Temos o dever de lutar pela igualdade. Que nos dará o direito à diferença.
m.c.s.
sexta-feira, 7 de abril de 2017
quarta-feira, 29 de março de 2017
segunda-feira, 27 de março de 2017
sexta-feira, 24 de março de 2017
pretensão
São as vozes da noite que confiam segredos
que o dia não ousou contar
É nos sonhos dos justos que se vão revelar.
m.c.s.
que o dia não ousou contar
É nos sonhos dos justos que se vão revelar.
m.c.s.
quinta-feira, 23 de março de 2017
dádiva
Todos os dias a vida me diz
Que não procure a razão
Do bater do coração
E receba essa dádiva, feliz
m.c.s
Que não procure a razão
Do bater do coração
E receba essa dádiva, feliz
m.c.s
homofobia na ordem do dia
" Os moços não andam aí aos beijos. Não andam a fazer nada de mal. Quem não souber nem se nota ". João Maria, o maestro é um dos " moços ". Impedido de desempenhar as suas funções no coro da Igreja de Castanheira de Pera, por afastamento. Tomada de posição da Igreja, que inventou desculpas esfarrapadas que a motivaram, para não ser acusada de homofóbica. Pois que o maestro é gay e não tem problemas com a sua orientação sexual. E lá na terra, há quem diga que era um anjo branco; até descobrirem a sua homossexualidade - tendo desde então passado a demónio.
O coro está em pé de guerra e os fiéis pediram ajuda à ILGA para que o maestro João Maria possa retomar a sua actividade.
Castanheira de Pera é uma localidade de interior. A Igreja ainda se julga com o poderzinho abusivo e castrador sobre os seus paroquianos. Mas o povo acordou para a vida. Tem os olhos abertos. E sabe o que quer. E quer lá o maestro. E insurgiu-se contra a Igreja protegendo o maestro gay.
Muito me surpreende a Igreja. Tão escrupulosa num assunto para o qual tem telhados de vidro. E não é por ser do domínio público a existência de práticas homossexuais entre alguns membros. A homossexualidade é irrelevante. Os telhados de vidro são pura e simplesmente porque era suposto não se envolverem em práticas sexuais. Como defendem e tornaram ponto de honra. Lei. E sabemos que desde envolverem-se com as empregadas e fazerem filhos que ao longo dos tempos foram reconhecidos como afilhados, também entre eles se envolvem sexualmente.
Muito me surpreende este digníssimo coro. Justo. Que quer um maestro que estima. A quem reconhece grande capacidade de trabalho. Seja ele homossexual ou heterossexual.
E não me surpreende um pensamento dito por uma mulher à televisão - " Os moços não andam aí aos beijos. Não andam a fazer nada de mal. Quem não souber nem se nota ".
É que aparentemente parece " aceitação " da homossexualidade do maestro e do seu companheiro. Desde que não ofenda a sua condição de mulher séria. Logo, sabemos que se for como até agora, perfeito. O maestro porta-se bem. Mas não pode andar aos beijos com o seu moço, nem fazer nada de mal, tão pouco parecer que é um casal - sei lá, andar abraçado ou com manifestações públicas de afecto. É que se não o fizer nem vai parecer que é um casal. Gay.
Sabem o que vos digo? Uns mais homofóbicos que outros mas todos a anos luz duma sociedade justa e despreconceituosa. Igual.
Quando é que este povo percebe que a orientação sexual a cada um pertence? E a homossexualidade não é doença que se pega?
E aonde é que aprenderam que ser feliz só existe no dicionário dos heteros?
Enfim! Que longa caminhada na mentalidade este povo tem de fazer para ser pessoa. Sem género. Mas com número. E que não seja um zero. À esquerda.
m.c.s.
Não sejamos avestruzes
Não sejamos hipócritas. Nem avestruzes.
