O edifício azul e branco, foi construído, depois de demolirem a minha casa, e a loja Bastos. Ali estiveram vivendas, até à sua demolição para a construção dos prédios. O meu pai tinha um mini-mercado nesse edifício. A Rua Fernando Pessoa separa o colégio da loja e é perpendicular à Avenida Brasil. Parte da minha infância e adolescência foram passadas aqui.Que belos tempos esses...
sábado, 26 de dezembro de 2009
Colégio Nossa Senhora de Fátima
Este é o Colégio Nossa Senhora de Fátima, na Avª Brasil, em Luanda. Estudei aqui até à 4ª classe. Depois, com 19 anos fui ali, professora da 3ª classe. A sala de aula era no 1º andar, e a porta, a 1ª, junto ao ar condicionado. O edifíco está um pouco diferente; a palmeira arrancada, assim como os arbustos que ficavam junto aos muros. A rua passa muito mais perto, hoje. Alargaram a avenida.
O edifício azul e branco, foi construído, depois de demolirem a minha casa, e a loja Bastos. Ali estiveram vivendas, até à sua demolição para a construção dos prédios. O meu pai tinha um mini-mercado nesse edifício. A Rua Fernando Pessoa separa o colégio da loja e é perpendicular à Avenida Brasil. Parte da minha infância e adolescência foram passadas aqui.Que belos tempos esses...

O edifício azul e branco, foi construído, depois de demolirem a minha casa, e a loja Bastos. Ali estiveram vivendas, até à sua demolição para a construção dos prédios. O meu pai tinha um mini-mercado nesse edifício. A Rua Fernando Pessoa separa o colégio da loja e é perpendicular à Avenida Brasil. Parte da minha infância e adolescência foram passadas aqui.Que belos tempos esses...
Micondes e Avozinha
Micondes. estes os doces que eu comprei, logo pela manhã, na primeira manhã em Luanda.
Eis a " Avozinha ", nome carinhoso, Verónica, de papel passado, no Registo oficial.
A menina que vendeu os micondes a um preço aceitável e que esperou que eu voltasse para os comprar de novo. Não voltei a S.Paulo. Quinze dias é muito pouco tempo para as minhas necessidades como luandense que sou, a viver fora do país.
Certidões de baptismo
Reconhecimento
TRANSCRIÇÃO
" Porque há pessoas assim especiais e necessárias e porque Deus me manda ( sempre que sabe que preciso ) um Anjo da Guarda para me aliviar a dor e trazer alegria...
Tens de falar desta Senhora.
Ana Baptista, com P, como gosta que se escreva, detesta a palavra sem o P.
Trabalha em Lisboa, tem dois filhos ( um casal ). É mais ou menos da nossa idade ( da minha e da do Paulo ) .
Só nos conhecemos através do telefone mas conversamos sempre muito.
Ajuda em tudo o que pode, nas questões técnicas, que eu desconheço completamente.
Preocupa-se com os pormenores para que tudo nos corra bem.
Está sempre pronta a ouvir-me e faz-me muitas perguntas a querer ouvir a resposta.
É muito sincera e gosto muito dela, pela entrega que faz, sem sequer me conhecer.
Conta histórias da vida dela e com outras, compreende a dor e acredita na esperança e num futuro mais risonho. Tem sido muito amiga. Teve o cuidado de telefonar para se despedir porque o processo agora vai seguir para outras mãos.
Disse-me que para tudo o que precisar está sempre lá.
E que vai ligando de vez em quando para saber notícias nossas.
Sei pouco dela. O importante é que esteve sempre PRESENTE, MESMO!!! "
Como é óbvio, não poderia escrever sobre esta alma grande sem a conhecer, e apenas, porque me pediram que o fizesse.
Achei por bem transcrever o que me chegou às mãos, escrito com o coração, pelas mãos duma menina-mulher coragem, que faz da vida, uma missão, desde a adolescência. E que responde sempre que sim, como a Ana Baptista.
Este ser exemplar, único e de excepção, este ser, habitou o mesmo ventre que eu.
É minha irmã. A minha irmã caçula e merece o MELHOR do Mundo.
O período que enfrenta não é de todo bom, mas transforma-o diariamente num tempo de Amor, solidariedade, paciência, aprendizagem e esperança. E porque a acção tem sempre reacção, Deus pôe-lhe no caminho, flores, anjos, para a ajudarem na espinhosa missão.
A Ana Baptista é uma dessas flores, um desses anjos.
A Paula pediu-me que falasse nela.
Ela não sabe, mas eu não arriscaria. Ela mais do que ninguém está habilitada para o fazer com a voz do coração.
O meu blog é criança ainda e familiar também. Aqui vêm pessoas que me conhecem ou querem ler apenas. Poucas. Porém, sei que a Ana virá ler estas palavras e por isso aqui estou com muito, muito prazer a escrevê-las, porque não só a Paula, não só o Paulo, eu também, quero agradecer-lhe muito o que fez por eles, e porque fazendo-o a eles está a fazer-mo a mim.
Acompanhei o seu procedimento porque me era transmitido e achei sempre muito louvável a sua atitude.
Já quase não sabemos de pessoas com amor no coração e altruísmo, compaixão e generosidade, na formação.
Você, Ana Baptista com P ( acho uma delícia a sua exigência, o que me faz pensar que para além de tudo o que pratica é determinada e sabe o que quer )reune todas estas formas de se estar de bem com Deus e com os Homens.
Os meus parabéns. Curvo-me respeitosamente perante a pessoa Linda que é.
Toda a sorte do Mundo.
Um abraço maior do que o Universo.
" Porque há pessoas assim especiais e necessárias e porque Deus me manda ( sempre que sabe que preciso ) um Anjo da Guarda para me aliviar a dor e trazer alegria...
Tens de falar desta Senhora.
Ana Baptista, com P, como gosta que se escreva, detesta a palavra sem o P.
Trabalha em Lisboa, tem dois filhos ( um casal ). É mais ou menos da nossa idade ( da minha e da do Paulo ) .
Só nos conhecemos através do telefone mas conversamos sempre muito.
Ajuda em tudo o que pode, nas questões técnicas, que eu desconheço completamente.
Preocupa-se com os pormenores para que tudo nos corra bem.
Está sempre pronta a ouvir-me e faz-me muitas perguntas a querer ouvir a resposta.
É muito sincera e gosto muito dela, pela entrega que faz, sem sequer me conhecer.
Conta histórias da vida dela e com outras, compreende a dor e acredita na esperança e num futuro mais risonho. Tem sido muito amiga. Teve o cuidado de telefonar para se despedir porque o processo agora vai seguir para outras mãos.
Disse-me que para tudo o que precisar está sempre lá.
E que vai ligando de vez em quando para saber notícias nossas.
Sei pouco dela. O importante é que esteve sempre PRESENTE, MESMO!!! "
Como é óbvio, não poderia escrever sobre esta alma grande sem a conhecer, e apenas, porque me pediram que o fizesse.
Achei por bem transcrever o que me chegou às mãos, escrito com o coração, pelas mãos duma menina-mulher coragem, que faz da vida, uma missão, desde a adolescência. E que responde sempre que sim, como a Ana Baptista.
Este ser exemplar, único e de excepção, este ser, habitou o mesmo ventre que eu.
É minha irmã. A minha irmã caçula e merece o MELHOR do Mundo.
O período que enfrenta não é de todo bom, mas transforma-o diariamente num tempo de Amor, solidariedade, paciência, aprendizagem e esperança. E porque a acção tem sempre reacção, Deus pôe-lhe no caminho, flores, anjos, para a ajudarem na espinhosa missão.
A Ana Baptista é uma dessas flores, um desses anjos.
A Paula pediu-me que falasse nela.
Ela não sabe, mas eu não arriscaria. Ela mais do que ninguém está habilitada para o fazer com a voz do coração.
O meu blog é criança ainda e familiar também. Aqui vêm pessoas que me conhecem ou querem ler apenas. Poucas. Porém, sei que a Ana virá ler estas palavras e por isso aqui estou com muito, muito prazer a escrevê-las, porque não só a Paula, não só o Paulo, eu também, quero agradecer-lhe muito o que fez por eles, e porque fazendo-o a eles está a fazer-mo a mim.
Acompanhei o seu procedimento porque me era transmitido e achei sempre muito louvável a sua atitude.
Já quase não sabemos de pessoas com amor no coração e altruísmo, compaixão e generosidade, na formação.
Você, Ana Baptista com P ( acho uma delícia a sua exigência, o que me faz pensar que para além de tudo o que pratica é determinada e sabe o que quer )reune todas estas formas de se estar de bem com Deus e com os Homens.
Os meus parabéns. Curvo-me respeitosamente perante a pessoa Linda que é.
Toda a sorte do Mundo.
Um abraço maior do que o Universo.
Oferta e agradecimento
Aceite estas flores brancas, duma terra longe, em África, a terra da avó do Paulo e da Paula.
Quero-as a simbolizarem a pureza dos sentimentos que tem.
As vermelhas, flores de acácia, quero-as a simbolizarem o amor na sua vida. O Amor que tem pelos seus e pela pessoas que se cruzam no seu caminho.
Que Deus a proteja sempre e ilumine a sua existência na terra, porque o Céu já o ganhou.
Os Anjos existem na Terra para tornarem a vida dos que os rodeiam mais fácil e feliz.
Quero agradecer-lhe do fundo do coração o que fez pelo Paulo, minha querida.
Bem haja, Ana Baptista.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2009
A Pitanga voltou

A Pitanga voltou para casa. Para o Natal. Para mim. É aqui a sua casa.
Adorou a árvore de Natal. As bolas, as luzes ...
Hoje estava nervosa, excitada, com o vai e vem, na sala.
Quis fazer parte da festa, quis chamar a atenção e fingiu que era uma bola de enfeitar a árvore de natal. E trepou árvore acima e empoleirou-se nela.
E foi difícil convencê-la que não era uma bola de enfeitar.
Que és brilhante és, mas uma bola de enfeitar...tem dó Pitanguinha, tem dó de quem
enfeitou a dita árvore, porque dá uma trabalheira, dos diabos.
Presentes
Os presentes podem ser insignificantes, baratos, pouco úteis, mas embrulhados num papel bonito, e com laçarotes a condizer, são as delícias de qualquer ser que gosta de os receber.
O tempo que leva nas nossas mãos, desde que nos é entregue até descobrirmos afinal o que levou o outro a ter semelhante lembrança, é um tempo mágico.
Eu gosto de receber presentes e gosto muito de dar presentes bonitos, supérfluos.
O que não compram porque não podem, não precisam, não é essencial, mas gostam de possuir se lhes for dado ter.
Nesta quadra vi dar e vi receber, ofertas fantásticas.
Como, viagens a cidades europeias.
Estadias de fim de semana em casa rural, à escolha, com jantar e pequeno almoço incluídos, para dois.
Idas a um SPA. Um Netbook.
Depois, perfumes, carteiras, lenços, colares, pulseiras, anéis, CDs, livros, pijamas, boinas, presépios em miniatura artesanais, chocolates...
Tudo ou quase tudo, presentes surpéfluos mas alguns para lá de bons e outros muito bons.
O Natal está quase passado. E os presentes... para o ano há mais.
O tempo que leva nas nossas mãos, desde que nos é entregue até descobrirmos afinal o que levou o outro a ter semelhante lembrança, é um tempo mágico.
Eu gosto de receber presentes e gosto muito de dar presentes bonitos, supérfluos.
O que não compram porque não podem, não precisam, não é essencial, mas gostam de possuir se lhes for dado ter.
Nesta quadra vi dar e vi receber, ofertas fantásticas.
Como, viagens a cidades europeias.
Estadias de fim de semana em casa rural, à escolha, com jantar e pequeno almoço incluídos, para dois.
Idas a um SPA. Um Netbook.
Depois, perfumes, carteiras, lenços, colares, pulseiras, anéis, CDs, livros, pijamas, boinas, presépios em miniatura artesanais, chocolates...
Tudo ou quase tudo, presentes surpéfluos mas alguns para lá de bons e outros muito bons.
O Natal está quase passado. E os presentes... para o ano há mais.
Poema de Natal
É Natal!
Ofertas...
Nas montras, nas mãos, nos rostos
Compras e vendas
E enganos nos preços e nas palavras
Desejos. Desejos nas lojas postos
E nos lábios de toda a gente
Realidade, sim
Vaidades?!
Não...Presentes
Natal de alegria
Ou apenas correria?!
Doces, família
Prazer a dar
Desejo no receber
Ai, toda eu sou melancolia
Porque é Natal
E o Natal não é senão um dia
E tudo, tudo é material
Mesmo o beijo...
Não é natural
A troca do presente
Compras e vendas...
Enganos...
Enganos apenas
O pinheiro enfeitado
O bolo adequado
Apertos de mão
Uma saudação
Feliz Natal
Boas Festas
Porque se diz?
Será leal?
Quem se lembra do doente no hospital?
E da viúva... que o marido foi a enterrar?
E a criança que chora em vez de sonhar?
E do soldado, perdido na vida
Cansado, desolado
Que não pode sequer amar?
Ninguém!
E quem nada tem
Fica com esse mal
Apesar de ser Natal...
t.n.1978
Ofertas...
Nas montras, nas mãos, nos rostos
Compras e vendas
E enganos nos preços e nas palavras
Desejos. Desejos nas lojas postos
E nos lábios de toda a gente
Realidade, sim
Vaidades?!
Não...Presentes
Natal de alegria
Ou apenas correria?!
Doces, família
Prazer a dar
Desejo no receber
Ai, toda eu sou melancolia
Porque é Natal
E o Natal não é senão um dia
E tudo, tudo é material
Mesmo o beijo...
Não é natural
A troca do presente
Compras e vendas...
Enganos...
Enganos apenas
O pinheiro enfeitado
O bolo adequado
Apertos de mão
Uma saudação
Feliz Natal
Boas Festas
Porque se diz?
Será leal?
Quem se lembra do doente no hospital?
E da viúva... que o marido foi a enterrar?
E a criança que chora em vez de sonhar?
E do soldado, perdido na vida
Cansado, desolado
Que não pode sequer amar?
Ninguém!
E quem nada tem
Fica com esse mal
Apesar de ser Natal...
t.n.1978
O Meu Presente
O Presente no Sapatinho
Então, felizes com os presentes no sapatinho?
Eu estou. E posso dormir descansadinha, que de manhã, quando acordar, há mais, porque me portei bem durante o ano de 2009.
Alguém me segredou que o Pai Natal está tão contente, mas tão contente que leva um saco cheio de presentes.
É que vai ser...Uaaaaaaau!!!!!!!!
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
As Árvores de Natal da minha cidade
Árvores de Natal, fotografadas em Luanda.
Uma árvore ecológica, feita de garrafas de plástico, uma árvore já enfeitada à venda, à beira da estrada, uma árvore branca no terraço de um restaurante de praia, na Ilha do Cabo e outras, em praças à saída de Luanda, para Luanda Sul.
O Natal enfeitando Luanda num tempo de Paz e Amor.
Luanda merece e os luandenses também.
Que as árvores que enfeitam a cidade, hoje, brilhem mais e melhor, cintilando e inundando de luz a vida de todos os luandenses.





Uma árvore ecológica, feita de garrafas de plástico, uma árvore já enfeitada à venda, à beira da estrada, uma árvore branca no terraço de um restaurante de praia, na Ilha do Cabo e outras, em praças à saída de Luanda, para Luanda Sul.
O Natal enfeitando Luanda num tempo de Paz e Amor.
Luanda merece e os luandenses também.
Que as árvores que enfeitam a cidade, hoje, brilhem mais e melhor, cintilando e inundando de luz a vida de todos os luandenses.
Às vezes, o Amor é Natal.
O Amor às vezes, muitas vezes, também acontece, no Natal.
Este Natal é, de muito Amor.
E chega...de várias formas.
E espero. E chega...na forma simples das palavras que me dizes.
Diferentes. Que me tocam fundo.
Sem o espírito do Natal a adoçar as palavras...ainda.
Obrigada, Anjo, que o Menino Jesus pôs no meu sapatinho para tornar a minha vida mais musical, mais colorida ( a aguarelas ) e emotiva. Melhor...
Tudo de bom, te desejo, hoje e sempre.
Abraço-te num abraço daqueles, dos nossos.
Do tamanho do Mundo.
Maior do que o Universo.
Que não caiba em nenhuma das eternidades que possam existir.
BOAS FESTAS e SANTO e FELIZ NATAL.
Este Natal é, de muito Amor.
E chega...de várias formas.
E espero. E chega...na forma simples das palavras que me dizes.
Diferentes. Que me tocam fundo.
Sem o espírito do Natal a adoçar as palavras...ainda.
Obrigada, Anjo, que o Menino Jesus pôs no meu sapatinho para tornar a minha vida mais musical, mais colorida ( a aguarelas ) e emotiva. Melhor...
Tudo de bom, te desejo, hoje e sempre.
Abraço-te num abraço daqueles, dos nossos.
Do tamanho do Mundo.
Maior do que o Universo.
Que não caiba em nenhuma das eternidades que possam existir.
BOAS FESTAS e SANTO e FELIZ NATAL.
Bom Natal Amigos!
Boas Festas queridos amigos.
Que esta noite de Natal seja de paz e Alegria.
De reflexão e de propósito.
De boas intenções e de gestos de amor.
Que seja o Futuro aqui sintetizado numas horas.
Votos de muita saúde e energia positiva.
Que hoje seja o primeiro dia de muitos, de Boa Vontade.
Um abraço maior do que o Universo.
Que esta noite de Natal seja de paz e Alegria.
De reflexão e de propósito.
De boas intenções e de gestos de amor.
Que seja o Futuro aqui sintetizado numas horas.
Votos de muita saúde e energia positiva.
Que hoje seja o primeiro dia de muitos, de Boa Vontade.
Um abraço maior do que o Universo.
ANGOLA, BOA FESTAS!
Angola, minha terra, terra de boa gente...Bom Natal!
Festas Felizes para todos.
Que a Paz seja uma constante e que o progresso dê aos Angolanos tudo o que é preciso para que vivam felizes e acima do limiar da pobreza.
Que os seus governantes tenham consciência e amor pelo próximo. E que o próximo seja o POVO.
Para todos um abraço do tamanho do Mundo!
Festas Felizes para todos.
Que a Paz seja uma constante e que o progresso dê aos Angolanos tudo o que é preciso para que vivam felizes e acima do limiar da pobreza.
Que os seus governantes tenham consciência e amor pelo próximo. E que o próximo seja o POVO.
Para todos um abraço do tamanho do Mundo!
Bom Natal, Amiga!
Estava a ler mails, agora.
Acordei há pouco. Se não mandar os mails que preciso mandar, as pessoas de quem eu gosto e que não estão comigo, e perto de mim, não receberão votos de Boas Festas.
Jamais me perdoaria. Alguma coisa o Universo apanhará.
Tocou o telefone. Não pensei em ninguém em especial. Podia ser qualquer pessoa.
Li - MILÚ -
Pois. Como acham que estou neste momento?
Eu estou aqui, nesta cidade onde os meus filhos nasceram, onde vivo há 34 anos, onde está a minha irmã, o meu irmão, os meus cunhados, os meus sobrinhos, amigos e muitos muitos conhecidos...
A terra onde sempre passo o Natal.
No início, quando comprei a casa perto da capital, ainda me perguntaram se passaria a fazer ali o Natal.
Mas, não. É aqui que está a minha família.
O lar é este, mesmo que abandonado. Por mim, todos os fins de semana e mesmo que sem os filhos.
A Milú...
Precisava deste telefonema para ...ela foi a gota. Essa gota de água que vou tendo quando preciso abrir a torneira.
Amiga, então?
Unh...como é, estás boa Maria?
Sim, digo eu, muito duvidosa.
Que é que tens? Tás bem?
Ouvia-a cumprimentar, agradecer, muito movimento, perto dela e fez-se luz.
A esta hora, já me tem ligado. Quando vai no autocarro, para o avião, ou nas escadas do mesmo, ou no seu interior.
Não sabia se a pergunta era para mim.
Repetiu e eu perguntei se era comigo.
Sim, como é que estás? Estás estranha...
Como queres que esteja? E a torneira abriu-se feio.
Tem calma querida, disse-me ela com a sua voz terna, protectora, que eu conheço há tantos anos.
Chegou ontem, foi ver a Mimi que felismente já está em casa. Esteve perto da minha.
Claro que eu não estou lá desde domingo.
Disse-me que estava no avião.
Sim, vou agora para Luanda.
Jesus!Que hoje vais nascer...
Imaginei-me. É tão recente, que tenho cada pormenor, cada minuto, cada gesto, cada membro da tripulação, cada cheiro...vejo-me subindo as escadas, como a minha amiga.
E lembro-me que toda a gente, vendo-me em Luanda em Dezembro achava normal passar ali o Natal.
E hoje, há pouco, desejei, viajar com a Milú para Luanda.
Passar o Natal na minha terra, em Paz. Com alegria e humor. Com saúde, com calor.
De chinelos e alsinhas.
No meu meio ambiente.
A Milú chamou-me querida, como sempre faz, adoçou a voz e desejou-me um Bom Natal.
Sobre o Natal já conversámos muito. Ambas sabemos o que se sente quando há perdas.
Ambas sabemos que o Natal é lindo e custa muito e tem anos que não apetece.
Que o deviamos saltar para 1 de Janeiro.
Hoje, ambas estamos já na fase da lágrima, das recordações. Ela é mais dura que eu. Finge melhor.E vai trabalhar. E chegará ás 18,30 horas ao seu Natal. Com a família. Com a sua filhota que partiu para Luanda há poucos dias.
Desejei-lhe, primeiro, uma boa viagem. Lembrei-me da Susete e apeteceu-me desejar-lhe uma boa aterragem. Mas não. A Milú vai ter uma boa viagem, uma boa aterragem e um bom Natal. E umas Festas Felizes e tudo de bom, porque merece muito.
Depois desejei-lhe uma boa noite. Se os meus desejos e pedidos forem importantes, e depender deles a felicidade da minha amiga, ela já é uma pessoa muito, muito feliz há muito tempo.
O espírito de Natal está em mim diariamente. Com os meus amigos.É pouco, bem sei, mas pratico para que o rol seja alargado, a muita gente, a toda a gente.
Pratico, umas vezes com o coração cheio de amor e boa vontade, outras vezes sem dar sequer por isso. Mas há seres que ainda não estão preparados para esse espírito de Natal.
Tenho fé que um dia o mundo será melhor. Já é melhor que ontem. Há mais Verdade.
