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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

delírio

foto tukayana.blogspot
Deixo o olhar cair no distante do tempo que já nem sei se se ergue na memória se sou eu a delirar de febre e me fico assim quieta, tipo estátua, numa languidez que sabe a conforto e a casa. Me vejo lá na rua espreitando o 16 que demora a chegar, para a Terra Nova. Ocorre-me a terra nova que outros ainda não lhe contemplaram porque foram olhar outros horizontes mais limitados e perderam a vontade de sonhar. Sei que quase todos foram arrastados pelos cabelos, espernearam, xingaram mas cederam. Medo. Muito. Sobrevivência...
Eu também.
Deixo o olhar cair no esquecimento fingido e no cavalo de batalha, a medir forças e me sinto fraca já porque eu queria mesmo era espreitar, não o 16, mas a noite que chegou há pouco, céu estrelado, canto de rua, candongueiro businando, candengue correndo, acácia florindo, kota tirando o chapéu, manga escorrendo nos braços, sol se avermelhando, povo sotaqueando e baía prateando da lua cheia.
Deixo o olhar cair no hoje do ano passado. No Cruzeiro. No abraço na minha mãe africana que é catanhó de nascença e angolana de coração e na vizinha Rosa, branca de Luanda. Do Sambizanga.
Lhes abracei que dois braços não chegaram.
Lhes abracei com os olhos que até choraram parecia chafariz correndo água na lata. Com o sorriso aberto que foi até às orelhas. Lhes abracei com as palavras, muitas que desconsegui deixar no silêncio da emoção. Com a alma que fui buscar no imbondeiro onde estava pendurada desde o outro ano que passou.
Lhes abracei que até senti que ia estoirar de alegria e felicidade.
Deixo o olhar cair atordoado na lembrança. Nesse sonho de me enfeitiçar o ano inteiro até voltar a lhes abraçar.
É mesmo quando que voltas mais? Xé, diz lá então! Me pergunta o olhar caído num beco de mim onde mora uma esperança de me renascer em cacimbados dias de julho, no signo, na sina, no destino que quero traçar. Escrever e transformar em documento legal selando a vontade.
Deixo o olhar cair no mapa, no mar, na terra e no céu e lhe toco de leve, acariciando cada traço, cada onda, cada rua, cada estrela e só de lhe pensar já sou já feliz.


( faz hoje um ano que fui abraçar a minha querida Arminda )

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

enquanto o pau vai e vem...




Há semanas felizes!
Que coisa boa, ainda agora ter ( re) começado a semana e amanhã já ser sexta-feira.
Semana sim, semana não, isso é que era.
O sonho de qualquer funcionário público ( o meu era ) atrofiado na subtracção do seu salário, enquanto ouve de cabeça perdida, criaturas como A. J. Jardim e seus muchachos.
E o povo, Jesus, o povo! Que ninguém lhes disse que cegaram.
Só cá por causa de coisas, não vou tão depressa à Madeira. Nem com pontes nem sem dinheiro.
Mas semanas com feriado à 4ª feira são semanas abençoadas cá no continente e eu gosto.
Bato na madeira para que não nos tirem os feriaditos que aproveito sempre. Nem que seja para estar no dolce fare niente.

E enquanto o pau vai e vem, folgam as costas.

quinta-feira, 18 de agosto de 2011

sonhar

Já me chamaram cabeça no ar, tonta, sonhadora, romântica, e até já me chamaram outras coisas que não digo aqui, mas eu não me importo. Coitados, não sabem do que falam...perdoar-lhes, não sei não, mas, esqueço. Quem esquece, perdoa, por isso estão perdoados e até estarão os que ainda não chamaram, mas hão-de chamar. O coração ocupado com rancores é um coração sem espaço para os meus sonhos e romantismos e eu prefiro ser tonta a ser rancorosa. Só por isso.
Vale a pena sonhar. E porque é que vale a pena ser do jeito que eu sou? Parece que as coisas veem ter comigo. Deve ser à força de tanto pensar nelas e as desejar. Se não, vejamos:
Dois dias, duas surpresas boas. Uma, foi uma família, de 4 pessoas que veio a Alcanena ver-me, acompanhada de mais duas pessoas. Todos da minha família. A família que mais prezo, que mais amo e respeito. Bem sei que o motivo que os trouxe não foi bom, foi o pior de todos, mas cumprida essa parte, tive-os só para receber um alô, pois trás-os-montes fica atrás do sol posto e a vida deles não é isto. Foi muito bom vê-los. Abençoada tonteira com que fico quando estou com estas pessoas que amo tanto.
Outra, foi hoje, logo pela manhã. Na hora do avião da Taag estar para sair de Lisboa. Um telefonema directamente do avião é um telefonema que me deixa sempre em transe, com a cabeça no ar. E vôo, vôo para Luanda num ápice. E depois de desligar tenho uma manhã muito mais colorida e sonhadora. Abençoado telefonema que me deixa tão feliz por falar com uma kamba do peito e ainda por cima saber umas novidades que me agradaram. Já há vôos Porto/ Luanda e Luanda/Porto. Mas a notícia boa é que são mais baratos. A parte má é que não são diários. Claro né? Mas se calhar vale a pena, dado que tenho comboio no Entroncamento para o Porto. Ainda falta algum tempo até voltar a Luanda, mas como o tempo voa, tal como os meus pensamentos e os sonhos, tenho que me pôr bem nesta possibilidade e perceber se pode ser.
Ora bem, se todos os dias tivesse uma surpresa boa, como estas, a vida não precisava de ser tão estupidamente sonhada. Isto para dizer que, se não andasse tão entediada e a precisar de algo que me anime nem me aperceberia de que afinal o sonho construído, mais tarde, se torna realidade que até parece um sonho.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

esperando X

foto tukayana.blogspot


quinta-feira, 11 de agosto de 2011