Há dias que se fala e com repugnância, revolta, zanga e grande patriotismo, de acusações que vieram da Holanda. País cheio de rabos de palha, dizem. Ressalvo - erva. E aproveita-se para falar dos turistas desse país, que chegam aqui à tuga e é o que se quiser e mais houver. Touradas que os levam de caixão à cova, aonde não faltam putas e vinho verde. E porquê? Porque os nativos, que agora consideram obscena e escandalosa essa matéria, oferecem de mão beijada o que de " melhor " têm para vender. Na loja. Porque não põem na montra. Como eles. Aí ficam os galos de Barcelos e as sardinhas de conserva. Inofensivamente.
Este país anda na boca do povo há séculos, por esses motivos. Elas são " um mal " necessário, dizem; e dizem até que é uma profissão como qualquer outra.
Quanto ao tintol, estamos carecas de saber que - é no norte, é no centro, é no sul, é a torto e a direito; todo o tuga e não só, gosta, até porque dizem que dá saúde( faz bem ao sangue e dá boas cores ). E faz crescer ( a do crescimento tenho dúvidas, mas se o povo diz...).
Ora, para se beber, tinto, branco e verde, é preciso ter estofo e pilim que as tascas acabaram-se e deram lugar a lugares sofisticados aonde pagas todo o luxo de que te rodeias. Para se chegar às senhoras da tal profissão mais antiga do mundo, ou elas acompanharem os cavalheiros, nessa modernidade a que chamam companheiras de luxo é preciso muito carcanhol. E onde é que circula a massa? Nos mais endinheirados. Nos que têm o poder. Económico, político e em profissões de topo. Logo, o senhor tem ou não tem razão, apesar das razões que se aplicam ao país dele?
É que uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa. E depois, trata-se do sul e todos sabemos que nessa situação geográfica é a loucura...
Enfim! Não sejamos mais papistas que o papa que o país para além de outras coisas e na pessoa dos que têm poder e dinheiro é de facto também, um país de putas e vinho verde. ( já o ouvi a muitos que hoje estão tão ofendidos ). E gasta-se nisso e noutros exageros, para não dizer que se usam dinheiros que não são seus em bens de luxo para uso próprio, o que daria para matar a fome a todos quantos vivem abaixo do limiar da pobreza. Isso sim, devia ofender-nos e muito.
m.c.s.
reflexão
Aos 60 temos a sabedoria, a lucidez e a confiança, o desapego e a aceitação, a inteligência afectiva e selectiva, que nos confere a possibilidade duma vida de qualidade e felicidade. De elevação. Mas
também a temos limitada no tempo futuro. Eis o grande senão...
Noutra reencarnação gostava que a evolução permitisse aos 60 sermos donos dessas armas mas com a possibilidade de vivermos outro tanto. Nessa tal felicidade e elevação.
m.c.s.
sexta-feira, 17 de março de 2017
pensamentando
Se me deres o teu sorriso terás a minha mão.
Se para mim gargalhares, para ti se rirá, o meu coração.
quinta-feira, 9 de março de 2017
terça-feira, 7 de março de 2017
segunda-feira, 6 de março de 2017
sábado, 25 de fevereiro de 2017
por falar em género - Somos Grandes!
As mulheres são muito corajosas, batalhadoras, persistentes, resilientes. Umas vencedoras.
E resolvem-se muito bem. Ultrapassando obstáculos porque teve de ser. Porque aprenderam a gostar delas. Porque descobriram que podem ser invencíveis. Incomparáveis. Insubstituíveis.
Ainda há pouco eram inferiores. Servas. Do mundo. Masculino. Hoje passaram-lhes a perna ( aos homens ) e são tão mais independentes, tão mais livres, tão mais sorridentes, bem humoradas, resolvidas, felizes, que eles.
A saber - Independentemente da idade -
Fazem viagens sozinhas e acompanhadas de outras mulheres.
Reúnem-se com as amigas para conversarem ou fazerem compras.
Almoçam, lancham, vão a bares, pubs, discotecas, juntas, para se DIVERTIREM, ( apenas e só ).