Os sentimentos expôem-se sem inibições e as pessoas têm uma linguagem mais altruísta e calorosa. Têm gestos de condescendência e compaixão.
Ainda somos muito papagaios. Repetimos intenções sem pensarmos no peso dessas intençoes, mas havemos de lá chegar.Eu hei-de lá chegar.
Hoje, por momentos, quis chegar às 18,30 horas a Luanda...
Mas não. O meu lugar é aqui. Junto da minha família. Abraçando o meu filho que há quase um mês não vejo.
Dando um beijo no Paulo, o meu herói e fazendo uma prece, a mais forte, erguendo e elevando o meu coração a Deus.
Jantando e ceando com a minha gente e tentando transformar a Noite de Natal, na noite mais bonita do Ano. De Paz e de Amor.
A Milú tinha pressa. Estava a trabalhar.Leva angolanos para Luanda, a passar o Natal na minha terra. Um Natal quente e barulhento. Alegre e humorado. Como o povo da minha terra. Um Natal em casa.
Hoje, a minha casa é Portugal. E os portugueses a minha gente, a minha família.
Não esqueço os outros. Todos os que amo. Também os de Angola.
Não esqueço, mas quero lembrar-me que preciso ser feliz nesta noite de Natal.
Embrenhar-me no espírito natalício e vibrar no fim da noite com a surpresa e alegria, na descoberta dos presentes.
Na minha casa somos uns felizardos e não fazemmos a coisa por menos.
Temos dois momentos para a abertura dos presentes. Um é à meia-noite com a família alargada e outro, esse muito íntimo, amanhã, logo pela manhã, junto à árvore de Natal.Os três. Esta escolha vem-me de pequenina e os meus filhos seguem-na religiosamente, sem a quebrarem. Porque gostam.
É uma felicidade. Para cada um, perante a alegria do outro. Todos por um e um por todos.
Obrigada querida. Com o teu telefonema, o teu carinho de sempre, trouxeste ao meu coração o espírito do Natal.
Uma boa viagem, minha querida. Leva os meus votos, aos angolanos, de umas Boas Festas.
E tu, vai em paz e tem uma noite daquelas. Como tu gostas. Em família, seja Natal ou não.
Tu sabes fazer de um dia comum, um Natal fantástico, com sotaque, humor e gargalhadas e muito, muito Amor.Porque tu sabes AMAR.
Obrigada minha amiga, pela tua presença sempre.
E já agora, um BOM NATAL.
E muitos presentes no sapatinho yá?
Acordei há pouco. Se não mandar os mails que preciso mandar, as pessoas de quem eu gosto e que não estão comigo, e perto de mim, não receberão votos de Boas Festas.
Jamais me perdoaria. Alguma coisa o Universo apanhará.
Tocou o telefone. Não pensei em ninguém em especial. Podia ser qualquer pessoa.
Li - MILÚ -
Pois. Como acham que estou neste momento?
Eu estou aqui, nesta cidade onde os meus filhos nasceram, onde vivo há 34 anos, onde está a minha irmã, o meu irmão, os meus cunhados, os meus sobrinhos, amigos e muitos muitos conhecidos...
A terra onde sempre passo o Natal.
No início, quando comprei a casa perto da capital, ainda me perguntaram se passaria a fazer ali o Natal.
Mas, não. É aqui que está a minha família.
O lar é este, mesmo que abandonado. Por mim, todos os fins de semana e mesmo que sem os filhos.
A Milú...
Precisava deste telefonema para ...ela foi a gota. Essa gota de água que vou tendo quando preciso abrir a torneira.
Amiga, então?
Unh...como é, estás boa Maria?
Sim, digo eu, muito duvidosa.
Que é que tens? Tás bem?
Ouvia-a cumprimentar, agradecer, muito movimento, perto dela e fez-se luz.
A esta hora, já me tem ligado. Quando vai no autocarro, para o avião, ou nas escadas do mesmo, ou no seu interior.
Não sabia se a pergunta era para mim.
Repetiu e eu perguntei se era comigo.
Sim, como é que estás? Estás estranha...
Como queres que esteja? E a torneira abriu-se feio.
Tem calma querida, disse-me ela com a sua voz terna, protectora, que eu conheço há tantos anos.
Chegou ontem, foi ver a Mimi que felismente já está em casa. Esteve perto da minha.
Claro que eu não estou lá desde domingo.
Disse-me que estava no avião.
Sim, vou agora para Luanda.
Jesus!Que hoje vais nascer...
Imaginei-me. É tão recente, que tenho cada pormenor, cada minuto, cada gesto, cada membro da tripulação, cada cheiro...vejo-me subindo as escadas, como a minha amiga.
E lembro-me que toda a gente, vendo-me em Luanda em Dezembro achava normal passar ali o Natal.
E hoje, há pouco, desejei, viajar com a Milú para Luanda.
Passar o Natal na minha terra, em Paz. Com alegria e humor. Com saúde, com calor.
De chinelos e alsinhas.
No meu meio ambiente.
A Milú chamou-me querida, como sempre faz, adoçou a voz e desejou-me um Bom Natal.
Sobre o Natal já conversámos muito. Ambas sabemos o que se sente quando há perdas.
Ambas sabemos que o Natal é lindo e custa muito e tem anos que não apetece.
Que o deviamos saltar para 1 de Janeiro.
Hoje, ambas estamos já na fase da lágrima, das recordações. Ela é mais dura que eu. Finge melhor.E vai trabalhar. E chegará ás 18,30 horas ao seu Natal. Com a família. Com a sua filhota que partiu para Luanda há poucos dias.
Desejei-lhe, primeiro, uma boa viagem. Lembrei-me da Susete e apeteceu-me desejar-lhe uma boa aterragem. Mas não. A Milú vai ter uma boa viagem, uma boa aterragem e um bom Natal. E umas Festas Felizes e tudo de bom, porque merece muito.
Depois desejei-lhe uma boa noite. Se os meus desejos e pedidos forem importantes, e depender deles a felicidade da minha amiga, ela já é uma pessoa muito, muito feliz há muito tempo.
O espírito de Natal está em mim diariamente. Com os meus amigos.É pouco, bem sei, mas pratico para que o rol seja alargado, a muita gente, a toda a gente.
Pratico, umas vezes com o coração cheio de amor e boa vontade, outras vezes sem dar sequer por isso. Mas há seres que ainda não estão preparados para esse espírito de Natal.
Tenho fé que um dia o mundo será melhor. Já é melhor que ontem. Há mais Verdade.
Os sentimentos expôem-se sem inibições e as pessoas têm uma linguagem mais altruísta e calorosa. Têm gestos de condescendência e compaixão.
Ainda somos muito papagaios. Repetimos intenções sem pensarmos no peso dessas intençoes, mas havemos de lá chegar.Eu hei-de lá chegar.
Hoje, por momentos, quis chegar às 18,30 horas a Luanda...
Mas não. O meu lugar é aqui. Junto da minha família. Abraçando o meu filho que há quase um mês não vejo.
Dando um beijo no Paulo, o meu herói e fazendo uma prece, a mais forte, erguendo e elevando o meu coração a Deus.
Jantando e ceando com a minha gente e tentando transformar a Noite de Natal, na noite mais bonita do Ano. De Paz e de Amor.
A Milú tinha pressa. Estava a trabalhar.Leva angolanos para Luanda, a passar o Natal na minha terra. Um Natal quente e barulhento. Alegre e humorado. Como o povo da minha terra. Um Natal em casa.
Hoje, a minha casa é Portugal. E os portugueses a minha gente, a minha família.
Não esqueço os outros. Todos os que amo. Também os de Angola.
Não esqueço, mas quero lembrar-me que preciso ser feliz nesta noite de Natal.
Embrenhar-me no espírito natalício e vibrar no fim da noite com a surpresa e alegria, na descoberta dos presentes.
Na minha casa somos uns felizardos e não fazemmos a coisa por menos.
Temos dois momentos para a abertura dos presentes. Um é à meia-noite com a família alargada e outro, esse muito íntimo, amanhã, logo pela manhã, junto à árvore de Natal.Os três. Esta escolha vem-me de pequenina e os meus filhos seguem-na religiosamente, sem a quebrarem. Porque gostam.
É uma felicidade. Para cada um, perante a alegria do outro. Todos por um e um por todos.
Obrigada querida. Com o teu telefonema, o teu carinho de sempre, trouxeste ao meu coração o espírito do Natal.
Uma boa viagem, minha querida. Leva os meus votos, aos angolanos, de umas Boas Festas.
E tu, vai em paz e tem uma noite daquelas. Como tu gostas. Em família, seja Natal ou não.
Tu sabes fazer de um dia comum, um Natal fantástico, com sotaque, humor e gargalhadas e muito, muito Amor.Porque tu sabes AMAR.
Obrigada minha amiga, pela tua presença sempre.
E já agora, um BOM NATAL.
E muitos presentes no sapatinho yá?
Pai Natal
Quem é que amanhã vem cá a casa? - Perguntei eu, entusiasmada.
Não sei. Respondeu-me ele.
Então não sabes? É o Pai Natal...
Não é.
Então quem é?
Não é o Pai Natal.
O Pai Natal é que traz as prendas, disse-lhe.
Não é nada. É o Noddy.
Hilariante, esta afirmação.
Dei uma gargalhada e voltei a perguntar: O Noddy?
Sim, traz as prendas do menino Jesus.
Tu não gostas do pai Natal...
Não.
Porquê?
Porque é feio e vai para casa.
Que é isso de ir para casa...
Vai para casa?
Sim ele vai e o Noddy é que vem cá.
Ninguém o demoveu desta linha de pensamento.
Festas Felizes, Pai Natal e Noddy...
Boas Festas bébé! Muitos presentes no sapatinho.
Não sei. Respondeu-me ele.
Então não sabes? É o Pai Natal...
Não é.
Então quem é?
Não é o Pai Natal.
O Pai Natal é que traz as prendas, disse-lhe.
Não é nada. É o Noddy.
Hilariante, esta afirmação.
Dei uma gargalhada e voltei a perguntar: O Noddy?
Sim, traz as prendas do menino Jesus.
Tu não gostas do pai Natal...
Não.
Porquê?
Porque é feio e vai para casa.
Que é isso de ir para casa...
Vai para casa?
Sim ele vai e o Noddy é que vem cá.
Ninguém o demoveu desta linha de pensamento.
Festas Felizes, Pai Natal e Noddy...
Boas Festas bébé! Muitos presentes no sapatinho.
( In ) conformação
Fiquei para o fim. Apenas ficámos três funcionárias e a senhora da limpeza.
Esta anda muito cansada, abatida e triste.
Das minhas colegas, uma é a que me leva para a terra onde vivo, todos os dias.
A outra, conheço-a há muitos anos. De um tempo em que éramos todas felizes. E mais novas. E sonhávamos a cores futuros empolgantes,fantásticos, mais ricos.
Tinhamos vidas parecidas e desejávamos vidas parecidas também. Os nossos filhos eram muito pequenos e os nossos medos enormes face ao seu futuro.
Hoje estamos no Natal.
Senti-me a estrangular. Que se diz a pessoas que têm uma cruz tão grande, tão má, tão pesada e penosa, a propósito do Natal e de um Ano que acaba e outro que se aproxima?
Porque a minha velha e antiga colega e a senhora da limpeza estão a passar o diabo.
Ambas e cada uma têm a fatalidade nas suas vidas e esperam. Ou já não esperam.
E hoje senti culpa de estar bem, apenas um pouco melancólica com a aproximação do Natal. A minha melancolia é uma felicidade comparada com o sentimento que une estas duas pessoas, cada uma por si.
Vá, um Santo Natal.
Quem me dera já a 2ª feira, Clara. Disse-me a minha colega.
Os dias vão passar no seu tempo. Aproveita este Natal, querida, que tenham uma noite calma e em paz.
As lágrimas saltaram-lhe dos olhos, vindas do coração cansado e sofrido.
De manhã quando lhe dei um mimo em forma de lembrança, como faço há muitos anos, desculpou-se dizendo que não dava nada a ninguém, não tinha cabeça.
Esta mulher tem cabeça e corpo e coração e alma e dava parte do que tem para não ver partir a pessoa com quem se uniu e jurou amar e respeitar até que a morte os separasse...
A senhora da limpeza, nas mesmas circunstâncias tem o sofrimento marcado no rosto, um rosto que envelheceu anos, em poucos meses.
O que se diz, nesta quadra natalícia a dois seres em sofrimento pela perda que vêm antecipada?
Mentalmente, digo asneiras. Todas, cabeludas.
Porquê? Porque é que estas pessoas têm que sofrer tanto?
A elas desejo que consigam ultrapassar estes momentos, com calma.
Saí hoje do emprego para regressar apenas no dia 29.
Saí com o coração partido e com culpa por estar bem.
E senti-me deprimida.
Que Deus ajude estas pessoas e lhes dê um Santo Natal.
Esta anda muito cansada, abatida e triste.
Das minhas colegas, uma é a que me leva para a terra onde vivo, todos os dias.
A outra, conheço-a há muitos anos. De um tempo em que éramos todas felizes. E mais novas. E sonhávamos a cores futuros empolgantes,fantásticos, mais ricos.
Tinhamos vidas parecidas e desejávamos vidas parecidas também. Os nossos filhos eram muito pequenos e os nossos medos enormes face ao seu futuro.
Hoje estamos no Natal.
Senti-me a estrangular. Que se diz a pessoas que têm uma cruz tão grande, tão má, tão pesada e penosa, a propósito do Natal e de um Ano que acaba e outro que se aproxima?
Porque a minha velha e antiga colega e a senhora da limpeza estão a passar o diabo.
Ambas e cada uma têm a fatalidade nas suas vidas e esperam. Ou já não esperam.
E hoje senti culpa de estar bem, apenas um pouco melancólica com a aproximação do Natal. A minha melancolia é uma felicidade comparada com o sentimento que une estas duas pessoas, cada uma por si.
Vá, um Santo Natal.
Quem me dera já a 2ª feira, Clara. Disse-me a minha colega.
Os dias vão passar no seu tempo. Aproveita este Natal, querida, que tenham uma noite calma e em paz.
As lágrimas saltaram-lhe dos olhos, vindas do coração cansado e sofrido.
De manhã quando lhe dei um mimo em forma de lembrança, como faço há muitos anos, desculpou-se dizendo que não dava nada a ninguém, não tinha cabeça.
Esta mulher tem cabeça e corpo e coração e alma e dava parte do que tem para não ver partir a pessoa com quem se uniu e jurou amar e respeitar até que a morte os separasse...
A senhora da limpeza, nas mesmas circunstâncias tem o sofrimento marcado no rosto, um rosto que envelheceu anos, em poucos meses.
O que se diz, nesta quadra natalícia a dois seres em sofrimento pela perda que vêm antecipada?
Mentalmente, digo asneiras. Todas, cabeludas.
Porquê? Porque é que estas pessoas têm que sofrer tanto?
A elas desejo que consigam ultrapassar estes momentos, com calma.
Saí hoje do emprego para regressar apenas no dia 29.
Saí com o coração partido e com culpa por estar bem.
E senti-me deprimida.
Que Deus ajude estas pessoas e lhes dê um Santo Natal.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Ela e o Natal
Eu sabia. Eu sabia que ela ia ficar triste.
Tenho observado o seu jeito de afastar os fantasmas.
Que lhe povoam a vida.
É cíclico. O ano é dividido por períodos que espartilha na sua vontade de afastar um tempo vivido, para que seja fácil prosseguir.
Por vezes, confessa-se cansada desse esforço de esquecer o que viveu ontem, para que o dia de amanhã seja simples e feliz. Mas não desiste. Pelo contrário. Insiste, insiste, nessa sua vontade de ser feliz com o que a vida lhe vai dando.
Ontem é passado, e hoje, hoje sei que pensa que tem que estar receptiva para o que aí vem.
O Natal e tudo o que isso envolve.
Os fantasmas. Essas criaturinhas das trevas que servem para ensombrar momentos que quer de paz e de harmonia. Que quer de tolerância e aceitação do outro.
Os fantasmas, esses, tem que conviver com eles. Conhecer-lhes as manhas e não se deixar apanhar nas suas malhas. Eles representam tempos que não voltam mais. Representam dias e noites de muitos Natais, de terras distantes, de idade diferente, de colo de mãe, de carinho de parentes, de ofertas e surpresas com gosto de amizade e de Amor.
Amanhã é véspera de Natal e é como fazer uma ressonância magnética. Doi mas não doi. Hoje já vive o " medo " do que advinha para amanhã. Nem todos se juntam, nem todos estarão felizes. Para alguns há faltas maiores que as suas e sofre porque as pessoas que ama sentirão essas faltas. E o exame não doi fisicamente mas provoca ansiedade e angústia.
O Natal é longo. São dois dias, mais o tempo que se fala nele e que o preparamos. E são os mails a apelarem ao sentimento e os fantasmas nesses momentos, saltando delirantes numa festa sádica. E são as palmadas nas costas e os beijos e abraços que se dão e os que nem chegam...
Eu sabia que ia chegar a hora, o dia. E ela tem que ter muita saúde para esta doença que é o frenesim duma época que mais do que bem, faz muito mal, porque mexe com o que de mais íntimo está dentro de nós. E ela...ela sente isso como ninguém. Uma vida longa, difícil, com agruras, sofrimentos, tornou-a por vezes menina frágil, desprotegida, manipulável, outras, dura, como uma rocha, desconfiada e agressiva. Digo-lhe que tem que encontrar o equilíbrio para viver estes dias difíceis do coração melindroso, estes dias de Natal
Ouvi-a dizer há pouco que o Natal devia acabar e as famílias deviam selar compromissos de se juntarem e fazer o seu natal, uma vez por mês. Um compromisso à séria, com lembranças e tudo. Luzes a catrapiscarem e até cânticos e roupa nova.
Eu sei que ela odeia não gostar do Natal. Porque no fundo ela ama o Natal e tudo o que ele representa.
Desde pequenina, quando estavam todos e sonhava com o dia 25 de Dezembro de manhãzinha, para ir à chaminé da cozinha recolher os presentes. E depois quando cresceu...
Vamos a ver se este Natal não sofre tanto. Está no bom caminho. Vejo-a melancólica e advinho motivos. E tenho receio que os fantasmas ensombrem momentos que ela gosta tanto. Estar em família, rir, brincar, receber presentes e sobretudo DAR...
Vou pedir ao Menino Jesus, que está no Presépio que lhe dê um bom Natal... A todos um bom Natal!A todos um bom Natal...
Tenho observado o seu jeito de afastar os fantasmas.
Que lhe povoam a vida.
É cíclico. O ano é dividido por períodos que espartilha na sua vontade de afastar um tempo vivido, para que seja fácil prosseguir.
Por vezes, confessa-se cansada desse esforço de esquecer o que viveu ontem, para que o dia de amanhã seja simples e feliz. Mas não desiste. Pelo contrário. Insiste, insiste, nessa sua vontade de ser feliz com o que a vida lhe vai dando.
Ontem é passado, e hoje, hoje sei que pensa que tem que estar receptiva para o que aí vem.
O Natal e tudo o que isso envolve.
Os fantasmas. Essas criaturinhas das trevas que servem para ensombrar momentos que quer de paz e de harmonia. Que quer de tolerância e aceitação do outro.
Os fantasmas, esses, tem que conviver com eles. Conhecer-lhes as manhas e não se deixar apanhar nas suas malhas. Eles representam tempos que não voltam mais. Representam dias e noites de muitos Natais, de terras distantes, de idade diferente, de colo de mãe, de carinho de parentes, de ofertas e surpresas com gosto de amizade e de Amor.
Amanhã é véspera de Natal e é como fazer uma ressonância magnética. Doi mas não doi. Hoje já vive o " medo " do que advinha para amanhã. Nem todos se juntam, nem todos estarão felizes. Para alguns há faltas maiores que as suas e sofre porque as pessoas que ama sentirão essas faltas. E o exame não doi fisicamente mas provoca ansiedade e angústia.
O Natal é longo. São dois dias, mais o tempo que se fala nele e que o preparamos. E são os mails a apelarem ao sentimento e os fantasmas nesses momentos, saltando delirantes numa festa sádica. E são as palmadas nas costas e os beijos e abraços que se dão e os que nem chegam...
Eu sabia que ia chegar a hora, o dia. E ela tem que ter muita saúde para esta doença que é o frenesim duma época que mais do que bem, faz muito mal, porque mexe com o que de mais íntimo está dentro de nós. E ela...ela sente isso como ninguém. Uma vida longa, difícil, com agruras, sofrimentos, tornou-a por vezes menina frágil, desprotegida, manipulável, outras, dura, como uma rocha, desconfiada e agressiva. Digo-lhe que tem que encontrar o equilíbrio para viver estes dias difíceis do coração melindroso, estes dias de Natal
Ouvi-a dizer há pouco que o Natal devia acabar e as famílias deviam selar compromissos de se juntarem e fazer o seu natal, uma vez por mês. Um compromisso à séria, com lembranças e tudo. Luzes a catrapiscarem e até cânticos e roupa nova.
Eu sei que ela odeia não gostar do Natal. Porque no fundo ela ama o Natal e tudo o que ele representa.
Desde pequenina, quando estavam todos e sonhava com o dia 25 de Dezembro de manhãzinha, para ir à chaminé da cozinha recolher os presentes. E depois quando cresceu...
Vamos a ver se este Natal não sofre tanto. Está no bom caminho. Vejo-a melancólica e advinho motivos. E tenho receio que os fantasmas ensombrem momentos que ela gosta tanto. Estar em família, rir, brincar, receber presentes e sobretudo DAR...
Vou pedir ao Menino Jesus, que está no Presépio que lhe dê um bom Natal... A todos um bom Natal!A todos um bom Natal...
Gémeos Falsos
Gémeos verdadeiros, significa, pessoas iguais.
Que dependem um do outro. Que não podem passar um sem o outro.
Que sofrem quando um deles sofre e que são felizes desde que um o seja.
Que entrelaçam os dedos e dão abraços encaixando as almas.
Que vivem, morrendo de amor, um pelo outro.
Gémeos falsos, podem ser isto tudo, ou não.
Podem ser iguais ou diferentes, masculino e feminino.
Criados de forma diferente. Amando de forma diferente.
Desejando da vida, emoções diferentes.
Podem nunca se encontrar, nunca ouvir a mesma canção.
Mas se houver um gesto, um propósito, uma palavra, uma canção, uma terra, uma noite de lua cheia espalhando a sua cor de prata num mar tropical, comuns, ainda que num segundo, num minuto, esse pode ser o MOMENTO em que dois seres que não são gémeos verdadeiros, nem falsos poderão ser ALMAS GÉMEAS.
