
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
montar???
Não era a primeira vez que o puto estava sentado no " meu " lugar. Vi-o indeciso. Se tirava o saco ou não. Os dois de trás estavam também expectantes e com ar divertido. Vinham a conversar. O do meu lugar, virado p'ra trás.
Putos de dez anos a caminho da escola. O autocarro do sr. margarido parando em frente à E.P.P..
Posso sentar-me? E fui avançando. Não teve outro remédio senão agarrar no saco de educação física, ( só pode, pelo volume ), e colocá-lo no colo.
- Porquê? Achas que ela não é gira? disse aos colegas de trás.
- Acho que é. Não vais é conseguir montá-la - disse o outro.
- Achas? Vai uma aposta.
- Eu não acho. Tenho a certeza. É muita areia para a tua camioneta- acrescenta a miúda que estava mesmo por trás de mim.
- Ai é? Apostamos?
- Brother, leva a bicicleta - terminou a miúda, enquanto se levantavam para sair do autocarro que acabara de parar na garagem.
Encolhi-me no lugar, desviei as pernas para o corredor para o puto passar enquanto a irmã e a amiga se aproximavam. A irmã é a Andreia, a adolescente que embirrou com o meu chapéu de chuva no TUT, em dia de chuva, mas que entretanto se aproximou e só não somos muito íntimas porque não é p'ra sermos. Tenha a santa paciência. Ultimamente encontro-os no autocarro do sr. margarido que passa pela casa deles, no Vale. As coisas que eu sei!
E o que não sabia é que este puto de dez anos fala em montar como se...quer dizer, terei eu percebido o que significa montar? Afinal estas criaturinhas em crescimento falaram em camioneta e em bicicleta. Fará sentido?
Tenho p'ra mim que não. Que não vale a pena. Abismar-me. São só putos de dez anitos. Não mais.
Putos de dez anos a caminho da escola. O autocarro do sr. margarido parando em frente à E.P.P..
Posso sentar-me? E fui avançando. Não teve outro remédio senão agarrar no saco de educação física, ( só pode, pelo volume ), e colocá-lo no colo.
- Porquê? Achas que ela não é gira? disse aos colegas de trás.
- Acho que é. Não vais é conseguir montá-la - disse o outro.
- Achas? Vai uma aposta.
- Eu não acho. Tenho a certeza. É muita areia para a tua camioneta- acrescenta a miúda que estava mesmo por trás de mim.
- Ai é? Apostamos?
- Brother, leva a bicicleta - terminou a miúda, enquanto se levantavam para sair do autocarro que acabara de parar na garagem.
Encolhi-me no lugar, desviei as pernas para o corredor para o puto passar enquanto a irmã e a amiga se aproximavam. A irmã é a Andreia, a adolescente que embirrou com o meu chapéu de chuva no TUT, em dia de chuva, mas que entretanto se aproximou e só não somos muito íntimas porque não é p'ra sermos. Tenha a santa paciência. Ultimamente encontro-os no autocarro do sr. margarido que passa pela casa deles, no Vale. As coisas que eu sei!
E o que não sabia é que este puto de dez anos fala em montar como se...quer dizer, terei eu percebido o que significa montar? Afinal estas criaturinhas em crescimento falaram em camioneta e em bicicleta. Fará sentido?
Tenho p'ra mim que não. Que não vale a pena. Abismar-me. São só putos de dez anitos. Não mais.
terça-feira, 29 de novembro de 2011
tudo e nada
é sempre a descer
- Bom dia!
- Bom dia. Vem afogueada - diz o sr. Margarido.
- Se me taparem a boca, rebento. Digo eu completamente exausta.
As catatuas da frente, que mais parecem os marretas, riem.
- Frio não tem, diz a Bélita.
- E mais é sempre a descer. Diz o sr. margarido.
E eu a ouvi-los tomarem-me conta da vidinha e tentando recuperar o fôlego.
Na verdade é sempre a descer, de casa ao autocarro. Mas como é que ele sabe?
Nesta terra quando se quer saber, sabe-se e quando não se quer, sabe-se também. Eu já nem ligo. Eu até nem gosto de segredos...
Mas, que sabem eles das minhas dificuldades matinais? Não sabem, mas pôem-se a advinhar a ver se pega. E eu encolho os ombros, apesar do reumático.
Sei que o sr. margarido faz tempo, à espera de me avistar lá ao fundo da garagem, onde eu abrando, a partir do momento em que me pôe a vista em cima. Por isso perdou-lhes o mal (?) que fazem pelo bem que me sabe, pois que há manhãs que um banco de autocarro representa o paraíso e só porque o sr. margarido espera uns minutinhos por mim.
- Bom dia. Vem afogueada - diz o sr. Margarido.
- Se me taparem a boca, rebento. Digo eu completamente exausta.
As catatuas da frente, que mais parecem os marretas, riem.
- Frio não tem, diz a Bélita.
- E mais é sempre a descer. Diz o sr. margarido.
E eu a ouvi-los tomarem-me conta da vidinha e tentando recuperar o fôlego.
Na verdade é sempre a descer, de casa ao autocarro. Mas como é que ele sabe?
