sábado, 17 de dezembro de 2011

A caminho- Música de Natal


BOAS FESTAS a todos os meus kambas.
Que o amor da família e dos amigos esteja presente nas vossas vidas, hoje, amanhã, sempre. Não percam o espírito natalício nunca...
Abreijos de todo o ♥ para todos.

procurando


Perdi o espírito do Natal
Mas não desisti de o procurar,
nos cantos de mim,
de ti,
nos cantos do mundo...
na minha religiosidade

Se acaso o encontrares,
dá-lhe a mão
E vem até mim
Merecemos viver esta quadra juntos
como irmãos,
amigos,
cristãos...

m.c.s.

sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Renato Carosone - Piccolissima Serenata

Porque hoje me sinto antiga...

mais uma voltinha, mais uma viagem

- Ó Inês...Inêeeeees...
Silêncio.
- Ó Inês, queres responder ou não?
Silêncio. Risinhos à volta.
- Ó Inês, és capaz de fazer sexo por dinheiro?
- Paaaaaarvo! - diz a Inês.
- Diz lá, és capaz de fazer sexo por dinheiro?
- Vai-te f...., meu.
- Responde Inês.
- Nãaaaaaao pá!
- Ainda bem, porque não tenho dinheiro comigo.
Gargalhada geral.
- És mesmo estúpido - diz a Inês.
Passado um instante, a voz do puto " estúpido ":
- Bruno, sabes o que é uma taxa moderadora?
- Eu não! Só sei o que é uma taxa progressiva.
- Estás em economia, meu, e não sabes?
- A stora não disse.
A Inês entra na conversa e diz:
- Vai ver à net.
- Vou, vou, Só porque este gajo quer...
À sexta-feira, debaixo de um nevoeiro fortíssimo, o autocarro que parara antes da rotunda do mercado, junto à polícia, mesmo em cima da passadeira, para me apanhar pois vinha atrasadíssima e fintei o sr. margarido aparecendo-lhe a arfar, na passadeira, ia deste jeito. Em jeito de fim de semana antecipado.
As catatuas saudaram-me com um sorriso de orelha a orelha dizendo: Estávamos mesmo a falar de si. Já pensávamos que tinha começado o fim de semana mais cedo.
Sentei-me. Tinha o coração a mais de mil. Ando com o coração a mais de mil...
A minha viagem, hoje, pela manhã.

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

The Beatles - And I Love Her

Porque hoje estou doente de saudade, um kandandu a todos os meus kambas...

Três em Um

Tocou o telemóvel. O nome que apareceu não podia ser melhor. Da minha kamba.
Perguntei se estava em Lisboa. Que estava a caminho do aeroporto para ir para Luanda. Um vôo maluco, disse-me a seguir a outra kamba. A Susete. Chegàmos ontem à noite e já vamos hoje.
As minhas duas kambas...Eu falando ora com uma ora com outra. A lágrima teimou que queria aparecer. Deixei. Todo o dia ela fica suspensa, travando uma luta um pouco desigual.
- Para te desejar um feliz natal.
Mas o que é isso? Como desejar um feliz natal quando ainda falta outra semana? Como? Quero é ouvi-las. Imaginar esse vôo.
Quem me dera!
Hoje faz dois anos que parti de Luanda para Lisboa. 2009. O ano passado estava a 10 dias de viajar para Luanda.
Estas duas kambas foram aquelas que me ofereceram a viagem em 2008. E me receberam lá em casa. E me levaram a todos os " cubicos " que Luanda tem. E arredores. E onde eu sempre fico cada vez que vou. E moram no meu coração desde que começamos o liceu. As duas. Quando tinhamos 10 anos. E agora estão aqui a falar comigo, ao fim de 46 anos, no fim da tarde, partindo para Luanda...
A Milú é a das surpresas. Adora fazer derramar lágrimas. Fica feliz com a alegria que provoca nos familiares e nos amigos.
Perguntei pela Ana Rita.
- Já está em Luanda? O telefone mudou de mão. De voz.
- Alô Clara!
Outra surpresa. A menina que o ano passado numa saída à noite, fotografou o carro do fumo de propósito para mo mostrar quando chegasse a casa e num outro dia veio da varanda apressada a dizer: Clara, não querias ver chover na tua terra? Vai lá fora, está a chover bué. A Ana que vai viajar com a mãe para Luanda. E com a Susete. E com o resto do avião. No cabrito.
Três em um foi o que esta minha amiga de sempre me arranjou hoje, assim, sem que tal prevesse, neste fim de tarde do meu desalento e solidão.
- Xé, olha o que me arranjaste. Vais desligar e eu vou ficar a chorar.
- Bebe um Porto.
Como se eu fosse de beber copos. Sozinha. Com a Pitanga a olhar. Ainda se a gata bebesse...
Natal! Luanda! Amizade! Surpresa! Saudade! Viagem!
Tenho o coração inundado duma coisa boa que doi.
A culpa? Morreu solteira.
Hoje precisava que alguém me desse colo.
Deus não podia escolher melhor. Ele sabe o que faz.

