ninguém. Quem quiser, que corra ou pague!

Delicadeza

Chegou-se ao balcão.
A um metro de mim.
Olhando-me nos olhos.
Os seus eram verdes. Luminosos, sorridentes.
Perguntei o que desejava.
Antes de responder à minha pergunta, disse:
Já está mesmo bom?
Costumo ser rápida no raciocínio.
Porém, estava longe de entender o que um jovem rapaz ucraniano, pretendia com essa pergunta.
Devo ter feito um ar muito pateta, porque riu-se e apontando a garganta voltou a perguntar:
Sua garganta, já está bom?
Sorri agradecendo a preocupação, dizendo que estava bem.
Hoje não estou nos dias em que fico afónica, mesmo que não esteja constipada.
Senhora estar mal, outro dia que vim tratar registo criminal.
Não me lembrei dele. Passam pelo balcão tantas pessoas! Nacionais e estrangeiros, solicitando para além do R.C. outros documentos e depois, estava doente, infeliz, ranhosa, afónica... ainda que jovem, e com uns olhos verdes, lindos, não retive na memória essa figura.
Mas fiquei enternecida com a delicadeza, o cuidado, com que esta pessoa me tratou. Tê-lo-ei tratado bem, concerteza, porque a acção provoca a reacção, como todos sabemos, mas quantos de nós no dia a dia somos gentis, educados, simpáticos, com quem está do outro lado de um balcão, de uma Repartição Pública?!
Não vou esquecer por algum tempo, estes olhos verdes, este sorriso de menino, como se fosse sua mãe, ele, meu filho...
Há dias em que se vivessemos na Ucrânia, seriamos felizes, sobretudos dias depressivos, tardes intermináveis, em que um sorriso bonito, um gesto generoso nos diz que afinal estamos cá por algum motivo, aqui, na China ou na Ucrânia.
Há sempre alguém que olha para nós e nos VÊ...

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Mussulo business




Este é um espaço onde se pode fazer negócio, facilmente.
Estas pequenas mulheres atravessam o mar desde a cidade até à Ilha, pagando a candongueiros de barco, a fim de ali, na Ilha, irem vender os seus produtos.
Tipicamente africanos.
Quimonos, saídas de praia, calças, toalhas de mesa, etc.
Começam por pedir quantias exorbitantes, mas perante os compradores regateando até conseguirem o preço mais conveniente, cedem e cada peça sai ao preço, quase da chuva.
Comprei várias peças a estas meninas, mas não fui capaz de regatear. As filhas da minha amiga Susete, e ela própria, fizeram-no por mim.

Poesia

Versos
São escritos por poetas
Que sentem a Vida pulsar
Na ponta dos dedos
E a transmitem sem medos
Ao Mundo...
A outros poetas, desconhecidos
Ignorantes de sua própria poesia

Na Vida
Aquela mulher iludida
Que aguada o Amor impaciente
Olha a Lua suplicante
Acorda ao raiar a Aurora
E abre os braços ao Verão
Está criando versos de ilusão
Compostos de Alegria
Nasce dela Poesia.

Ilha do Mussulo I















A Ilha do Mussulo está no imaginário de todos quantos nasceram e viveram em Luanda.
Os domingos eram passados nesta Ilha maravilhosa e o prazer que se retirava desse dia de descanso e lazer, tornava os dias mais felizes.
Ali pode estar o Paraíso.
Tudo é Perfeito.

As pequenas palavras

De todas as palavras escolhi água,
porque lágrima, chuva, porque mar
porque saliva, bátega, nascente
porque rio, porque sede, porque fonte.
De todas as palavras escolhi dar.

De todas as palavras escolhi flor
porque terra, papoila, cor, semente
porque rosa, recado, porque pele
porque pétala, pólem, porque vento.
De todas as palavras escolhi mel.

De todas as palavras escolhi voz
porque cantiga, riso, porque amor
porque partilha, boca, porque nós
porque segredo, água, mel e flor.

E porque poesia e porque adeus
de todas as palavras escolhi dor.

Por Rosa Lobato Faria, falecida em 10.02.02

Empreendimento Turístico







Um empreendimento turístico ali na Barra do Quanza.
Um paraíso, direi eu.

Coldplay a Rush of Blood to the Head

Este grupo é demais...
Adoro esta música. E a letra também.

