Rola feliz a lágrima presa
Vai no caminho da liberdade
Tocando-me os lábios que sonham,
Gritam e guardam beijos
Calam e esperam
E morrem de saudade...
Abraça, feliz a lágrima que rola
Coração que bate e chama por ti
Se ao menos pudesse minha boca pedir
Que a lágrima trouxesse um beijo teu...
Choraria as lágrimas deste mundo inteiro
Só para sentir o teu beijo primeiro...
Rola feliz a lágrima presa
Vai no caminho da liberdade
Toca ao de leve o desejo de ti
Desperta em mim uma louca saudade.
m.c.s.
domingo, 9 de fevereiro de 2014
sem brilho
A cidade perde o brilho, perde a graça.
Chove lá fora. E o sol, esse, nem pela peneira consegue espreitar. Para me animar.
Escapar por entre os pingos desta chuva não é escapar, é antes iludir. Adiar...
Queria passear-me pelos dias bonitos, pelos perfumes das rosas que hão-de abrir, pelas tardes que hão-de crescer, pelo calor que há-de chegar.
Queria passear-me pela ideia de ti, para me imaginar feliz.
Sonhos são ilusões que criamos. Só para não chover dentro de nós. E escaparmos.
Chove lá fora. E dentro de mim. Castigando os dias bonitos da minha capacidade de me reinventar, sorrisos e fé. Boa-vontade e perdão.
De que se faz este cansaço que me faz parar, fechar os olhos e não sonhar?
A cidade perde o brilho, perde a graça.
Enquanto deambulo ao acaso entre beirais e chapéus de chuva.
À procura de respostas. Para as minhas dúvidas. E tolerância, para as avaliações.
À procura do sol...
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014
dá-lhe guita
Sento-me no muro velho e gasto do quintal de casa.
Não há lugar melhor para pintar de cores alegres, o momento, o futuro, que o banco de tijolo gasto que o muro oferece, levando-me ao passado longínquo.
Os passos que me levam ali, são seguros. E de saudade e fé. Dão-me a possibilidade de ser criança de novo. Sem sair do presente.
Encanta-me o céu azul pintado de nuvens brancas , ovelhinhas de lã alva, correndo sobre o prado da minha inspiração.
É sábado. À tarde. Dia de festa nos ares. Azul, verde, amarelo e encarnado, uma panóplia de cores nos papagaios de papel que esvoaçam no céu, alegres e magestosos. As caudas compridas de pano riscado ondulam-se como se poisassem ao de leve nas ondas do mar azul verde esmeralda, perto de mim. À distância d' um passeio na carrinha azul do avô. À velocidade d' um desejo de neta mimada. E amada.
Ao meu lado os meninos fazem concursos. Um mais bonito que outro. Um mais alto que outro. Um que plana por mais tempo entre
as nuvens. Ganhando distância. Destacando-se. Para deleite dos putos da rua.
Sempre quis lançar um papagaio. Pô-lo no ar e dar-lhe guita. Fazê-lo subir direito ao céu. E de lá vê-lo acenar-me feliz.
Belo. Em liberdade.
Experimento. A medo. Insegura. Ondulo a mão direita em movimentos iguais e constantes e com a esquerda, seguro o rolo de fio mais pesado que eu.
O vento sopra de feição. Aproveito a distração da disputa de lugares de podium e pulo o muro, corro no passeio de terra batida. Envergonhado, o meu papagaio parece não querer obedecer. Insisto. E de repente num golpe de mestre, consigo. Vai subindo, subindo, direito à liberdade de voar. Seguro. Elegante. Imponente.
Sento-me no muro velho e gasto do quintal da casa. Há uma voz de menina que me diz: dá-lhe guita.
E eu dou. E voo com o meu papagaio colorido nas alturas, para lá do céu da minha rua, do meu bairro. De mim.