Nesta terra quando se quer saber, sabe-se e quando não se quer, sabe-se também. Eu já nem ligo. Eu até nem gosto de segredos...
Mas, que sabem eles das minhas dificuldades matinais? Não sabem, mas pôem-se a advinhar a ver se pega. E eu encolho os ombros, apesar do reumático.
Sei que o sr. margarido faz tempo, à espera de me avistar lá ao fundo da garagem, onde eu abrando, a partir do momento em que me pôe a vista em cima. Por isso perdou-lhes o mal (?) que fazem pelo bem que me sabe, pois que há manhãs que um banco de autocarro representa o paraíso e só porque o sr. margarido espera uns minutinhos por mim.
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
pastéis de nata
foto tukayana.blogspot
Vou muito a Belém. Gosto. Tipo, passeio dos tristes.
E gosto de pastéis de nata. Dos de Belém. Da casa dos pastéis.
Claro que há pastéis de nata para além de Belém. Os da Quarteira, por exemplo. Da pastelaria Beira-mar, junto à praia. Quentinhos, cheios de canela. Avé Maria! Acho que ia de propósito ao Algarve só para comer pastéis de nata. Já fiz viagens maiores por muito menos.
Mas, ontem, desloquei-me ali ao virar da esquina que o sul não me foi acessível. E depois do almoço fui para a fila dos pastéis de nata. Coisa rápida que até estranhei. Enquanto esperava, mázinha que eu sei lá, rejubilei maldosamente com uma estória que aconteceu ali, numa das muitas mesas das várias salas daquele lugar. Bonitas salas, diga-se de passagem.
Então é assim: Todos nós sabemos o que são tias, daquelas que há já muitas cópias mas que se iniciaram em Cascais, em novo, fotocópias de tiazorras que lá chegarão, é só dar-lhes gás. Taaaaaaá a veeeer?
Então a minha estória tem a ver com uma criaturinha assim, loira e tudo, olhos verdes, roupa toda betinha, mala a condizer, com a marca em grande não vá sermos miopes, casaco de pele castanho, bota a condizer e lenço camel ao pescoço. Ah, não tenho nada contra, verdade seja dita. Até gostava da criaturinha, à época. Depois curei-me mas isso são outros quinhentos. Noutro departamento.
A nossa tia entra na casa dos pastéis de Belém, com o seu maridão a condizer ( este muito mais a fingir que ela ). É que apesar de viverem na província, Lisboa fica a um passo e o casal gosta, acho que ainda deve gostar de arejamento na capital e sobretudo visitar as lojas, lá está, de marca, para o estilo, na sua santa terrinha, onde quem tem um olho é rei ( da cocada, mas pronto ). Escolhem uma mesa, sentam-se e são atendidos. Ele, o maridão diz querer pastéis de nata. Ela, a tia cheia de proa, diz: Não, eu não quero pastéis de nata, quero pastéis de Belém.
E como até para se ser tio tem de se ter estaleca, foi a vergonha total.
Juro que foi verdade. Não estava lá para assistir, mas o maridão da emproada tia contou à frente dela e ela não desmentiu.
Não há vez nenhuma que esteja a comer pastéis de belém que não me lembre desta santa ignorância que nem a faculdade atenua. O convívio. Os livros. Sei lá, cultura geral, não? Estou a falar de gente nova. Hoje andarão nos trinta e alguns.
Que barrigada de riso eu apanho em cima da barrigada de pastéis de nata de Belém!
E gosto de pastéis de nata. Dos de Belém. Da casa dos pastéis.
Claro que há pastéis de nata para além de Belém. Os da Quarteira, por exemplo. Da pastelaria Beira-mar, junto à praia. Quentinhos, cheios de canela. Avé Maria! Acho que ia de propósito ao Algarve só para comer pastéis de nata. Já fiz viagens maiores por muito menos.
Mas, ontem, desloquei-me ali ao virar da esquina que o sul não me foi acessível. E depois do almoço fui para a fila dos pastéis de nata. Coisa rápida que até estranhei. Enquanto esperava, mázinha que eu sei lá, rejubilei maldosamente com uma estória que aconteceu ali, numa das muitas mesas das várias salas daquele lugar. Bonitas salas, diga-se de passagem.
Então é assim: Todos nós sabemos o que são tias, daquelas que há já muitas cópias mas que se iniciaram em Cascais, em novo, fotocópias de tiazorras que lá chegarão, é só dar-lhes gás. Taaaaaaá a veeeer?
Então a minha estória tem a ver com uma criaturinha assim, loira e tudo, olhos verdes, roupa toda betinha, mala a condizer, com a marca em grande não vá sermos miopes, casaco de pele castanho, bota a condizer e lenço camel ao pescoço. Ah, não tenho nada contra, verdade seja dita. Até gostava da criaturinha, à época. Depois curei-me mas isso são outros quinhentos. Noutro departamento.