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

divagações XV



Poiso o olhar nas luzes que insistem em abrilhantar este natal que apenas se adivinha. Uma aqui outra acolá e outra mais além. A espaços significativos...
Não vejo brilharem esperanças em amanhãs; noites e madrugadas diferentes. Que amaciem intenções e adocem corações.
Poiso o olhar, ajudado pela lente graduada e não vejo nada.
Nem orquestras ensaiando cânticos de boas vindas, nem estrelas abrindo caminhos que me levem ao renascimento do amor e da paz.
Nem magos.
Nem presentes.
Nem futuros.
Poiso o olhar em desespero, no presépio, e não vejo união.
Nem família. Nem amigos.
Nem olhares buscando o meu olhar. De frente.
Poiso o olhar no horizonte e ele dilata-se.
Este natal queria estar em terras errantes do menino jesus e ressuscitar com Ele...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

hoje




13.12.11




Uma data curiosa a de hoje

digo eu...



Diz que Portugal é a nação mais antiga da Europa.
Será por isso que há tanta falta de memória dos tempos idos?

m.c.s.

a figura do natal

foto tukayana.blogspotIsto não é o espírito do Natal. É mesmo o Pai Natal comprado numa qualquer loja de chineses, afiando os bigodes plasticamente a cada vez que subo as escadas. Inevitavelmente não desvio o olhar. Mais, até me apetece deitar-lhe a língua de fora. E dizer-lhe meia dúzia de palavras impróprias, como eu lhes chamava quando era adolescente e ia confessar-me ao padre Luís da Igreja de S. Paulo, em Luanda. Para dourar a pílula e parecer mais anjinha que era de facto...
Mas os meus vizinhos do 1º direito, os únicos que ainda acreditam no pai natal, podiam aparecer à porta e eu ficaria com cara de tacho, daqueles aonde se vão cozer as couves e o bacalhau da consoada e lá ia o gato às filhós.
De forma que sigo o meu caminho um pouco desalentada e pensativa, pois que nem ali no prédio o natal já é o que era, quando todas as portas, incluindo a minha tinham um motivo alusivo à época.
Um dia destes páro e toco à porta do pai natal. Não à lamira dum presente mas para felicitar os vizinhos pela esperança que depositam no presente e no futuro. Eles que não têm meninos pequenos. É preciso uma boa dose de coragem à mistura com ingenuidade. Ou uma boa conta bancária...
Pode ser que me contaminem no sonho de acreditar neste natal, igual a outros, despreocupados e felizes que estão no passado sem esperança de repetição, e ainda me convençam a ir à missa do galo.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

esperando XIV

foto tukayana.blogspot

cascais ao entardecer


da Graça até à Baixa

foto tukayana.blogspot

recolhendo imagens

foto tukayana.blogspotA Sé

estrela da companhia

Adoro atum. A Pitanga também. Adoro gambas, a Pitanga também.
Tenho sempre atum em casa. Para mim. E para a Pitanga. Sem gambas para mim. Com gambas para ela.
Adoro tostas de atum, queijo e maionese. A Pitanga não. Ela é mais, estas latinhas gourmet da whiskas. Que me custam os olhos da cara num mimo de que já me arrependi e que me parece me vai ficar caríssimo.

