terça-feira, 9 de janeiro de 2018

chuva

Chove chuva de mansinho
Lágrimas geladas
Escorrendo
pela mágoa da terra 
Seca e triste

Ensaia coreografia, dança, magia
a gaivota, 
fugida que é, ao ralhar agitado do mar

Da janela espreito a vida
A cor cinzenta, 
o monte quedo,
estendais molhados,
a manhã que passa,
embalada no balanço do som pingado, 
que ritmado, 
cai sobre as horas que avançam
nas contas dos ponteiros do tempo.

Chove chuva, de mansinho
Nem sorrisos 
nem palavras
nem sequer uma reflexão
Apenas respeito
E contemplação...

m.c.s.

solidão

A solidão não vem de fora. 
Vem da ausência do sonho. Em nós. 

m.c.s.

Lisboa na Graça - cheia de graça










fotos mcs

quinta-feira, 28 de dezembro de 2017

segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

o Campo das Cebolas reabilitado











ser mãe

Ser mãe não é como ser outra coisa qualquer. 
É entendermos finalmente a nossa mãe e sabermos que os filhos nunca nos entenderão. Senão quando forem mãe ou pai...
Ser mãe não é como ser outra coisa qualquer. 
É qualquer coisa como ser todos e tudo. 
Nos nadas que a vida dá, para que os filhos sejam tudo e qualquer coisa que saibam e possam ser.
Ser mãe não é como ser outra coisa qualquer. 
É qualquer coisa de sagrado. Divino. Eterno.
Coisa nossa. De sermos mãe...

m.c.s.

sábado, 2 de dezembro de 2017

por enquanto...


Noventa por cento dos passageiros do comboio para o Cais do Sodré estão a borrifar-se para a paisagem magnífica à beira mar que esta viagem oferece. Ou vão a dormir ou com angústias que não dominam e solidões que não ultrapassam. 
O passado que não esquecem e o futuro que desconhecem impedem-nos de usufruírem do presente, que é uma bênção do universo. Uma dádiva que deveriam abraçar com gratidão. 
O cansaço dos seus rostos, o abandono displicente dos seus corpos, esta atitude, metade indiferente, metade perdida, compreendia-a se fosse domingo. Véspera de dia de trabalho. Hoje, feriado, véspera de fim de semana, diz muito das gentes que gravitam neste espaço chamado terra, país, lugar onde se sobrevive. Diz muito das ofertas que não chegam. Dos sonhos que se desfazem. Das vidas que se castram. 

A vida não é isto. Isto é sonambulismo. Morte lenta. Desencanto. Desistência. A vida é - pegá-la pelos cornos e toureá-la com destreza e arte. Porque só há uma. E é preciso ganhar a corrida.
No dia em que fizer esta viagem de comboio à beira mar, viajando pelos meus vazios, a olhar para dentro de um nada ou de não sei quê, enterrem-me. Porque morri. 
Por enquanto, bem desperta, contemplo o mar e adivinho o seu marulhar...

m.c.s.