terça-feira, 10 de novembro de 2009

Nascimento

Que era enorme...morena, tão morena que quiseram saber da sua origem- Disse que não. Que eu soubesse éramos todos brancos.Mas lá estava a história da minha família a ganhar forma de novo.A raça cigana ( ? ).
O peso fez espantar todos os técnicos de saúde que passaram naquela unidade. Já não se faz nascer uma criança tão gorda.
Eu tive um bebé que já era crecido, o peso dos três meses, talvez.
O cabelo negro, e a expressão grosseira, faziam do meu bebé, um bebé feio.
Eu olhava-o, olhava a minha menina e pensava que um dia iria ser linda.
Vesti-lhe uma roupa rosa e azul bébé que a tornava tão fofinha...
Era a minha novidade.Era a minha alegria. Era a minha preocupação. Cedo, ainda na maternidade,e já antecipava a ansiedade a dias de incapacidade de cuidar dela. Não. Eu não seria capaz. Acreditava pouco em mim. Estava assustada e só. Ninguém me dissera como o faria. Confiavam no amor, provavelmente.
O primeiro susto, foi quando foi ao pediatra, o Dr.Sousa e Faro, um homem velhinho,indiano. Este sim, era indiano como podia ser, a minha menina. Podia ser mas não era.
O Doutor nunca se enganava. Leu na letra, na letra de médico, o que estava escrito no livrinho dela. Uma designação - Criança macrossómica. Ela chorava muito e quando chorava ficava roxinha e ele, o pediatra ditou-lhe a sina, ajudado pela palavra que não era explícita. Provavelmente, uma doença congénita, do coração.
Quase enlouqueci. No dia seguinte tudo se esclareceu com o médico do hospital. A frase queria dizer - Criança Grande.
A minha criança nasceu Grande e manteve-se assim ao longo dos anos.Eu tive um grande bébé, uma grande criança, uma adolescente enorme e uma adulta que não cabe nos lugares comuns.
A minha criança, porque sou mãe, nunca mais deixou de me preocupar, mas não parou de me surpreender, de me mimar, de me orgulhar.
Quando os bebés nascem feios, serão concerteza pessoas bonitas no futuro.
Hoje a minha criança é uma adulta Linda. E inteligente. E íntegra, e amiga.
Não pára de me surpreender na capacidade que tem de nunca ser igual.
E nesta coisa maravilhosa de se ser mãe nunca imaginei uma filha diferente.
A sorte é dos que têm coragem ou dos que a constroem. Eu quero ter sorte a vida toda e agradecer ao universo pela dádiva que é ser mãe de uma menina assim. Quase perfeita...

5 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns para as duas. Toda a felicidade do mundo para os "TRÊS". Muitos Beijos e Abraços e tudo aquilo a que têm direito.
Fiquem bem.

Manuela disse...

O comentári anterior foi feito pela Manuela que na sua ignorância informática ainda não descobriu em que sitio deve colocar a identificação.
Coisas da idade

Mais beijos
Manuela

a trapezista disse...

Aahahahahaha. Adorei, Manuela.
Obrigada, mãe. Eu também tenho muita sorte por te ter.

D. disse...

Ai! Quero um texto igualzinho nos meus anos. Podes evitar a parte do bebé feio. Eu era lindo.

Unknown disse...

boa DAVID gostei dessa, isso eh k eh autoestima.....

Angela se fosse a ti nao lhe perdoava essa dedizer k eras feia.....