quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

domingo, 14 de dezembro de 2014

à sexta, não é sábado

O mundo lá fora existe. E mexe. Remexe e acena. 
Provoca...
Ou nos toca ou nos deixa indiferente.
É um processo. Uma escolha.
Amanhece. Depois, o dia cresce. E fecha-se no horizonte. 
Faz a ponte para a noite que nos escurece. Para o dia de amanhã.
Os sonhos? Sonhados. Ou adiados. 
Os votos? Cruz ao calhas. Ou em branco. Renovados. E a crença,  nem sempre vence.
Mas sábado é diferente. E a gente espera. A gente joga. Com batota. 
À sexta-feira engravida-se de alegria e encanto. Bebe-se dança-se e excede-se. Dá-se largas ao corpo e ao sexo. E chora-se pelas ruas da amargura d' outros prantos. Peregrinos.
Renovam-se os votos e as esperanças. As promessas. 
No descanso. No encontro de afectos. Num almoço marcado, num passeio explorado. Numa surpresa, um sorriso. 
Uma piada. Duas gargalhadas. Num engate. P' ra depois. 
À sexta-feira o mundo lá fora existe. 
Cá dentro é rosa. Com perfume de romã.
Encho o peito. E olho p' ra lá do monte.
Trinco a maçã...
Inspiro com força e me deleito nas linhas da vida que espero imperfeitamente perfeita. P' ra hoje. 
Não quero viver de véspera. Hoje não é amanhã.

hoje contra o Porto

A vida toda. O ano inteiro. De inverno e de verão. .
Na catedral ou noutro estádio menor. Na rua, no ar, no mar, até debaixo d' água...
No centro comercial, no sofá, ou em casa. 

No Natal. Benfica sempre... 
Quer ganhe ou empate. E se perder não faz mal porque lhe serei sempre leal.
Benfica, tu és o meu amor, tu és o meu amor, seja onde for, força Benfica!

uma história de quase natal

- Que chatice, a greve! A semana que vem vai ser dura. O que vale é que só faltam duas semanas. Temos a apresentação dos trabalhos...
- Temos que avisar a professora.
- É. E olha que nem a do metro é de 24 horas...
- Vamos mudar de assunto, Miguel que é que pediste ao Pai Natal?
- Tudo. ( sorrisos malandros para o lado e para a frente onde estavam as meninas )
- Meias...( risos ). Tens que pedir juntamente com o livro.( disse ela )
- Os meus pais dão-me sempre tudo o que quero. ( ele )
Elas olharam uma para a outra. 
- As meias dão sempre jeito ( uma delas ) eu gosto de receber. 
- Yeah! Pijamas não curto, mas meias gosto. Bem quentinhas. ( a outra )
- Eu gosto de receber pijamas. Dos polares. ( a primeira )
- E de preferência com lençóis polares também, p' ra ser o pacote inteiro. Não tenho nenhuns. Só de flanela. ( a segunda )
- E tu Miguel? Só calores né? Dormes de ar condicionado.
E o Miguel ri-se. Sem jeito. Elas já tinham estado a falar da bolsa de cada uma. Que dava para o passe e para alguma parte das propinas mas não as cobria na totalidade. Ele de Cascais, onde vivia. Do atraso dos comboios. Que se verifica mais que nunca agora.
- Sabes o que são lençóis polares, pijamas polares? Sorriso de desdém. ( uma delas )
- Soube há 2 minutos. (ele) Riram os três. 
Claramente, elas eram as estudantes pobres. Ele o menino rico. Os três, parecia, darem-se muito bem. 
Eles ( dois ) em frente de mim e uma ao lado. No metro.
Eu a caminho da Baixa. Ainda sem o espírito do Natal. Sem vislumbrar a rena e o pai natal, a neve e os coscorões. A chaminé e o sapatinho. A aletria, o polvo e a missa do galo.
A pensar em presentes possíveis. Meias? Nunca gostei que mas dessem. Lençóis também não. E pijamas pior um pouco. 
Há dias dei comigo a pedir um pijama. E compraram-mo. Meias e lençóis não me ocorreu, mas...também não dizia que não.
Eu a caminho da Baixa. Ainda sem o espírito do Natal...
Eu a querer saltar a quadra. Mas sem energia para o fazer. 
Eu a não querer apagar o sorriso que os putos me deixaram.
Eu sem o conseguir.
Não há natal que me alegre. Sem o espírito natalício. Eu que nunca estive tão pobre. E o espírito reclama. 
E não vá empobrecer-se também o espírito...