Há momentos assim, quando se olha a baía de Luanda numa noite de lua cheia.
E por se acreditar na possibilidade da existência da alma gémea é que às vezes, muitas vezes o amor se sente num mail que chega.
Pediram-me que dissesse isto aqui e eu sou muito obediente.
Também eu acredito na alma gémea, apesar de não ter nascido gémea verdadeira nem falsa. Acredito sobretudo, mais que na matéria, nas ALMAS.
Que dependem um do outro. Que não podem passar um sem o outro.
Que sofrem quando um deles sofre e que são felizes desde que um o seja.
Que entrelaçam os dedos e dão abraços encaixando as almas.
Que vivem, morrendo de amor, um pelo outro.
Gémeos falsos, podem ser isto tudo, ou não.
Podem ser iguais ou diferentes, masculino e feminino.
Criados de forma diferente. Amando de forma diferente.
Desejando da vida, emoções diferentes.
Podem nunca se encontrar, nunca ouvir a mesma canção.
Mas se houver um gesto, um propósito, uma palavra, uma canção, uma terra, uma noite de lua cheia espalhando a sua cor de prata num mar tropical, comuns, ainda que num segundo, num minuto, esse pode ser o MOMENTO em que dois seres que não são gémeos verdadeiros, nem falsos poderão ser ALMAS GÉMEAS.
Há momentos assim, quando se olha a baía de Luanda numa noite de lua cheia.
E por se acreditar na possibilidade da existência da alma gémea é que às vezes, muitas vezes o amor se sente num mail que chega.
Pediram-me que dissesse isto aqui e eu sou muito obediente.
Também eu acredito na alma gémea, apesar de não ter nascido gémea verdadeira nem falsa. Acredito sobretudo, mais que na matéria, nas ALMAS.
Troca de identidade
Torres Novas é uma cidade do Ribatejo.
Torres Vedras é uma cidade da Estremadura, região Oeste.
Há 30 anos era normal e humilhante para os torrejanos ( naturais de Torres Novas ) serem confundidos com os torrienses ( naturais de Torres Vedras ).
Carregavam o complexo de inferioridade de serem ofuscados pelos outros.
Os outros estavam ali com um pé na praia e outro em Lisboa. Perto da civilização e do lazer.
Era vulgar na comunicação social, falada e escrita noticiarem factos a acontecer ou acontecidos em Torres Novas, como se se tratasse de Torres Vedras. O contrário nunca fora verdadeiro. Sabia-se onde estava e como estava Torres Vedras, de Torres Novas só se sabia que ficava para os lados de Fátima e era para quem era católico praticante.
Claro que os torrejanos torciam-se de raiva e de impotência perante estes equívocos, provocados pela imcompetência, distracção ou ignorância.
Os tempos mudaram e as auto estradas são uma realidade. E Torres Novas saiu beneficiada disso e ficou a 45 minutos de Lisboa, com auto estrada quase até ao centro da cidade. E cresceu. E as empresas e fábricas instalaram-se no parque empresarial e industrial criado para o efeito. E os torrejanos que são pessoas arejadas e gostam de correr seca e meca, sairam e entraram da sua terra e chamaram a eles, amigos, funcionários, quadros. A cidade tornou-se mais aberta, expandiu-se e hoje é uma cidade relativamente importante, bonita e moderna.
Hoje o temporal provocou estragos numa região do país bem demarcada. Na região Oeste.
A RTP noticiou assim: Temporal provocou muitos estragos em Torres Novas. No Oeste...
E eu que acompanhei a fúria e impotência destes ribatejanos que se intitulam de " brutos e a cheirarem a cavalo ", homens de touros e touradas, gentes da lezíria, pensei que os torrejanos estão assim vingados.
Nos tempos que correm, troca-se Torres Vedras com Torres Novas.
E é vulgar a Imprensa noticiar hoje ao contrário, do que ontem o fazia.
O temporal foi péssimo e causou estragos em todo o país. Em Torres Novas também. Mas foi mais grave em TORRES VEDRAS.
Isto sou eu que vos digo.
Torres Vedras é uma cidade da Estremadura, região Oeste.
Há 30 anos era normal e humilhante para os torrejanos ( naturais de Torres Novas ) serem confundidos com os torrienses ( naturais de Torres Vedras ).
Carregavam o complexo de inferioridade de serem ofuscados pelos outros.
Os outros estavam ali com um pé na praia e outro em Lisboa. Perto da civilização e do lazer.
Era vulgar na comunicação social, falada e escrita noticiarem factos a acontecer ou acontecidos em Torres Novas, como se se tratasse de Torres Vedras. O contrário nunca fora verdadeiro. Sabia-se onde estava e como estava Torres Vedras, de Torres Novas só se sabia que ficava para os lados de Fátima e era para quem era católico praticante.
Claro que os torrejanos torciam-se de raiva e de impotência perante estes equívocos, provocados pela imcompetência, distracção ou ignorância.
Os tempos mudaram e as auto estradas são uma realidade. E Torres Novas saiu beneficiada disso e ficou a 45 minutos de Lisboa, com auto estrada quase até ao centro da cidade. E cresceu. E as empresas e fábricas instalaram-se no parque empresarial e industrial criado para o efeito. E os torrejanos que são pessoas arejadas e gostam de correr seca e meca, sairam e entraram da sua terra e chamaram a eles, amigos, funcionários, quadros. A cidade tornou-se mais aberta, expandiu-se e hoje é uma cidade relativamente importante, bonita e moderna.
Hoje o temporal provocou estragos numa região do país bem demarcada. Na região Oeste.
A RTP noticiou assim: Temporal provocou muitos estragos em Torres Novas. No Oeste...
E eu que acompanhei a fúria e impotência destes ribatejanos que se intitulam de " brutos e a cheirarem a cavalo ", homens de touros e touradas, gentes da lezíria, pensei que os torrejanos estão assim vingados.
Nos tempos que correm, troca-se Torres Vedras com Torres Novas.
E é vulgar a Imprensa noticiar hoje ao contrário, do que ontem o fazia.
O temporal foi péssimo e causou estragos em todo o país. Em Torres Novas também. Mas foi mais grave em TORRES VEDRAS.
Isto sou eu que vos digo.
Computador do Ruca
Não ter crianças em casa, tem destas coisas.
Desconhecemos o Universo delas.
E fazemos o ar mais surpreso e até escandaloso, quando nos dizem:
Lá veio, com o seu computador do Ruca.
Como? Ai é? Computador do Ruca?
E não é barato. Cerca de 30 euros.
Mas a criaturinha pequenina vai iniciar-se no vício, apenas com 2/3 anos.
Ou vai avivar memória, curiosidade, destreza, raciocínio.
E vai permanecer mais tempo sossegadito, sem traquinices, sem birras, na paz do Senhor.
Boa!Bébé...vou gostar de ver.
Como queria ter um neto que me fizesse jogar no computador do Ruca e aprender do universo destas maravilhosas crianças que nos ensinam tanto e nos impedem de envelhecermos!
Por enquanto, vou contentando-me com uns e outros que gravitam por aqui e acolá e de quem gosto muito. Pode ser que este, me queira, como companheira de brincadeiras no seu computador e me requisite quando os pais e os irmãos não estiverem por perto.
Esperemos que sim.
Desconhecemos o Universo delas.
E fazemos o ar mais surpreso e até escandaloso, quando nos dizem:
Lá veio, com o seu computador do Ruca.
Como? Ai é? Computador do Ruca?
E não é barato. Cerca de 30 euros.
Mas a criaturinha pequenina vai iniciar-se no vício, apenas com 2/3 anos.
Ou vai avivar memória, curiosidade, destreza, raciocínio.
E vai permanecer mais tempo sossegadito, sem traquinices, sem birras, na paz do Senhor.
Boa!Bébé...vou gostar de ver.
Como queria ter um neto que me fizesse jogar no computador do Ruca e aprender do universo destas maravilhosas crianças que nos ensinam tanto e nos impedem de envelhecermos!
Por enquanto, vou contentando-me com uns e outros que gravitam por aqui e acolá e de quem gosto muito. Pode ser que este, me queira, como companheira de brincadeiras no seu computador e me requisite quando os pais e os irmãos não estiverem por perto.
Esperemos que sim.
Tufão
Substantivo masculino.
Significado: Vento muito forte, tempestuoso, vendaval, ciclone, furacão.
Na numerologia: É o nº 9.
De madrugada. Cerca das 5 horas da manhã. Em Portugal. Na minha casa.
Assustador.
Acordei, dei conta do que se passava. Sabia que a partir das 10 horas ficáramos em alerta amarelo. Com estas modernices, sabemos antecipadamente do perigo que eventualmente podemos sofrer.
Confesso que não me assustei muito.
Uma janela de um quarto abriu-se, tal a violência. Mas mais nada.
Hoje de manhã a rua estava virada ao contrário. A cidade desvastada, violentada.
Árvores arrancadas pela raiz, caixotes do lixo tombados, roupa das cordas, espalhada, ramos de árvores, antenas de televisão caídas, lama nas ruas, sarjetas entupidas.
Nunca vi esta cidade neste estado.
Um silêncio estranho, sinistro, por todas as ruas, no ar.
Lembrei-me daqueles tempos maus de Luanda em 75, antes ou depois de um tiroteio, de confrontos entre os Movimentos armados.
Ouvia-se o silêncio.
Hoje, ouvi de novo o silêncio e a cor da cidade é de neve, fria e agressiva, de intempérie, de destruição.
Tufão é um substantivo masculino. Ocorre-me que só pode ser, muito macho - A Força em vez do Jeito.
Significado: Vento muito forte, tempestuoso, vendaval, ciclone, furacão.
Na numerologia: É o nº 9.
De madrugada. Cerca das 5 horas da manhã. Em Portugal. Na minha casa.
Assustador.
Acordei, dei conta do que se passava. Sabia que a partir das 10 horas ficáramos em alerta amarelo. Com estas modernices, sabemos antecipadamente do perigo que eventualmente podemos sofrer.
Confesso que não me assustei muito.
Uma janela de um quarto abriu-se, tal a violência. Mas mais nada.
Hoje de manhã a rua estava virada ao contrário. A cidade desvastada, violentada.
Árvores arrancadas pela raiz, caixotes do lixo tombados, roupa das cordas, espalhada, ramos de árvores, antenas de televisão caídas, lama nas ruas, sarjetas entupidas.
Nunca vi esta cidade neste estado.
Um silêncio estranho, sinistro, por todas as ruas, no ar.
Lembrei-me daqueles tempos maus de Luanda em 75, antes ou depois de um tiroteio, de confrontos entre os Movimentos armados.
Ouvia-se o silêncio.
Hoje, ouvi de novo o silêncio e a cor da cidade é de neve, fria e agressiva, de intempérie, de destruição.
Tufão é um substantivo masculino. Ocorre-me que só pode ser, muito macho - A Força em vez do Jeito.
A Verdade
A Verdade não encanta, nem apaixona.
Não alimenta. Não fantasia.
Não manipula.
Avassala.
Acrescenta. Às vezes, problemas, perda.
A verdade, dizem que, é como o azeite, vem sempre à tona.
Só que cada vez mais se usa Óleo...
E depois, quem quer saber do que é enfadonho, chato, monocórdico?
A Verdade, tenho para mim, que pode não vencer, mas que nos torna seres vencedores, de podium, lá isso, esse prazer infindável do champanhe estoirando a rolha...não há posição mais previligiada, nem bem mais precioso.
Por vezes, o único que temos, mas muito, muito compensador.
Não alimenta. Não fantasia.
Não manipula.
Avassala.
Acrescenta. Às vezes, problemas, perda.
A verdade, dizem que, é como o azeite, vem sempre à tona.
Só que cada vez mais se usa Óleo...
E depois, quem quer saber do que é enfadonho, chato, monocórdico?
A Verdade, tenho para mim, que pode não vencer, mas que nos torna seres vencedores, de podium, lá isso, esse prazer infindável do champanhe estoirando a rolha...não há posição mais previligiada, nem bem mais precioso.
Por vezes, o único que temos, mas muito, muito compensador.
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
Prendas
Hoje trouxe para casa alguns presentes que recebi.
Um lenço, cachecol azul, giro. Eu adoro lenços, cachecois até aos pés, a varrer o chão, echarpes ou golas enormes, mesmo só, golonas em malha,em lã.
Um saquinho cheiroso, acho que a alfazema para as gavetas e um prato quadrado com motivos de NATAL.
Uma caixa de bonbons. Unh...que bom!
Um lenço, cachecol azul, giro. Eu adoro lenços, cachecois até aos pés, a varrer o chão, echarpes ou golas enormes, mesmo só, golonas em malha,em lã.
Um saquinho cheiroso, acho que a alfazema para as gavetas e um prato quadrado com motivos de NATAL.
Uma caixa de bonbons. Unh...que bom!
Obrigada Meu Deus!
OBRIGADA MEU DEUS!
O meu coração já está apaziguado.
Que susto! Apre...
Coração de mãe sofre muito e sente demais...
Agora já posso descansar.
Obrigada mesmo, do fundo do coração.
O meu coração já está apaziguado.
Que susto! Apre...
Coração de mãe sofre muito e sente demais...
Agora já posso descansar.
Obrigada mesmo, do fundo do coração.
Votos de Bom Natal
Enquanto espero, vou abrindo os e-mails do hotmail, que são mais que muitos.
Espantei-me e emocionei-me com um duma colega, ali, secretária com secretária.
Da Mena.
" Feliz Natal para ti, os teus filhos, familía e Pitanga "
Ai... Pitanga! Que lindo...a minha Pitanguinha está incluida no núcleo familiar.
A Mena foi uma querida, com um motivo de Natal bonito e tudo.
Obrigada.
Espantei-me e emocionei-me com um duma colega, ali, secretária com secretária.
Da Mena.
" Feliz Natal para ti, os teus filhos, familía e Pitanga "
Ai... Pitanga! Que lindo...a minha Pitanguinha está incluida no núcleo familiar.
A Mena foi uma querida, com um motivo de Natal bonito e tudo.
Obrigada.
Espera
Estou agarrada ao computador.
Nervosa e muito, muito inquieta.
Preciso de notícias.
Qualquer coisa como - Cheguei.
Esta palavra milagrosa, que me fará relaxar e dizer como sempre:
Obrigada, meu Deus.
É que o avião já chegou há muito tempo.
E não telefonaste.
E eu estou aqui a 100 kms.
Da outra vez esqueceste-te das chaves.
E não telefonaste porque não trouxeste os telefones.
Vou falar com ela. Que está online.
Estou com o coração apertado, m....
Não estejas. Vou lá a casa ver.( está ainda a trabalhar )
Há muito trânsito em Lisboa.
Vou ficar aqui à espera.
A televisão está ligada e o mp3 também.
Nervosa e muito, muito inquieta.
Preciso de notícias.
Qualquer coisa como - Cheguei.
Esta palavra milagrosa, que me fará relaxar e dizer como sempre:
Obrigada, meu Deus.
É que o avião já chegou há muito tempo.
E não telefonaste.
E eu estou aqui a 100 kms.
Da outra vez esqueceste-te das chaves.
E não telefonaste porque não trouxeste os telefones.
Vou falar com ela. Que está online.
Estou com o coração apertado, m....
Não estejas. Vou lá a casa ver.( está ainda a trabalhar )
Há muito trânsito em Lisboa.
Vou ficar aqui à espera.
A televisão está ligada e o mp3 também.
A D. Vitória
Os putos da escola secundária estão de férias.
O motorista do autocarro está de férias.A este, não conheço.
Somos seis pessoinhas para um autocarro enorme. O costume.
O autocarro estava frio, os bancos gelados. Eu, não me importo.
A D.Vitória, uma mulher relativamente nova, funcionária do Hospital, queixa-se constantemente da chuva, da humidade, do nevoeiro e do frio.
Hoje, o frio incomodou-a. Esteve muito tempo à espera, entre o autocarro dos Riachos e este.
Por norma nem se ouve. É tímida e vai metida com ela, num silêncio que ninguém quebra.
Foi uma surpresa ouvi-la, alto e bom som, do fundo do autocarro.
Sr. Motorista, ligue o aquecimento porque senão chego doente ao Hospital.
Vitória da minha alma, saidinha da casca...quem havia de dizer. E com piada, sim senhora.
Todos riram. O motorista não percebeu.
Doente, ao Hospital?
Sim senhor Motorista, não quero chegar doente.
E ele: Quer aquecer? Venha aqui para a minha beira que está cá quentinho.
Olharam todos uns para os outros.
Querem lá ver o parvo do motorista?!...dizer estas coisas à Vitória, tão calada, tão certinha, tão coradinha de vergonha que ela ficou...
A Vitória sai na mesma paragem que eu.
Saiu à minha frente.
Ao passar pelo motorista este disse-lhe:
Ponha aqui a mão.
Abri os olhos de espanto. Mas não. Ele estava inocente. A caixa que sustenta a máquina dos bilhetes, escaldava. Vai-se lá saber porquê.
O Sr. Motorista quis brincar com a Vitória, respondendo-lhe à letra, mas que se ia dando mal, lá isso ia, porque as pessoas da D.Vitória estavam atentas e afinal, não é por acaso que viajam juntas há vários anos.
O motorista do autocarro está de férias.A este, não conheço.
Somos seis pessoinhas para um autocarro enorme. O costume.
O autocarro estava frio, os bancos gelados. Eu, não me importo.
A D.Vitória, uma mulher relativamente nova, funcionária do Hospital, queixa-se constantemente da chuva, da humidade, do nevoeiro e do frio.
Hoje, o frio incomodou-a. Esteve muito tempo à espera, entre o autocarro dos Riachos e este.
Por norma nem se ouve. É tímida e vai metida com ela, num silêncio que ninguém quebra.
Foi uma surpresa ouvi-la, alto e bom som, do fundo do autocarro.
Sr. Motorista, ligue o aquecimento porque senão chego doente ao Hospital.
Vitória da minha alma, saidinha da casca...quem havia de dizer. E com piada, sim senhora.
Todos riram. O motorista não percebeu.
Doente, ao Hospital?
Sim senhor Motorista, não quero chegar doente.
E ele: Quer aquecer? Venha aqui para a minha beira que está cá quentinho.
Olharam todos uns para os outros.
Querem lá ver o parvo do motorista?!...dizer estas coisas à Vitória, tão calada, tão certinha, tão coradinha de vergonha que ela ficou...
A Vitória sai na mesma paragem que eu.
Saiu à minha frente.
Ao passar pelo motorista este disse-lhe:
Ponha aqui a mão.
Abri os olhos de espanto. Mas não. Ele estava inocente. A caixa que sustenta a máquina dos bilhetes, escaldava. Vai-se lá saber porquê.
O Sr. Motorista quis brincar com a Vitória, respondendo-lhe à letra, mas que se ia dando mal, lá isso ia, porque as pessoas da D.Vitória estavam atentas e afinal, não é por acaso que viajam juntas há vários anos.
A Caricatura
Hoje, pela manhã, encontrei uma caricatura.
Feita por um artista, não sei se o verdadeiro artista, mas que diariamente, ou noturnamente ali estava na Marina de Vila Moura, recebendo os pedidos e satisfazendo os veraneantes.
Eu tinha essa ambição. Ser caricaturada. Tinha uma curiosidade, quase obsessão, por saber como aquele artista do lápis e do traço, me via.
E uma noite espequei-me em frente do dito cujo. Fiz parar a família, tipo - Alto e pára o baile. Agora sou eu.
Vou submeter-me ao carrasco voluntariamente. Em nome da curiosidade mórbida de perceber o que sou para além do espelho amigo, lá de casa.
E ganhei a tal coragem. Na minha vez, sentei-me, muito tesa. O senhor, endireitou-me a cara, virou o rosto, puxou-me o queixo e disse-me que olhasse numa direcção ao jeito dele.
Sujeitei-me, mas o espetáculo é que era evitado. Os assistentes que páram, que olham o traço, espiam a nossa expressão, abanam a cabeça concordando ou discordando, sorriem, gozam...é o preço. Queres festa, sua-te a testa, pois claro.
Quando o homem do lápis dá por finda a sua arte, e mostra o trabalho, eu, espio e não vejo nada.
E saio dali, num pernas para que te quero, depois de pagar o que me é pedido.
Claro que a curiosidade matou o gato e segundos depois, estou a desenrolar a pérola do oceano duma noite de verão.
Não me reconheço. Os meus olhos jamais me despiriam ou vestiriam, deste jeito. Alías, foi um virar-me do avesso e inventar a possibilidade de ser outra, nesta ou noutra vida, paralela, se calhar, porque eu e esta, achei eu, não podiamos encontrar-nos pois não seria boa idéia.
Vi-me assim do pé para a mão com uns olhos enormes, de peixe, uma bocarra qual Moura Guedes,um nariz arrebitadíssimo, uma cova no rosto que mais parecia um buraco, uma franja pela testa enorme, uns brincos de tamanho gigante,um decote quase obsceno e abaixo do decote, puro cilicone.
Por amor de Deus, senhor artista. Inspirou-se em quem?
Esta não sou eu. Ou sou? Ou podia vir a sê-lo?
Disseram-me que não estava nada mal.
E foi uma diversão comentar cada pormenor.
Não era com eles, claro. Não tinham sido ridicularizados. Mas, fazer o quê? Andava a pedi-las.
Acabei por concordar. O senhor vira para lá da noite.Do Verão. O que quisera ver. Pois então, vamos dar corda aos sapatos e fugir dali para fora, de preferência, deitando à água a obra prima. Por causa da poluição que eu faria e porque podia ser comida para os peixinhos, achei por bem levar para casa a relíquia.
Guardei-a e nunca mais lhe mexi.
Porque diabo hoje a achei? A minha caricatura...será que há mais artistas que conseguem ver como sou, no limite do exagero? E para além do que o espelho me devolve?
Cada pessoa devia conhecer os traços ilimitados e desconhecidos da sua existência.
O mundo devia ser povoado de artistas, de mentes pródigas na arte de desenhar-nos a matéria.
Concluí que tenho uma alma grotesca, onde cabem uns traços disformes. Porque há alguém que me vê assim.
E concluí que a Vida caricaturada e o Mundo completamente caricato podem ser uma grande Pedra, muito hilariante e bem humorada, curtida.
Vivam os caricaturistas. E os caricaturados, apesar das ridículas figuras.Haja presença de espírito e costas largas para traços tão ousados.
Feita por um artista, não sei se o verdadeiro artista, mas que diariamente, ou noturnamente ali estava na Marina de Vila Moura, recebendo os pedidos e satisfazendo os veraneantes.