Voo, na liberdade de sonhar, nas asas da imaginação, dando guita ao meu coração.
nas horas tardias
Gosto da lucidez das horas tardias. Quando a noite é mais noite e o mundo adormeceu. No sono dos justos.
E uma minoria, a exepção, lucidamente desperta, obtem respostas, formula perguntas, decifra enigmas, erra alvos, volta atrás,
repõe as possibilidades. Insiste. Embala sonhos como se fossem reais.
Acredita mais nas suas razões, ilusões e tentativas.
Por isso há quem diga e tem razão, que a noite é conselheira.
Eu não só concordo como penso que é muito mais que isso.
É chave que nos abre a porta da intuição e sensibilidade e nos faz raciocinar com mais nitidez e ao correr da pena.
Gosto da lucidez das horas tardias.
Enquanto o mundo dorme, sonha e sonambula entre a vigília e o profundo repouso, eu mantenho a chama acesa neste pleonasmo conveniente de ser repetitiva.
Sei de menos olhos vendo e menos ouvidos ouvindo. Menos corpos recusando.
Menos margem para erro. Mais compreensão. Mais certeza e paixão. Mais decisão.
Sei que tudo se torna claro. Exacto. E sei também que a noite é matemática. Contas de restos zero nas dúvidas e nas inseguranças. Provas reais...
Gosto da lucidez das horas tardias. Ela me diz que já é tarde demais para te esperar.
Junto-me ao comum dos mortais e vou dormir o sono dos lucidamente cansados e conformados. Dos realistas...
quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014
À janela
Acordo com o sol entrando pelas frestas que não tapo.
Não quero esconder nem proibir.
O sol é amigo e vem visitar-me com a frequência, dos amigos presentes.
Chega-me da rua o som da manhã, início de semana. Recomeço...
Já não estou de férias. Não tenho, nunca mais terei a angústia dos dias felizes, ameaçados. Nunca mais sentirei essa solidão.
Ao fim de muitas folhas retiradas do calendário, travessia pelas estações do ano, noites e dias, rotinas e aventuras, viagens e planos cumpridos, adiados, ou desfeitos, regressar ao tempo que me manteve presa à secretária, à terra e às limitações duma vida a viver para sobreviver, regressar àquele tempo longo e amorfo, seria um pesadelo que me nego sequer a imaginar.
Não saberia recomeçar. Não saberia como resolver. Porque, não sei estar sozinha no mundo.
Viver o presente com os olhos no futuro, o coração amargurado, ansioso, revoltado, é como aquele passageiro de barco naufragando, última viagem, o quarto escuro, a cadeira de dentista, o elevador transportando o medo de nós, ou temporal no meio do mar...
Viver o presente com os olhos no incontrolável tempo que se pode escapar de nós, não é viver, é vegetar. E muito vegeta quem vive sozinho no mundo. Quem no mundo está sozinho.
Acordo e beija-me o sol. Dá-me a mão para me erguer.
E eu afasto a vontade de me deixar ficar entre pensamentos e divagações, sorrisos parvos e preguiça e dou a cara ao dia.
Olhos nos olhos com o tempo, meu companheiro, hoje mais do que nunca, que não estou de férias nem compromissada com o dever de outrora, abro a janela.
Inspiro o ar frio da manhã e escolho ficar em casa, na companhia da minha gata, dona Pitanga, que se acha gente e eu gosto desse seu achar, meio felina, meio pessoa, da televisão, dos livros, do sol e das memórias.
À janela, sempre à janela, porque não sei estar sozinha no mundo.
Enquanto não me perder de mim, não estarei. Nem a janela se fechará...
divagando
Há dias assim. Que o não vai dar uma volta e pôe no lugar o sim.
Que a pergunta tem resposta. E a rosa abriu no jardim.
Digo eu, passeando por pensamentos ao deus dará.
Será?!
m.c.s.
Que a pergunta tem resposta. E a rosa abriu no jardim.