a partir do Oriente...


a nova avenida da Praia do Bispo - Luanda






sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Angola linda, em tempos diferentes








No espírito do Natal


Barcelona do meu olhar - Desde a Sagrada Família






fotos tukayana.blogspot

liberdade

Soltam-se os demónios em chamas
Por entre as lembranças mortas,
Abeiram-se de algumas portas
E deitam-se naquelas camas
Que os recebem clamando...
Soltam-se os fantasmas, cantando
Insistentes e radiantes
Desumanos...
Ouvem-se aplausos das gentes
Nos pesadelos da louca
Abutres rindo sem boca,
Seres medonhos, repelentes
E corações dilacerados
Há muito no inferno penando
Desterrados...
Soltam-se acordes, batuques
Sons, gestos e dor
Espíritos sem pés, dançando 
Sem ritmo nem claves de sol 
Decepados
Expurgando-se
E tentam um passo, um caminho
Pró medo de serem diferentes
Não aceites, maltratados
Desafiados...
Soltam-se as lendas 
E os sentimentos esquecidos
Ignorados
Enraízados....
Soltam-se amarras, correntes
Alguns cadeados
Acendem-se luzes, uma vela
Traça-se uma saída na tela
E o mundo é dos apaixonados
Soltam-se demónios em chamas
E deitam-se amores nessas camas...

m.c.s.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

dona Pitanga no seu melhor


pote de mel

- Não me digas que lavaste o pijama que vesti a semana passada?!
- Pois lavei. Disseste que estava apertado. Comprei-te outro. Rosa, às flores. A dar com as botinhas de dormir. Uma roupa de princesa. ( risos )
- Isso foi para o texto. Não estava e gostei bué dele. ( estava um pouco sim, mas nada que não sobrevivesse a umas horas de sono bem dormido ).
Depois duma viagem de hora e meia, cheguei. De novo. Para mais dias. Como planeado.
Passei o dia aqui. Pela meia-noite acusei o cansaço. 
- Vou subir. 
- Se precisares de alguma coisa, diz. 
Subi as escadas. A casa estava fria. Gelada. Entrei no quarto. Um borralho. 
O aquecimento, ligado. 
Em cima da cama, o pijama novo. Rosa, de princesa. As botas de dormir a condizer. O robe.
As toalhas. A cama aberta. Os lençóis brancos, bordados à mão.
Um pote de mel no meu coração...

um dia destes...