Eu tinha essa ambição. Ser caricaturada. Tinha uma curiosidade, quase obsessão, por saber como aquele artista do lápis e do traço, me via.
E uma noite espequei-me em frente do dito cujo. Fiz parar a família, tipo - Alto e pára o baile. Agora sou eu.
Vou submeter-me ao carrasco voluntariamente. Em nome da curiosidade mórbida de perceber o que sou para além do espelho amigo, lá de casa.
E ganhei a tal coragem. Na minha vez, sentei-me, muito tesa. O senhor, endireitou-me a cara, virou o rosto, puxou-me o queixo e disse-me que olhasse numa direcção ao jeito dele.
Sujeitei-me, mas o espetáculo é que era evitado. Os assistentes que páram, que olham o traço, espiam a nossa expressão, abanam a cabeça concordando ou discordando, sorriem, gozam...é o preço. Queres festa, sua-te a testa, pois claro.
Quando o homem do lápis dá por finda a sua arte, e mostra o trabalho, eu, espio e não vejo nada.
E saio dali, num pernas para que te quero, depois de pagar o que me é pedido.
Claro que a curiosidade matou o gato e segundos depois, estou a desenrolar a pérola do oceano duma noite de verão.
Não me reconheço. Os meus olhos jamais me despiriam ou vestiriam, deste jeito. Alías, foi um virar-me do avesso e inventar a possibilidade de ser outra, nesta ou noutra vida, paralela, se calhar, porque eu e esta, achei eu, não podiamos encontrar-nos pois não seria boa idéia.
Vi-me assim do pé para a mão com uns olhos enormes, de peixe, uma bocarra qual Moura Guedes,um nariz arrebitadíssimo, uma cova no rosto que mais parecia um buraco, uma franja pela testa enorme, uns brincos de tamanho gigante,um decote quase obsceno e abaixo do decote, puro cilicone.
Por amor de Deus, senhor artista. Inspirou-se em quem?
Esta não sou eu. Ou sou? Ou podia vir a sê-lo?
Disseram-me que não estava nada mal.
E foi uma diversão comentar cada pormenor.
Não era com eles, claro. Não tinham sido ridicularizados. Mas, fazer o quê? Andava a pedi-las.
Acabei por concordar. O senhor vira para lá da noite.Do Verão. O que quisera ver. Pois então, vamos dar corda aos sapatos e fugir dali para fora, de preferência, deitando à água a obra prima. Por causa da poluição que eu faria e porque podia ser comida para os peixinhos, achei por bem levar para casa a relíquia.
Guardei-a e nunca mais lhe mexi.
Porque diabo hoje a achei? A minha caricatura...será que há mais artistas que conseguem ver como sou, no limite do exagero? E para além do que o espelho me devolve?
Cada pessoa devia conhecer os traços ilimitados e desconhecidos da sua existência.
O mundo devia ser povoado de artistas, de mentes pródigas na arte de desenhar-nos a matéria.
Concluí que tenho uma alma grotesca, onde cabem uns traços disformes. Porque há alguém que me vê assim.
E concluí que a Vida caricaturada e o Mundo completamente caricato podem ser uma grande Pedra, muito hilariante e bem humorada, curtida.
Vivam os caricaturistas. E os caricaturados, apesar das ridículas figuras.Haja presença de espírito e costas largas para traços tão ousados.
Josefina
A Josefina apareceu-me de repente. Sorridente e bem disposta.
É minha protegida. Angolana. Negra como tição.Cabelo quase rapado, elegante e bonita.
Está em Portugal há 18 anos. Tem 3 filhos. A última não conhece o pai.
E diz que tem pena. Porque os colegas todos falam dos pais. Menos ela que nunca o viu.
O homem da Josefina foi embora, fugindo. Para Angola, mas fez asneiras e foi preso.
Ela há muito, nada sabe dele. Apenas que está preso em Luanda.
Bem feito. Me abandonou a minha mais nova estava na barriga. Não presta. Eu criei os meus filhos sozinha.
A Josefina chegou ao balcão, viu-me e o rosto iluminou-se, azulando-se.
Apontou com o dedo na minha direcção.
Olha ela, já voltaste?
Ri-me. Sei que ela quando ali vai quer um favor qualquer.
O que é que a traz cá?
Recebi isto, mostrando uma carta.
Vim a semana passada te procurar mas a senhora não estava. A sua colega diz que foste em Luanda. Aquilo lá está bom?
Demais, Josefina. Tem que voltar e levar os seus filhos.
Eles não querem ir. Tambem, não tenho dinheiro, fazendo o gesto com os dedos.
Fiz-lhe o requerimento. Ela mal sabe escrever, assina o nome e viva o velho.
Para dizer a data de nascimento do pai dos filhos e o número do BI.
Ria nervosa perante as minhas perguntas.
Não sabia quantos anos tinha e a data de aniversário do ex companheiro.
Este deixara de pagar a pensão aos miúdos.
Telefonou ao mais velho.
Os anos do teu pai, sabes?
Euê também não sabes? Onde já se viu? Filho que não sabe o nascimento do pai...também, muito bem feito, ele vos abandonou. Agora está lá na prisão.
Josefina, tem mais algum filho?
Deus que me livre. Só 3. A pequenina estava na barriga quando ele fugiu.
Não quero mais homem.
A Josefina é uma mulher bonita. Trabalha numa fábrica de confecção e os filhos andam na escola. O mais velho no 12º ano. Vai tendo ajudas.
Quer mostrar-me o filho mais velho que passa por ali a caminho da escola, todos os dias. Deve ser o seu orgulho. Diz-me: É um menino alto que passa aqui...
Fiz-lhe o requerimento e não comprovei a assinatura com o passaporte ou cartão de residência. Ela é conhecida em juízo. E é minha protegida. Porque é angolana e simpatizei com ela. E esta terra é uma selva.
A Josefina, despediu-se agradecendo mais uma vez.
Tenho nela, uma amiga do peito.
É minha protegida. Angolana. Negra como tição.Cabelo quase rapado, elegante e bonita.
Está em Portugal há 18 anos. Tem 3 filhos. A última não conhece o pai.
E diz que tem pena. Porque os colegas todos falam dos pais. Menos ela que nunca o viu.
O homem da Josefina foi embora, fugindo. Para Angola, mas fez asneiras e foi preso.
Ela há muito, nada sabe dele. Apenas que está preso em Luanda.
Bem feito. Me abandonou a minha mais nova estava na barriga. Não presta. Eu criei os meus filhos sozinha.
A Josefina chegou ao balcão, viu-me e o rosto iluminou-se, azulando-se.
Apontou com o dedo na minha direcção.
Olha ela, já voltaste?
Ri-me. Sei que ela quando ali vai quer um favor qualquer.
O que é que a traz cá?
Recebi isto, mostrando uma carta.
Vim a semana passada te procurar mas a senhora não estava. A sua colega diz que foste em Luanda. Aquilo lá está bom?
Demais, Josefina. Tem que voltar e levar os seus filhos.
Eles não querem ir. Tambem, não tenho dinheiro, fazendo o gesto com os dedos.
Fiz-lhe o requerimento. Ela mal sabe escrever, assina o nome e viva o velho.
Para dizer a data de nascimento do pai dos filhos e o número do BI.
Ria nervosa perante as minhas perguntas.
Não sabia quantos anos tinha e a data de aniversário do ex companheiro.
Este deixara de pagar a pensão aos miúdos.
Telefonou ao mais velho.
Os anos do teu pai, sabes?
Euê também não sabes? Onde já se viu? Filho que não sabe o nascimento do pai...também, muito bem feito, ele vos abandonou. Agora está lá na prisão.
Josefina, tem mais algum filho?
Deus que me livre. Só 3. A pequenina estava na barriga quando ele fugiu.
Não quero mais homem.
A Josefina é uma mulher bonita. Trabalha numa fábrica de confecção e os filhos andam na escola. O mais velho no 12º ano. Vai tendo ajudas.
Quer mostrar-me o filho mais velho que passa por ali a caminho da escola, todos os dias. Deve ser o seu orgulho. Diz-me: É um menino alto que passa aqui...
Fiz-lhe o requerimento e não comprovei a assinatura com o passaporte ou cartão de residência. Ela é conhecida em juízo. E é minha protegida. Porque é angolana e simpatizei com ela. E esta terra é uma selva.
A Josefina, despediu-se agradecendo mais uma vez.
Tenho nela, uma amiga do peito.
Inverno
Adeus Outono, até depois...
Já cá está o Inverno.
O dia mais pequeno do ano já foi.
Agora é sempre a somar. A ganhar espaço.
Os dias serão maiores.
Quando menos se esperar estou a ver o dia a entardecer mais tarde.
Que delícia!
E o sol brilhará com uma luz mais límpida e clara e terei dias de sábado bonitos e alegres, junto ao mar. Ali no Estoril ou em Cascais.
Comendo os primeiros gelados do Santini que dizem que este ano abria nesta estação.
Assistindo à alegria dos saldos.
Ou aos filmes de domingo.
Ou simplesmente, bebendo chá e comendo scones.
Ou um descafeinado na esplanada do Chapitot, contemplando o Tejo.
Andando no 36, desde o Cais do Sodré até...onde quiser. Percorrendo a cidade.
Ainda não fui ao Museu do Oriente. O Inverno presta-se. Hei-de lá ir.
O Inverno é bom porque sacode o Outono e sorri à Primavera.
O intervalo.
Necessário.
Já cá está o Inverno.
O dia mais pequeno do ano já foi.
Agora é sempre a somar. A ganhar espaço.
Os dias serão maiores.
Quando menos se esperar estou a ver o dia a entardecer mais tarde.
Que delícia!
E o sol brilhará com uma luz mais límpida e clara e terei dias de sábado bonitos e alegres, junto ao mar. Ali no Estoril ou em Cascais.
Comendo os primeiros gelados do Santini que dizem que este ano abria nesta estação.
Assistindo à alegria dos saldos.
Ou aos filmes de domingo.
Ou simplesmente, bebendo chá e comendo scones.
Ou um descafeinado na esplanada do Chapitot, contemplando o Tejo.
Andando no 36, desde o Cais do Sodré até...onde quiser. Percorrendo a cidade.
Ainda não fui ao Museu do Oriente. O Inverno presta-se. Hei-de lá ir.
O Inverno é bom porque sacode o Outono e sorri à Primavera.
O intervalo.
Necessário.
Boa Viagem de Novo
Adorei o teu mail, pequenininho e ternurento.
A tua cara.
Quem é, quem é, que está à tua espera?
EU!!!!NÓS!!!!!Evidament...
E com umas surpresas tão boas...mas tão boas...
Deixo-te com a pulga atrás da orelha.
Isto é para que não faças a viagem sozinho.
Mandei-te a pulguinha para te fazer companhia.
Bonne voyage, meu amor.Tudo de bom.
A tua cara.
Quem é, quem é, que está à tua espera?
EU!!!!NÓS!!!!!Evidament...
E com umas surpresas tão boas...mas tão boas...
Deixo-te com a pulga atrás da orelha.
Isto é para que não faças a viagem sozinho.
Mandei-te a pulguinha para te fazer companhia.
Bonne voyage, meu amor.Tudo de bom.
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Boa sorte
Boa sorte, Mimi.
Que tudo corra muito bem. E dentro em breve possas voltar à faculdade senior, à Tuna, à ginástica e natação, ao yoga e ao que gostas mais de fazer. Às viagens.
Beijinhos, querida.
Que tudo corra muito bem. E dentro em breve possas voltar à faculdade senior, à Tuna, à ginástica e natação, ao yoga e ao que gostas mais de fazer. Às viagens.
Beijinhos, querida.
Oferta
Ontem recebi um presente de Natal.
Entrei na Douglas ( perfumaria, pois então!...)e fui ver tudo o que a loja nos " oferece ". Gosto de andar ali a tratar por tu aqueles frasquinhos bonitinhos, experimentando os aromas. Se pudesse, tinha uma perfumaria, só para usufruir daquele espaço bom.
Uma menina, linda, morena e com uns olhos amendoados muito expressivos, Raquel, sorriu-me e aproximou-se, .
Quer ajuda?
Disse que sim. Estava cansada e precisava de pensar com outra pessoa. Dali a instantes, estávamos a conversar. Eu nem sou disso. Mas acontece, sei lá bem porque razão. Já me disseram que é falta de companhia. Estar sozinha, precisar partilhar. Sei lá eu. Não desato a conversar com o primeiro que aparece...
A miúda mostrou-me algo que eu queria mas estava indecisa. Ajudou-me a conversa que estávamos a ter. Elas sabem e eu sei que posso ser levada, mas não me importo.
Quando embrulharam o que comprei, ela piscou-me o olho e disse-me que tinha um presente para mim, para além de várias amostras ( que eu adoro receber, depois nem as uso, mas pronto, é o receber ...)que meteu no saco.
Trouxe-me um baton de bolso, numa embalagem dourada, " trés chique ", dizendo que eu o usaria porque gosto de batons. Óbvio, estava nos lábios a certeza, mas foi um doce e agradeci-lhe.
Ganhei um presente que gosto muito. Acertou na cor. E não é fácil, mas elas conhecem-nos como ninguém.
Entrei na Douglas ( perfumaria, pois então!...)e fui ver tudo o que a loja nos " oferece ". Gosto de andar ali a tratar por tu aqueles frasquinhos bonitinhos, experimentando os aromas. Se pudesse, tinha uma perfumaria, só para usufruir daquele espaço bom.
Uma menina, linda, morena e com uns olhos amendoados muito expressivos, Raquel, sorriu-me e aproximou-se, .
Quer ajuda?
Disse que sim. Estava cansada e precisava de pensar com outra pessoa. Dali a instantes, estávamos a conversar. Eu nem sou disso. Mas acontece, sei lá bem porque razão. Já me disseram que é falta de companhia. Estar sozinha, precisar partilhar. Sei lá eu. Não desato a conversar com o primeiro que aparece...
A miúda mostrou-me algo que eu queria mas estava indecisa. Ajudou-me a conversa que estávamos a ter. Elas sabem e eu sei que posso ser levada, mas não me importo.
Quando embrulharam o que comprei, ela piscou-me o olho e disse-me que tinha um presente para mim, para além de várias amostras ( que eu adoro receber, depois nem as uso, mas pronto, é o receber ...)que meteu no saco.
Trouxe-me um baton de bolso, numa embalagem dourada, " trés chique ", dizendo que eu o usaria porque gosto de batons. Óbvio, estava nos lábios a certeza, mas foi um doce e agradeci-lhe.
Ganhei um presente que gosto muito. Acertou na cor. E não é fácil, mas elas conhecem-nos como ninguém.
Escolha
No sábado, enquanto andava nas compras, disseram-me assim, de repente, olhando um escaparate, da FNAC:
Não me dês o perfume. Prefiro o livro do António Lobo Antunes.Fica-te mais barata a prenda.
E eu pensei: Boa escolha. O perfume eu não o usaria.Perfumes têm que ser muito pessoais e os meus gostos nada têm a ver com os dela. Ela é discreta e simples, os cheiros têm que ser suaves e delicados.
O livro, quem sabe, leva-lo-ei emprestado.
E o escritor, é só o que eu mais admiro, pessoa, escrita, percurso de vida. O Mia Couto fica em segundo lugar, falta-lhe a idade, a vivência sofrida do L.Antunes.
A minha pessoa, aquela que vai receber o livro, não gosta de os emprestar e eu concordo com ela.
Os livros são demasiado íntimos. Mas pode ser que tenha sorte. Muito de vez em quando ela surpreende-me e posso assim ler os seus livros. Quando está muito bem disposta. A propósito, tenho um dela, que ainda nem iniciei. Um básico, que toda a gente leu ou viu o filme. Mas eu não, que não gosto de finais pouco felizes. " As palavras que nunca te direi ". Não sei porque razão, quero ler esse livro.Estarei na fase do fatalismo?
Fiquei a pensar na sua escolha. Não me surpreende. Ela gosta muito mais de alimentar o espírito do que o físico. Não é vaidosa. Mas eu, acho que tem esse direito.E que tal uma surpresa? Sabemos que gostamos de surpresas, por muito insignificantes que sejam. E essa disponibilidade eu tenho. Aguarda, querida, pela " surprise " no sapatinho ok?
Não me dês o perfume. Prefiro o livro do António Lobo Antunes.Fica-te mais barata a prenda.
E eu pensei: Boa escolha. O perfume eu não o usaria.Perfumes têm que ser muito pessoais e os meus gostos nada têm a ver com os dela. Ela é discreta e simples, os cheiros têm que ser suaves e delicados.
O livro, quem sabe, leva-lo-ei emprestado.
E o escritor, é só o que eu mais admiro, pessoa, escrita, percurso de vida. O Mia Couto fica em segundo lugar, falta-lhe a idade, a vivência sofrida do L.Antunes.
A minha pessoa, aquela que vai receber o livro, não gosta de os emprestar e eu concordo com ela.
Os livros são demasiado íntimos. Mas pode ser que tenha sorte. Muito de vez em quando ela surpreende-me e posso assim ler os seus livros. Quando está muito bem disposta. A propósito, tenho um dela, que ainda nem iniciei. Um básico, que toda a gente leu ou viu o filme. Mas eu não, que não gosto de finais pouco felizes. " As palavras que nunca te direi ". Não sei porque razão, quero ler esse livro.Estarei na fase do fatalismo?
Fiquei a pensar na sua escolha. Não me surpreende. Ela gosta muito mais de alimentar o espírito do que o físico. Não é vaidosa. Mas eu, acho que tem esse direito.E que tal uma surpresa? Sabemos que gostamos de surpresas, por muito insignificantes que sejam. E essa disponibilidade eu tenho. Aguarda, querida, pela " surprise " no sapatinho ok?
Viva o Benfica
Viva o Benfica!
Telefonaram-me de propósito para receber a novidade.
O Benfica é grande e ganhou ao Porto. Coisa boa...
Uma felicidade hoje para os benfiquistas.
Para os ferranhos foi mesmo...meio orgasmo.
E então?! Que sejam felizes com essas vitórias do seu clube.
Eu também sou do Benfica.
Telefonaram-me de propósito para receber a novidade.
O Benfica é grande e ganhou ao Porto. Coisa boa...
Uma felicidade hoje para os benfiquistas.
Para os ferranhos foi mesmo...meio orgasmo.
E então?! Que sejam felizes com essas vitórias do seu clube.
Eu também sou do Benfica.
No autocarro
Quando saí de casa, chovia a cântaros. O taxista veio ajudar-me porque eu parecia o Pai Natal. Faltavam-me as barbas e a fatiota porque os embrulhos já eu tinha. Eram mais que muitos e eu só com 2 mãos. Quis meter o Rossio na Betesga e o resultado foi triste. Só me apetecia chorar, porque ainda por cima e como já vai sendo costume, estava um pouquito para o atrasada. Para o autocarro das 20,30 horas, faltavam 15 minutos. Se houvesse um contratempo no Eixo Norte Sul, estava feita.
O taxista percebeu-me muito bem e acalmou-me dizendo que chegariamos a horas.E não é que chegámos? Nos entretantos, já que se tornara íntimo, quis saber para onde ia de autocarro.
Porque não? Não me custa dizer a verdade, quais segredos, quais carapuças. O que se perde com isso? Às vezes, parece que não, mas ganha-se. A minha gente é que gosta pouco que eu dê trela aos taxistas. Que são apanhados do clima e se passam. E é verdade. Há muitos que só nos falta bater.Já tive um episódio desses. Eu levava, mas ele espumou de raiva comigo, porque nunca me calei.
Mas este de hoje era da paz e do amor. Confidenciou-me que o pai era de Fátima e a mãe de Ourém. Tu cá tu lá, quase vizinhos, quase família, portanto.E ajudou-me em Sete Rios. E desejou-me Boas Festas. Terei Sr. taxista, terei se Deus permitir e eu fizer por isso.
Cheguei ao autocarro das 20,30 horas, faltavam 3 minutos. Era o autocarro onde sempre vinha, mas de há uns meses que falho neste horário.
Recrutei uma menina, da E.P.P. que eu já conheço, assim, de viajar com ela aos domingos e feriados, para que tomasse conta da minha tralha enquanto comprava o bilhete e ela sorridente e mesmo simpática, concordou de imediato. Quando finalmente entreguei o bilhete ao sr. motorista, meu amigo do peito desde há cerca de 3 anos, este saudou-me bem disposto: Bons olhos a vejam, minha senhora.Tem andado fugida.
Digo o quê, a uma pessoa assim? Nada.
A viagem foi feita debaixo duma chuva incómoda. Adormeci com os fones, ouvindo Amy Winehouse - Back to Black. Acordei à saída de Santarém ainda com a mesma música porque por artes do diabo, ou não, por vezes não sei que voltas lhe dou e fica repetindo o que nem sempre é bom.
Quando cheguei não encontrei um único taxi e o meu irmão salvou-me.
Salvou-me também desta sina de ouvir alguém dizer que volta para o buraco escuro, cantando, porque liguei a televisão e apareceu na TVI um puto a cantar, num concurso de música, uma canção do Carlos Paião - Versos de Amor.
Irra, estava a ver que tinha que ouvir a Amy até me cansar
O Universo tem destas coisas.E eu cada vez estou mais em sintonia com o Universo.
Por isso a canção do Carlos Paião veio mudar tudo.Do deprimida para o optmista foi um ápice. Agora estou com muito sono e vai ser um ápice adormecer.
O taxista percebeu-me muito bem e acalmou-me dizendo que chegariamos a horas.E não é que chegámos? Nos entretantos, já que se tornara íntimo, quis saber para onde ia de autocarro.
Porque não? Não me custa dizer a verdade, quais segredos, quais carapuças. O que se perde com isso? Às vezes, parece que não, mas ganha-se. A minha gente é que gosta pouco que eu dê trela aos taxistas. Que são apanhados do clima e se passam. E é verdade. Há muitos que só nos falta bater.Já tive um episódio desses. Eu levava, mas ele espumou de raiva comigo, porque nunca me calei.
Mas este de hoje era da paz e do amor. Confidenciou-me que o pai era de Fátima e a mãe de Ourém. Tu cá tu lá, quase vizinhos, quase família, portanto.E ajudou-me em Sete Rios. E desejou-me Boas Festas. Terei Sr. taxista, terei se Deus permitir e eu fizer por isso.
Cheguei ao autocarro das 20,30 horas, faltavam 3 minutos. Era o autocarro onde sempre vinha, mas de há uns meses que falho neste horário.
