quinta-feira, 4 de julho de 2013

a posse


Abro a gaveta . Do armário da cozinha. Preciso de um espeto de madeira para com ele retirar uma torrada que ficou presa na grelha da torradeira. Dou-lhe pouco uso. À torradeira e também aos espetos. Agora.
A memória fotográfica diz que deve haver um ou mais espetos na gaveta. Tinha sempre. Faziam-se espetadas com frequência cá em casa. Nesta casa. 
Sorrio à visão d' um pacote de espetos, por encetar, novinhos a estrear. Na verdade não faço espetadas há mais de seis anos. Como sei? Sei e pronto. 
Abro a portinhola do velho bar do móvel antigo, tão antigo que lhe perdi o conto. É lá que guardo isqueiros de um tempo em que  se fumava à séria cá em casa. 
Avisto cigarrilhas e charutos que nunca fumarei. Entre as garrafas de licor, ofertas recentes, uma garrafa de uísque velho, meia cheia. Não evito um esgar. Não bebo álcool. Faz tanto tempo que aqui está que deve saber a tintura. Por mim aqui vai continuar.
Abro a porta da despensa. Preciso d' um botão. Estão alguns na caixa de costura. Que apinhada com as outras caixas sobressai pela cor encarnada, na prateleira forrada a papel claro. Há pouco tempo esta despensa foi arrumada. E tudo ficou nos seus lugares. Muito mais fácil ficou encontrar agulhas no palheiro. Por falar em agulhas, descubro o botão. E latas de tinta. E graxa castanha e preta. E frascos de cola. E cola sólida. E a pistola da cola.  E chaves de fenda. E parafusos. E um sem número de engenhocas que nunca soube para que serviam. 
Há um mundo silencioso, abandonado nestas paredes alinhadas e ocupadas de coisas votadas às traças. Não resisto a uma interjeição que me enche de som a boca, até aqui, calada.
Macacos me mordam! Estou na posse de utensílios que não fazem falta pois que a sua posse nunca foi reclamada.
Fecho gavetas e portas. Tranco lembranças que me estriparam, viraram do avesso, sugaram-me a pele e doparam-me a alma.
Sento-me no sofá da sala.  A casa quieta e silenciosa, enorme, limpa e harmoniosa descansa das guerras, mentiras, traições e abandonos. Depois de arrancados corações, escondidos cinzeiros, arrumadas as fotografias de família, trocadas almofadas, mudados móveis e candeeiros, tudo depositado na gaveta do esquecimento e da conformação, como finalmente a torrada. Vou acender depois o piloto do esquentador e pregar o botão que me caiu das calças. Nego-me a fazer espetadas e não fumarei charutos ou cigarrilhas, não brindo com uísque, não faço furos nas paredes nem penduro quadros. Porém tudo isto me pertence por usocapião. Ainda que não lhe dê uso. Pode ser que um dia destes, calhe.
Na vida quando parece que perdemos, vamos a ver e ganhamos. 
Ó p'ra mim cheia de espetos,  material de bricolage, charutos e cigarrilhas,  bebidas alcoólicas para dar e vender.
Ó p' ra mim protagonista de uma estória que não é de encantar mas que já não me desencanta mais. Depois de todas as gavetas aberta e fechadas.

lar doce lar

Hoje não saio de casa. 
Nem que a vaca tussa. Nem que venha o diabo mais velho.
Nem que me mandem ver se estou na esquina, eu vou.
Nem que me troquem as voltas.
Nem que tenham uma converseta de ao pé de orelha comigo e com os meus botões.
Nem que me acenem com tentações. 
Por falar em Tentações, já estou na primeira fila para ver e ouvir a minha cria falar para todos os que sintonizarem a CM TV no canal 8 da Meo por volta das duas da tarde.
Hoje troquei a praia pelo sofá. O panachê pelo sumo natural. O sol pela sombra. O dia radioso pelo ar condicionado. E as comidas calóricas por um gaspacho e umas fatias de presunto com melão.
Hoje a máquina fotográfica será trocada pela de lavar e as sandálias por pés descalços. 
O horizonte pela televisão e as conversas pelo teclado. Os corsários por calções e a blusa por t-shirt de alças. O cabelo solto por carrapito e a cara maquilhada por rosto limpo. Troco o mundo pelo lar e o povo pela Pitanga. Por mim. Em mim.
Hoje despojo-me do que é corriqueiro e usual e aceito o natural e simples da vida. 
Está um calor que, vai lá vai que até a barraca abana e eu estou numa preguiça de trazer por casa. Por isso na liberdade que me permite escolher, fico-me por aqui numa kunanguice gostosa onde tenho o que preciso e só me faz falta o que está. 

