Amanheci anoitecendo na queda das horas,
no leito acordada
no silêncio sem fim...
Por entre melodias inventadas
Ergui os sonhos da madrugada
Que jaziam em mim
E despi-me dos medos
Intimidades, segredos, das horas tardias
Anoitecendo-os
E adormecendo-os assim...
Porque hoje, a noite, foi de viagem
Pendurada na lua
Porque hoje o sol me deu a coragem
De dançar na rua
Coberta com um manto
A dança d'um ventre parindo em despranto
Estrelas cadentes
Esperanças, sementes
Auroras sem dor
Porque hoje a vontade amanheceu reinando
Espreguiçando o amor
m.c.s.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
mote
Exalo perfumes vários, na manhã que amanheceu de véspera
São contos, conquistas, sentidos...
Encontros, trocas e laços, que ato, desato e sorrio
Na gratidão deste acordar
Goiabas amarelas, doces
Pedaços duma lembrança
Que toco com o meu olhar
Ávido, saudoso e traquina
Quintais guardando segredos, memórias de encantar
Passos que quis seguros, na solidão do bocejar
Suspendo noites frias, outonos tristes e vazios,
Máscaras das cores sombrias
Paletas de sonhos às cores, que se perderam no ar
E histórias de desencantar
Exalo o perfume doce, duma terra que se faz presente
Pela boca do meu paladar
Pelo cheiro antigo, rendeiro
Pelo coração teimoso e ávido
Pelo desejo sorrateiro
Do espírito a divagar
Exalo perfumes vários, na manhã que amanheceu de véspera
E me despertou o despertar...
m.c.s.
São contos, conquistas, sentidos...
Encontros, trocas e laços, que ato, desato e sorrio
Na gratidão deste acordar
Goiabas amarelas, doces
Pedaços duma lembrança
Que toco com o meu olhar
Ávido, saudoso e traquina
Quintais guardando segredos, memórias de encantar
Passos que quis seguros, na solidão do bocejar
Suspendo noites frias, outonos tristes e vazios,
Máscaras das cores sombrias
Paletas de sonhos às cores, que se perderam no ar
E histórias de desencantar
Exalo o perfume doce, duma terra que se faz presente
Pela boca do meu paladar
Pelo cheiro antigo, rendeiro
Pelo coração teimoso e ávido
Pelo desejo sorrateiro
Do espírito a divagar
Exalo perfumes vários, na manhã que amanheceu de véspera
E me despertou o despertar...
m.c.s.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
migas com costeletas de carneiro
Para as migas: Azeite, alhos picados e folha de louro. Num tacho estes ingredientes vão ao lume. adicionar a seguir as couves( grelos, ou caldo verde, conforme o ue gostarem ) cozidas e cortadas, o feijão manteiga e a broa esfarelada. Mexer tudo e deixar cozinhar um pouco até à consistência de migas.
Facultativo ( caldo de carne, pedaços de bacon aquando dos alhos, a estrugirem e deixá-los ficarem no cozinhado )
Para as costeletas: sal, alho e limão. Grelhar em azeite.
Para as costeletas: sal, alho e limão. Grelhar em azeite.
em chez moi - salada fresca
Tiras de manga; alface; tomate; delícias do mar; sementes de abóbora; bagas de goji, queijo fresco. Molho de queijo e iogurte.
terça-feira, 21 de outubro de 2014
porque hoje é hoje
Hoje é o dia de ficar em casa. E não fui eu que o escolhi. Escolheu quem pode. Quem instituiu o dia de hoje para que o metropolitano parasse.
Nada contra, tudo a favor, note-se. Nem sequer quero ir por aí. Aliás não posso ir por aí porque não tenho metro para decidir aonde quero ir.
Hoje é dia de criar alternativas a esta limitação.
A menos que arrisque ir para a paragem do autocarro a vê-los passar, porque em dias assim eles vão carregados e quando param para que entremos ( que grande sorte ) demoram eternidades até aos lugares de cada um. Sei disso porque já embarquei nessa aventura e enquanto me não esquecer, fico no lugar que estou. Do aborrecimento mas conformada.
A menos que perca o amor a uns euros valentes e chame um taxi. Que me leve a um destino amigo. E traga de volta.
A menos que vá a pé para Odivelas e me ponha às voltinhas.
Ou apanhe o " Voltinhas " e vá para o Centro comercial Strada.
Ou apanhe o autocarro e vá ao Ikea. Não. Muito obrigada. O sol merece mais de mim.
Ou que me ponha à boleia. Isso não me parece possível porque nem uso mini-saias nem tenho pernas de fazer parar o trânsito, que hoje é mais intenso.