Recrutei uma menina, da E.P.P. que eu já conheço, assim, de viajar com ela aos domingos e feriados, para que tomasse conta da minha tralha enquanto comprava o bilhete e ela sorridente e mesmo simpática, concordou de imediato. Quando finalmente entreguei o bilhete ao sr. motorista, meu amigo do peito desde há cerca de 3 anos, este saudou-me bem disposto: Bons olhos a vejam, minha senhora.Tem andado fugida.
Digo o quê, a uma pessoa assim? Nada.
A viagem foi feita debaixo duma chuva incómoda. Adormeci com os fones, ouvindo Amy Winehouse - Back to Black. Acordei à saída de Santarém ainda com a mesma música porque por artes do diabo, ou não, por vezes não sei que voltas lhe dou e fica repetindo o que nem sempre é bom.
Quando cheguei não encontrei um único taxi e o meu irmão salvou-me.
Salvou-me também desta sina de ouvir alguém dizer que volta para o buraco escuro, cantando, porque liguei a televisão e apareceu na TVI um puto a cantar, num concurso de música, uma canção do Carlos Paião - Versos de Amor.
Irra, estava a ver que tinha que ouvir a Amy até me cansar
O Universo tem destas coisas.E eu cada vez estou mais em sintonia com o Universo.
Por isso a canção do Carlos Paião veio mudar tudo.Do deprimida para o optmista foi um ápice. Agora estou com muito sono e vai ser um ápice adormecer.
domingo, 20 de dezembro de 2009
Pedir Um desejo
No primeiro andar, junto às escadas rolantes, está a MISAKO.
Uma loja de malas. De viagem, de computadores, de mão.
Muitas malas. A bom preço e giras.
Não entrei na Misako. A minha gente não gosta desta loja e eu ia à procura do que eles gostam.
Mas os olhos encontraram um cartaz enorme, na montra. Que dá para as escadas. Para o povão, que sobe e desce freneticamente.
Então li: PEDIR UM DESEJO.
Agradou-me. Tudo o que foge à rotina, ao convencional, à limitação desta nossa vida regrada, igual e cinzenta, eu gosto. Mesmo quando se transgride um bocadinho. Que não cause dano. Portanto...
Um quadro quadrado, enorme, ocupando quase toda a montra.
Não percebi a intenção. Não perguntei. Não me interessou. Achei o máximo, pessoas, pressuponho, que, anónimas, deixando os seus pedidos de desejo para 2010.
Dei comigo a pensar se já tinha feito algum pedido...
Agora que penso nisso, NÃO!
E li os pedidos.
1º- NÃO TER CÓCEGAS NOS PÉS. - Unh, não é das coisas piores, que por isso, valha a pena pedir que acabem. Até que...bem, eu tenho cócegas nos pés mas nunca faria um pedido desses. Porquê? As cócegas até são boas, porque não? Há que saber fazê-las parar. Pronto, este pedido eu não faria.
2º- DORMIR MAIS 5 MINUTOS - Também não. Dormir por dormir, umas horas boas.Que ando bem precisada.
3º- SER CHEFE - Pois, é um caminho para se chegar ao topo da carreira e consequentemente, ter poder e um ordenado maior. Sim, porque não?
4º- TER UM NAMORADO PUNK - Nãnãnã. Aquelas vestes negras, os cabedais de motoqueiros, os cabelos cheios de gel, delambidos, parecendo que há carradas de luas não tomam banho,os percings, por todo o lado, vamos que tinham um na língua, que nojo!E a música barulhenta e sempre com a mesma batida...não me parece bem, não me parecem poder ouvir a mesma canção que eu. Decididamente, NÃO.
5º- PAZ,AMOR E UMA CARTEIRA MISAKO - Já me agrada mais. Essa coisa da Paz e do Amor. Já a carteira, logo que me recomponha das férias e do Natal, lá terei um pouco de dinheirito para se for caso disso juntar ao lote, outra carteirita, por isso também era evitado este pedido, por mim, claro.
6º- VIAJAR,VIAJAR,VIAJAR - Oh! Este pedido é supimpa. Não me importava mesmo nada de o fazer e ver realizado. Já estou mais bem disposta e sem tanto frio.
7º- SER A MAIS BONITA NA FESTA DE PASSAGEM DE ANO - Claro...isso também não. E porquê? Porque já tive a minha época. E já fui a mais bonita ( modéstia à parte )em variadas circunstâncias. Hoje...tarde piaste! Foi-se a beleza, ficou a tristeza e a capacidade de encaixe. Já fiquei um pouco abatida...com este pedido. Só desejo que a menina que o fez seja uma cinderela na sua noite de fim de ano e que encontre o príncipe. Eles andam aí, procurem bem. De lupa.
8º- DEIXAR DE COMER BARRITAS DE CHOCOLATE - Porquê? É tão bom! Porque engordam, ou são viciantes? Eu cá não deixo, não. Ainda na 6ª feira fui comprá-las à Herbalife e são de comer e chorar por mais e ajudam à dieta. Meninas, comprem dessas. Eu sou distribuidora Herbalife e arranjo-as se as quiserem.
9º- APRENDER A FAZER SUSHI - Ah pois, este ou esta é cá das minhas. Pois então, muito bom paladar. Gosta do que é bom. Mas um conselho. Não aprendas. É tão bom sentarmo-nos e sermos servidos e desconhecermos como aquelas mistelas se fazem. Mas ficou-me uma vontade, sim, de aprender, porque eu e a cozinha já nos tratámos por TU, em tempos. Agora, nem por isso. Somos poucos e alguns ausentes. Não retiro prazer nenhum ao fogão nos tempos que correm. Longe vai o tempo em que o meu fogão parecia um daqueles comboios a vapor, sempre a deitar fumo e sempre quente e a andar...as 4 bocas, o forno em todas as divisões...Jesus Maria! Como eu era e no que me tornei...
10º- CONHECER O MEU PRINCIPE ENCANTADO - Eh pá, essa não! Calhou no número 10. E não é que eu tenho um qualquer fetiche com este número? Um Karma, sei-o eu. E agora? Concordo com o pedido ou não? É um sarilho, dos grandes. Se concordo, tenho que dizer porquê. Se não concordo, já estou fora de prazo, assumidamente.Pois então, de cobardes não reza a História. Concordo e aplaudo e só me ocorre que os Príncipes têm a obrigação de se dar a conhecer às Princesas, como na canção do Carlos Paião...o meu nome é ( qualquer coisa ) e o teu qual é? E eis senão quando, o príncipe e a cinderela se apresentam, cara a cara, olhos nos olhos, tocando o céu com a ponta dos dedos, ou seja, sentindo a felicidade de viverem uma história de encantar. Isto sou eu já a sonhar...Será que ainda se fazem príncipes como antigamente? Que corajosamente, tipo, tcharam, surgem do nada e revelam o que lhes vai na alma? Esperemos que esta menina, mulher, tenha sorte e em 2010 conheça finalmente o seu príncipe encantado. Nunca o saberemos, mas podemos dar uma força em nome do romance, da paixão e do Amor. Príncipe da pessoa que entrou na Misako do Colombo, pôe-te a mexer e aparece à menina que ela está muito precisada. Sozinha e triste. Julgo eu, que para fazer este pedido é preciso estar em Carência, em Crise.
11º- TOCAR GUITARRA ELECTRICA - Também é um bom pedido, mas criatura, o melhor é pensares comprar a guitarra e ir trabalhar nisso, um professor, que tal, pagares-lhe, não é? E para 2011 já estás a tocar as músicas dos Pink Floyd ou Santana, se tiveres jeitinho e paciência, que Roma e Pavia não se fizeram num só dia.Também gostava de ouvir esses,de que falo, pelos teus dedos. Sempre gostei duma guitarra eléctrica.
12º- VER-TE SORRIR CADA MANHÂ - Bom pedido. Se acorda com alguém ao lado ou se logo, logo, pela manhã, quando desce de elevador, ou entra no trabalho, já lá está ela ou ele, sempre macambúzios, ou não. Todo sorrisos.A pessoa ou quer que se perpetue o dito cujo sorriso ou na falta dele quer ver sorrir. Ver os dentes. As covinhas que faz nas maçãs do rosto ( como eu ).Todos os dias. Ou então, o pedido é no sentido de acordar com alguém ao lado. Isso, cara criatura, não sei se é bom. Cada manhã? Sempre, mesmo? Não. Pense bem no assunto. Há dias, manhãs terríveis. Não dá, ter alguém ali a espiar-nos os movimentos, a impedir-nos de saltarmos da cama, a sarnar-nos os miolos. Há manhãs de dor de cabeça...e o sorriso pode transformar-se numa careta.
13º- AMANDAR-ME DE PÁRA QUEDAS - Que quererá a pessoa dizer com isto? Quer saltar de um avião, mesmo? Arriscado, mas a adrenalina fará o prazer ser mais forte que o risco. Gosto de ver os pára quedistas saltando uns a seguir aos outros. Nas manhãs bonitas, ali para os lados de Tancos, é vê-los no ar como cogumelos, tropas, claro, em exercício. Eu não queria saltar de pára quedas. Esse risco prefiro não correr. Há quem chame pára quedistas a outra coisa, mas disso me abstenho de falar.
14º- ENCONTRAR UM NAMORADO BONITO,INTELIGENTE E RICO - Como eu te entendo...3 em 1.Boa, miúda. Acho que és novita, porque se fosses da minha idade, já só querias um namorado. Não que fale muito com gente da minha idade, sobre as suas necessidades, mas vou ouvindo aqui e ali, desabafos.O mercado está fraco e elas queixam-se muito.
Mas, sendo uma moçoila, porque não? A pedir que seja em grande. Eu, sem precisar procurar, tenho à mão, com os 2 requisitos primeiros, Bonitos e Inteligentes, três meninos de se lhes tirar o chapéu. O meu filho e os meus sobrinhos. Quanto a Riqueza, esperem que eu tenha a sorte de receber um Euromilhões, que me transforme na mãe e na tia rica, destes jovens lindos e inteligentes. Mas como és interesseirona, Deus permita que nunca nos cruzemos, ou tu com qualquer um deles.
E foi assim que esta tarde a Misako se tornou muito interessante.
Era bom que cada um destes desejos se concretizasse e estas pessoas fossem pessoas mais felizes. Se eu levar por tabela,óptimo, tudo o que vier por bem é ganho.
Já agora eu arrisco fazer um pedidinho, pequenino.
Que o ano de 2010, seja, VIVENDO.
Uma loja de malas. De viagem, de computadores, de mão.
Muitas malas. A bom preço e giras.
Não entrei na Misako. A minha gente não gosta desta loja e eu ia à procura do que eles gostam.
Mas os olhos encontraram um cartaz enorme, na montra. Que dá para as escadas. Para o povão, que sobe e desce freneticamente.
Então li: PEDIR UM DESEJO.
Agradou-me. Tudo o que foge à rotina, ao convencional, à limitação desta nossa vida regrada, igual e cinzenta, eu gosto. Mesmo quando se transgride um bocadinho. Que não cause dano. Portanto...
Um quadro quadrado, enorme, ocupando quase toda a montra.
Não percebi a intenção. Não perguntei. Não me interessou. Achei o máximo, pessoas, pressuponho, que, anónimas, deixando os seus pedidos de desejo para 2010.
Dei comigo a pensar se já tinha feito algum pedido...
Agora que penso nisso, NÃO!
E li os pedidos.
1º- NÃO TER CÓCEGAS NOS PÉS. - Unh, não é das coisas piores, que por isso, valha a pena pedir que acabem. Até que...bem, eu tenho cócegas nos pés mas nunca faria um pedido desses. Porquê? As cócegas até são boas, porque não? Há que saber fazê-las parar. Pronto, este pedido eu não faria.
2º- DORMIR MAIS 5 MINUTOS - Também não. Dormir por dormir, umas horas boas.Que ando bem precisada.
3º- SER CHEFE - Pois, é um caminho para se chegar ao topo da carreira e consequentemente, ter poder e um ordenado maior. Sim, porque não?
4º- TER UM NAMORADO PUNK - Nãnãnã. Aquelas vestes negras, os cabedais de motoqueiros, os cabelos cheios de gel, delambidos, parecendo que há carradas de luas não tomam banho,os percings, por todo o lado, vamos que tinham um na língua, que nojo!E a música barulhenta e sempre com a mesma batida...não me parece bem, não me parecem poder ouvir a mesma canção que eu. Decididamente, NÃO.
5º- PAZ,AMOR E UMA CARTEIRA MISAKO - Já me agrada mais. Essa coisa da Paz e do Amor. Já a carteira, logo que me recomponha das férias e do Natal, lá terei um pouco de dinheirito para se for caso disso juntar ao lote, outra carteirita, por isso também era evitado este pedido, por mim, claro.
6º- VIAJAR,VIAJAR,VIAJAR - Oh! Este pedido é supimpa. Não me importava mesmo nada de o fazer e ver realizado. Já estou mais bem disposta e sem tanto frio.
7º- SER A MAIS BONITA NA FESTA DE PASSAGEM DE ANO - Claro...isso também não. E porquê? Porque já tive a minha época. E já fui a mais bonita ( modéstia à parte )em variadas circunstâncias. Hoje...tarde piaste! Foi-se a beleza, ficou a tristeza e a capacidade de encaixe. Já fiquei um pouco abatida...com este pedido. Só desejo que a menina que o fez seja uma cinderela na sua noite de fim de ano e que encontre o príncipe. Eles andam aí, procurem bem. De lupa.
8º- DEIXAR DE COMER BARRITAS DE CHOCOLATE - Porquê? É tão bom! Porque engordam, ou são viciantes? Eu cá não deixo, não. Ainda na 6ª feira fui comprá-las à Herbalife e são de comer e chorar por mais e ajudam à dieta. Meninas, comprem dessas. Eu sou distribuidora Herbalife e arranjo-as se as quiserem.
9º- APRENDER A FAZER SUSHI - Ah pois, este ou esta é cá das minhas. Pois então, muito bom paladar. Gosta do que é bom. Mas um conselho. Não aprendas. É tão bom sentarmo-nos e sermos servidos e desconhecermos como aquelas mistelas se fazem. Mas ficou-me uma vontade, sim, de aprender, porque eu e a cozinha já nos tratámos por TU, em tempos. Agora, nem por isso. Somos poucos e alguns ausentes. Não retiro prazer nenhum ao fogão nos tempos que correm. Longe vai o tempo em que o meu fogão parecia um daqueles comboios a vapor, sempre a deitar fumo e sempre quente e a andar...as 4 bocas, o forno em todas as divisões...Jesus Maria! Como eu era e no que me tornei...
10º- CONHECER O MEU PRINCIPE ENCANTADO - Eh pá, essa não! Calhou no número 10. E não é que eu tenho um qualquer fetiche com este número? Um Karma, sei-o eu. E agora? Concordo com o pedido ou não? É um sarilho, dos grandes. Se concordo, tenho que dizer porquê. Se não concordo, já estou fora de prazo, assumidamente.Pois então, de cobardes não reza a História. Concordo e aplaudo e só me ocorre que os Príncipes têm a obrigação de se dar a conhecer às Princesas, como na canção do Carlos Paião...o meu nome é ( qualquer coisa ) e o teu qual é? E eis senão quando, o príncipe e a cinderela se apresentam, cara a cara, olhos nos olhos, tocando o céu com a ponta dos dedos, ou seja, sentindo a felicidade de viverem uma história de encantar. Isto sou eu já a sonhar...Será que ainda se fazem príncipes como antigamente? Que corajosamente, tipo, tcharam, surgem do nada e revelam o que lhes vai na alma? Esperemos que esta menina, mulher, tenha sorte e em 2010 conheça finalmente o seu príncipe encantado. Nunca o saberemos, mas podemos dar uma força em nome do romance, da paixão e do Amor. Príncipe da pessoa que entrou na Misako do Colombo, pôe-te a mexer e aparece à menina que ela está muito precisada. Sozinha e triste. Julgo eu, que para fazer este pedido é preciso estar em Carência, em Crise.
11º- TOCAR GUITARRA ELECTRICA - Também é um bom pedido, mas criatura, o melhor é pensares comprar a guitarra e ir trabalhar nisso, um professor, que tal, pagares-lhe, não é? E para 2011 já estás a tocar as músicas dos Pink Floyd ou Santana, se tiveres jeitinho e paciência, que Roma e Pavia não se fizeram num só dia.Também gostava de ouvir esses,de que falo, pelos teus dedos. Sempre gostei duma guitarra eléctrica.
12º- VER-TE SORRIR CADA MANHÂ - Bom pedido. Se acorda com alguém ao lado ou se logo, logo, pela manhã, quando desce de elevador, ou entra no trabalho, já lá está ela ou ele, sempre macambúzios, ou não. Todo sorrisos.A pessoa ou quer que se perpetue o dito cujo sorriso ou na falta dele quer ver sorrir. Ver os dentes. As covinhas que faz nas maçãs do rosto ( como eu ).Todos os dias. Ou então, o pedido é no sentido de acordar com alguém ao lado. Isso, cara criatura, não sei se é bom. Cada manhã? Sempre, mesmo? Não. Pense bem no assunto. Há dias, manhãs terríveis. Não dá, ter alguém ali a espiar-nos os movimentos, a impedir-nos de saltarmos da cama, a sarnar-nos os miolos. Há manhãs de dor de cabeça...e o sorriso pode transformar-se numa careta.
13º- AMANDAR-ME DE PÁRA QUEDAS - Que quererá a pessoa dizer com isto? Quer saltar de um avião, mesmo? Arriscado, mas a adrenalina fará o prazer ser mais forte que o risco. Gosto de ver os pára quedistas saltando uns a seguir aos outros. Nas manhãs bonitas, ali para os lados de Tancos, é vê-los no ar como cogumelos, tropas, claro, em exercício. Eu não queria saltar de pára quedas. Esse risco prefiro não correr. Há quem chame pára quedistas a outra coisa, mas disso me abstenho de falar.
14º- ENCONTRAR UM NAMORADO BONITO,INTELIGENTE E RICO - Como eu te entendo...3 em 1.Boa, miúda. Acho que és novita, porque se fosses da minha idade, já só querias um namorado. Não que fale muito com gente da minha idade, sobre as suas necessidades, mas vou ouvindo aqui e ali, desabafos.O mercado está fraco e elas queixam-se muito.
Mas, sendo uma moçoila, porque não? A pedir que seja em grande. Eu, sem precisar procurar, tenho à mão, com os 2 requisitos primeiros, Bonitos e Inteligentes, três meninos de se lhes tirar o chapéu. O meu filho e os meus sobrinhos. Quanto a Riqueza, esperem que eu tenha a sorte de receber um Euromilhões, que me transforme na mãe e na tia rica, destes jovens lindos e inteligentes. Mas como és interesseirona, Deus permita que nunca nos cruzemos, ou tu com qualquer um deles.
E foi assim que esta tarde a Misako se tornou muito interessante.
Era bom que cada um destes desejos se concretizasse e estas pessoas fossem pessoas mais felizes. Se eu levar por tabela,óptimo, tudo o que vier por bem é ganho.
Já agora eu arrisco fazer um pedidinho, pequenino.
Que o ano de 2010, seja, VIVENDO.
Boas Festas...
Boas Festas!...sim? De quais?
As da época, com Pais Natal, presépios, cânticos, árvores de Natal, centros de mesa, toalhas alusivas, grandes manjares; bolo rei, rabanadas, aletria, coscurões, filhós, lampreias de ovos, troncos de chocolate, polvo, bacalhau, cabrito, chocolates ( o que eu mais amo )e...PRESENTES, MUITOS PRESENTES ( que eu adoro )?
Ou abraços, beijos, FESTAS, de mãos carinhosas, familiares, amigas, queridas, amantes?
A época devia ser pródiga em FESTAS e FESTAS...de umas e de outras.
Como seriam bem mais felizes, as pessoas se partissem para esta época natalícia, sabendo de antemão que as esperavam, BOAS FESTAS. Plenas, sentidas. De umas e de outras.
Ou só das últimas...com um presentito à mistura, uma surpresa, qualquer coisita que diga que gostam de nós. Um postal, uma palavra, uma frase, um verso, um gesto, uma...Festa boa.
Os tempos estão difíceis e cada vez mais são precisos gestos e desejos de Boas festas.
BOAS FESTAS para todos, então...
As da época, com Pais Natal, presépios, cânticos, árvores de Natal, centros de mesa, toalhas alusivas, grandes manjares; bolo rei, rabanadas, aletria, coscurões, filhós, lampreias de ovos, troncos de chocolate, polvo, bacalhau, cabrito, chocolates ( o que eu mais amo )e...PRESENTES, MUITOS PRESENTES ( que eu adoro )?
Ou abraços, beijos, FESTAS, de mãos carinhosas, familiares, amigas, queridas, amantes?
A época devia ser pródiga em FESTAS e FESTAS...de umas e de outras.
Como seriam bem mais felizes, as pessoas se partissem para esta época natalícia, sabendo de antemão que as esperavam, BOAS FESTAS. Plenas, sentidas. De umas e de outras.
Ou só das últimas...com um presentito à mistura, uma surpresa, qualquer coisita que diga que gostam de nós. Um postal, uma palavra, uma frase, um verso, um gesto, uma...Festa boa.
Os tempos estão difíceis e cada vez mais são precisos gestos e desejos de Boas festas.
BOAS FESTAS para todos, então...
Taquicardia
Assim que entrei no Colombo, fui à farmácia. Por causa dos achaques.
Da taquicardia. Há anos que tomo Inderal. Há 2 dias que não o tenho. A farmácia, ao dobrar da esquina, está em obras. Fui para a Baixa e esqueci-me. Ontem foi o que foi.A galderice com as mulheres da família.
Não fiz taquicardia. Aliás, há muito que não tenho aqueles chiliques que me davam quando tinha trinta anos e já me achava a fazer a menopausa.
Mas à cautela, fui sempre tomando, porque o " meu " médico, o que já dispensei há 3 anos, dizia-me que era preciso fazer o desmame. Ele é que precisava de o fazer, tão mal se portou comigo, mas pronto, são contas por ajustar que um dia ...lá chegaremos.
Ora, entrei na farmácia do Colombo, bonitinha, arejada, arrumadinha, com técnicos muito simpáticos, no caso este que me atendeu, meu patrício, que pergunta invariavelmente, porque não é a 1ª vez que me atende, se já é hábito tomar, a que eu respondo sempre com um gesto de mão, de dentro para fora, que é como quem diz," Yá meu, há bués " e acenando com a cabeça afirmativamente.
Duas caixas, para que não me piquem os miolos, nas farmácias onde não me conhecem.