os putos

A porta abriu-se na estação do Saldanha.
Duas crianças de quatro anos entram a correr, carruagem fora. Mais atrás, o irmão mais velho e a mãe, mulher jovem e bonita. Olhos claros, cabelo castanho claro, ar feliz e transportando uma paciência ilimitada. À minha frente, sentam-se, mãe, menina ao colo dela e rapazinho ao lado. O primogénito, senta-se do outro lado, sossegadamente.
- Mãe, ó mãe...
A mãe penteia em tranças, o cabelo da menina que continua irrequieta como entrara. 
- Mãe, ó mãe, chama o menino de novo.
- Siiiiiiiiiim Gui! 
- Ó mãe estou farto que tu não falas comigo. Eu digo, mãe, mãe e tu não respondes.
Estou farto. E amuado estende o lábio para a frente e cruza os braços. Olha p'ra mim. 
Pisco-lhe o olho. A mãe também me olha. Sorri. Responde.
- Estou a pentear a Laura. Mas diz...
- O Miguel bateu num menino lá da escola. E foi atrás da Laura. 
- Eu não tenho medo, diz a Laura. O Kiko vai lá e bate nele. 
O Kiko diz lá do outro lado:
- Bato em quem? Estes miúdos estão marados, mãe.
- Não bates no Miguel pois não Kiko?
A mãe sorri para eles e para mim.
Eles percebem. O Gui ( perguntei os nomes e a idade ) diz-me: 
- Tenho estes anos e exibe os dedos em número certo. Eu e a Laura não brincamos juntos na minha escola. Sabes porquê? Porque eu brinco com o Miguel. Ele é meu amigo.
- E a Laura? perguntei em tom de provocação.
- É gémea de mim. 
A mãe sorri de novo. 
- Mãe, ó mãe, quero cerejas.
- Também quero. Kiko, queres cerejas? pergunta a Laura. 
- Não comprei cerejas, meninos. 
- Mas compraaaaaaaaaaaaaaaaaaa. Pede o Gui.
A estação do Campo Pequeno surge. Levantam-se os quatro. 
- Vais para onde? Não sais connosco? pergunta-me o Gui. De Guilherme com certeza.
- Não. Saio no Campo Grande.
Faz-me um gesto com a mão pequenina em sinal de despedida. A mãe ri. 
- Boa tarde, boa viagem, diz a jovem mãe.
De repente o metro ficou vazio. E silencioso. E constrangedor. Volto a olhar em frente, fixando um ponto qualquer da minha memória. Alheada do que não me faz falta.
Mãe, ó mãeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee... 
No Campo Grande, mudo de linha e passados 12 minutos estou na minha estação.
À saída, uma mulher vende pêssegos e cerejas. Oferece-mas. Não compro. A loja da Marta tem cerejas doces e frescas. A bom preço. É lá que as vou comprar. Hoje. Os putos abriram-me o apetite.

sem norte nem destino

Sem planos, caminhos, nem destinos, a segunda-feira instala-se no tempo, que me é leve e favorável. Inteiro. 
Sem preconceitos nem julgamentos, mergulho no dia ameno e nada espero. Senão de mim. 
O que vier por bem, é ganho. Mesmo que não seja pela tua mão.
Inicio a viagem sem pressa nem ambição.
A exigência pode gerar conflito. A ansiedade pode gerar equívocos. A confiança pode trair-me. 
Deixo-me ir ao Deus dará que Ele me guiará, não interessa para onde. 
Se for até ti, será. Se vieres a mim, melhor ficarás.
Hoje há um intervalo instalado no trabalho que tenho, sempre que te procuro. 
Encontrar-me-ei esquecida num sítio qualquer, só, ou cheia de ti. 
Que interessa isso?
Se fico aqui, ficas comigo. Se parto, partes também. Se te dispenso abres a porta. Se te sorrio foges de mim.
Nem sempre acredito em ti. Mais vezes duvido de mim. E no limite, deixei de fazer fé em nós.
Por isso, sem planos nem desejos, sem rotas nem julgamentos, sem norte, te digo, se quiseres encontrar-me, procura. Porque quem procura, acha. Já diz o velho ditado. Tão velho quanto o meu sentir.