Vão ao cinema, ao teatro, a concertos, a museus, sozinhas ou em grupo, completamente indiferentes ao que o povo pensa e julga.
Escolhem ficar em casa e não deprimem. Falam horas ao telefone, vão para a internet sem complexos, vêem programas de televisão, mesmo os pirosos e assumem que os vêem e gostam.
Saem com homens sem intenções que não sejam as de saírem, estarem, socializarem. Pelo prazer da companhia.
São empresárias de sucesso. Quando ocupam cargos de chefia fazem-no como ninguém. Têm por mérito e conquista, profissões ditas de homens; e não lhes ficam a dever, em nada.
E ainda fazem milhões de coisas obrigatórias e que ninguém faz por elas.
Limpam, lavam, esfregam, cozinham, engomam. Têm as suas profissões para além das lides domésticas. Parem filhos. Tratam deles. Levam-nos à escola. Às actividades extra-escolares. Educam-nos. Mimam-nos.
Têm maridos. Que, ou não fazem nada ou apenas " ajudam ". Têm netos que cuidam.
São activas sexualmente sem pudores nem preconceitos.
As mulheres não precisam de provar mais nada aos homens. Têm o mundo nas mãos se o desejarem. Porque o merecem.
Por vezes, astutas que são, preferem que o mundo esteja aos seus pés. E fazem-se de parvas.
Cada vez mais admiro o género feminino em que me incluo.
Somos Grandes!
escolha
Eu já não acordo. Desperto.
Porque no dia,
bem cedo, me faço nascer,
renascendo-me para a fantasia,
do tempo que vou viver.
m.c.s.
Porque no dia,
bem cedo, me faço nascer,
renascendo-me para a fantasia,
do tempo que vou viver.
m.c.s.
o rapaz do acordeão
O rapaz do acordeão toca - O primeiro amor - do Carlos Paião.
O cãozito que o acompanha equilibra-se como pode em cima do dito acordeão.
Só os turistas estendem a mão e despejam uma moeda num copo.
Os naturais andam a ver se equilibram o mês com os parcos tostões que vão tendo.
O metro, indiferente, pára no Martim Moniz.
O rapaz sai. Com certeza para ir tocar para outra freguesia. Mais rica ou generosa...
m.c.s.
O cãozito que o acompanha equilibra-se como pode em cima do dito acordeão.
Só os turistas estendem a mão e despejam uma moeda num copo.
Os naturais andam a ver se equilibram o mês com os parcos tostões que vão tendo.
O metro, indiferente, pára no Martim Moniz.
O rapaz sai. Com certeza para ir tocar para outra freguesia. Mais rica ou generosa...
m.c.s.
no balanço dos carris, tanto mar...
No balanço dos carris, à janela do horizonte, contemplo as gaivotas em terra, nuvens cinzentas, a chuva grossa, o mar revolto: o tempo invernando-se. Enquanto a viagem me leva para casa.
Dou por mim a questionar quantas casas tenho eu. Que pedaço me pertence. A que chão me entrego. Nua e pura. Genuína. Rendida e renovada.
No balanço dos carris, inevitavelmente e por comparação, apelo, nostalgia, ou por ser essa a minha sina, há um momento que me distraio e caminho até à linha que limita as águas em turbilhão. Ultrapasso-a num passo de gigante, igual ao sonho sem fronteiras, que mora dentro de mim.
Sinto-me, calema. Galgando horizontes.
E quero-me chegada à terra de cacimbos e sois, perfume da flor de frangipani e d' acácias. Sabor de manga, caju, gajaja e pitanga.
Chegada à terra onde o céu se deixa tocar pela ponta dos meus dedos.
Quero-me chegada ao sotaque. Aos contrastes. À raiz...
No balanço dos carris dou colo à minha saudade.
Mas regresso ao inverno frio e chuvoso e garanto o meu lugar aqui.
Havia porém tanto sol e tanto mar para desbravar, uma geografia tão diferente para sentir e percorrer, ( que há muito me tatuou ), fosse eu um albatroz de águas do sul!
m.c.s.
do amor...