Este medicamento é tão inofensivo, como devem ser bolinhas de miolo de pão a fazer de comprimidos mas que se não os tenho comigo, começo a fraquejar, como falta de tabaco em casa de fumadores.
Curiosamente, comprei-os de manhã e ainda não tomei e já estamos com várias horas em cima...é isso, a sugestão.A falta de conhecimento de nós próprios ou a incapacidade de nos controlarmos. Um dia chego lá e deixo de tomar Inderal e basta pensar que estou bem, calma, serena, relaxada, uma criatura saudável, para o ser.
O que tem que ser, tem muita força.
Será que tem?
Da taquicardia. Há anos que tomo Inderal. Há 2 dias que não o tenho. A farmácia, ao dobrar da esquina, está em obras. Fui para a Baixa e esqueci-me. Ontem foi o que foi.A galderice com as mulheres da família.
Não fiz taquicardia. Aliás, há muito que não tenho aqueles chiliques que me davam quando tinha trinta anos e já me achava a fazer a menopausa.
Mas à cautela, fui sempre tomando, porque o " meu " médico, o que já dispensei há 3 anos, dizia-me que era preciso fazer o desmame. Ele é que precisava de o fazer, tão mal se portou comigo, mas pronto, são contas por ajustar que um dia ...lá chegaremos.
Ora, entrei na farmácia do Colombo, bonitinha, arejada, arrumadinha, com técnicos muito simpáticos, no caso este que me atendeu, meu patrício, que pergunta invariavelmente, porque não é a 1ª vez que me atende, se já é hábito tomar, a que eu respondo sempre com um gesto de mão, de dentro para fora, que é como quem diz," Yá meu, há bués " e acenando com a cabeça afirmativamente.
Duas caixas, para que não me piquem os miolos, nas farmácias onde não me conhecem.
Este medicamento é tão inofensivo, como devem ser bolinhas de miolo de pão a fazer de comprimidos mas que se não os tenho comigo, começo a fraquejar, como falta de tabaco em casa de fumadores.
Curiosamente, comprei-os de manhã e ainda não tomei e já estamos com várias horas em cima...é isso, a sugestão.A falta de conhecimento de nós próprios ou a incapacidade de nos controlarmos. Um dia chego lá e deixo de tomar Inderal e basta pensar que estou bem, calma, serena, relaxada, uma criatura saudável, para o ser.
O que tem que ser, tem muita força.
Será que tem?
Presentes de Natal
Compras feitas, não as minhas, que às minhas ainda faltam algumas de gente muito, muito cá do coração e essas têm que ser compradas com calma. Amanhã. Acordo cedinho, e sozinzinha, vou por aí abaixo, nas calmas, de lista em punho, para que não me esqueça de ninguém e ataco o Colombo logo pela manhã. Finto as filas, que hoje não eram filas, eram mesmo bichas. Bichonas das grandes, que assustavam qualquer um, provocavam calores e taquicardia aos mais nervosos. A mim não que já não me deixo agarrar por essas manipulações do sistema nervosos, mas vi-os bem aflitos, transpirando e soprando, para não dizer " bufando ", espumando de raiva e de saturação.
De forma que vou pela fresquinha, como eu gosto. Sem ninguém a contrariar o percurso, o tempo e o meu gosto. Nada de cortes, como " que horror, não sei como gostas disso " a Paula a falar das minhas compras ( roupa, lenços, sapatos, cores das peças e até perfumes ), ou a mais nova, pressionando para que me despache, dizendo-me que está cansada, que não tem pachorra, que não quer experimentar o que lhe quero comprar, etc, etc. Bem sei quem me faz aqui falta. Ah pois, se ele estivesse, éramos os reis do bate chinelo do centro comercial. Para comprarmos presentes, vemos tudo. Entramos em todas as lojas, experimentamos de tudo e até nos perfumamos nas perfumarias.Com o perfume, ele não, eu.
Mas ele há-de chegar com as prendas compradas. As dele e as nossas.
E eu amanhã de manhã, vou às compras. Como eu gosto. Ou com alguém como eu, que não se enfade nem canse, nem contrarie o que escolho, e que até opine, ou sozinha.
Neste caso, vou sozinha.
Não que as outras duas não sejam boas companhias. Eu gosto que andemos as três. E tiremos fotografias na rua como as bimbas que vêm à capital e as tiram para mais tarde recordar,e nos divirtamos, e nas lojas, escolhamos o que uns e outros vão receber.
Mas estas duas criaturas de Deus não podem estar presentes quando lhes comprar as prendas. Elas e ele, são as pessoas que eu guardo sempre para o fim. Porque é uma responsabilidade grande. São esquisitos. Não é qualquer coisa que os faz felizes.
De forma que amanhã resolverei o assunto do Natal, o que me deixará muito mais tranquila.No fim das contas, o meu período natalício começou sexta-feira e estará praticamente findo com a chegada do dia 24.
Tenho para mim que as lojas deviam encerrar nesta quadra. Cada um que desse do que tem. Quem borda que oferecesse um bordado, quem toca um instrumento que tocasse, quem canta que cantasse, quem faz poesia que a oferecesse,quem sabe fazer doces que oferecesse um doce e muito, muito mais. Significaria muito mais amor, porque exigia um esforço de criação grande e cada pessoa teria a certeza de que oferta significava Amor.
De forma que vou pela fresquinha, como eu gosto. Sem ninguém a contrariar o percurso, o tempo e o meu gosto. Nada de cortes, como " que horror, não sei como gostas disso " a Paula a falar das minhas compras ( roupa, lenços, sapatos, cores das peças e até perfumes ), ou a mais nova, pressionando para que me despache, dizendo-me que está cansada, que não tem pachorra, que não quer experimentar o que lhe quero comprar, etc, etc. Bem sei quem me faz aqui falta. Ah pois, se ele estivesse, éramos os reis do bate chinelo do centro comercial. Para comprarmos presentes, vemos tudo. Entramos em todas as lojas, experimentamos de tudo e até nos perfumamos nas perfumarias.Com o perfume, ele não, eu.
Mas ele há-de chegar com as prendas compradas. As dele e as nossas.
E eu amanhã de manhã, vou às compras. Como eu gosto. Ou com alguém como eu, que não se enfade nem canse, nem contrarie o que escolho, e que até opine, ou sozinha.
Neste caso, vou sozinha.
Não que as outras duas não sejam boas companhias. Eu gosto que andemos as três. E tiremos fotografias na rua como as bimbas que vêm à capital e as tiram para mais tarde recordar,e nos divirtamos, e nas lojas, escolhamos o que uns e outros vão receber.
Mas estas duas criaturas de Deus não podem estar presentes quando lhes comprar as prendas. Elas e ele, são as pessoas que eu guardo sempre para o fim. Porque é uma responsabilidade grande. São esquisitos. Não é qualquer coisa que os faz felizes.
De forma que amanhã resolverei o assunto do Natal, o que me deixará muito mais tranquila.No fim das contas, o meu período natalício começou sexta-feira e estará praticamente findo com a chegada do dia 24.
Tenho para mim que as lojas deviam encerrar nesta quadra. Cada um que desse do que tem. Quem borda que oferecesse um bordado, quem toca um instrumento que tocasse, quem canta que cantasse, quem faz poesia que a oferecesse,quem sabe fazer doces que oferecesse um doce e muito, muito mais. Significaria muito mais amor, porque exigia um esforço de criação grande e cada pessoa teria a certeza de que oferta significava Amor.
Colombo
As três, andàmos às compras. No Colombo. Como nos velhos tempos. De outros Natais.
Como dizia e com graça a minha amiga Milú, que o Colombo era a segunda casa dela, em Lisboa. Minha também já foi, agora menos, muito menos. Vamos lá saber porquê...
Mas hoje, vésperas de Natal, quadra linda, que nos leva o dinheiro da carteira e nos deixa uns amargos de boca, que eu sei lá, o Colombro veio cumprimentar-nos à porta, deu-nos passagem para que entrássemos radiosas.
A Ritual's ganhou bués, como se diz em Angola, connosco, hoje. Depois a Springfield ( onde tive uma fricçãozita com o dito gerente daquela espelunca, mas como era Natal, relevei e nem escrevi no livro amarelo, que inicialmente pedi )e também a FNAC e a Worten.
Eu gosto, nós gostamos de ir à Ritual's. Aqueles cheiros são deliciosos e dá uma vontade enorme de comprar. De inventar amigos, conhecidos, para o pretexto da prenda.
As empregadas são simpáticas, todas trajadinhas de branco e negro, como a loja, como os embrulhos lindos que fazem. E se fossem só os embrulhos, mas uma vez dentro da loja, dá vontade de trazer de tudo. Encher os cestos e trazer, trazer...
Como dizia e com graça a minha amiga Milú, que o Colombo era a segunda casa dela, em Lisboa. Minha também já foi, agora menos, muito menos. Vamos lá saber porquê...
Mas hoje, vésperas de Natal, quadra linda, que nos leva o dinheiro da carteira e nos deixa uns amargos de boca, que eu sei lá, o Colombro veio cumprimentar-nos à porta, deu-nos passagem para que entrássemos radiosas.
A Ritual's ganhou bués, como se diz em Angola, connosco, hoje. Depois a Springfield ( onde tive uma fricçãozita com o dito gerente daquela espelunca, mas como era Natal, relevei e nem escrevi no livro amarelo, que inicialmente pedi )e também a FNAC e a Worten.
Eu gosto, nós gostamos de ir à Ritual's. Aqueles cheiros são deliciosos e dá uma vontade enorme de comprar. De inventar amigos, conhecidos, para o pretexto da prenda.
As empregadas são simpáticas, todas trajadinhas de branco e negro, como a loja, como os embrulhos lindos que fazem. E se fossem só os embrulhos, mas uma vez dentro da loja, dá vontade de trazer de tudo. Encher os cestos e trazer, trazer...
Sushi e Etc.
Hoje, as três da vida airada,passeamo-nos por Lisboa todo o dia.
Eu era uma delas, a filhota outra, e a irmã, outra ainda.
Pegámos o vício à Paula e é ver-nos comer sushi.
Uma vergonha, só vos digo. Uma quarta pessoa que estivesse connosco e levantava-se, dizendo que não nos conhecia.Se não adorasse sushi como nós. E soubesse manusear na perfeição os pauzinhos, que já eu...bem, é o costume. Não tenho habilidade com as mãos. Mas que, como tudo, lá isso como, e nem por isso faço muita javardice. Por vezes tenho medo que saia algo disparado no sentido da parceira da frente, talvez um pedaço de salmão, bem cruzinho, ou mesmo uma rodela de uma qualquer mistura de arroz e abacate com delícias, ou um crepe de legumes cheio de molho de soja.
Ufa, que procaria! Hoje por acaso o meu lenço, tipo echarpe, negro, com flores laranja, acolheu bagos de milho, bem húmidos de um molho delicioso, de salada, como se fosse um babete.
Enfim, uma pouca vergonha. Ou uma diversão. Um gozo. Gargalhadas.
O que vale é que ninguém me conhece porque já à filha, não é bem assim.
O restaurante ali do Saldanha, onde nós gostamos muito de ir, independentemente de nos portarmos como umas senhoras, tias, ou simples e ilustres anónimas, ou ainda, tristes e vulgares criaturas que do Japão e da sua cozinha e arte de manusear os talheres nada sabem, o restaurante devolveu-nos à rua, rapidamente. Porque elas, as japonesinhas, nervosas e trabalhadeiras, tudo fazem para nos verem a milhas, que não há mãos a medir e é preciso mesas livres.
Saio sempre culpada. Mas o certo é que volto sempre. O sushi, tenho para mim, que é um vício.Um vício como qualquer outro. Melhor.
Eu era uma delas, a filhota outra, e a irmã, outra ainda.
Pegámos o vício à Paula e é ver-nos comer sushi.
Uma vergonha, só vos digo. Uma quarta pessoa que estivesse connosco e levantava-se, dizendo que não nos conhecia.Se não adorasse sushi como nós. E soubesse manusear na perfeição os pauzinhos, que já eu...bem, é o costume. Não tenho habilidade com as mãos. Mas que, como tudo, lá isso como, e nem por isso faço muita javardice. Por vezes tenho medo que saia algo disparado no sentido da parceira da frente, talvez um pedaço de salmão, bem cruzinho, ou mesmo uma rodela de uma qualquer mistura de arroz e abacate com delícias, ou um crepe de legumes cheio de molho de soja.
Ufa, que procaria! Hoje por acaso o meu lenço, tipo echarpe, negro, com flores laranja, acolheu bagos de milho, bem húmidos de um molho delicioso, de salada, como se fosse um babete.
Enfim, uma pouca vergonha. Ou uma diversão. Um gozo. Gargalhadas.
O que vale é que ninguém me conhece porque já à filha, não é bem assim.
O restaurante ali do Saldanha, onde nós gostamos muito de ir, independentemente de nos portarmos como umas senhoras, tias, ou simples e ilustres anónimas, ou ainda, tristes e vulgares criaturas que do Japão e da sua cozinha e arte de manusear os talheres nada sabem, o restaurante devolveu-nos à rua, rapidamente. Porque elas, as japonesinhas, nervosas e trabalhadeiras, tudo fazem para nos verem a milhas, que não há mãos a medir e é preciso mesas livres.
Saio sempre culpada. Mas o certo é que volto sempre. O sushi, tenho para mim, que é um vício.Um vício como qualquer outro. Melhor.
sábado, 19 de dezembro de 2009
Uma História
Quando estava em Luanda, ouvi uma história que me encantou.
Contaram-ma e eu prometi que a escreveria no blog.
Uma miúda de 16, ou 17 anos teve o seu primeiro namorado ali, na Luanda de outrora. Foi aquele primeiro amor sem consequência. O que hoje se chama, Amigo Colorido. Durou meses, talvez não chegasse a um ano. Acabou porque tinha que acabar. Eram uns miúdos. Ela era branca e ele mestiço.Ela encantou-se por outro, um homem já, com emprego e tudo. Que cantava canções e tocava guitarra. Entre elas,as canções, a do bandido. E a miúda foi na cantiga e acabou aquele romance de príncipe e princesa que foi o seu primeiro namoro, com sabor a proibido, pela cor de ambos.
Também não foi bem sucedida nesse segundo namoro, mas a história nada tem a ver com isto.
Deixou Angola muito depois do primeiro namoro ter acabado. Nunca mais viu esse seu príncipe mestiço. Nem soube dele. Nem perguntou a ninguém. Passara ao passado.
Depois da guerra terminar, voltou a Angola e esteve com pessoas que conheceram o tal príncipe que ficara a chorar quando ela o deixou.
E manifestou vontade de o voltar a ver. Quis saber dele. Ficara sempre aquela coisa amarga de não se ter portado bem. Tinha essa conta para ajustar.
Uma dessas pessoas, tinha o número do telefone dele e pô-la a falar ao telefone ao fim de muitos, muitos anos.
Ele podia não se lembrar dela, podia não querer falar com ela, mas ainda assim ela falou.
Cumprimentou-o e disse-lhe que queria saber dele, falar-lhe. Que ele a conhecia e que estava a viver fora de Angola.
Ele gaguejou um pouco, pediu-lhe que falasse um pouco mais porque queria perceber quem era. E segundos depois disse-lhe que só podia ser...ela.
Ela...fraquejou. Emocionou-se quando ele disse o seu nome.
Perguntou-lhe como sabia que era ela.
Ele respondeu-lhe que ela fora o amor da vida dele. O único amor que sentira, o mais forte.
Ela assustou-se. Pela atitude que tivera. Não queria ouvir aquilo. Só queria saber dele. Como estava, o que fazia, enfim...só queria deixar de ter remorsos, por o ter deixado a chorar numa noite em que lhe dissera que ele já não era o seu príncipe encantado.
E ele falou dele, da sua vida depois dela, do que fizera todos estes anos, que fora a Portugal e fora à sua procura. Que tinha um hoby que gostava muito.Compunha música, escrevia letras e tocava piano entre outros instrumentos. Afinal, como o namorado, ex, depois, por quem ela o tinha deixado.
Quis saber dela e ela contou o que achou oportuno, contar, apenas. Ele também não quis saber mais.
Ficaram assim. Ele quis vê-la. Ela aceitou, mas sabia que não. Que não seria prudente. Para que não houvessem equívocos. Ficaria para uma próxima. Quando ele não lhe falasse de amores passados nem pusesse no futuro, possibilidades.
Ouvi esta história e prometi contá-la porque a achei deliciosa.
Na minha terra acontecem histórias de encantar, com pessoas encantadoras, que têm memória dos afectos e não têm medo deles. Na minha terra há gente corajosa que enfrenta os fantasmas para se livrar deles.
As histórias nem sempre têm um final feliz. Eu, creio, que esta teve.
Contaram-ma e eu prometi que a escreveria no blog.
Uma miúda de 16, ou 17 anos teve o seu primeiro namorado ali, na Luanda de outrora. Foi aquele primeiro amor sem consequência. O que hoje se chama, Amigo Colorido. Durou meses, talvez não chegasse a um ano. Acabou porque tinha que acabar. Eram uns miúdos. Ela era branca e ele mestiço.Ela encantou-se por outro, um homem já, com emprego e tudo. Que cantava canções e tocava guitarra. Entre elas,as canções, a do bandido. E a miúda foi na cantiga e acabou aquele romance de príncipe e princesa que foi o seu primeiro namoro, com sabor a proibido, pela cor de ambos.
Também não foi bem sucedida nesse segundo namoro, mas a história nada tem a ver com isto.
Deixou Angola muito depois do primeiro namoro ter acabado. Nunca mais viu esse seu príncipe mestiço. Nem soube dele. Nem perguntou a ninguém. Passara ao passado.
Depois da guerra terminar, voltou a Angola e esteve com pessoas que conheceram o tal príncipe que ficara a chorar quando ela o deixou.
E manifestou vontade de o voltar a ver. Quis saber dele. Ficara sempre aquela coisa amarga de não se ter portado bem. Tinha essa conta para ajustar.
Uma dessas pessoas, tinha o número do telefone dele e pô-la a falar ao telefone ao fim de muitos, muitos anos.
Ele podia não se lembrar dela, podia não querer falar com ela, mas ainda assim ela falou.
Cumprimentou-o e disse-lhe que queria saber dele, falar-lhe. Que ele a conhecia e que estava a viver fora de Angola.
Ele gaguejou um pouco, pediu-lhe que falasse um pouco mais porque queria perceber quem era. E segundos depois disse-lhe que só podia ser...ela.
Ela...fraquejou. Emocionou-se quando ele disse o seu nome.
Perguntou-lhe como sabia que era ela.
Ele respondeu-lhe que ela fora o amor da vida dele. O único amor que sentira, o mais forte.
Ela assustou-se. Pela atitude que tivera. Não queria ouvir aquilo. Só queria saber dele. Como estava, o que fazia, enfim...só queria deixar de ter remorsos, por o ter deixado a chorar numa noite em que lhe dissera que ele já não era o seu príncipe encantado.
E ele falou dele, da sua vida depois dela, do que fizera todos estes anos, que fora a Portugal e fora à sua procura. Que tinha um hoby que gostava muito.Compunha música, escrevia letras e tocava piano entre outros instrumentos. Afinal, como o namorado, ex, depois, por quem ela o tinha deixado.
Quis saber dela e ela contou o que achou oportuno, contar, apenas. Ele também não quis saber mais.
Ficaram assim. Ele quis vê-la. Ela aceitou, mas sabia que não. Que não seria prudente. Para que não houvessem equívocos. Ficaria para uma próxima. Quando ele não lhe falasse de amores passados nem pusesse no futuro, possibilidades.
Ouvi esta história e prometi contá-la porque a achei deliciosa.
Na minha terra acontecem histórias de encantar, com pessoas encantadoras, que têm memória dos afectos e não têm medo deles. Na minha terra há gente corajosa que enfrenta os fantasmas para se livrar deles.
As histórias nem sempre têm um final feliz. Eu, creio, que esta teve.
sexta-feira, 18 de dezembro de 2009
No Metro
Hoje quando vinha para casa, em pé, num metro a rebentar pelas costuras, ouvi uma conversa entre duas miúdas, aí com 20 anos.
Olha, lá ao fundo está um gajo bué da bom.
A outra perguntou: Aonde?
Disfarça, que ele percebe.
Porquê? perguntou a outra.
Ele veio comigo no comboio, sempre a olhar para mim, quando eu olhava ele baixava os olhos.
Mas qual é?
É um bué da alto, de cabelos compridos, de trancinhas e mochila azul.
A outra olhou. E eu também.
De facto ele olhava para elas, era muito giro e bastante alto. Aí da idade do meu filho.
Elas sorriram uma para a outra e saíram no Campo Grande.
Ele ficou no metro e sentou-se onde arranjou lugar.
Lembrei-me da minha filha. Ela é que ia gostar de ouvir esta conversa.
Não foi preciso recorrer à cor para que a amiga daquela rapariga percebesse quem era o tal que passou o tempo da viagem do comboio olhando para ela. E ele era mestiço.
Mais simples não podia ser. Bastava indicar a cor. E esta miúda não o fez. Deu antes indicações normais e precisas. Altura, pormenor de acessório e penteado.
A minha filha não está sozinha a lutar para que as pessoas deixem de ser racistas.
Gostei da miúda. Era bonita, usava jeans e ténis. Cabelos castanhos compridos e era...branca.
Olha, lá ao fundo está um gajo bué da bom.
A outra perguntou: Aonde?
Disfarça, que ele percebe.
Porquê? perguntou a outra.
Ele veio comigo no comboio, sempre a olhar para mim, quando eu olhava ele baixava os olhos.
Mas qual é?
É um bué da alto, de cabelos compridos, de trancinhas e mochila azul.
A outra olhou. E eu também.
De facto ele olhava para elas, era muito giro e bastante alto. Aí da idade do meu filho.
Elas sorriram uma para a outra e saíram no Campo Grande.
Ele ficou no metro e sentou-se onde arranjou lugar.
Lembrei-me da minha filha. Ela é que ia gostar de ouvir esta conversa.
Não foi preciso recorrer à cor para que a amiga daquela rapariga percebesse quem era o tal que passou o tempo da viagem do comboio olhando para ela. E ele era mestiço.
Mais simples não podia ser. Bastava indicar a cor. E esta miúda não o fez. Deu antes indicações normais e precisas. Altura, pormenor de acessório e penteado.
A minha filha não está sozinha a lutar para que as pessoas deixem de ser racistas.
Gostei da miúda. Era bonita, usava jeans e ténis. Cabelos castanhos compridos e era...branca.
