domingo, 12 de fevereiro de 2012

eterno

foto tukayana.blogspot
Se me perguntares o nome
Te chamo canção
A cor?! te bordo de  prata
Se quiseres saber do perfume,
Te cheiro paixão
Se quiseres voz te oiço poema
Se perguntares pela pele
Te sinto carícia
Se quiseres saber o que inspiras,
Te pinto a saudade
Um pensamento?! faço a viagem
Um sonho?! te vejo miragem


Mar, sol e céu
Gaivota planando
Domingo sem véu
Horizonte
Tão longe e tão perto
Barco no meu deserto
Minha fonte
O meu chão
Se me perguntares se existes
Te proclamo eterno
No meu coração 

m.c.s.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

fim de semana

Sabem o que é isto? 
Eu sei mas não digo.. já.
É que eu vou ali num pé e venho noutro :(.
Ver o Mar mais lindo de Portugal. :))

Ora bem!!!


Não sei bem porquê mas gosto desta frase:

" Águia que vai à frente, alumia duas vezes "

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

desejo


Sopra o vento
Fere a pele
Doi cá dentro
Meu lamento
A sufocar
Sopra frio
De gelar
Alma triste
Calafrio
D'arrepiar
Vai-te mágoa
Finda inverno
Arde em chamas
Labaredas
Neste inferno
Se me amas
Traz-me a brisa das manhãs
Traz-me as tardes soalheiras
Traz-me as chuvas 
De Abril, águas mil
Primeiras
Traz-me as flores
Traz-me amores
Perfeitos e imperfeitos
Traz-me estevas e giestas
E também as rosas brancas
E o perfume do jasmim
Traz-te a mim...


m.c.s.



Andre Rieu - Toque de silêncio (IL SILENZIO)

em memória do rui

Na minha terra há mulheres que são santas. E há algumas que têm esse nome posto na hora da água benta na cabeça, do sinal da cruz na testa e do choro do candengue assustado com desnecessária violência .
Eu conheci mais do que uma Santa de nome. Na Vila Alice. Não sei porquê que é nome de africana. Será que é mesmo por isso? A religiosidade sempre na vida dos angolanos.
Era menina quando dos fundos da casa das mulembeiras, fugia para o largo. O famoso largo da vila alice das minhas memórias.  Passava a fronteira e ficava ali aonde eu era mais eu. Conhecia todos. Como numa pequena sanzala. A Susete, a Lili, o Armindo, o Américo, o Luís, a Maria João, o Kaquito, a Laura, a Lisete...ai a Lisete, irmã do Kaquito e da Laura, filha da Dona Rosa e do sr. Eurico e  minha amiga mais antiga, desde que nasci, que vive agora no Barreiro, os filhos do sr. Ulisses, a Ana Maria, o Quinito, a Fernanda, a Nela, a Lena, a Fátima, a Céu, a Ana, Aurora, Delfina, os Cunhas...
Os Cunhas eram filhos da Dona Santa, uma mulata cambuta e roliça que andava sempre com a empregada e afilhada atrás e  me disse um dia que eu estava verde e me deixou tão assustada que fui no consultório daquele médico mestiço que ficava na avenida brasil e me dei de caras com uma patologia grave porque me convenci que era hipocondríaca desde aí. Se eu não era lagarto, nem rã, nem louva-deus, nem  nada, como é que estava verde? Era doença, só podia e muito má.
Dona Santa, andava sempre na banga. Era do tempo do lenço na cabeça, a apertar no queixo, das unhas grandes e vermelhas e do gingar da anca a andar...
Os Cunhas eram um conjunto, como se dizia naquele tempo. Um conjunto musical. Todos irmãos. Uma vontade enorme de serem diferentes. De sucesso. Tocavam nas farras. Nos casamentos e outros eventos.
Ensaiavam no cair do sol e todo o largo os ouvia. Quase indiferente.  Eram da nossa rua. Do nosso largo. Do nosso bairro. Nossos. Um orgulho para todos encarado como dado adquirido. Estavam lá e faziam parte da nossa vida, dia após dia.
Recebi a notícia. O Rui partiu. Uma amiga desse tempo é que me deu. No facebook. Este facebook que nos dá alegrias e tristezas. Surpresas e contrariedades. Indiferenças e novidades. Notícias...
Fiquei a olhar no canto da minha memória fotográfica, a casa de rés de chão e primeiro andar mesmo por trás da minha casa da avenida brasil. Fiquei a olhar a alegria daqueles rostos todos parecidos, filhos da dona Santa.
Fiquei a ouvir os acordes das guitarras e as vozes repetindo letras de músicas ensaiadas noite após noite.
Fiquei a olhar o passado da minha lembrança de nascida e crescida na vila Alice entre a avenida e o Largo Camilo Pessanha. Fiquei a ver o tempo a passar. E me faltou a esperança. Tudo o que tive já não existe, mesmo que ainda não tenha terminado no tempo.
Era preciso repovoar o largo, a minha rua, a Vila Alice, Luanda, com as minhas memórias e a de todas as pessoas desse tempo e dessas vivências, como num filme, para acreditar que o passado não fica lá atrás nas pautas, claves de sol e dós arrancados a uma vocação qualquer, a uma alma qualquer, a uma terra qualquer...
Nesse tempo lá para trás, numa noite de sábado, chovendo tropicalmente, num palco dum cinema ao ar livre ouvi-os a tocar o " Silêncio " e retive esse momento para sempre na minha memória afectiva. Eram os Cunhas. Os filhos da dona Santa. Meus vizinhos.