Digo eu, passeando por pensamentos ao deus dará.
Será?!
m.c.s.
cumplicidades
Há dias frios de arrepiar.
Feios de fugir. E tristes de ir às lágrimas. E voltar.
Para, ainda assim, espreitar o dia, à espera d' um golpe de ar.
Duma brisa vinda do mar. Duma mão a acenar.
D' um sol piscando o meu olhar.
Há nos dias frios, feios e tristes, um desejo espiritual de fazer correr o tempo para diante. Correr com ele e deixá-lo ficar para trás. Vencendo-o.
Há um desejo visceral, um elo, uma tentação ou feitiço, que me empurra para a frente e se devolve a mim todos os dias, sejam frios, feios ou tristes, quentes de escaldar, belos e sorridentes.
Hoje, vou andando, a passo de caracol, entre o tempo que te sonho e aquele que a alma sente quando se expõe. Ao ritmo de ontem. Nem correndo nem parando. Indo...
Quem sabe amanhã, nos encontramos, num ir e voltar, na hora certa e tempos iguais? Quando a flor florir, a rosa dos ventos for generosa e a primavera desconseguir se esconder nas nuvens que têm pairado no universo, roubando-me o sorriso que te quero oferecer sempre, faça chuva ou faça sol, haverá uma probabilidade única e tentadora dos céus se unirem e nos colocarem no mesmo trilho. Só para nos verem rindo à gargalhada. De nós.
Passeio-me nessa ideia, na espera desse dia...
porque é 4 de Fevereiro
Foi há muito tempo. No século passado. Tinha cinco anos.
Fazia parte da sociedade branca de Luanda. Filha de portugueses. Que se conheceram, casaram e viveram em Luanda muitos anos.
Que queriam ali viver para sempre.
Não assisti a nada, à época, porque fui protegida pelos pais. Mas, lembro-me do medo que se instalou.
Em minha casa falava-se em voz baixa. Sobre os acontecimentos.
E ao longo do meu crescimento, fui percebendo que Angola teria de ser entregue aos angolanos, cumprindo-se a História. E eu e a minha família, éramos elementos integrantes dessa História. Porque amávamos aquela terra e queriamos nela permanecer até à morte.
Nunca ouvi o medo dizer adeus a Angola. Ou em nome dele, a mãe (minha ) e os filhos (eu e os meus irmãos ) viajarem uns tempos para a Metrópole de então. A ver o que aquilo daria...
" Aquilo " deu-se. E porque se deu, catorze anos depois, em 1975, a colónia tornou-se país independente.
A minha homenagem e respeito a todos os que lutaram e tombaram pela conquista de uma Angola independente.
Neste dia, 4 de Fevereiro, expresso o meu desejo maior.
Que a minha terra, que iniciou a sua luta armada, era eu uma menina de cinco anos, sem entendimento para perceber que nascera numa terra subjugada, se torne um país cada vez mais forte, bem sucedido e sem discrepâncias sociais e económicas que levem ao desentendimento entre os seus naturais.
Viva Angola! Vivam os angolanos!
segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014
cosmo
Há um sol raiando à minha janela.
Não se abrilhanta nem se envaidece.
Não se agiganta nem se enaltece.
Sorri.
E o seu sorriso é um sol de meio-dia,
que ilumina a minha coragem
e dá-me luz,
nas manhãs sem brilho dos dias baços.
Assim me recrio.
Assim me supero e me acredito...
Um dia, prometo,
um dia,
se tiver luz própria,
serei a sua estrela da tarde.
m.c.s.
Não se abrilhanta nem se envaidece.
Não se agiganta nem se enaltece.
Sorri.
E o seu sorriso é um sol de meio-dia,
que ilumina a minha coragem
e dá-me luz,
nas manhãs sem brilho dos dias baços.
Assim me recrio.
Assim me supero e me acredito...