Ou que.....enfim! Abstenho-me de falar nos amigos com carro. Não estão para aqui virados, claro. Cada um na sua vidinha, virados para os seus umbigos, para outros mais tentadores e para os seus automóveis. Era o que mais faltava, passearem uma amiga apeada! Uma alma livre, frustrada, uma fotógrafa fracassada ( pelo amor da santa, não me estranhem porque não estou a fazer-me ao piso )
Porque hoje é hoje, é dia de ficar em casa. Ponto.
Ou...reticências.
sexta-feira, 17 de outubro de 2014
o Outono na província
Assim que as férias e Agosto chegavam ao fim e Setembro nascia nostalgicamente no calendário, com dias mais pequenos e noites a pedirem mantas enroladas nas pernas, chá e séries até o sono chegar, as feiras anuais faziam-se presentes no pavilhão montado para o efeito.
Eram os objectivos a renovarem-se para que a depressão não se anunciasse e idas ao médico, anti-depressivos e outras mazelas se rejeitassem, alma triste com o fim do verão.
Logo no início do mês abria-se ao público a feira das empresas e dos serviços. Ostensiva e animada. Gravatas, saltos altos, tapetes vermelhos e brindes, demonstrações, vendas e ilusões. Conversa daqui, beijo dacoli, abraços e palmadinhas nas costas. Aos mais raros na presença.
Logo a seguir, era a feira dos frutos secos. Repetia-se o ritual. A procissão às bancas de figos, nozes, amêndoas, amendoins, tâmaras, avelãs, pinhões, passas de uva e amêndoas do brasil. Aos bolos feitos com essas frutas. E outros. Ao artesanato e às barraca de pão com chouriço da Antónia, a ex do Pipas, " cliente " do tribunal.
Enquanto se comiam os frutos da feira os dias arrefeciam, as chuvas surgiam e o tempo passava mais veloz do que era suposto. Os cobertores mudavam-se dos armários para as camas, o calçado de inverno saía das caixas, os casacos arejavam-se e comiam-se dióspiros e bagas de romã ao serão. Da cesta das lãs surgia aos poucos um cachecol. A hora mudava. E mal escurecesse, já das chaminés, o fumo e cheiro a lenha a lembrar Outono, das castanhas e da água pé. Das broas dos Santos.
Novembro vinha pela mão do feriado de todos os Santos, o dia do bolinho. A pequenada, numa velha e inquebrável tradição, juntava-se e de saco na mão tocava a todas as campainhas que encontrava pedindo o pão por Deus. Depois eram os aniversários de família. Muitos. Parecia que todas tinham escolhido o mês de Fevereiro para engravidarem, só para darem à luz em Novembro. Primeiro o aniversário da primogénita. As prendas. A festa. A família reunida. Os amigos. Depois o mano Zé, a seguir a mãe e no dia seguinte o caçula. Assim passava Novembro entre presentes, bolos, parabéns e a aproximação ao Natal.
Assim passava o Outono. Naquele lugar.
A vida na província, ( província ? ) pode ser maravilhosa. Cidade pequena. Com o suficiente para a gente se governar.
Estádio de futebol. Pavilhões de desportos. Piscinas. Biblioteca. Cine-teatro, bombeiros. escolas secundárias, escola superior. Hospital, hipermercados, ginásios, esplanadas, restaurantes, discotecas e bares, centro comercial, fábricas, igrejas, ruínas romanas, grutas, bancos, lojas, mercado, hotéis, rio, castelo, andares, vivendas, condomínios fechados, jardins. Serra. Cidade bonita e aberta. À auto-estrada, para norte e para sul. Uma hora da capital. Isto para quem conduz a cem à hora. Para os ases do volante, quarenta e cinco minutos chegavam. Ali ao dobrar da esquina...
E há quem a dobre. Eu dobrei, mudando-me de armas e bagagens, ficando paredes meias com a cidade grande. Mas quando chega o Outono apetecem-me merendeiras, morcelas de arroz com grelos, a sirene dos bombeiros dando o meio-dia de domingo, caminhada, descer o viaduto e andar no TUT desde o hipermercado até casa. Sentir o perfume da alfazema, o frio na pele e olhar a serra d'Aire quebrada pela muralha do castelo, comprar a fruta na loja da Rita, conversar com a Lurdes, mãe do Vasco e do Alfredo, sobre a nossa terra, passar a ponte e olhar as quedas d' água do Almonda perto da cadeia.
Afinal ter saudade de quase quatro décadas é ter a certeza de que não passei por acaso tantos outonos na província mesmo tendo estando quase sempre com um pé em Lisboa e outro em Luanda.
Um dia destes vou matar as saudades...
quarta-feira, 15 de outubro de 2014
terça-feira, 14 de outubro de 2014
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