não perder o norte

Ontem viajei de comboio do Oriente até Riachos, estação que serve Torres Novas.
Contrariamente ao que supunha, ia cheio. Muita gente na rota das férias, pelas conversas tidas. Sem qualquer cuidado no tom e som.
Ir de férias para a província, num retornar às origens, para quem as tem por terras lusas e no interior da pátria, deve ser fixe. Regressam à família, aos amigos de infância, às ruas, às oliveiras e figueiras, aos rios e às suas margens. Aos passarinhos e sossego. Ao silêncio e ao perfume das estevas. Aos fumeiros. Comida da avó. Aos costumes e tradições, que tantas saudades têm quando estão na cidade grande.
Cada um é como cada qual já dizia alguém e eu repito porque me dá jeito para a escrita. 
Na verdade tudo isso se consegue vivendo em Lisboa. 
Basta irmos para os jardins de Belém, da Gulbenkian, ou da Quinta das Conchas. Basta irmos andar para as margens do Tejo, ou fazermos a viajem de comboio até Cascais ou para Sintra. Ou irmos para a Expo. 
Basta termos familiares e amigos a viverem na capital ou nos arredores e os visitarmos ou os convidarmos para um almocinho caseiro com arroz doce da avó e tudo. E uns ovos mexidos com farinheira, de entrada.
Basta irmos à praça do Comércio em dia de feira que até ouvimos música popular portuguesa e vemos gente do e com o garrafão mais os bolinhos de bacalhau. E as iscas de fígado.
Mas há o ritual. De avisar a família, pelo telefone. Comprar umas lembranças, uma roupa nova para estrear na missa de domingo, fazer a mala e levar uns pastelinhos de Belém que se aquecerão no micro-ondas para se comerem quentinhos assim que lá chegarem. E levarem uma máscara de gente fina e de sucesso a iluminar-lhes o rosto.
Também eu, porque vinha " à terra " das minhas crias, terra essa onde os meus irmãos vivem, onde os meus pais estão sepultados, onde tenho a minha casa e onde vivi trinta e sete anos, comprei uma sandes de presunto e uma coca-cola zero e almocei no comboio, enquanto via as cegonhas esvoaçando por terras de Vila Franca, por margens do rio Tejo.
Tinha sono e sentia-me cansada mas as gralhas que se ouviam à minha volta impediram-me de olhar, sorrir e calar-me para dentro. Ainda é uma hora e meia de caminho, naquele comboio que pára em todas e mais houvesse. 
Porque viajo nesses comboios? Porque param em Riachos que é mais perto de Torres Novas que o Entroncamento. São menos uns dois euros e permite que aprecie a paisagem. Se não estou farta? Não. Nunca é igual. Desta vez surpreenderam-me os figos nas figueiras, o rio mais cheio, as cegonhas mais que as mães e a conversa dos " vizinhos " de carruagem. 
As crianças se não têm sono falam pelos cotovelos. E são giras. Colocam questões aos adultos que os envergonham e orgulham num misto que conheço muito bem porque já tive crianças espevitadas e curiosas a meu cargo.
A " minha criança " de ontem, menina bonita, esperta, ingénua, interagindo com a mãe e com outras passageiras que viajavam junto dela, ao tema, férias, pergunta:
- Ó mamã, ainda não estamos de férias pois não? Agora vamos à avó e só depois é que vamos de férias não é?
- Estamos de férias sim, Matilde. Por estarmos de férias é que vamos para a avó.
- Mas não disseste que vamos de férias para a praia? Na avó não há praia.
- Vais para o Algarve Matilde? pergunta a vizinha do lado, para a ouvir.
- Vai vai, diz a mãe. Até para lá vai viver.
- Não vou, não. No Algarve só há férias.
Risos. 
- Háaaa? Interroga pouco convencida. Eu julgava que o Algarve só tinha férias...
- Só há férias? Há escolas e lojas e hospitais e o trabalho da mamã também.
Ali à volta toda a gente riu. Eu sorri também. 
Não deixa de ter a sua razão. O Algarve nunca será " a província ". A casa da avó. Nunca as famílias irão à procura das raízes, do sossego e dos laços afectivos que permitem carregar baterias e adocicar os dias invernosos e solitários da cidade, no resto do ano.
O Algarve será sempre o local de férias. O local do exagero e da transgressão. Do romance rápido, mais rápido que o relâmpago e mais estridente que o trovão. Do verão.
Um lugar de passagem. Não sou eu que digo. Dirão, até os mais novos...
Ontem viajei para norte. Não fui à procura das raízes. E já me vou embora. Foi visita de médico, mas passei revista a tudo e visitei quem tinha de visitar. Direi, que a norte nada de novo. Tudo na mesma como a lesma.
Porque sou a eterna viajante, amanhã, daqui a uns dias, umas semanas, quem sabe, viajarei para o sul, para a terra onde só há férias, embora não vá à espera de trovoada, nem tão pouco de cometer exageros e transgressões. Até porque não conduzo nem bebo. 
Hoje, vou ali e já venho. Porque a minha Pitanga depende de mim e está à minha espera. 
As raízes? Estão onde fomos e somos felizes e sobretudo onde esperam por nós. Afinal, um pouco por todo o lado para que mesmo ao centro ou a sul, nunca percamos o norte. 