Palco

No palco da vida
Ensaio um drama
Sou actriz conseguida
O destino me deu fama

A minha mentira dura
Não choca espectadores
Nem a alma mais madura
Sente as minhas dores

O meu engano constante
Pago sem eu merecer
Serve de estimulante
P'ra quem fica a dever

Mas Só...nos bastidores
Despida de falsidade
Sou o pior dos amadores
Chorando a minha Verdade.

Lighthouse Family ( Ain`t No Sunshine )

Ao domingo...viajar


Gosto de viajar.
O destino nem sempre é tão interessante quanto a viagem.
É no percurso, que os olhos vêm com o coração e este sente com a alma.
E a alma rejubila pelo que está para obter.
Tal como a Paixão.
Dura o tempo da viagem.
Um Viajante é, portanto, um Apaixonado.

Gosto de viajar num qualquer transporte.
Confesso que o comboio me encanta.
Permite-nos tudo ou quase tudo.
E quando a viagem é junto ao rio Tejo, atravessando a lezíria, cumprimentando o Ribatejo, pode não ser uma viagem ambiciosa, mas é completa.
E por mais que desvalorize esta condição de ser portuguesa, e sentir Portugal, os meus olhos já olharam tantas vezes estas paisagens; este céu, este campo, este rio que me sinto tomada de alguma posse.
O Tejo, a lezíria, o Ribatejo, não me têm, mas eu tenho-os.
E esta posse cabe na tese de que " tudo o que é meu, é tudo o que não sei largar..."

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Pertença de Ninguém

" Aqueles que amamos, deixamo-los livres;
Se voltarem, foi porque os conquistàmos,
Se não voltarem, foi porque nunca nos pertenceram ..."

Ouvi isto a uma menina, uma mulher sábia, mas jovem, muito jovem, há alguns anos atrás.
Uma pensamento. Uma frase feita para se ajustar a um momento, daqueles momentos únicos, que acontecem na vida de algumas pessoas.
As privilegiadas.
E, perante um reencontro, de duas pessoas, que se haviam separado, por força de circunstâncias alheias a elas, e cuja separação fora total, dezoito anos antes.
As duas pessoas em causa, mudaram de país, viveram cada uma num continente diferente, refizeram as suas vidas e quase não souberam uma da outra.
Porém cada uma, não esqueceu a outra.
E a prová-lo foi um encontro, fugindo a qualquer explicação racional e lógica.
Uma das pessoas sonhou que a outra lhe aparecera de repente. E sonhou com a fisionomia dessa outra, ao momento, e não com a que tinha, 18 anos antes. E sonhou que a outra a procurara e a encontrara.
Quando acordou sentiu-se perturbada com o sonho que sonhara, dormindo. Mas esqueceu.
Há coisas que não se explicam e quem as vive deverá sentir-se Especial, Diferente...
O reencontro destas duas almas fez-se nessa manhã, tal qual o sonho de uma delas.
Dezoito anos depois. Num país que não pertencia a nenhuma daquelas pessoas.
Assim, porque...SIM!
Não sabem hoje, se deixadas livres, voltaram a encontrar-se porque se pertencem, sabem sim, que não há coincidências e o Universo está aí atento e colocando cada coisa no seu lugar.
Continuam longe e para sempre assim será, mas sabem que sempre se reencontrarão e quererão sempre voltar a reencontrar-se.

Hoje, domingo, lembrando esta história fantástica, recordei de novo este pensamento que é antigo e repetido por uma mulher sábia em que acredito.
E apetece-me dizer pela minha boca o que Mandela disse:
SOU DONO DO MEU DESTINO, CAPITÃO DA MINHA ALMA. E eu digo, quando dele não depender outro ser e isso não aprisione ninguém.
E se deixarmos livre quem amamos e o outro perceber que não volta porque não quer ser conquistado, nem é pertença de ninguém, então, destruiremos grades, porque a Liberdade que é o maior bem que um ser humano pode possuir, confere deveres tão grandes que para que Removamos o Medo, apelamos à Libertação da alma, PERDOANDO...

