terça-feira, 1 de abril de 2014

chove

Chove. Intensamente. E faz frio.
Ainda as gotas da chuva não me molharam e a humidade gelada do dia já se me entranha nas entranhas.
De robe, toalha enrolada à cabeça e tanto por viver, neste domingo invernoso, a roubar a minha cena de pessoa feliz que o que quer é abraçar momentos, a roubar esperanças primaveris de dias longos e soalheiros, coloridamente bonitos e ternos, aqui estou, dividida.
Sou uma má pessoa, penso. Reconsidero. Sou uma estranha pessoa. Viciada em mim e na minha vida.
E para afugentar o egoísmo construído nos dias solitários, o conforto desplicente em que me conforto, alicerçado à custa de esforço preso por arames, nos dias interminaveis, espreito o dia cinzento, onde o poeta jorra nuvens embaraçosas que comprometem o quadro e a primavera. E comprometem o meu desejo de ser boa pessoa. Ou reconsiderando, ser menos estranha e viciada pessoa.
E me dar ao dia. E ir. Ao encontro dos afectos.
Misturar-me com o temporal e receber a alegria divina de me fazer presente entre os presentes.
Chove. Tão intensamente que por segundos duvidei de mim e do meu coração sempre pronto, sempre batendo em nome do amor.
Vejo uma aberta. E não hesito.
Afinal, vou. Porque não chove em mim.

nao acontecemos


E chegaste...
Não dei por ti
Mas olhaste-me
E sorriste

E falaste
E eu percebi...
E me abraçaste
Quando te senti

Não me amaste
Não ficaste
Não me dei
Não quiseste nem te deste
E eu...e tu, não acontecemos
E nesse instante nos morremos...

m.c.s.

a propósito do dia 1 de Abril

Não foi neste dia de mentiras que o maior engano vivido me aconteceu,
A minha maior mentira, de véspera, nasceu...digo eu.
Quem entendeu, entendeu
Quem não entendeu, deixe para lá, porque nada de bom perdeu

m.c.s.
(foto do google)

a propósito de...

Quando o sonho acontece, a alma liberta-se e cresce.
Digo eu, enquanto desato nós.


m.c.s.

claramente

O dia clareou triste. Sombrio. A lembrar a sua condição.
A chuva e o granizo pesado e gelado, o mau tempo a avisar, não me deixam partir sem destino, ao deus dará a verdade dos dias amenos, que adivinho, sonho, preciso, como pão para a boca e amor para o coração.
Sem endereço, nem ao cuidado de nome e morada certa, hoje, dia dos enganos e outros danos, não é dia de arriscar. Alguém se poderia magoar. Ou negar...
Noutro dia, quem sabe, o sol brilhará, o vento, brisa soprará, o mar se aquietará e a minha verdade se encontrará com a tua.
Temos o destino a unir-nos, marcado para um amanhã.
Enquanto isso, deixo-te com a minha ( in)certeza de ser, neste dia de (des)mentiras.
- Brilhas-me o dia, clara-mente.

m.c.s.

na Barra do Kuanza


no rio Kuanza


Na Barra do Kuanza


Na Barra do Kuanza




imbondeiro no Morro da Cruz


No morro da Cruz - Luanda




sexta-feira, 28 de março de 2014

a nova Sé - Igreja de Jesus, na Cidade Alta - Luanda




é Luanda


Tempo meu


Longe vai o tempo cor de rosa. Bordado a linhas de seda, perfumado a alfazema.
A doce prosa...
Longe vai o tempo das tardes quentes. Cheirando a mar e a esperança.
A dias de bonança.
Longe vai o tempo ajustado à pele e à calma.
À alma...
E à vontade de permanecer.
Hoje, não sei de poemas de amor, nem rimas para rimar.
Não sei do meu coração nem da vontade de amar.
Não tenho sequer a mão que me indique a estrada.
Nem uma bússula mostrando, que não estou enganada.
Só sei queixumes de dor com baladas a acompanhar.
Longe vai a certeza de acreditar no futuro.
Nas acácias rubras, do caminho.
Que ficam para lá do meu muro.

A vermelharem-me o destino...
Longe vai o desejo de ser luz e sorrir.
À ideia de perto estar, do tempo que me quer florir.
Longe vai o tempo de ter tempo para viver.
Longe vai o tempo de o vencer...
m.c.s.

quinta-feira, 27 de março de 2014

Igreja da Nazaré - Luanda


Igreja da Nazaré, dos meus sonhos de menina, onde queria entrar vestida de noiva...
Tarde piaste, maria clara, digo eu agora, a olhar a igreja velhinha, da avenida marginal, hoje sanduichada entre torres e mais torres da nova e moderna Luanda dos tempos que correm, no novo país.

Largo da Portugália - Luanda


Ai se este largo falasse...
Falava coisas de um passado que tem dias parece que é presente, tem outros que parece nunca existiu...

o meu liceu...em luanda



A chuvada em Luanda, ontem