coragem

Só sou capaz, se for por uma boa causa e tiver um exército de pessoas boas, amigas, verdadeiros nadadores salvadores, na retaguarda, dando um empurrão. 
Digo eu, que por vezes mergulho de cabeça mas não sei nadar quando me falta o pé...

m.c.s

a caminho...

A vida faz-se por etapas. Que ninguém a deixe passar encolhendo os ombros. Ou num deixa andar de acorda, come, bebe, adormece e acorda, come e bebe, numa repetição pobre e triste. 
Depressa nos daremos conta que a não vida nos anulará e matará rapidamente. E é bem feito e visto, porque para vegetar temos já as couves, os nabos, as alfaces e os tomates. E outros legumes que não me ocorrem agora, apesar de observadora, cozinheira e consumidora.
A vida precisa de vida. Numa reciprocidade que faz bem a ambas. Que cresce, floresce e dá frutos. Que impede a sua destruição. 
O sol quando nasce é para todos, dizem, mas nem todos o sentem e recebem a sua luz. 
O que é preciso afinal? Na minha modesta opinião, para a minha continuação, é preciso acreditar, inventar e dar.
Que ando eu aqui a fazer afinal? Quem diz aqui, diz ali e acolá, lá longe ou num algures que muitos dizem que é nenhures. Não interessa onde nem quando. Interessa a busca do prolongamento da existência do corpo e do espírito. Com querer e poder. Sem repetição. 
Vá lá, de vez em quando voltarmos às nossas origens lava a alma. E o que são as nossas origens? O lugar onde demos conta que éramos mais que vegetais. O momento em que percebemos que a vida é importante e grata e depende de nós. E de amigos. E de amores. 
De pai e mãe ou de quem substitui. O lugar das emoções mais primárias. Dos prazeres inesquecíveis. Dos sorrisos que iluminam os momentos e das palavras que nos marcaram o pensamento e influenciaram o nosso destino. 
O nosso início...
E porque tudo tem um princípio volto atrás para dizer mais uma vez que a vida se faz por etapas. E os diários existem para nos policiarmos e disciplinarmos. E percebermos que não somos números...apenas.
E vale a pena conservá-los. Aos diários. Para nos fazermos presentes. E para nos recordarmos. E limarmos o que há a emendar. E nos obrigarmos a fugir da não vida. E fazermos na memória a lista do que não fizemos, não queremos, o que somos capazes e o que nos dará alegria ter e fazer. O que desejamos que aconteça. O que depende de nós.
Porque a vida se faz por etapas, abro o caderno de apontamentos que anda sempre na bagagem que me acompanha, faço um visto no dia de ontem dou-lhe cinco estrelas, assinalo o dia de hoje com ponto de interrogação seguido de um sorriso e inicio o que se chama a lista de prioridades. 
Entre elas, a oportunidade de ter um dia diferente de ontem em que viajei para sul, aquele sul mais a sul deste sul, porém movido pelos mesmos princípios que são a necessidade do reencontro, com afectos. Voltar aos lugares onde também fui feliz. Não perder a oportunidade de rever lugares bonitos, festas bonitas, pessoas bonitas. Voltar a norte. 
Não é assinalável o dia de amanhã, no entanto assinalo os tempos próximos, incluindo o de amanhã, com a devida precaução e margem de erro alargada que não sou inconsciente, mas assinalo-los. Porque a vida é por etapas, e quero, posso e só não mando porque acredito no Universo e Ele é que manda tudo, prevejo, numa intuição de quem vai à luta, que posso ter dias bons se acredito que hoje é o primeiro dia deste resto de vida que todos queremos seja melhor. A minha etapa próxima não deixa de ser uma repetição da anterior, porém renovada. Em mutação. Fazer de tudo para ser feliz com as coisas simples que a vida me oferece e não me negar a novas oportunidades. Acolhê-las como bênçãos de Deus.
A vida é feita por etapas e eu, bem, eu, vou pôr-me a caminho, nem que seja a passo de caracol... 