Um dia, prometo,
um dia,
se tiver luz própria,
serei a sua estrela da tarde.
m.c.s.
domingo, 2 de fevereiro de 2014
A minha Angola
Quando oiço falar de Angola no passado, percebo que não beneficiei do que os demais lamentam ter perdido. Ou não falamos o mesmo dialeto, ou não falamos da mesma terra...
O meu bairro era populoso e popular. As pessoas, amigas, colegas de liceu, colegas de irmãos, irmãos de colegas, família. Vizinhos de muitos anos.
Brincadeiras na rua. Festas de garagem e de quintal. Matiné no fim de semana. Filme em família.
Praia quase todo o ano. Piqueniques. Passeios para fora da cidade. Comemorações. Natais, Páscoas e Carnavais.
Escola. Trabalho. Lanches na baixa. Périplo por pastelarias de fama.
Esplanadas para uma gelado, uma coca-cola, uma empada.
Uma subida à fortaleza para um beijo furtivo. Uma volta à ilha no fim de tarde, para namorar um pouquinho. Descoberta de prazeres, de paixão, de amores.
Jogos de futebol, basquete e hoquei. Circo. Corridas de automóveis.
Crescimento em liberdade, na responsabilidade de respeitar os mais velhos. Obedecer-lhes. Não lhes causar desgosto nem sofrimento.
Amadurecimento. Sempre na protecção dos familiares. Companhia de amigos.
Quando oiço falar do passado, de Angola e da vida que se viveu ali, penso no meu próprio tempo e, ou não vivi, ou não me deixaram viver, ou simplesmente, outra vida não era desejada por mim, ou me foi vedada, pacata pessoa, sem extraordinários recursos, classe média baixa, pais provincianos, poupados, regrados.
Porque ao invés de tantos, quase todos, que oiço cantando de galo, no meu diário não constam discotecas e boites. Nem barcos nem aviões. Nem jóias nem diamantes.
Nem férias em Portugal, na África do Sul ou quaisquer outros destinos.
Nem festas de luxo, da gravata, gente fina, sangue azul. Liamba e uisque.
Nem ar condicionado, vivendas no Miramar, Cruzeiro ou Alvalade.
Não fiz directas, nem dormi fora de casa, não deitei de manhã ou acordei no pôr do sol. Não comi lagosta até fartar, nem tive criados brancos, costureira a dias em casa, carta de condução, carro sempre à mão. Não gastei rios de dinheiro, que não tinha, nas boutiques da baixa.
Não vivi nessa Angola, não.
A minha Angola deu-me o cheiro da terra molhada das chuvadas do tempo quente. O mar azul e as ondas onde me ondulei em câmara de ar de pneu de camioneta.
Deu-me a contemplação das salinas, das barrocas e dos cafezais. Dos coqueiros e das cubatas. Do algodão e da cana d' açúcar.
Das lavras de milho e mandioca.
Deu-me a água de coco, o sabor das gajajas, da múcua e do tambarino.
Macacos de galho em galho, barragens, quedas d'água, rios e lagos. Cacimbas.
E a rua, onde brinquei descalça correndo livre e feliz; onde joguei à macaca, às escondidas e ao garrafão.
Os terraços lavados à mangueirada, os alpendres e patins onde ficava a ouvir estórias do antigamente mais antigo que todos os antigos viventes.
Deu-me o aroma do bombô, castanha de caju e da kissangua. E a cor das acácias, o voo dos albatrozes, os papagaios de papel, os casamentos aos sábados, as missas de São Paulo.
E deu-me o calor das tardes quentes, cor morena, conversas de amigas, temas para poemas, canções, gira-discos e transistores.
Pregões das quitandeiras, das peixeiras e dos amola-tesouras.
Deu-me cacimbos, fins de dia, frios e encasacados. Sonhos e amanhãs.
Alegria, satisfação, sorrisos, risos e gargalhadas. Passeios no meio da chuva. Danças para aprender. Música para convencer. Planos para viver.