Hoje, respeitosamente, faço um momento de silêncio em memória do Rui. Dos Cunhas...

lá vamos...



Passavam 5 minutos da hora.
Há dias trôpegos. E que rendem pouco. Para cúmulo, mil e uma coisas me cairam das mãos como que sinais de que tinha de ir com calma. Mas nervosa porquê? Quinta-feira...um pé no fim de semana. A vontade de o viver. Diferente. Então porquê esta inquietação preguiçosa e desastrada? Deixo p'ra lá. Não tenho respostas p'ra tudo. Não tenho respostas, ponto.
A manhã está fria. Sei sempre quando a temperatura baixa. As luvas são o indicador. Se sobe, não as visto. Se desce, sou obrigada a isso. E apertar o casaco. E enrolar o cachecol no pescoço. E fico de pingo no nariz. Que sorte a dos que  não se fazem à rua pelos seus pés! Que estranho, também. Pensando bem há muita coisa que apenas passa a raspar, neles. E isso será bom? Receio que seja apenas uma forma de me convencer, mas deixo também para lá.
O percurso é rápido. O tempo é que é pouco. Ao longe já vislumbro o viaduto. Não fosse isso e num ápice estaria lá em cima. Vejo um homem de sobretudo escuro e andar gingão. O mesmo andar de sempre. E o jeito. Estou atrasada. Não posso deter-me nem para o cumprimentar. Aproxima-se mais. Sinto-me mais inquieta. Sempre que comigo se cruza, rouba-me tempo, dá-me sorrisos. Sempre lhe achei piada. Sempre foi o bobo da corte. Nas estórias com os turistas que confiantes o metiam no automóvel para que do ribatejo lhes ensinasse o caminho para o Algarve, no fim dos anos 70. Ou de todos lhe alimentarmos o vício do tabaco, sem que gastasse um escudo e depois um euro. Ou ainda, ir com o doutor, um certo advogado desta praça, boémio e demais conhecido, para Lisboa, correr as casa de fados e outras com a carteira vazia  . Ou fazer-se passar por outros. Ou das tangas que dava a uns e outros, a nós, amigos também. A culpa da sua estranha, chula e divertida personalidade era atribuída ao serviço militar no ultramar. Numa Angola que não esqueceu. Um Nambuangongo que o marcou definitivamente. Foi o tempo da liamba. Das negras e do medo.
Vejo-o sorrir. Com os músculos. Olhos. Boca e  dentes. Pára. Eu não. Agarra-me pelo cotovelo. Páro. Forçada. Mais ou menos.
- Isto está lindo está, Clara! 
Sorrio. 
- Sabes o que é que me apetece? 
- Não - disse.
- Recuar cinquenta anos e cantar - Lá vamos cantando e rindo..
Soltou-se a minha gargalhada da manhã. Largou-me o cotovelo, sorriu e seguiu o seu caminho. 
Quando parei para olhar o carro que tinha ao meu lado no início do viaduto, acho que ainda sorria.
De dentro ouvi uma voz conhecida num sorriso franco e generoso: Quer vir? 
- Claro. E entrei no automóvel do guarda da gnr que dias antes me prometera boleia. É meu conhecido há muito tempo e julgava que eu levava a mal o oferecimento. O rádio em altos berros distraiu-me do encontro com o João S.
Cheguei lá acima adiantada nas horas. 
Há dias trôpegos mas divertidos. Que dão sorte.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