o tempo certo é hoje

O tempo dos tambarinos e das mangas, foi o tempo do nascimento dos afectos.
Foi o tempo das brincadeiras na rua. Dos contos de sereias e kimbandas. Homem do saco e simão toco. 
Foi o tempo da cacimba do bairro índigena. Da igreja de São Domingos.
Das bonecas de papel. Dos cigarros negritas e dos baleizões de gelo. Das maçãs da índia roubadas do quintal dos vizinhos. Das corridas, de pé descalço, atrás dos meninos e experimentando a velocidade e o risco, pedalando a bicicleta alugada na oficina do Sr. Arlindo.
Do amor de mãe e pai. Dos vizinhos. Foi o tempo da minha rua. Do meu bairro. Da minha cidade. 
Foi o tempo da minha angolanidade real. Da minha consciência de africana. Comigo, com as gentes e com a pátria. 
A construção da posse engrandece a alma e o coração de quem sente que é gente.
Ficou-me desse tempo, o encontro comigo. E com os sentimentos. Com os outros.
Ficou-me desse tempo prolongado até ao estado adulto uma imensa certeza de que nada é igual ao resto, quando se constroem sentimentos, se desenvolvem afectos, se olha a nossa terra como mãe que nos tem, nos dá e nos acolhe e protege.
Ficou-me desse tempo, gente que me ajudou a construir a minha angolanidade, sem triagens nem redes. 
Ficou-me desse tempo, eu própria. Em estado primitivo. 
Hoje vou fazer a reconstrução desse tempo. 
E sou feliz por isso.
A Vila Alice estará presente em mim mais do que ontem ou amanhã.
Hoje é hoje e o abraço do tamanho do universo que tenho para dar me envolve de alegria.
Hoje é o tempo certo de ser feliz.

( reporta-se a 29 de Junho último )

terça-feira, 2 de julho de 2013

Rádio Comercial | ViVi dos 741 dias - Música para Vitor Gaspar

constatando mais uma vez...


O bode expiatório foi uma ideia do arco da velha, para bater no ceguinho, até vir a mulher da fava rica. 
Digo eu, que nem defendo que a culpa morre solteira. 


m.c.s.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

hoje o dia é teu e não disse nada que tu não saibas...


Hoje, quero olhar-te nos olhos. Dar-te um abraço com o brilho que sempre iluminou o meu olhar, se te olhei. Quando te olhei, observei e amei... 
E quero receber esse olhar profundo, quase negro, sorridente e brincalhão, quase a gargalhar de pureza e alegria. Quase a confessar ser a luz desse teu olhar. 
Nunca mo disseste porque naquele tempo não era para dizer, mas não foi preciso. A nossa linguagem falava por si. 
Independentemente do tempo e das hierarquias afectivas. 
Tenho a certeza que viste, claramente visto, o presente e o futuro, através de mim. E iluminaste os meus caminhos guiando-me com a força do teu olhar. E que agradeceste a Deus a minha existência na tua vida. Tenho a certeza que não eram as palavras que nos uniam mais, mas os sentires. E nós amámo-nos sempre. Muito.
Hoje, para além de te olhar nos olhos, olho as ondas do teu cabelo negro, os lábios bem desenhados, o rosto trigueiro e bonito. Desbravando terras e subindo montes e serras, na descoberta e exploração da mocidade. E oiço contos de mares e marés, barcos e viagens. Riscos e aventuras. Mudança de vida e de continente. Mudança de amigos e de hábitos. Mudança de amores. 
E oiço a tua voz segura, quente e envolvente, contando uma história de encantar para me embalares, cantando uma qualquer canção ou rimando quadras de amor e paixão, para encantares. 
Vejo aos poucos o cabelo acinzentando-se, rugas de expressão e de preocupação. Vejo-te triste, cabisbaixo e vencido, mas desvio os olhos desse tempo que foi teu e meu e que te levou de mim. E calo a tua e a minha voz, de impotência e revolta. 
Para me silenciar nessa dor.
Hoje, quero olhar-te olhos nos olhos, sem lamentos nem lágrimas e quase em silêncio, porque as palavras nunca foram necessárias entre nós, dizer-te, a meia voz, que tenho muitas saudades tuas, meu pai, que hoje completarias oitenta e oito anos.