Ver INVICTUS


Invictus é o filme que está nos cinemas neste momento e que tem casa cheia.
Pude comprovar. Nem um lugar vazio.
Será por ser sobre a África do Sul e Nelson Mandela?
Porque os filmes sobre África costumam ser grandes produções?
Porque a direcção esteve a cargo de Clint Eastwood?
Porque os actores principais são Morgan Freeman e Matt Damon?
Por tudo o que enumerei, certamente.
Esperava mais do filme. Ainda assim, gostei.
Nelson Mandela é uma figura fascinante, de exemplo.
Um grande exemplo. Tão grande, que duvido que alguém consiga chegar perto de ser o que este homem tem sido.
No início do filme fui de imediato, agarrada por ele, quando diz que
O PERDÃO LIBERTA A ALMA.
REMOVE O MEDO.
Nunca estive tão de acordo.
Praticar isto é difícil, mas consegue-se e ele fê-lo num acto, senão de generosidade e grandeza então de, vá lá, solidão, para que sentisse a sua alma solta, livre, independente. Mas de uma grandeza que só homens como Nelson Mandela possuem.
Quando o filme está a terminar, ele disserta, dizendo algo tão Perfeito, tão Completo, que nos sentimos coisas pequenas e passamos a ambicionar muito essa humildade corajosa de saber de si, e nunca se ter perdido, conformado.
" Eu agradeço a todos os deuses por meu espírito invencível.
Eu sou dono do meu destino.
Eu sou o capitão da minha Alma."
Vão ver o filme, que vão gostar.

Há Sábados Assim!

Combinara almoçar fora.
Ir comer cacussos.
E fui.
Levei uma amiga comigo.
Que mesmo morando perto de mim, não conhecia o restaurante.
É angolana e somos amigas há 50 anos.
De infância. A minha infância mais remota.
E os vestidos das bonecas, e " os jogos da macaca ", ou semalha, do " quero fogo ", do " toca e foge ", das idas aos quintais dos vizinhos para " roubarmos " maçãs da índia, pitangas, gajajas ou figos da índia, das máscaras de Carnaval, das canções do Roberto Carlos e dos Beatles,tudo fizemos juntas.
Levou-me pela mão, pela primeira vez para o Colégio e eu chorona que sempre fui, chorei que nem uma condenada e ela consolou-me ( era mais velha 2 anos )como a uma irmã mais nova.
Depois veio a adolescência, e foram as fotonovelas trocadas, os livros da Corin Tellado, os " negritas " avulsos, fumados às escondidas, as primeiras paixonetas, os batons, as unhas que pintávamos, as confidências...
E por fim, já adultas, as idas ao cinema, os lanches na pastelaria Paris, as idas à praia nas férias de Março, com o nosso amigo do ford capri, Borges da Cunha, ou pedindo boleia na Marginal, para a Ilha, só a carros arejados ( mini jipes ou beigues, as confidências...
Depois veio a guerra e acabou tudo.
A Independência, e eu já estava em Portugal.
Vivemos vidas diferentes e andámos anos esquecidas de nós, a criarmos os filhos, depois, reencontramo-nos.
Hoje, ela divide-se entre Lisboa e Madrid, por motivos que não interessam aqui e estamos mais afastadas do que já estivemos, cá em Lisboa.
Vamos trocando mensagens, alguns telefonemas e muitos mails.
Está em Lisboa agora, por pouco tempo.
Ligou-me para saber de mim.
E foi almoçar comigo e com a minha cria.
A sua cria mais nova está em Madrid.
E já não nos separámos até esta hora.
E fomos jantar e ao cinema.
No fim disse-me: Maria Clara, vou passar a vir ao cinema convosco.
Gostaste, não é?
Gostei muito.
Não lhe disse, mas também eu gostei muito.
É um prazer estar com uma amiga de há 50 anos. Não filtramos nada.
Não omitimos nada.
Ela conhece-nos por dentro e por fora e estamos a ouvir constantemente, que não gostamos disto, que somos capazes de fazer aquilo, ou de dizer aqueloutro.
E volta a cumplicidade de sempre, a gargalhada, até o advinhar o pensamento.
E ouvimos conselhos e tudo.
E é uma ternura conseguirmos ser as mesmas miúdas que fomos, e as adultas já maduras, que somos, com outras vivências em separado, e não esquecermos da nossa origem, da nossa terra, da nossa vida lá, e em comum, porque fomos vizinhas, de quintal com quintal, cerca de 11 anos.
E quando nos dizem olhando-nos dentro das nossas pupilas:
Amiga, tinha tantas saudades tuas!...forma-se um nó no estômago, a lágrima quer saltar e o queixo quer tremer e aparece o beicinho como quando éramos miúdas e nos fragilizavam.
Hoje foi um dia de sábado como eu gosto de viver os sábados.
Muito feliz.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