The Gift - Primavera

hoje, apenas hoje

foto tukayana.blogspot

Dei tréguas ao caminho. Ao esforço. Ao sacrifício. 
Dei tréguas aos " castigados " da conversa. À pitangueira e à cidade.
Tudo porque a minha cervical se pôs a latir que nem um cachorro pulguento.
Tudo porque o pânico me invadiu. 
A minha hérnia de estimação voltou a atacar...
E ganhou aos sete quilómetros de estrada por percorrer.
Hoje. Apenas hoje.

será?.........

Dizem que os amigos são para as ocasiões. Então, aqui vai.............
Alguém tem uma cervical a mais?
É que estou muito necessitada...
Será que é de olhar para a lua nestas noites de lua cheia ou é mesmo a PDI?

sinónimos

PIEGAS - Ingénuo, Romântico, Sentimental, Tolo
Que ou quem é dado a pieguices
Pessoa afetada, ridícula nas maneiras, dada a infantilidades...
SOMOS TUDO ISSO?
O nosso (? ) Primeiro está a ver mal os sinónimos. 
Se fossemos do tempo da outra senhora até lhe dávamos umas reguadas. 
Que está a merecê-las, lá isso...

Tiken Jah Fakoly -- Africain à Paris

namoro

foto tukayana.blogspot

a lua namorando o castelo

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luar hoje

fotos tukayana.blogspot

hoje o entardecer

foto tukayana.blogspot

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

domingo, 5 de fevereiro de 2012

um par de botas

foto tukayana.blogspot


Era uma vez um par de botas...
Nasci duma história bonita de amor com contornos de proibido naquele tempo do parece bem.
Nasci no cacimbo; dias  mais pequenos e noites frias a pedir aconchego e romance. Sob o signo do caranguejo, signo do lar, da família e do amor.
A minha mãe, mulher bonita, mãos de princesa e porte de rainha, frágil, sofrida e triste nas recordações e forte no amor, sabia estórias de me deixar presa. E eu ouvia  e nunca me cansava.
O meu pai, homem charmoso e bonito, olhos escuros e brilhantes, tez morena, seguro nas atitudes e no amor,    trazia estórias do lugar onde vivera que contava e eu ouvia extasiada.
O meu avô, homem muito alto, com porte de judeu, nariz fino e direito, olhos honestos, sorriso franco e convicções fortes e inalteráveis, tinha uma vida repleta de histórias bonitas, romanceadas, vivências louváveis, altruístas. Gostos saudáveis. Profunda capacidade para o sucesso. Dava-me de presente exemplos e estórias que eu recebia encantada e das quais me alimentava avidamente.
Tive um amigo imaginário. Inventava-o. E dizia que o meu tio mais novo, crescido na minha casa era meu irmão mais velho. Inventava estórias que apenas se descobriam não ser verdadeiras porque os meus pais me  denunciavam. Na escola, depressa gostei de saber estórias dos professores e dos colegas. Para acescentar às minhas estorietas. Cozinhava tudo e criava romances ao meu jeito. Houve um tempo que me perdia pelas páginas inventadas das minhas estórias e não vivia a minha verdadeira história. A fantasia me encantou  desde que me vi como gente.
A terra ajudava com as estórias dos escravos, condenados,  feiticeiras, cipaios, sobas, mato,  jiboias, kiandas, hienas. O choro das hienas,  que batiam às portas fingindo de crianças, as calemas, as trovoadas, o chefe de posto, o carnaval. E eu registava e acomulava...
Redacções eram canja para mim. A dificuldade era separar trigo de joio e filtrar a palha. Como agora. Nunca soube sintetizar. Como poderia ser jornalista e escrever Xs caracteres apenas?  
O encanto das estórias está logo no começo. Era uma vez...
