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quinta-feira, 13 de outubro de 2011

melhora rápido, meu amor

Diz a caçula que ontem o escorpião estava protegido. Se não estivesse, o que teria acontecido? Não quero nem pensar. Dá-me um meeeeeeedo, que me põe as pernas fracas e o coração a fazer taquicardia.
Sabes que continuo com o coração apertadinho? Pois...
Desde que nasceste que nunca mais relaxei completamente. Hoje trocava contigo na boa, sem sequer pestanejar.
Quero muito poder estar contigo, naqueles dias que estamos a almoçar e olho para ti e te digo:
Estás tão bonita minha filha!
E tu sorris como quem diz - mães! O que se há-de fazer!
Melhora rápido, meu amor, porque eu não sei o que fazer com este aperto no coração.
Um abraço maior do que o Universo.

quarta-feira, 15 de junho de 2011

mau sinal

Dei comigo infeliz, descendo as escadas, para a rua. Logo pela manhã. Quando me sinto vazia, dá-me sono. Ontem, às 11 horas, sucumbi. Nem a televisão liguei. Mergulhei nos lençóis completamente bêbada de sono e cansaço. Acordei de madrugada com a D. Pitanga jogando à bola, uma bola de enfeitar a árvore de natal que ela guarda religiosamente debaixo das camas para que eu não lhe chegue ( digo eu ). A pobre da Augusta, a vizinha de baixo, é que há-de sofrer com o ruído provocado por ela, embora nunca se me tenha queixado. Ela sabe que eu tenho uma gata já há algum tempo.
Tive um sonho estranho. Eu sonho muito. E lembro-me dos sonhos. E sonho a cores. Há quem diga que não se sonha a cores. Eu cá, sonho. Passei a noite a sonhar com pés. Os meus pés. No pé direito, as unhas pintadas de vermelho. No esquerdo, apenas um dedo tinha uma unha pintada. De preto. Nunca pintei as unhas de preto. Nada contra ou a favor. Não pintei e pronto. Nem sou louca de pintar uma unha, deixando os outros quatro dedos nús. Acho até de muito mau gosto do meu subconsciente, sonhar com unhas dos pés, com tanta coisa boa para se sonhar. A menos que fosse um aviso. Desde que sonhei com um ex-namorado que não via há 18 anos e no dia seguinte, ele me apareceu ao balcão do meu local de trabalho, encontro que seria completamente improvável, pois a criatura até vivia em Moçambique e não sabia onde eu vivia ( achava eu ), já acredito em tudo.
Desci as escadas do prédio, nos meus saltos castanhos, sandálias compradas aquando a minha última estadia na Nazaré, às 8,o2 horas. Não estava atrasada, se bem que tivesse que alargar o passo. A meio das escadas senti uma picadela no pé direito. Parecia um vidro entrando no meu rico pé. E eis que se fez luz. Era sim, um vidrinho ou dois ou três. Esta coisa fofa, meio beje meio preta, olho azul, que se ajeita no meu colo quando estou no computador e se enrola como um lindo pompom, lambendo-me as mãos e querendo brincar com as minhas pulseiras, que estica a pata para me fazer uma festa na cara, e que me olha calma e embevecidamente, é uma fingida preversa. Não fosse ela siamesa. Quando estava a caminho do quarto, comigo, como todas as noites, pois que acha que se deve deitar quando eu me deito e tem para ela que o meu quarto é também o seu quarto, parou para ir ali e já volto, ou seja, com a sua patinha matreira, tombar uma vela e o suporte da mesma, em vidro. Já lá chegaram não foi? Pois foi. Cacos. Vidros em mil pedaços. Uma vassourinha e uma pá, em vez de um aspirador que já era tarde para barulhos. Também por isso não fiz ali mesmo uma escandaleira, dando-lhe com o chinelo e fechando a porta do quarto para que não entrasse. Se querem saber, ela tem um sexto sentido para a escolha. São sempre peças que eu já não posso ver à frente do nariz. Hoje, como sempre, descalça, que eu não sou pessoa para calçar chinelos ao sair da cama, não senhora, fiz as minhas tarefas matinais todas, percorrendo a casa. Na rua enquanto pensava na forma de chegar ao autocarro com esta incapacidade, a raiva, duas raivas foram crescendo. Uma, já sabem para quem era dirigida, para a D. Pitanga. A outra, para mim, porque uma senhora não deve andar descalça em lado nenhum, sobretudo em casa se não tem uma alminha a quem recorrer para estender o pezinho e com uma pinça, a alminha o escarafunchar até tirar vitoriosamente o objecto cortante. Uma criatura sozinha aprende a valer-se e até conquista o espaço, o tempo a seu bel-prazer e torna-se um nada egoísta, mas, xiça penico, como me tinha dado jeito alguém, uma mão que me resolvesse o problema do pé...Em suma, seguiram-se momentos que me aborreceram, tais como andar devagar, com o pé torto para que não me doesse, apanhar o TUT pois não chegaria a tempo ao meu autocarro de outro jeito e continuar com o vidro cá dentro até agora. Bem, resumindo e concluindo, sonhar com pés, agora posso dizê-lo, dá azar. Cruzes, canhoto, chapéu de côco...

sexta-feira, 20 de maio de 2011

mais um

Quando uma pessoa vai para velha até...deixem lá, que ia sair disparate. Quando uma criatura vai para velha tudo lhe acontece. Tinha jantado um ensopado de cabrito com grelos, de companhia com gente que amo muito, um deles, há uns anos que não nos abraçavamos num daquele abraços maiores do que o Universo, pelo que desta vez não nos fizemos rogados. Estava na hora das despedidas. Até sabe-se lá quando. Doi-me sempre muito. Doi-me literalmente.

Levantei-me para fazer um pipi e lavar as mãos. Tinha uma viagem de mais de três horas para fazer, nas Ás todas que o norte tem. A24, A25, A1, A23...Não conhecia a casa de banho do restaurante paronâmico a caminho de Murça, antes das curvas começarem, que nos oferece uma paisagem deslumbrante. Abri a porta e encontrei escuridão e duas paredes. Procurei o interruptor por apalpação. E zás! Quem disse que não se pensa? E não se assusta? E não entra em pânico? É mentira. É rápido mas sabemos exactamente o que está a acontecer quando vamos galgando degraus, saltando-os até pararmos, assim lá para o 8º, com as mãos cheias de sangue e em carne viva, falanges sem pele, cotovelos esfolados, pé torcido e tornozelo dormente. O que é que eu faço a isto? Alguém me diz? Eu não acredito que tenha tanta queda para a queda, o tralho, a asneira. Logo pela manhã deixara no sapateiro dois pares de sandálias que rebentei em quedas que dei no verão. E ao calçar umas terceiras, estas novas, disse de mim para mim, maria clara, vais toda empiriquitada para lá do marão, mas ali mandam os que já lá estão. Se cais lá, se vão umas sandalocas acabadinhas de estrear que te custaram os olhos da cara, num devaneio aquando da estadia na Nazaré na semana da Páscoa. E se o pensei, mais depressa aconteceu. Tenho para mim que devia comprar daqueles sapatos ortopédicos em rede que as velhas usam. Tenho para mim que não devia pôr o pé na rua, embora um dos meus maiores espalhanços que até fiquei sem fala foi numa passagem de ano dentro de casa, há uns anos atrás. Hoje as minhas mãos que foram as mais atingidas, no desespero de tentar agarrar-me, doem-me que eu sei lá. Meto-me em caminhos apertados e depois dá nisto. Mas, tudo bem, quando acaba bem. Até à próxima.