Boa Noite Dubai


BOA NOITE DUBAI!
E com cacussos, segundo fui informada.
Como é que os cacussos vão parar ao Dubai?
Mas que se comem lá os ditos, comem.
Não no Panguila, não na Barra do Dande ou na Ilha do Cabo.
Desta feita, no Dubai.
E também sei, aliás já me dei conta, que o blog pode ser lido no DUBAI.
O que não acontece na China.
E saber que alguém no Dubai, vai ler o blog, deixa lá comentários, deixa-me muito contente.
Com tanta coisa boa para fazer naquele lugar fantástico...

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

Cuidar

" Foi o tempo que dedicaste à tua rosa que fez a tua rosa tão importante "

Antoine de St. Exupery ( in " O Principezinho " )

Cuidar, mimar, dar colo, torna-nos superiores aos olhos de quem de nós cuida, ou cuidou.

Ausência - Cesária Évora

Ausência não é o contrário de presença.
Não para mim.
É muito mais sofrido, mais solitário, mais gritante, que a falta da presença.
A Ausência é a FALTA maior.
O que perdemos, depois de termos ...

Mais Ditados

Tenho uma colega que gosta de se expressar por ditados, como acho que já disse.
E sabe alguns muito engraçados.E usa-os.
Quando se aplicam vêm mesmo a talhe de foice e por isso são soberbos.
Esta tarde estava virada do avesso, apesar de, 5ª feira.
Há outro colega que diz que às 2ªs e 6ªs ninguém lhe diga nada.
Como os dias se alteraram e o que foi ontem já não é verdade hoje, ela parecia estar já de fim de semana.
E " choveram " frases feitas, ditados populares e muita risota, que isto é preciso animar.
De tudo quanto hoje disse, retirei dois ditados sublimes.
DOIS AO BURRO E O BURRO NO CHÃO.
E
EU JÁ NÃO VOU AO MATO SEM CORDA.

E agora digo eu, que tenho pena mas, eu ainda vou ao mato sem corda, e depois " fico com as cuecas na mão ". Infelismente para mim. Devia ter juízo e aprender com os erros.
E de facto por vezes, muitas vezes, na minha vida, são dois ao burro e o burro no chão.
Bem " remo contra a maré " mas vai lá vai...

Hoje, Eu...

Hoje o dia está como eu.
Mortinho que se faça noite.
Hoje o dia tem cara de ..
Enfim, não sou criança de rua, chapinhando os pés descalços nas poças da água de uma chuvada recente. Por isso tenho que ter algum decoro.
Mas a cara do dia, é a minha cara.
Era a cara de todos os que vinham comigo no autocarro.
Tenho uma amiga que se refere a pessoas que são " poucochinhas ", como cócós.
E eu hoje estou como ela. Digo o mesmo.
É o tempo. São as pessoas e sou eu.
Sobretudo, eu...

Ancoradouro para o Mussulo










É aqui que se apanha o barco para a Ilha do Mussulo, que fica logo ali a seguir, em frente.

Bonga --- Comeram a fruta

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Mamoeiro






Mamoeiros ao acaso, em Luanda.
Um mamoeiro pequenino nascido num vaso de jardim.
O fruto do mamoeiro, que é o mamão.

Pensar francês

Gosto de ouvir:

CHAQUE UN, CHAQUE UNE!

Não sei porque me ocorre este ditado francês.
Quer dizer, não é bem um ditado. Mas quer dizer a mesma coisa em português e por isso, se calhar é que me ocorre. Ou não...
Ou estou a sonhar com França?

A Jeito!