O encanto da estória é fazermos parte dela, vivê--la. Protagonistas. Papel principal. Não para sermos os maiores mas p'ra estarmos em todas as acções da estória.
Gosto de estórias. Muito. De as ouvir e de as contar. Gosto que me aconteçam. Vivê-las vale a pena. Fazem a minha história.
Quando o fim de semana é frio, de arrepiar e não saio de casa, nada de assinalável acontece.
A menos que...
Era uma vez um par de botas. Não é um par de botas qualquer. São botas oferecidas no Natal por alguém que amo. Só as recebi porque fui invejosa. Sim, sim, contrariamente ao que afirmo com grande orgulho, que não sou invejosa, as botas chegaram-me às mãos porque andando com a minha irmã, a caçula, às compras, coisa que fazemos todos os anos, perante uma lista de nomes de gente dela, palpito e ela aceita ou não. E assim, entrámos na loja repleta destas botinhas. Várias cores. Confesso que não gostei delas p'ra mim. Cinzentas, pretas, cor de rato, castanhas. E opinei acerca de dois pares. Mas de repente bati com os olhos curiosos nestas botinhas românticas, juvenis e fofinhas e disse: Estas até eu gostava p'ra mim. E logo a caçula disse: Queres? Dou-tas no Natal. E eu que não me imaginava com um par de botas novas e oferecidas, apesar de não me ter feito ao piso, juro que não caçula, disse para comigo: ahn, pois, porque não? caraca, botas fofimhas estas, para as levar quando formos as três da vida eirada a Berlim que parece que é no dia de são nunca à tarde, tantas vezes que já foi adiada essa viagem. E, sim, sim, quero, apressei-me a dizer não fosse a caçula arrepender-se por que já lá tinha um perfume e outras coisas lindas para me fazer feliz como criança de rebuçado na boca. E foi assim  que as botas viajaram connosco para o ribatejo, diretamente da capital.
No dia 24 de Dezembro, na hora da família dar presentes, lá vieram as botinhas numa surpresa fingida mas num sorriso de prazer. Na euforia que é esse momento do quem deu o quê, quem recebeu o quê, uma  garrafa de licor bem caseirinho da quinta do mano Zé feito pela minha cunhada foi juntar-se com as botas num namoro sério e perigoso. E eis senão quando, num safanão meu, como se fosse possível eu não fazer asneiras, o saco bonito e grande que acumulava vários presentes bonitos, foi parar ao chão e a garrafinha de licor ficou reduzida a mil cacos. As minhas botas, coitadinhas...pois então, lamberam no seu pêlo e pompons farfalhudos todo o líquido entornado. E vi-me com umas botas novas bêbedas e mal cheirosas e impotente para resolver a questão que me pareceu difícil. Lavei-as. Lavei-as quase todos os dias. Sempre pegajosas. Sempre mal cheirosas. Eu que odeio cheiro de álcool. Fiz das tripas coração e não desanimei. Passou um mês e meio. Nunca as calcei. Vão passando da janela para o lava-loiças para mais uma banhoca e vice-versa.
Hoje decidi. Depois de uma estória tão acidentada e trágica está na hora de cumprirem a sua função. O frio justifica. E nunca estive tanto tempo para estrear uma vaidade. Por isso, é hoje.
Hoje vou dar corda aos atacadores, pois que, chega de estar enfiada em casa que eu não fui feita para tanta parança. E as minhas botas novas vão encerrar um capítulo e iniciar outro que espero bem mais útil e alegre.
Se é uma estória verdadeira? Claro que é. Já não as invento senão quando venho divagar para aqui. E ainda assim, há um fundo de verdade em tudo o que escrevo quando não é um, com a verdade me enganas.
Era uma vez um par de botas...
assinado maria clara