Preparei tudo para fazer uma bela e delicoosa tosta de atum, de pão integral ( para não ser tudo mau ) com tudo o que a tosta pede. Abri o frigorífico. Tirei a lata que estava aberta. Com uma espátula de madeira comecei a espalhar o atum. Descobri uma gamba. E disse meia dúzia de impropérios. E depois, para não chorar, ri. Gargalhei tanto que a Pitanga olhava-me incrédula, não sei se por o seu pitéu estar numa fatia de pão ou se porque eu lhe parecia transtornada.
E por falar nisso, será que isto é um caso de polícia? Melhor, de médico?
Agora é que é caso para dizer que se não fosse uma comédia, era uma grande tragédia. Eu, a estrela da companhia.
E saia de cena quem não é de cena!
Meeeeeedo!

domingo, 11 de dezembro de 2011

divagações XIV


Devo ter no lugar do coração uma rocha.
Dura e resistente.
Já me arrancaram o coração pela boca tantas vezes, e ainda assim, bate como antes.

m.c.s.

Manuel d'Oliveira e Yami - Aroma a mar

sonho, minha praia

foto tukayana.blogspot
Sonho cerrando o olhar
Cheio desse solitário mar
Azul do céu, imensidão
Aroma memória presente
Marulhar da minha solidão
Onda beijando-me a mão
Maresia, estrela cadente
Na areia brilhante e quente
Concha, segredo, coração
Sonho antigo, condão
Esperança que a guardei
Barco de papel, porão
Cor, arco-íris, garrida
Palavra que soletrei
Na alma que embalei
No banco da escola vivida
Sonho, anseio, futuro
Curto, limitado, desperto,
Chorado, desfeito, inseguro
Livro fechado e deserto,
Sonho terra distante
Destino, desejo, amante
Grão d' areia a dançar
Semba, feitiço, kianda
Saudade de kandando dar
Domingo, minha praia, Luanda...

m.c.s.

sábado, 10 de dezembro de 2011

The Piano - Amazing Short - Animation by Aidan Gibbons, Music by Yann Ti...

Um bom sábado para todos.

naturalmente...

Dei comigo reflectindo. Sem esforço. Naturalmente, como que respirando. Há despropósitos que não fazem parte dos códigos com que me vou regendo, também naturalmente. Não me ocorrem. Como se não os conhecesse. Como se a minha educação até hoje não o permitisse. Na minha vida não é assim. Porque não é.
Descartados, fora de questão, dizê-los. Fazê-los. Senti-los. Naturalmente...
Dei comigo reflectindo. Enquanto espero que o sol reflicta a sua luz neste meu dia frio e chuvoso de outono.
Calar não significa cinismo, cobardia ou indiferença. Falta de transparência. E tudo dizer não significa sinceridade, coragem e transparência.
Naturalmente...
Fazendo a filtragem e chegada a este tempo de vida que tenho, e à minha condição pouco me importa o que pensem, o que saibam ou o que digam de mim.
Este foi um lugar que conquistei sem medalhas de mérito de batalhas ganhas. Fui vivendo, foi acontecendo, naturalmente. Mas cheguei aqui, a este lugar de tranquilidade e desvalorização do que pode incomodar. E é aqui que quero permanecer.
É a conquista obtida no tempo que a vida, experimentando-nos, graciando-nos ou subtraindo-nos, nos dá.
E é uma coisa tão boa e tão livre, que nesta tarde chuvosa e fria de dezembro, me apetece brindar a mim e aos meus 56 anos de existência umas vezes bela outras sombria, que me deixa reflectir sobre o desprendimento das coisas banais e menores.
A natureza e o universo são extraordinários.
Fazem milagres. Naturalmente...