Assistente de Bordo
Quando andava no Liceu, era costume perguntar-se o que queríamos ser quando fôssemos grandes.
Muitas de nós nem sabíamos. Mas havia algumas que queriam ser hospedeiras.
Achei sempre arriscado andar pelos ares fora. Eu nunca disse que gostaria de o ser.
Se calhar fiz mal, porque o Universo está aí a apanhar tudo o que se diz e podia ter acontecido eu ser mesmo hospedeira.Hoje teria uma bela vida.
Havia um certo fascínio por esta profissão. Imaginávamos mulheres elegantíssimas, sofisticadas, belíssimas, viajando por todo o mundo...quem, que mulher não gostaria de se sentir assim, maravilhosa e com uma vida igualmente maravilhosa?!
Tive colegas de liceu que aspiravam ser um dia as mais belas hospedeiras dos ares e conseguiram-no.
A TAAG tem várias profissionais que foram minhas colegas de liceu e são amigas ainda hoje.
A Susete é uma delas. E nesta viagem de regresso vi-a desempenhar as funções.
Quando ando de avião, observo sempre estas profissionais. Acho-as muito seguras, muito à vontade, como se pisassem chão firme e invejo-as. Porque tenho algum medo de andar de avião.Cada vez menos, mas...
Quando uma colega dela anunciou a descida, a Susete estava ao pé de mim, sorrindo docemente. Viera entregar-me o saco dos doces de coco que passara, mas que eram meus.
E como tinha que ir para o seu posto despedira-se dizendo-me " TEM UMA BOA ATERRAGEM ".
E foi aí que eu pensei bem nesta coisa de se ser assistente de bordo, do medo, do risco, da vida das minhas amigas.
Um dia, o médico do meu filho, que o ia operar disse-me: É uma operação vulgar, simples mas tem risco como todas as operações. E isso bastou para que eu me sentisse inquieta, assustada.
Perante este voto formulado pela assistente de bordo do meu voo, minha amiga, Susete, eu pensei que de facto por vezes se tem uma má aterragem. Por vezes nem sequer se aterra. E senti o medo percorrer-me a espinha. Um frio, uma coisa gelar-me por dentro.
Lembrei-me do acidente do avião que ia do Brasil para França, dos e-mails que foram enviados após o acidente e que diziam que havia profecias no sentido de cair um avião em África no mês de Dezembro, este mês, portanto.
Foi uma coisa de segundos, apenas. Eu também retribuira à Susete os mesmos votos. Ela sorrira para mim. Foi a esse sorriso que me agarrei.
Ela tem muitas horas de voo. Não seria aquele voo que acabaria de forma diferente.
Entregar na mão de Deus é fantástico. Demite-nos da responsabilidade e confiamos mais.
E eu mais uma vez confiei e não me defraudei.
Tive uma boa aterragem no aeroporto de Lisboa tal como a Susete.E os portugueses a caminho de casa e do Natal, também.
Mas que é um risco, esta profissão, é, e elas sabem disso muito bem.
Muitas de nós nem sabíamos. Mas havia algumas que queriam ser hospedeiras.
Achei sempre arriscado andar pelos ares fora. Eu nunca disse que gostaria de o ser.
Se calhar fiz mal, porque o Universo está aí a apanhar tudo o que se diz e podia ter acontecido eu ser mesmo hospedeira.Hoje teria uma bela vida.
Havia um certo fascínio por esta profissão. Imaginávamos mulheres elegantíssimas, sofisticadas, belíssimas, viajando por todo o mundo...quem, que mulher não gostaria de se sentir assim, maravilhosa e com uma vida igualmente maravilhosa?!
Tive colegas de liceu que aspiravam ser um dia as mais belas hospedeiras dos ares e conseguiram-no.
A TAAG tem várias profissionais que foram minhas colegas de liceu e são amigas ainda hoje.
A Susete é uma delas. E nesta viagem de regresso vi-a desempenhar as funções.
Quando ando de avião, observo sempre estas profissionais. Acho-as muito seguras, muito à vontade, como se pisassem chão firme e invejo-as. Porque tenho algum medo de andar de avião.Cada vez menos, mas...
Quando uma colega dela anunciou a descida, a Susete estava ao pé de mim, sorrindo docemente. Viera entregar-me o saco dos doces de coco que passara, mas que eram meus.
E como tinha que ir para o seu posto despedira-se dizendo-me " TEM UMA BOA ATERRAGEM ".
E foi aí que eu pensei bem nesta coisa de se ser assistente de bordo, do medo, do risco, da vida das minhas amigas.
Um dia, o médico do meu filho, que o ia operar disse-me: É uma operação vulgar, simples mas tem risco como todas as operações. E isso bastou para que eu me sentisse inquieta, assustada.
Perante este voto formulado pela assistente de bordo do meu voo, minha amiga, Susete, eu pensei que de facto por vezes se tem uma má aterragem. Por vezes nem sequer se aterra. E senti o medo percorrer-me a espinha. Um frio, uma coisa gelar-me por dentro.
Lembrei-me do acidente do avião que ia do Brasil para França, dos e-mails que foram enviados após o acidente e que diziam que havia profecias no sentido de cair um avião em África no mês de Dezembro, este mês, portanto.
Foi uma coisa de segundos, apenas. Eu também retribuira à Susete os mesmos votos. Ela sorrira para mim. Foi a esse sorriso que me agarrei.
Ela tem muitas horas de voo. Não seria aquele voo que acabaria de forma diferente.
Entregar na mão de Deus é fantástico. Demite-nos da responsabilidade e confiamos mais.
E eu mais uma vez confiei e não me defraudei.
Tive uma boa aterragem no aeroporto de Lisboa tal como a Susete.E os portugueses a caminho de casa e do Natal, também.
Mas que é um risco, esta profissão, é, e elas sabem disso muito bem.
O Voo de Regresso
Assim que deixei a Milú e entrei na sala de embarque, senti-me na Selva.
Não por estar sozinha. Essa, é uma condição que nesta altura da vida, aprendi, devagarinho, a gostar, e hoje me dá um grande prazer.
Mas, porque me deparei com uma realidade que me desagradou e poderia ser hostil, se não estivesse preparada.
A sala a abarrotar. Dois voos para acontecerem. Um para Lisboa, o meu, e outro para a Alemanha. A fila para este último já estava formada. Gente variada. Com mulheres, homens e crianças, brancos e negros.
As cadeiras da sala, estavam praticamente, ocupadas, com indivíduos brancos com mais de 40 anos. Alguns, poucos, jovens também. Mulheres...nenhumas. Para o meu voo, claro.
Percebi, de repente que ia viajar para Lisboa, num avião a abarrotar de homens que trabalham na construção civil, em Angola, e que vinham passar o Natal a Portugal com as famílias legítimas.
Abstenho-me de contar como fui olhada e seguida nos gestos, logo ali, no início da viagem.
E isso, pesou de imediato, para desejar viajar, não com portugueses, mas com angolanos. Estes, são bem mais civilizados.
No autocarro que me levou ao avião, a mim e aos outros, tentei apelar à minha capacidade de paciência e indiferença e consegui. Também havia gente normal, como eu.
O meu lugar fora escolhido na Agência e eu sabia qual era pois para Luanda fora o mesmo. Do lado direito, na ponta, do corredor.Para poder esticar as pernas e levantar-me sem incomodar. Junto da casa de banho.
Nunca mais viajo que não seja junto à porta de emergência.
Nesse lugar que eu a partir de agora vou querer, viajava um indivíduo daqueles que descrevi e com um corpanzil de gigante.
Que assim que pôde, deitou a cadeira para trás, no limite do permitido. Fiquei logo com o senhor " no colo ". Sabia que poderia fazer o mesmo para descansar mas não me apetecia. Quando a refeição chegou, pedi à menina que dissesse ao passageiro da frente que endireitasse a cadeira. O senhor surpreendeu-se que eu quisesse comer, pois ele negara a refeição. Estava confortável... no meu colo, concluí.Olhou-me com um olho para cada lado pois era estrábico e com ar de poucos amigos. E eu mentalmente pensei " aiaiaiai, querem ver que vou ter aqui um problema e não estou com pachorra para me calar? ".
A Susete, depois da refeição e quando as luzes se apagaram para que descansássemos, veio de novo junto de mim. Percebeu no espaço que eu vinha, disse-me que baixasse a cadeira para dormir e pela primeira vez e única, tentei fazê-lo. Não consegui. Como sou muito naba nestas habilidades de abrir coisas; portas, cintos, etc, etc, pensei que era eu a falhar. Ela tentou e demos conta que a minha cadeira estava avariada.
Jesus Maria. Viajar com alguém que eu não queria, a menos de 50 cms, de mim e não me poder recostar era pedir demasiado à minha boa vontade, mas que tive que apelar aos anjinhos para esse esforço, tive. A Susete chamou um colega, um miúdo, com aspecto de indiano, que foi sempre, ao longo do voo, muito delicado, simpático, comigo. MAs este não me resolveu o problema. O avião ia cheio e não havia alternativa. Todos os lugares estavam ocupados. Pediram-me desculpas. Ele, o miúdo, disse-me que reclamasse. Perguntei pelo livro de reclamações. Que não havia.
Boa, Srª TAAG. Deixa-nos no mato sem cachorro e venham daí 1.200 Euros para viajar para Luanda.
Mas ele aconselhou-me que fizesse a reclamação numa folha de papel e que a entregasse depois. Explicou-me a Susete, que essa ocorrência, iria ser denunciada no relatório de bordo, por ela. E tinham outro passageiro nas mesmas circunstâncias que eu.
Pediram-me muitas desculpas. Falaram de forma a que o meu vizinho da frente ouvisse. Nem assim o senhor foi mais simpático e subiu a cadeira um pouco de forma a que eu Respirasse. Tive um certo alívio porque estive a conversar com a minha amiga, nesse espaço que fica à frente da porta da emergência, andei no corredor, enquanto aquela enchente dormia, ressonando e de boca aberta, num despudor feio e deprimente e a casa de banho serviu para me distrair e esquecer que não sendo claustrofóbica, podia ter um ataque de pânico por me sentir tão íntima de um brutamontes, que ressonava como um porco e mostrava uma bocarra feia e enorme.
Vendo o trajecto do avião e vendo-o aproximar-se de Portugal, pelo Algarve, a coisa melhorou. Estávamos já a descer. O meu MP3, funcionou a noite toda, um luxo para mim, que não me detive em filmes do vizinho do lado, que entrou mudo e saiu calado e só se levantou uma vez, aproveitando uma saída minha, à casa de banho.O plasma nas costas da cadeira do dito passageiro " abusado "impedia-me de ver fosse o que fosse, porque tudo o que visse seria em plano inclinadíssimo, o que me faria enjoar concerteza.
Já o vizinho do lado esquerdo, das cadeiras do meio, se eu lhe desse troco, viria em alegre cavaqueira todas as sete horas. Sorri, sempre, que se me dirigiu mas não disse frases com mais do que 3 palavras e percebeu que ele não era a minha praia e encaixou. As minhas idas à casa de banho, fizeram alguns risinhos, olhares daqueles que não gosto nada e comentários. Sobretudo quando me viam com a Susete.
Uma viagem diferente das outras que tive.Pior, bem pior.
Durante o voo, ensinei a casa de banho a homens e mulheres, que tentavam abrir os aposentos dos assistentes de bordo, julgando ser ali a casa de banho. Ninguém, mesmo ninguém deu essa informação e a todas as horas as pessoas chegavam e ficavam especadas ou tentando abrir uma porta que não é suposto abrir.Dei o meu lugar a uma mãe com uma criancinha que devia estar pronta para fazer nas cuecas e como tinha um indivíduo a seguir a mim, fiquei para o fim, porque ele prontamente ocupou o meu lugar na fila. A decisão de deixar a criancinha e a mãe entrarem, fora minha e ele nem pestanejou. Coisas tão simples e insignificantes que eu pergunto-me como serão estas pessoas na vida...
Num avião, por sete horas apenas e o mundo em que vivemos,retrata-se ali,num exemplo feroz do que hoje somos. Egoístas e mal educados. A forma como trataram os assistentes de bordo, como se fossem mais do que criados, a forma como se comportaram com os outros, faz-me ter medo das pessoas que hoje regressam a Angola para trabalhar, ou que vão pela primeira vez.
Quando, no meu emprego, percebo, que os seus registos criminais têm quase sempre cadastro...
Angola precisa de gente boa. Inteligente, determinada, trabalhadora e amiga.
Fiz uma boa viagem, porque cheguei e bem. Não me deu o treco e ainda que me dissessem que voltaria a viajar numa cadeira avariada, para Luanda, sempre que possível.
Para Luanda, nem que fosse a pé...mas por amor de Deus, com estas pessoas NÃO!
Não por estar sozinha. Essa, é uma condição que nesta altura da vida, aprendi, devagarinho, a gostar, e hoje me dá um grande prazer.
Mas, porque me deparei com uma realidade que me desagradou e poderia ser hostil, se não estivesse preparada.
A sala a abarrotar. Dois voos para acontecerem. Um para Lisboa, o meu, e outro para a Alemanha. A fila para este último já estava formada. Gente variada. Com mulheres, homens e crianças, brancos e negros.
As cadeiras da sala, estavam praticamente, ocupadas, com indivíduos brancos com mais de 40 anos. Alguns, poucos, jovens também. Mulheres...nenhumas. Para o meu voo, claro.
Percebi, de repente que ia viajar para Lisboa, num avião a abarrotar de homens que trabalham na construção civil, em Angola, e que vinham passar o Natal a Portugal com as famílias legítimas.
Abstenho-me de contar como fui olhada e seguida nos gestos, logo ali, no início da viagem.
E isso, pesou de imediato, para desejar viajar, não com portugueses, mas com angolanos. Estes, são bem mais civilizados.
No autocarro que me levou ao avião, a mim e aos outros, tentei apelar à minha capacidade de paciência e indiferença e consegui. Também havia gente normal, como eu.
O meu lugar fora escolhido na Agência e eu sabia qual era pois para Luanda fora o mesmo. Do lado direito, na ponta, do corredor.Para poder esticar as pernas e levantar-me sem incomodar. Junto da casa de banho.
Nunca mais viajo que não seja junto à porta de emergência.
Nesse lugar que eu a partir de agora vou querer, viajava um indivíduo daqueles que descrevi e com um corpanzil de gigante.
Que assim que pôde, deitou a cadeira para trás, no limite do permitido. Fiquei logo com o senhor " no colo ". Sabia que poderia fazer o mesmo para descansar mas não me apetecia. Quando a refeição chegou, pedi à menina que dissesse ao passageiro da frente que endireitasse a cadeira. O senhor surpreendeu-se que eu quisesse comer, pois ele negara a refeição. Estava confortável... no meu colo, concluí.Olhou-me com um olho para cada lado pois era estrábico e com ar de poucos amigos. E eu mentalmente pensei " aiaiaiai, querem ver que vou ter aqui um problema e não estou com pachorra para me calar? ".
A Susete, depois da refeição e quando as luzes se apagaram para que descansássemos, veio de novo junto de mim. Percebeu no espaço que eu vinha, disse-me que baixasse a cadeira para dormir e pela primeira vez e única, tentei fazê-lo. Não consegui. Como sou muito naba nestas habilidades de abrir coisas; portas, cintos, etc, etc, pensei que era eu a falhar. Ela tentou e demos conta que a minha cadeira estava avariada.
Jesus Maria. Viajar com alguém que eu não queria, a menos de 50 cms, de mim e não me poder recostar era pedir demasiado à minha boa vontade, mas que tive que apelar aos anjinhos para esse esforço, tive. A Susete chamou um colega, um miúdo, com aspecto de indiano, que foi sempre, ao longo do voo, muito delicado, simpático, comigo. MAs este não me resolveu o problema. O avião ia cheio e não havia alternativa. Todos os lugares estavam ocupados. Pediram-me desculpas. Ele, o miúdo, disse-me que reclamasse. Perguntei pelo livro de reclamações. Que não havia.
Boa, Srª TAAG. Deixa-nos no mato sem cachorro e venham daí 1.200 Euros para viajar para Luanda.
Mas ele aconselhou-me que fizesse a reclamação numa folha de papel e que a entregasse depois. Explicou-me a Susete, que essa ocorrência, iria ser denunciada no relatório de bordo, por ela. E tinham outro passageiro nas mesmas circunstâncias que eu.
Pediram-me muitas desculpas. Falaram de forma a que o meu vizinho da frente ouvisse. Nem assim o senhor foi mais simpático e subiu a cadeira um pouco de forma a que eu Respirasse. Tive um certo alívio porque estive a conversar com a minha amiga, nesse espaço que fica à frente da porta da emergência, andei no corredor, enquanto aquela enchente dormia, ressonando e de boca aberta, num despudor feio e deprimente e a casa de banho serviu para me distrair e esquecer que não sendo claustrofóbica, podia ter um ataque de pânico por me sentir tão íntima de um brutamontes, que ressonava como um porco e mostrava uma bocarra feia e enorme.
Vendo o trajecto do avião e vendo-o aproximar-se de Portugal, pelo Algarve, a coisa melhorou. Estávamos já a descer. O meu MP3, funcionou a noite toda, um luxo para mim, que não me detive em filmes do vizinho do lado, que entrou mudo e saiu calado e só se levantou uma vez, aproveitando uma saída minha, à casa de banho.O plasma nas costas da cadeira do dito passageiro " abusado "impedia-me de ver fosse o que fosse, porque tudo o que visse seria em plano inclinadíssimo, o que me faria enjoar concerteza.
Já o vizinho do lado esquerdo, das cadeiras do meio, se eu lhe desse troco, viria em alegre cavaqueira todas as sete horas. Sorri, sempre, que se me dirigiu mas não disse frases com mais do que 3 palavras e percebeu que ele não era a minha praia e encaixou. As minhas idas à casa de banho, fizeram alguns risinhos, olhares daqueles que não gosto nada e comentários. Sobretudo quando me viam com a Susete.
Uma viagem diferente das outras que tive.Pior, bem pior.
Durante o voo, ensinei a casa de banho a homens e mulheres, que tentavam abrir os aposentos dos assistentes de bordo, julgando ser ali a casa de banho. Ninguém, mesmo ninguém deu essa informação e a todas as horas as pessoas chegavam e ficavam especadas ou tentando abrir uma porta que não é suposto abrir.Dei o meu lugar a uma mãe com uma criancinha que devia estar pronta para fazer nas cuecas e como tinha um indivíduo a seguir a mim, fiquei para o fim, porque ele prontamente ocupou o meu lugar na fila. A decisão de deixar a criancinha e a mãe entrarem, fora minha e ele nem pestanejou. Coisas tão simples e insignificantes que eu pergunto-me como serão estas pessoas na vida...
Num avião, por sete horas apenas e o mundo em que vivemos,retrata-se ali,num exemplo feroz do que hoje somos. Egoístas e mal educados. A forma como trataram os assistentes de bordo, como se fossem mais do que criados, a forma como se comportaram com os outros, faz-me ter medo das pessoas que hoje regressam a Angola para trabalhar, ou que vão pela primeira vez.
Quando, no meu emprego, percebo, que os seus registos criminais têm quase sempre cadastro...
Angola precisa de gente boa. Inteligente, determinada, trabalhadora e amiga.
Fiz uma boa viagem, porque cheguei e bem. Não me deu o treco e ainda que me dissessem que voltaria a viajar numa cadeira avariada, para Luanda, sempre que possível.
Para Luanda, nem que fosse a pé...mas por amor de Deus, com estas pessoas NÃO!
quinta-feira, 17 de dezembro de 2009
O MP3
Não consigo ouvir música de Angola.
Hoje, tentei.
Carreguei na " Muxima Uamiê " e como não quero ser masoquista, passei à frente.
Felismente que o meu companheiro de quase todas as horas, piroso, foleiro mesmo, nas sua cor verde alface ( dizem que já não é para a minha idade) tem música para todos os momentos e de várias nações.
Só música que eu gosto.
Cada uma melhor que outra e marcando um cheiro, uma cor, um dia, um momento...
A música de Angola marca muito, marca tudo, nestes tempos de saudade e perda, por isso vou aquietar-me primeiro e depois farei o tal exercício de sempre. Para me tornar menos vulnerável, mais imune.
Hoje, tentei.
Carreguei na " Muxima Uamiê " e como não quero ser masoquista, passei à frente.
Felismente que o meu companheiro de quase todas as horas, piroso, foleiro mesmo, nas sua cor verde alface ( dizem que já não é para a minha idade) tem música para todos os momentos e de várias nações.
Só música que eu gosto.
Cada uma melhor que outra e marcando um cheiro, uma cor, um dia, um momento...
A música de Angola marca muito, marca tudo, nestes tempos de saudade e perda, por isso vou aquietar-me primeiro e depois farei o tal exercício de sempre. Para me tornar menos vulnerável, mais imune.
Troca
Hoje, instalada à secretária, trabalhando, fui questionada pela minha colega, sobre a espécie de um processo.
Queria que eu confirmasse se era do MºPº.
Olhei para ela e não pensei.
Respondi: Sim é do M.P.L.A.
Foi uma risata, eu ela e outra colega que estava junto de nós aguardando um fax.
Ainda está tudo baralhado na minha cabeça.
O Congresso do MPLA com toda a propaganda, foi culpado. Ou não. Ando cansada, não durmo e o resultado é este. Se o MPLA sonhasse que o confundo com um orgão judicial, uma figura independente, soberana...e vice versa.O MºPº a ser confundido, é que é o fim da picada.
Pronto, a culpada sou eu, mea culpa, mea culpa...
Queria que eu confirmasse se era do MºPº.
Olhei para ela e não pensei.
Respondi: Sim é do M.P.L.A.
Foi uma risata, eu ela e outra colega que estava junto de nós aguardando um fax.
Ainda está tudo baralhado na minha cabeça.
O Congresso do MPLA com toda a propaganda, foi culpado. Ou não. Ando cansada, não durmo e o resultado é este. Se o MPLA sonhasse que o confundo com um orgão judicial, uma figura independente, soberana...e vice versa.O MºPº a ser confundido, é que é o fim da picada.
Pronto, a culpada sou eu, mea culpa, mea culpa...
Tremor de Terra
Estava na minha cama. Sentada, a escrever no computador.
Ouvi um ruído.Como se fosse vento.
Depois a minha cama estremeceu. Segundos depois,senti, debaixo de mim, algo a mexer-se.Sem sair do lugar, a cama teve movimento.
Pensei que podia ser alguém de baixo da cama. Eu e os meus delírios...