P.S. sô Santos, só para te dizer que se cá estivesses, faríamos uma farra das antigas, à tua moda, p'ra ninguém botar defeito, carai!

quarta-feira, 26 de junho de 2013

que calor!

Com temperaturas destas, um ar condicionado faz a diferença. No imediato...e no fim do 
mês na conta da luz, mas isso agora não interessa mesmo nada, que está um calor dos diabos.
Quem havia de dizer que eu ia adorar um gosto tão burguês! Digo eu...

m.c.s.

segunda-feira, 24 de junho de 2013

À descoberta



Os caminhos que percorro em busca de maior agilidade e espiritualidade. À descoberta de mim e do que é bom para a minha vida.  

uma janela virada para a lua


porque hoje vai grande e mais iluminada que nunca


sábado, 22 de junho de 2013

eu às vezes leio mensagens

Mensagem bonita, esta. Não me parece que seja para mim. Que pena! E mais pena tenho mas não posso chorar, que faz rugas...de expressão. Mas deixo aqui as minhas impressões e expressões sobre o facto. 
Então é assim - As probabilidades de haver um " J " no pedaço são mínimas e eu não começo por " I ".
Mas que acho uma graça, acho. E fico até um pouco invejosa, eu que não sei o que isso é.
É nestes momentos assim que me lembro que a propósito de amor, não me posso queixar muito e que a coisa mais linda que me disseram foi, não me canso de repetir, até já cheira mal, mas para mim é perfume de flor de frangipani, - Gosto tanto, tanto, tanto de ti, que acho que te amo. 
É lindo não é? Pois é. Só que não ficou gravado senão no meu coração e na minha memória. 
Mas bem que merecia tal como esta, uma gravação na pedra da calçada. 
Enfim, nestas coisas dos sentimentos, parece que sou uma invejosa...
Serei? Pensando bem, não. 
A minha hora há-de chegar. E não a quero pequenina. Benza-a Deus. Se não for a bem será a mal que eu não sou de vinganças, mas...
Só tenho receio que não saiba escrever. Mas se for caso disso escrevo eu, agarrando na sua mão. Até que dá uma imagem bem romântica. 
Mãos nas mãos escrevendo uma mensagem de amor assim, que nem esta. Com e tudo. 
Caraca! Bem fixe. 
Isto deve ser do Verão que finalmente veio para ficar, como o toyota. Não me perguntem por marcas de automóveis pois que não percebo nada disso, estou-me borrifando para isso, sinto raiva de quem tem essas vaidades e quando me vêm com marcas, tiro-lhes logo a pinta.  E não gosto.
Enfim, fiquei tão perturbada que não digo coisa com coisa...Lol! 

dizer o quê? sou eu


segunda-feira, 17 de junho de 2013

lugar em mim

Coloco-me no lugar de sempre. Vago.
Quem quiser sentar ao meu lado, vai ter de provar que ocupa o espaço certo para não ficarmos acanhados. Digo eu, que não gosto de me meter em apertos.

m.c.s.

lugar por mim

Coloco-me no lugar de sempre. Vago.
Quem quiser ocupar o meu lugar, vai ter de lutar por isso, digo eu que não sou de vinganças, mas quem mas faz, paga-mas.

m.c.s.

as bolas de berlim da Costa da Caparica

foto.tukayana.blogspot