A nossa tia entra na casa dos pastéis de Belém, com o seu maridão a condizer ( este muito mais a fingir que ela ). É que apesar de viverem na província, Lisboa fica a um passo e o casal gosta, acho que ainda deve gostar de arejamento na capital e sobretudo visitar as lojas, lá está, de marca, para o estilo, na sua santa terrinha, onde quem tem um olho é rei ( da cocada, mas pronto ). Escolhem uma mesa, sentam-se e são atendidos. Ele, o maridão diz querer pastéis de nata. Ela, a tia cheia de proa, diz: Não, eu não quero pastéis de nata, quero pastéis de Belém.
E como até para se ser tio tem de se ter estaleca, foi a vergonha total.
Juro que foi verdade. Não estava lá para assistir, mas o maridão da emproada tia contou à frente dela e ela não desmentiu.
Não há vez nenhuma que esteja a comer pastéis de belém que não me lembre desta santa ignorância que nem a faculdade atenua. O convívio. Os livros. Sei lá, cultura geral, não? Estou a falar de gente nova. Hoje andarão nos trinta e alguns.
Que barrigada de riso eu apanho em cima da barrigada de pastéis de nata de Belém!
recuerdos
fim de semana de truz...
Depois de uma noite ouvindo estalar a madeira por todos os cantos da casa onde fiquei este fim de semana e que não é a minha mas é de alguém meu, de estar sem televisão por motivos que nem a dona da casa percebeu, que nem vi o benfica ganhar ( iupiiiiiiiiiiiiiiii ) ao sporting que até deitaram fogo pelas ventas e não só,( ah pois é! ) de não poder desligar o computador por correr o risco de não voltar a ligar-me na net, de toda a noite ouvir ambulâncias e sirenes da polícia, barulho na rua dos bares da 24 de julho e da própria rua da casa onde fiquei, ( deviam ser gloriosos festejando vitórias ) de ter jantado assim para o pobrezinho ( uma tosta de atum e queijo, coca-cola zero e uvas, bem bom ) aviada que fui na loja dos indianos que está aberta até à meia-noite e a menina que lá está diz que não tem medo, nunca foi assaltada, o que hoje em dia é um milagre, até já em torres novas o é, depois de estar horas a falar com uma amiga ( até às 4 e muitos da manhã, que até lhe contei uma estória da carochinha que ela ainda não sabia e amou ) depois de ter comido um saco daqueles bem grandes de m&ms, ( carências concerteza ) de ter dado os parabéns ao meu príncipe, ( tristinha ), fui finalmente para a cama a tempo de perceber que estava regeladinha mas nada cansada de ver a vista magnífica que da janela e da varanda se avista, com o rio, o porto, a ponte, que perde as luzes lá para as 2 da manhã ficando apenas luzes vermelhas de presença ( ? ) e com o Cristo Rei em frente. Se eu fosse a Cátia da casa dos Segredos abriria os braços e diria a propósito do Cristo Rei, aquela coisa, assim ( e pareceria o próprio cristo de braços abertos ) que existe no Brasil...bem depois de tudo isto e de ter acordado imprópria para consumo saí de casa lá para as 2 horas da tarde sem comer nadinha pois que não me apetecia, para ir almoçar a Belém. Tenho pânico daquelas escadas de madeira e desço-as sempre perdida de medo de me estatelar e vir a rebolar 4 andares. E fui pé ante pé, um pedindo licença ao outro. Perfeito! Ao fechar a porta à chave, não sei que voltas dei que me desiquilibrei e fiquei sentada no último degrau da soleira da porta que é de pedra. Tão surpreendida me senti que disse alto - francamente! Em frente de mim um velho cigano, daqueles homens velhos, elegantes, todos vestidos de preto, chapéu e tudo, que de mãos nos bolsos me olhava num misto de provocação e gozo. Não consegui fazer-lhe um gesto com os dedos, braço ( amparei o tralho com o braço esquerdo e tenho-o rijo e negro ) ou articular qualquer impropério, mas só me ocorreu voltar a falar sozinha.
Francamente! Anda uma criatura com tanto cuidado e num segundo estatela-se escandalosamente na pedra da calçada duma calçada ali para os lados do rio.
Como já estou habituada a tralhos com muito mais aparato, levantei-me e sacudindo-me fui calçada abaixo, apanhar o 28, o que aconteceu passados 5 minutos.
O dia estava lindo, 18 graus de sol e calor, o rio também e Belém estava como eu gosto, cheio de vida, e os incidentes ficaram para trás. Até porque para trás mija a burra.
E depois, o meu príncipe ausente fazia anos e eu tinha a obrigação de estar feliz. E estive. Celebrando a vida.
Francamente! Anda uma criatura com tanto cuidado e num segundo estatela-se escandalosamente na pedra da calçada duma calçada ali para os lados do rio.
Como já estou habituada a tralhos com muito mais aparato, levantei-me e sacudindo-me fui calçada abaixo, apanhar o 28, o que aconteceu passados 5 minutos.
O dia estava lindo, 18 graus de sol e calor, o rio também e Belém estava como eu gosto, cheio de vida, e os incidentes ficaram para trás. Até porque para trás mija a burra.
E depois, o meu príncipe ausente fazia anos e eu tinha a obrigação de estar feliz. E estive. Celebrando a vida.
domingo, 27 de novembro de 2011
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