...é que o Amor não escolhe. Nem tem escolha.
Encontra-se. Sem marcar encontro.
...é que entre o pressentir e o existir, acontece...
m.c.s
Encontra-se. Sem marcar encontro.
...é que entre o pressentir e o existir, acontece...
m.c.s
se eu for ver o mar...
Se eu for ver o mar
levar-lhe-ei uma rosa
Oferenda a Iemanjá...
E à deusa das águas, Rainha e Mãe,
deixarei a minha prosa,
um agradecimento
e um pedido também
Se eu for ver o mar,
maré em crescimento
farei uma prece
que possa ser lei
Voltar a viver
também eu rainha, sem coroa nem rei
E livre,
meu reino escolher
Ah! Se eu for ver o mar...
Que feliz serei
quando o avistar,
quando, de lá - e a mim, regressar...
m.c.s.
levar-lhe-ei uma rosa
Oferenda a Iemanjá...
E à deusa das águas, Rainha e Mãe,
deixarei a minha prosa,
um agradecimento
e um pedido também
Se eu for ver o mar,
maré em crescimento
farei uma prece
que possa ser lei
Voltar a viver
também eu rainha, sem coroa nem rei
E livre,
meu reino escolher
Ah! Se eu for ver o mar...
Que feliz serei
quando o avistar,
quando, de lá - e a mim, regressar...
m.c.s.
ditado
" Tem homem que ao longe é um Anjo e ao pé é um desarrAnjo "
Ouvido no metro. A uma mulher brasileira enquanto aconselhava uma amiga portuguesa. O tema era amor e homens. Conquistas. ;)
m.c.s
enganada ou quê? Quê...
Depois de dar uma volta ao quarteirão, que na verdade são uns 3 kms, abrandei a marcha e fui ao Pingo Doce da Póvoa, que serve também o Olival - pois que aqui é tudo paredes meias umas terras com as outras. Porque a tarde de ontem foi pacífica e caseira estava sem pressa e pude passear-me
pelos corredores da média superfície vendo a tal qualidade/preço a que nunca liguei mas que nos tempos que correm é necessário nela atentar; e munidos de máquina calculadora, mesmo se for de cabeça.
Andava eu no corredor dos iogurtes quando me saem ao caminho duas miúdas.
E quando digo miúdas não me refiro a crianças, mas adolescentes espigadotas. Entre os 12 e os 14 anos. Magritas. Altas. Bonitas. Bem vestidas. Negras.
- A senhora pode dar-nos um euro? Devo ter franzido a testa, incrédula pela abordagem. Então a mesma adiantou - Viemos comprar um pacote de bolachas mas só temos 50 cêntimos. E custa 65. pensámos que a senhora podia ajudar-nos. Ri-me com a situação. Ou estavam a gozar com a minha
cara, ou me acharam otária, ou quê....
- Mas se têm 50 e as bolachas custam 65 para que é que precisam de um euro? Então a outra adiantou -- O que queremos é o resto que falta. A rir ainda, abri a carteira tirei um euro que lhes dei - Vou dar-vos um euro mas vocês não devem sair por ai a pedir dinheiro à toa. Podem dar-se mal.
Se for um adulto mal intencionado pode fazer-vos mal. Ficaram com carita de envergonhadas. Ou quê...
Perguntei de onde eram. Responderam - De Angola - Eu também sou. Disse-lhes. O rosto delas iluminou-se. D' aonde? De Luanda, respondi. A que me abordou, a sorrir até às orelhas, disse ser de Luanda e a outra de Benguela. Vi-as ir embora sorridentes. Com o euro. Não sei o que foi aquilo. Se quiseram enganar-me ou se foi ingenuidade e gulodice. Mas sei que gostei de lhes dar esse euro. Por conta de duas kanucas bonitas da minha terra, que queriam comer bolachas. Ou não...
m.c.s.
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