Estive fora. A casa esteve sozinha.
Mas a minha cama é baixa. Provavelmente, nem uma criança lá cabe.
Mas que pensei, pensei.
Depois com racionalidade pensei num tremor de terra.
Afinal, foi mesmo um tremor de terra.
Ouvi um ruído.Como se fosse vento.
Depois a minha cama estremeceu. Segundos depois,senti, debaixo de mim, algo a mexer-se.Sem sair do lugar, a cama teve movimento.
Pensei que podia ser alguém de baixo da cama. Eu e os meus delírios...
Estive fora. A casa esteve sozinha.
Mas a minha cama é baixa. Provavelmente, nem uma criança lá cabe.
Mas que pensei, pensei.
Depois com racionalidade pensei num tremor de terra.
Afinal, foi mesmo um tremor de terra.
A minha amiga Susete
A minha amiga Susete estava escalada para o meu voo. Dias antes faláramos nisso.
Na rua, levou-me os acepipes, para o avião, descobri depois porquê.
A Milú pusera no meu troley mangas pesadíssimas e maracujás e era necessário que os doces saíssem e passassem despercebidamente pelas mãos da Susete.Percebi também que na minha mala do porão foram postos maboques ( que o meu irmão adora )e tudo isso me inquietava embora esta última me dissesse que ficasse " fria ".
A Susete é uma mulher madura ( da minha idade ), que ainda está em prazo. Alta, morena, elegante e linda, na sua farda de, hospedeira, como a gente antigamente dizia.
Assim que entrei no avião e me acomodei, ela veio ter comigo. Sempre a sorrir, sempre doce e amiga.
Durante o voo estivemos juntas várias vezes.O voo teve alguns incidentes de percurso, que ela tentou resolver, sem contudo o conseguir. Pediu-me desculpas por isso, em nome da TAAG. Não precisava, ela não tinha culpa e a nossa amizade não se faz de pedidos de desculpas. Essas têm que se evitar, porque é baseada num intimidade e num respeito de muitos e muito anos.Mas a Susete é mesmo assim. Delicada, educada e óptima profissional.Já mo tinham dito, desta última, e tal como excelente estudante que foi, só pode mesmo ser uma excelente profissional.
O meu regresso naquele avião, fez-se normalmente, com algumas condicionantes logísticas, mas que não beliscaram o meu espírito. Serviram sim para perceber limitações destes funcionários, duma empresa que se queria melhor.
A Susete ajudou-me neste regresso ao quotidiano. À vidinha que sei que tenho em Portugal. Ela, a par com a Milú, são os meus Anjos da Guarda em Luanda e eu só tenho que lhe agradecer muito. Obrigada, minha querida amiga.
Na rua, levou-me os acepipes, para o avião, descobri depois porquê.
A Milú pusera no meu troley mangas pesadíssimas e maracujás e era necessário que os doces saíssem e passassem despercebidamente pelas mãos da Susete.Percebi também que na minha mala do porão foram postos maboques ( que o meu irmão adora )e tudo isso me inquietava embora esta última me dissesse que ficasse " fria ".
A Susete é uma mulher madura ( da minha idade ), que ainda está em prazo. Alta, morena, elegante e linda, na sua farda de, hospedeira, como a gente antigamente dizia.
Assim que entrei no avião e me acomodei, ela veio ter comigo. Sempre a sorrir, sempre doce e amiga.
Durante o voo estivemos juntas várias vezes.O voo teve alguns incidentes de percurso, que ela tentou resolver, sem contudo o conseguir. Pediu-me desculpas por isso, em nome da TAAG. Não precisava, ela não tinha culpa e a nossa amizade não se faz de pedidos de desculpas. Essas têm que se evitar, porque é baseada num intimidade e num respeito de muitos e muito anos.Mas a Susete é mesmo assim. Delicada, educada e óptima profissional.Já mo tinham dito, desta última, e tal como excelente estudante que foi, só pode mesmo ser uma excelente profissional.
O meu regresso naquele avião, fez-se normalmente, com algumas condicionantes logísticas, mas que não beliscaram o meu espírito. Serviram sim para perceber limitações destes funcionários, duma empresa que se queria melhor.
A Susete ajudou-me neste regresso ao quotidiano. À vidinha que sei que tenho em Portugal. Ela, a par com a Milú, são os meus Anjos da Guarda em Luanda e eu só tenho que lhe agradecer muito. Obrigada, minha querida amiga.
A minha amiga Milú
A minha amiga Milú, levou-me ao aeroporto.
Entrou comigo. Pôs o cartão ao peito e aí vai ela, de braço dado comigo.
Fazer o check in. Mas antes, passamos pelo homem que está à porta, para começar o percurso que nos leva à sala de embarque. Um dos homens que naquele dia em que precisava ir ao quarto de banho, lhe cantei a canção do bandido e me deixou passar sem qualquer identificação.
Desta vez, mostrei o passaporte e o bilhete de avião. Nem olhou para mim. Olhou sim para o que a minha amiga levava ao peito.
Depois chegámos perto da passagem com a mala, onde podem abrir-nos a mesma e criarem-nos " purblemas ", se quiserem. Vai sempre algo a mais, que não deve passar, artesanato, kitutes da terra...
Tambem aí não fui barrada. Depois ainda, e uma segunda vez, mostrei o passaporte e o bilhete de avião. Por fim, ao balcao, um, entre vários a funcionarem e bem, que me atendeu. Uma senhora morena, bonita e conhecida da minha amiga.
Saimos para a rua, para o exterior do aeroporto. Ela, a senhora que me atendeu, disse-me que deveria entrar na sala de embarque às 19 horas.
A minha amiga não quis que eu entrasse tão cedo. Que ia ser uma seca, sozinha lá dentro.
Mas quando passaram das 19, comecei a ficar inquieta.
A tripulação foi chegando. Parando, para cumprimentar a minha amiga.
A minha amiga Susete, finalmente apareceu.
A minha amiga Milú disse-lhe que levasse os meus doces de coco e os sacos de paracuca, para que entrasse com eles.Depois resgata-lo-ia.
Percebeu que eu estava muito inquieta. Não queria chegar tarde ao avião.
Perguntou-me se não tinha já feito o check in. Se o avião ia sem a tripulação e esta ainda não tinha passado por nós.
Não costumo viajar com muita àvontade. Mas para Angola e vinda de Angola, não tenho medo.E por isso, se era para ir embora, então quanto antes. Aquele tempo de espera é difícil de suportar. A minha amiga, entrou de novo comigo. Tivemos o mesmo procedimento. Não pôde avançar mais do que a porta onde estavam os polícias a ver as bagagens. Ficámos ali num canto. Era hora de nos despedirmos. Despedirmo-nos em Luanda, não é a mesma coisa que em Lisboa. Ali é mais sentida. Pela minha parte há um reconhecimento, uma gratidão muito forte, uma pena enorme de a deixar naquele lugar.Uma perda profunda desses momentos bons, cumplices, que sempre tivemos, desde miúdas. Das nossas confidências. Dessa coisa bonita de sermos nós próprios sem qualquer máscara, porque os nossos amigos conhecem-nos tão bem que percebem quando não somos postissos, a fingir.
Como que duas mãos encaixando os dedos uns nos outros e unindo as palmas.
Na hora da despedida, disse-me que eu estava muito melhor, quase lá, que ia conseguir fazer melhor e ser melhor.Que ia conseguir...
Esta força que ela me dá, acreditando em mim, permitiu que eu não dasabasse milhentas vezes na vida. Ainda hoje, percebeu como me sinto e brincou, escrevendo nos vários posts, comentando com a linguagem dos adolescentes e do povo, que fala com tanto calão que já nos escapa até a idéia.
Porque será que o ser humano quando se despede de alguém, ainda olha para trás, na esperança de qualquer coisa, como que querendo não partir, pedindo ajuda, talvez...
Eu antes de desaparecer numa porta qualquer, olhei para trás e ela estava lá, dizendo-me adeus com a mão.
Sorri-lhe com os olhos cheios de lágrimas.
E tive a certeza de sempre. Que tenho uma amiga de verdade. Como se fosse a minha própria sombra.
E tive a certeza de que estará sempre lá, no sítio que a deixei, à espera que olhe para trás.
Entrou comigo. Pôs o cartão ao peito e aí vai ela, de braço dado comigo.
Fazer o check in. Mas antes, passamos pelo homem que está à porta, para começar o percurso que nos leva à sala de embarque. Um dos homens que naquele dia em que precisava ir ao quarto de banho, lhe cantei a canção do bandido e me deixou passar sem qualquer identificação.
Desta vez, mostrei o passaporte e o bilhete de avião. Nem olhou para mim. Olhou sim para o que a minha amiga levava ao peito.
Depois chegámos perto da passagem com a mala, onde podem abrir-nos a mesma e criarem-nos " purblemas ", se quiserem. Vai sempre algo a mais, que não deve passar, artesanato, kitutes da terra...
Tambem aí não fui barrada. Depois ainda, e uma segunda vez, mostrei o passaporte e o bilhete de avião. Por fim, ao balcao, um, entre vários a funcionarem e bem, que me atendeu. Uma senhora morena, bonita e conhecida da minha amiga.
Saimos para a rua, para o exterior do aeroporto. Ela, a senhora que me atendeu, disse-me que deveria entrar na sala de embarque às 19 horas.
A minha amiga não quis que eu entrasse tão cedo. Que ia ser uma seca, sozinha lá dentro.
Mas quando passaram das 19, comecei a ficar inquieta.
A tripulação foi chegando. Parando, para cumprimentar a minha amiga.
A minha amiga Susete, finalmente apareceu.
A minha amiga Milú disse-lhe que levasse os meus doces de coco e os sacos de paracuca, para que entrasse com eles.Depois resgata-lo-ia.
Percebeu que eu estava muito inquieta. Não queria chegar tarde ao avião.
Perguntou-me se não tinha já feito o check in. Se o avião ia sem a tripulação e esta ainda não tinha passado por nós.
Não costumo viajar com muita àvontade. Mas para Angola e vinda de Angola, não tenho medo.E por isso, se era para ir embora, então quanto antes. Aquele tempo de espera é difícil de suportar. A minha amiga, entrou de novo comigo. Tivemos o mesmo procedimento. Não pôde avançar mais do que a porta onde estavam os polícias a ver as bagagens. Ficámos ali num canto. Era hora de nos despedirmos. Despedirmo-nos em Luanda, não é a mesma coisa que em Lisboa. Ali é mais sentida. Pela minha parte há um reconhecimento, uma gratidão muito forte, uma pena enorme de a deixar naquele lugar.Uma perda profunda desses momentos bons, cumplices, que sempre tivemos, desde miúdas. Das nossas confidências. Dessa coisa bonita de sermos nós próprios sem qualquer máscara, porque os nossos amigos conhecem-nos tão bem que percebem quando não somos postissos, a fingir.
Como que duas mãos encaixando os dedos uns nos outros e unindo as palmas.
Na hora da despedida, disse-me que eu estava muito melhor, quase lá, que ia conseguir fazer melhor e ser melhor.Que ia conseguir...
Esta força que ela me dá, acreditando em mim, permitiu que eu não dasabasse milhentas vezes na vida. Ainda hoje, percebeu como me sinto e brincou, escrevendo nos vários posts, comentando com a linguagem dos adolescentes e do povo, que fala com tanto calão que já nos escapa até a idéia.
Porque será que o ser humano quando se despede de alguém, ainda olha para trás, na esperança de qualquer coisa, como que querendo não partir, pedindo ajuda, talvez...
Eu antes de desaparecer numa porta qualquer, olhei para trás e ela estava lá, dizendo-me adeus com a mão.
Sorri-lhe com os olhos cheios de lágrimas.
E tive a certeza de sempre. Que tenho uma amiga de verdade. Como se fosse a minha própria sombra.
E tive a certeza de que estará sempre lá, no sítio que a deixei, à espera que olhe para trás.
quarta-feira, 16 de dezembro de 2009
A falta da Pitanga
Custou-me muito não chegar a casa com a Pitanga.
Ficou em Lisboa. Com a tratadora temporária. Aquela que conquistou a minha Pitanguinha, enquanto eu não estive. Pelo que sei, dorme com ela.E faz-lhe festas, e lambe-lhe a cara e quer miminhos. Tudo, tudo, como comigo. A minha Pitanga tranferiu para ela os seus sentimentos por mim? Ou apenas se apaixonou pela sua tratadora e não sentiu sequer a minha falta?
Não se zangou comigo por a ter deixado. Esticou as pernitas à frente quando me viu como que a cumprimentar-me. Cheirou-me muito. Meteu-se na minha mala, cheirando tudo.
Agarrou-se á minha roupa. E sentou-se no tampo da sanita enquanto eu tomava banho.
Pediu-me comida, quando viu o pacote de leite na minha mão.E brincou com um brinco meu, do feitio de uma bolinha, branca.
Não fez grandes estragos em casa. Adaptou-se a um espaço bem mais pequeno que este. Um belo dia, saltou para cima da mesa da cozinha e enrolou-se bem enroladinha, dentro do cesto do pão. Outra vez, acho que logo que a tratadora chegou a casa, depois de me ter levado ao aeroporto, aquando da minha partida para Luanda, encontrou uma jarra partida, que há muito, os de casa, queriam ver partida, por detestarem a peça )
Custou-me deixá-la. Agora só vem para o Natal.
Ainda não pensei na sua prenda de Natal. Mas que vai ter uma bela surpresa, lá isso vai.
Não quero imaginar a árvore de Natal ( que ainda não fiz, pois para mim, o Natal só é verdade a partir de hoje )a ser atacada pela Pitanga, que chamará um figo, ou melhor, uma latinha de patê às bolas de enfeitar.
Ficou em Lisboa. Com a tratadora temporária. Aquela que conquistou a minha Pitanguinha, enquanto eu não estive. Pelo que sei, dorme com ela.E faz-lhe festas, e lambe-lhe a cara e quer miminhos. Tudo, tudo, como comigo. A minha Pitanga tranferiu para ela os seus sentimentos por mim? Ou apenas se apaixonou pela sua tratadora e não sentiu sequer a minha falta?
Não se zangou comigo por a ter deixado. Esticou as pernitas à frente quando me viu como que a cumprimentar-me. Cheirou-me muito. Meteu-se na minha mala, cheirando tudo.
Agarrou-se á minha roupa. E sentou-se no tampo da sanita enquanto eu tomava banho.
Pediu-me comida, quando viu o pacote de leite na minha mão.E brincou com um brinco meu, do feitio de uma bolinha, branca.
Não fez grandes estragos em casa. Adaptou-se a um espaço bem mais pequeno que este. Um belo dia, saltou para cima da mesa da cozinha e enrolou-se bem enroladinha, dentro do cesto do pão. Outra vez, acho que logo que a tratadora chegou a casa, depois de me ter levado ao aeroporto, aquando da minha partida para Luanda, encontrou uma jarra partida, que há muito, os de casa, queriam ver partida, por detestarem a peça )
Custou-me deixá-la. Agora só vem para o Natal.
Ainda não pensei na sua prenda de Natal. Mas que vai ter uma bela surpresa, lá isso vai.
Não quero imaginar a árvore de Natal ( que ainda não fiz, pois para mim, o Natal só é verdade a partir de hoje )a ser atacada pela Pitanga, que chamará um figo, ou melhor, uma latinha de patê às bolas de enfeitar.
Estamos mesmo esquecidas
Hoje liguei pela primeira vez, o aquecedor de parede.
Da casa de banho.
Para nao regelar.
Quando puxei o cordel, pensei, que nao me podia esquecer de desligar o aquecedor.
Quando ia no autocarro, ganhei calores. Não me lembrava de ter desligado o dito.
E não, mesmo.
O que fazer?
Não devia arriscar. Tenho as toalhas dobradas num suporte para as mesmas, na porta por baixo do aquecedor.
Visualizei um filme de acção. Bombeiros sendo chamados, do quartel dos Bombeiros, ali ao pé do emprego da Paula. A sirene a tocar na cidade e eu a ser chamada também.
Gosto muito de um filme de acção, do tipo, O Assalto ao Arranha-Céus.
Pois é, mas o meu filme, lamentavelmente, nao tinha como protagonista, o Bruce Willis.
Achei por bem, ligar à Paula. De um tempo em que ficava na minha casa, todas as noites, ficou de posse das chaves da minha casa.
Valeu a pena não lhas ter pedido.
E ela foi assim que pôde. E mandou-me uma mensagem depois. Chamando-me Linda, mas a soar, a muito feia, dizendo que de facto estava muito confortável, a dar para o escaldante, na minha casa de banho.
Mas que ficara tudo bem. Isso é que é preciso.
Ando preocupada. Tenho vários episódios de esquecimento, nos últimos tempos.
Pode ser cansaço. Não durmo o que devia. Durmo a correr. Mas tenho sono e dormiria se tivesse tempo.
Um dia destes, tiro o dia, todo, para dormir. Vou tirar a barriga de misérias, ou o sono...
Da casa de banho.
Para nao regelar.
Quando puxei o cordel, pensei, que nao me podia esquecer de desligar o aquecedor.
Quando ia no autocarro, ganhei calores. Não me lembrava de ter desligado o dito.
E não, mesmo.
O que fazer?
Não devia arriscar. Tenho as toalhas dobradas num suporte para as mesmas, na porta por baixo do aquecedor.
Visualizei um filme de acção. Bombeiros sendo chamados, do quartel dos Bombeiros, ali ao pé do emprego da Paula. A sirene a tocar na cidade e eu a ser chamada também.
Gosto muito de um filme de acção, do tipo, O Assalto ao Arranha-Céus.
Pois é, mas o meu filme, lamentavelmente, nao tinha como protagonista, o Bruce Willis.
Achei por bem, ligar à Paula. De um tempo em que ficava na minha casa, todas as noites, ficou de posse das chaves da minha casa.
Valeu a pena não lhas ter pedido.
E ela foi assim que pôde. E mandou-me uma mensagem depois. Chamando-me Linda, mas a soar, a muito feia, dizendo que de facto estava muito confortável, a dar para o escaldante, na minha casa de banho.
Mas que ficara tudo bem. Isso é que é preciso.
Ando preocupada. Tenho vários episódios de esquecimento, nos últimos tempos.
Pode ser cansaço. Não durmo o que devia. Durmo a correr. Mas tenho sono e dormiria se tivesse tempo.
Um dia destes, tiro o dia, todo, para dormir. Vou tirar a barriga de misérias, ou o sono...
Voltar à Rotina
Voltar à rotina, significa, acordar às 6,45horas.
Passar pelo processo todo do banho, etc, etc, até sair de casa.
E chegar à estação da Rodoviária. Hoje, a horas. A miudagem que vai para a escola profissional e para a Escola Artur Gonçalves, entrando ruidosamente.
Subi para o autocarro. As duas senhoras que vão, invariavelmente no banco da frente ( à direita ) pareciam robots. Riram e em uníssono saudaram-me com um bem pronunciado, bom dia. O sr. motorista, já meu amigo, desde o episódio da carteira esquecida, sorriu de orelha a orelha e disse-me: Bons olhos a vejam. Aí está. Toma lá uma passa, Maria Clara. O sr. motorista...quem havia de dizer...
E pôs-me a pensar.De onde menos se espera, aparece uma frase, um gesto bonito...
Quando passei pelos outros companheiros de viagem de todos os dias, que são cinco pessoas que viajam há muitos anos neste autocarro, para a mesma terra, onde trabalham, e que se sentam nos mesmos lugares e falam uns com os outros e já sao quase família, fizeram-me quase uma festa.
Então essas férias? Disse-me a senhora que achou a minha carteira há tempos quando a deixei no mesmo autocarro de hoje com as mesmas pessoas e o mesmo motorista.
Claro que disse que tinham sido muito boas, maravilhosas. Não pude dizer que foram " bem cuiosas " porque nao entenderiam, mas a linguagem destas pessoas foi um bálsamo hoje, que preciso que me tratem bem.
Quiseram saber mais e hoje nao tirei o MP3 da carteira para me isolar e ouvir música. Hoje falei mais do que o normal. Do meu sentimento, de hoje, diferente do destes dias, da minha terra, da temperatura.
Foi uma viagem muito animada porque o factor surpresa, tranformou estas 20 minutos que percorro diariamente até chegar a esta terra, onde tenho que trabalhar para ganhar dinheiro para voltar a Luanda, e não só, numa viagem agradavel e mais calorosa.
Portugal às vezes surpreende-me, pela atitude de gente simples que nada sabe de África mas sabem um pouco de solidariedade e boa vizinhança.
Passar pelo processo todo do banho, etc, etc, até sair de casa.
E chegar à estação da Rodoviária. Hoje, a horas. A miudagem que vai para a escola profissional e para a Escola Artur Gonçalves, entrando ruidosamente.
Subi para o autocarro. As duas senhoras que vão, invariavelmente no banco da frente ( à direita ) pareciam robots. Riram e em uníssono saudaram-me com um bem pronunciado, bom dia. O sr. motorista, já meu amigo, desde o episódio da carteira esquecida, sorriu de orelha a orelha e disse-me: Bons olhos a vejam. Aí está. Toma lá uma passa, Maria Clara. O sr. motorista...quem havia de dizer...
E pôs-me a pensar.De onde menos se espera, aparece uma frase, um gesto bonito...
Quando passei pelos outros companheiros de viagem de todos os dias, que são cinco pessoas que viajam há muitos anos neste autocarro, para a mesma terra, onde trabalham, e que se sentam nos mesmos lugares e falam uns com os outros e já sao quase família, fizeram-me quase uma festa.
Então essas férias? Disse-me a senhora que achou a minha carteira há tempos quando a deixei no mesmo autocarro de hoje com as mesmas pessoas e o mesmo motorista.
Claro que disse que tinham sido muito boas, maravilhosas. Não pude dizer que foram " bem cuiosas " porque nao entenderiam, mas a linguagem destas pessoas foi um bálsamo hoje, que preciso que me tratem bem.
Quiseram saber mais e hoje nao tirei o MP3 da carteira para me isolar e ouvir música. Hoje falei mais do que o normal. Do meu sentimento, de hoje, diferente do destes dias, da minha terra, da temperatura.
Foi uma viagem muito animada porque o factor surpresa, tranformou estas 20 minutos que percorro diariamente até chegar a esta terra, onde tenho que trabalhar para ganhar dinheiro para voltar a Luanda, e não só, numa viagem agradavel e mais calorosa.
Portugal às vezes surpreende-me, pela atitude de gente simples que nada sabe de África mas sabem um pouco de solidariedade e boa vizinhança.
Subscrever:
Mensagens (Atom)