Um dia destes, junto as minhas mágoas, ódios de estimação, vinganças e até frustração, que trago guardados na fatídica gaveta da memória, descomplexo calcanhares de aquiles, lanço tudo às feras e faço uma fogueira, gaste o que gastar. 
Converto tudo em cinzas, que ao mar vou deitar e acabo com um, mil e mais um, de muitos capítulos, mil e mais que muitas, tristes histórias que me andam a encher. Que estão a transbordar.
Um dia destes, junto as minhas asneiras, enumero-as, uma a uma, com precisão e intimidade, trato-as com todo o cuidado, mesmo os pais nossos tortos, os aviõezinhos com os dedos, impropérios, inconveniências, matumbices, precipitações e distracções, faço-lhes um velório, com velas e flores, tulipas negras, véus, carpideiras, mãos no peito, por minha culpa, minha tão grande e única culpa. Mil perdões, pelas ofensas, más intenções e piores decisões e vão jazer em paz nos quintos do inferno. P' ra não cair em tentações, recaídas, inevitáveis seduções. 
Um dia destes, pode ser a inventar, semana de nove dias que alguém há-de achar, vou despir-me sem pruridos, inquietações, nem travões, vou tomar banho de luar, estrelas cadentes e o que no céu mais estiver a dar, vá lá, chuva também e lavar, esfregar e limpar a alma com fé, até esta se libertar dos kalundus e purificar. Olhar o mundo de baixo, do lado e também de cima, para me convencer que são todos como eu. Nus de más intenções, cobertos de muitas razões. Humanos no errar, desumanos no sentir, ímpares no amar. Iguais no ressacar.
Um dia destes, sem marcação d' hora, agenda, nem cruz no calendário, sem compromisso afinal, muletas, sorrisos pardos, pancadinhas nas costas, ou apupos e indirectas, ressabiamentos e outros males menores, apenas um dia e só, daqueles que o universo escolher, vou ajoelhar. Pedir perdão e orar. Para me ressuscitar. E me converter.
Para novamente viver a ganhar, empatar e perder. Dar vazão ao coração e ter espaço e oportunidade, sabedoria, esperteza, matreirice e muito jogo de cintura para de novo me magoar. Perdoar. E asneirar. Na gargalhada de desdém, nos aviões com os dedos, nas bocas para lá de foleiras, no erro ou propósito de não me requintar.
Para ao sabor do tempo, do vento e do que for e será, me repetir e também inovar.
Um dia destes...se não for antes...

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

o Salvador

Se estás com Deus estás a salvo. E até o diabo vacila.
Hoje acordei com Ele. O Salvador.
Não há demónios que me atormentem. Nem fantasmas. 
Aprendizes de feiticeiros. Crápulas. Invejosos. Egoístas. Indiferentes.
Hoje a energia do Universo tocou-me e vou ser feliz.

m.c.s.

há mulheres

Há mulheres que amam com a força do mar revolto e do vulcão, 
com a brandura de afago de mãe e da brisa de verão, 
com a coragem do trapezista,
a garra do leão,
com a ingenuidade da criança,
com a verdade do coração.
Há mulheres tão genuinamente fiéis e leais que se acontece a paixão por um seu diferente, o mundo passa a ser seu igual em género e número.
Há mulheres, diamantes por lapidar. Vidro que pode quebrar.
Podem até cair. Levantam-se e não deixam de acreditar.
Há mulheres que escolhem como destino, o amor, amar.

m.c.s.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

benficando-se

Pitanga
Pitanguinha,
Não é tanga
Minha Gatinha
É uma manta encarnada,

Encarnadinha,
P'ra te proteger do frio e mais nada.


m.c.s.

porque foi sábado

Hoje é sábado. Devia ser um dia diferente. 
Porque o sábado faz a diferença. 
Porque nessa diferença eu sou diferente. 
Mas em tudo foi igual ao domingo ou terça-feira. 
Porque tenho eu esta (in)diferença hoje, sábado?
Porque o que faz os sábados diferentes não é ser sábado, mas libertares todos os dias em mim, sábado que és. Tu. Diferente.

m.c.s.

...

Esta noite estiveste no melhor lugar de mim.
No meu sonho... 

divagação

...e os dias passaram. 
A andorinha partiu, o rio secou e o frio doeu.
No mar, as águas se arredaram para a tristeza passar. As ondas, foram passadeira por onde havia de caminhar. Para se reinventar. Para se salvar.
...e os dias passaram. 
As folhas se amareleceram. E espalharam-se pelo alcatrão. Morada. Chão vagabundo, desse pisar.
O pão endureceu. A palavra se calou, o poema se perdeu e eu estéril reconstrui os dias que teimosamente ficaram. 
E assim, só assim, os dias passaram...

m.c.s.