Deu-me amor.
Não. A minha Angola não é igual à dos demais.
Na minha Angola, na minha cidade, nada se alterou. Continua tal como antes, se eu quiser, se eu deixar, se eu a amar.
Continua bela e generosa. Viva dentro de mim.
Quando oiço falar de Angola e do passado, do que se perdeu e do que já não existe, tenho a certeza de que não foi na minha terra que quem se queixa dela, viveu.
m.c.s.
a saudade
Tenho saudade de tudo o que arrumei num cantinho da memória e faz parte da minha história.
Do pai e da mãe. Do avô também. E dos amores, amigos, que fiz e perdi, porque se foram, porque não os vivi.
Do colo, do beijo e abraço, da voz, canção de embalar. Do porto seguro de mim, neles, que se passeiam na emoção, do espaço do meu coração.
Tenho saudade do chão que pisei descalça. Da trança, sotaque e graça da minha idade primeira, pequena, menina guerreira, julgando que o mundo era seu...
Que o tempo não passa depressa, os amores não morrem não e o futuro não é bicho papão, que amedronta os nossos sonhos, mata-nos as esperanças e engole-nos a existência.
Tenho saudades do giz e da voz amiga, professora, bata branca. E das manhãs para o liceu. Daquele tempo só meu. Teu, colega de escola, amiga nas horas vagas, de sobra, sábados e domingos, que lá vão. E a qualquer hora, como é, então?!
Das rosas do meu quintal, cor de chá, amarelas, brancas e raiadas, das manhãs prateadas, despertando a goiabeira, daquela vez primeira que subi o muro e caí, chorei e o braço parti...
Tenho saudades das tardes longas, douradas, das mornas, da voz crioula, serenata na noite quente, cantando às estrelas e à lua, a mim, musa encantada. A namorada...
E às cartas de amigo e de amor, cheirando a colónia e a encanto, despertando, o meu sorriso, o meu pranto, na saudade que conquistou.
E da travessia da ponte, palmeiras esvoaçando, coqueiros espreitando o mar, que me recebia efusivo e me beijava, me abraçando, num encontro feliz.
Tenho saudades do tempo, depois do depois e de mim; de me reinventar pessoa, mesmo que a alma doa, no deserto, semear flores e transformá-lo em jardim.
Sementes, seres no meu ventre, crescendo dentro de mim. Do choro e das fraldas brancas, do pó talco e da pele sedosa, eu, mãe amorosa, assustada, insegura. Das histórias de encantar, das gracinhas e do palrar. Do falar, do xi e do ninar. Crianças felizes. Ainda hoje...minhas amadas crias, os meus petizes.
Tenho saudades do que o espelho devolvia. Saúde, beleza, elegância e pureza. Certeza de que a vida corria e por mais voltas que desse, por mais que o céu escurecesse e ensombrasse o meu dia, eu sorria. E vivia...na verdade, num minuto, como se fosse a eternidade.
E deitava-me e sonhava e o sonho acontecia. E acordava e suspirava, sacudia-me e a vida fluia.
Tenho saudades do tempo que foi meu, na terra que chamo minha. De tudo o que me enterneceu, aconteceu e influenciou. Quem me conheceu, me mimou e amou.
E das viagens. Ao interior e exterior de mim. Surpresas, presentes, perfumes, lembranças, carinhos, marcas, tatuagens, símbolos, sonhos, músicas, estímulos, cidades, costumes. São encontros, mundos plantados, crescendo dentro de mim.
Tenho saudades de tudo o que me fortaleceu. Da garra, coragem, persistência, teimosia e o que de bom me aconteceu.
Hoje, a minha saudade tem tamanho sem medida. É o tempo da minha vida.
De qualidade...
É de mim, passageira que vai e volta e se passeia. Minha amiga, minha irmã, sem idade.
É minha companheira, a saudade...
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