Eu ponho-me a jeito constantemente.
Agora tenho-me andado a fazer a um colinho, a umas festas, a umas palavras que me caiam no goto.
São as fragilidades que a doença traz.
Ficou-me de miúda, quando adoecia e a minha mãe me tratava a caldos de galinha e de borracho.
Sim, de borracho.
E fruta em calda.
Adorava a fruta em calda que ia daqui para Angola.
Os pêssegos. Ai, os pêssegos eram um manjar dos deuses.
E como me sabiam bem quando estava doentinha...
Já não gosto de fruta em calda, e brrrrrrr, nem sonhar com canja de borracho!
Que nojo!
Mas com colo, ai isso, continuo a sonhar. A gostar.
Faço-me durona.
Ai e tal, não preciso de ninguém. Ou ninguém me passa cartão, mas não faz mal, eu até nem gosto de mimos...e sobrevivo sem esses gestos ridículos próprios dos fracotes, que eu sou muito forte.
Ah, pois! Mas quando me chega uma mensagem perguntando se estou melhorzinha e me tratam por princesa, pareço gelatina, abanando, abanando e fico tão molinha, que tenho dificuldade em empinar o nariz.
Tu que tens uns ares de Rainha da minha terra, Ginga, tesa, esperta, determinada, amolecendo comigo e a chamares-me Princesa! Só porque isto anda um pouco tremido, à mistura com uma gripe lixada que me apanhou descalça e trepou...
Gosto de ti, amiga GINGA, gosto mesmo de ti.

Boicote????

Na China, o meu blog é " barrado ".
Tukayana não tem licença para entrar.
Estar e dar um ar da sua graça.
Será que é por ser kimbunda?
São as tecnologias.

Bom dia China!

O longe se faz perto.
Assim o queiramos.
Eu quero sempre.
Seja a que horas fôr.

Oiço os sons da rua. Vozes " amarelas ", businas de automóveis.
Em Pequim.
Quase sinto a temperatura negativa da manhã ( - 9 graus ).
Fico sempre com os olhos em bico quando a oiço responder à pergunta:
Estás aonde?
Na China.
Amiga...como é?
E depois a gargalhada de sempre.
Nós temos a capacidade de rir juntas, mesmo ao telefone, mesmo no messenger.
É nestes momentos que percebo que ainda que quisesse, não podia perder-me de mim, nem do mundo.
Tenho responsabilidades.
Compromissos, laços, elos, com estas pessoas que me chamam, porque sim.
Hoje, como sempre, foi um prazer, uma alegria ouvir a minha amiga dizendo-me alô.
Da China. Dentro de um taxi. Enquanto perguntava ao motorista quanto era a corrida, em inglês.
E nada pode alterar isto.
O meu caminho é feito com gente boa.
Eu tenho uma obrigação para com esta gente de primeira qualidade.
Melhorar. Pelo exemplo.
Bom dia China!

Dar uma mãozinha

Ontem, a Mena puxou a ela, mais de metade do trabalho da minha competência.
Eu só queria deitar a cabeça onde calhasse, e enrolar-me como um caracol, com os corninhos recolhidos e não ao sol.
Ela percebeu e não fez vista grossa.
Foi mais uma vez generosa.
Há colegas assim.

Grelos e Afins

Uma gripe também se trata com um jantarinho muito do caseiro.
Do tempo dos nossos avós.
E uma lareira...
É " amor " às colheradas.
Há grelos, broa de milho e ovos, que sabem pela vida.

Receita Caseira

Uma cebola descascada,
uma laranja grande, com casca,
1/2 kg de açúcar louro,
1 folha de eucalipto, muito pequena,
1 litro de água.

Ferver tudo até reduzir a água a metade.

Às vezes um frasco deste charope que não conhecia, mas que encontrei agora e aqui na minha secretária, deixam-nos com a certeza de que não somos sozinhos.
Porque ontem me queixei de não poder ficar doente por não ter quem tratasse de mim, a senhora da limpeza, a Adília, que já tem problemas que cheguem na sua casa, com doenças, muito graves, não uma gripezita de meia tigela,fez-me este mimo tão generoso que me comoveu.
Estou sempre a queixar-me de barriga cheia.
Ou ao mais pequeno e insignificante espirro.
Obrigada Adília.

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Encerro para balanço

Hoje não estou, para o Mundo.
Não tenho voz, logo não falo.
Não tenho sabor, logo não saboreio.
Falta-me audição. Oiço mal.
Tenho o nariz entupidíssimo, por isso não cheiro.O que é um perigo.
Por causa do gaz. Estamos em época de caloríferos.
Com todas estas incapacidades, fecho para...melhores dias.
Ah, e não me telefonem porque não consigo dizer uma frase audível.
Nem vos vou ouvir bem e posso interpretar mal.
Hoje é daqueles dias que o único sonho bom que tenho é com a minha cama, no vale dos lençóis polares e de preferência às escuras.
E ainda agora o dia começou...

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Viajar assim...é melhor!

Quando nos sentamos numa poltrona de uma agência de viagens, a primeira coisa que fazemos é usar o gel desinfectante, que nos pisca o olho matreiro.
Depois, perguntam-nos qual a Companhia escolhida.
E sem hesitar, respondemos...TAP.
E parecemos uma câmara de ar desinchando, quando percebemos que é possível.
E até, mais em conta.
Que alívio. Viajar, sem sair de casa...

Delírio

Há noites que não se pode fechar os olhos e dormir.
Delira-se com febre.
E sonha-se.
Com a perda...isto sou eu a achar.
Que um amigo deixa de ser uma pessoa e se transforma num mosquito.
E nós ali sem podermos fazer nada. A vê-lo desintegrar-se e passar a insecto.
Com umas dimensões minúsculas e insignificantes. Com umas asas ridículas.
E voa, batendo as ditas asas, primeiro à nossa frente e depois misturando-se como os outros mosquitos que junto à luz do candeeiro fazem movimentos circulares e esquizofrénicos.
A febre quando nos domina, provoca-nos alucinações.
Delírios.
Fiquei perturbada com a facilidade com que um ser humano, de um momento para o outro passa a insecto. Bastou uma perturbaçãozita minha, uma temperatura acima dos 37 graus.
Será assim tão fácil?
Não quero ver os meus amigos à procura da luz de um candeeiro, em movimentos circulares. Nem quero ser um mosquito, nos sonhos delirantes, dos meus amigos.
Não quero ter delírios.

Mensagem

Ontem, ainda em viagem, recebi uma mensagem.
De uma amiga.
Preocupada.
Chamando-me Princesa.
Como gostei de ler essa mensagem!...
Respondi; era o mínimo.
Voltou a escrever qualquer coisa como, dever beber um copo de leite com MEL, ( que diabo, o mel tem sido o tema deste blog ), tomar uma aspirina, uma noite de sono descansada, e pronto, estaria melhor hoje, ao acordar.
Obrigada querida, nao fui, eu igual a ...eu. Estiveste tu, no meu telemóvel.
Não sabes como foi importante.
Não acordei melhor. Fiz quase tudo o que aconselhaste, menos a noite de sono descansada. Mas não conseguia estar deitada e por isso estive, onde? Na NET...

Mudança no perfil


Quando o que não tem remédio, remediado está, se calhar, cruzam-se os braços.
As mãos. Fecha-se o cerco.
Em abraços.
Mas mãos cruzando-se pode querer dizer, também, conformação.
Neste caso, NÃO!
São mãos na posição de descanso. Apenas.
Que deram lugar às palavras, aos beijos, à voz...
Que eu toco, vejo, oiço e falo...de Angola, de mim e um pouco de outros.

Nilsson Without You

E esta é a última das 3 mais ouvidas e cantadas num tempo de alegria, sonhos e esperanças, apesar das letras das músicas não falarem disso, muito pelo contrário. De um tempo em que eu e as minhas amigas e colegas de liceu solidávamos a nossa amizade, também assim, cantando juntas, nos intervalos dos estudos.
Dedico a todas vocês, esta linda música. A única música cantada em inglês que sei de cor e que conseguiria cantá-la no karaoque. A isso devo uma folhinha de papel de um caderno onde uma colega escreveu a letra porque era a canção que eu mais gostava naquela época. Ainda hoje conservo essa folha queimada com a ponta de um cigarro, fumado por mim.
A colega era de origem francesa, carregava nos rrs e o seu pai era embaixador. Chamava-se Maria Manuel ( ? ) e sentava-se na carteira à frente da Susete.
Que tempos esses...
Que feliz que eu sou por ter estas lembranças e poder partilhá-las ainda, com todas as pessoas que faziam parte deste universo. Beijos de Mel minhas queridas, para todas vocês.

Roberta Flack - Killing Me Softly With His Song

Amiga, aqui está a pedido. Como nós estamos esquecidas! Nem Aretha Franklin nem Diana Ross.
Tenho memórias muito ternurentas deste tempo em que adolescentes cantávamos esta música, nos intervalos das aulas, nos corredores que davam para o pátio interno.
Lembras-te?
Eu, tu, Susete e Arlete.