quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Corrector
Empresta-me essa coisa. A Mena olhou para mim a sorrir.
Fiz o gesto, mostrando o ofício com um carimbo para apagar, colocado por engano, por mim.
Que horror, não me lembro do nome, disse, em pré-pânico.
O líquido branco - continuei, já com a cabeça a ferver.
Ela foi à gaveta da secretária, tirou o líquido branco e disse: O apagador.
Ri, ri muito e nervosamente.
Decidi não fazer braço de ferro com a minha " branca ", e li na esferográfica o nome da " coisa " líquida e branca. CORRECTOR.
Fiquei com Meeeedo! Por mim e por ela.
Às vezes vejo lá ao longe o senhor alemão, acenando, e ganho calafrios.
Chovendo Picaretas

Há dias em que não se pode sair de casa.
Mesmo...
Qual bota, qual impermeável, chapéu de chuva...
Qual carapuça!
Cheguei ao meu destino, molhada até aos ossos. Todos.
E infeliz.
Molhada até ao cabelo, até às entranhas.
Como se chovesse só para mim, dentro de mim.
E parece que veio para se instalar...a chuva!
Miguel Gameiro - Dá-me um abraço (com letra)
Um abraço do tamanho do Mundo.
Maior do que o UNIVERSO.
Para as minhas pessoas. Todas.
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
As Cheias

O Ribatejo já está a nadar.
Os ribatejanos aceitam as cheias como um karma. E ficam quase indiferentes.
O rio Tejo subiu e fará estragos.
Em Constância, vila poema, o rio cruza-se com o outro. Com o Zêzere, e desse encontro surgem as cheias, quando chove demais e com a frequência, deste inverno.
Um povo de toureiros e touros, campinos e touradas, os ribatejanos, aceitam com brandura que a água lhes destrua a condição de bravos homens da lezíria.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
Saber do Amor!
Do Amor eu sei tão pouco
Que não o quero ensinar
Do amor só sei que é louco
O que não o quiser dar
Do Amor apenas sei
desta Paz, desta Magia
Que faz de ti um Rei
Rico em fantasia
Que te transforma em cantor
Do bem e da razão
Que te torna criador
De versos de ilusão
E sabendo quase nada
Sinto o ridículo da vida
Ao ouvir a um carente
Dizer que não dá guarida
A um Amor que ele sente.
Que não o quero ensinar
Do amor só sei que é louco
O que não o quiser dar
Do Amor apenas sei
desta Paz, desta Magia
Que faz de ti um Rei
Rico em fantasia
Que te transforma em cantor
Do bem e da razão
Que te torna criador
De versos de ilusão
E sabendo quase nada
Sinto o ridículo da vida
Ao ouvir a um carente
Dizer que não dá guarida
A um Amor que ele sente.
Pensamento diário
Hoje um amigo querido, mandou-me um pensamento que diz:
" Não é a montanha que nos faz desanimar, mas a pedrinha que trazemos no sapato "
Como isto é verdadeiro, Amigo!
Uma reles duma pedra faz-nos parar, desistir e voltar para trás.
Só que quando leio isso, penso em Nelson Mandela que viveu encarcerado tantos anos numa cela miserável, do tamanho duma casa de banho, de um apartamento vulgar.
E isso é meio caminho andado, mesmo com as areias pondo-me à prova. O outro meio caminho, percorrê-lo-ei, sim, ainda que tenha que enfrentar uma pedreira, ou eu não me chame maria clara.
" Não é a montanha que nos faz desanimar, mas a pedrinha que trazemos no sapato "
Como isto é verdadeiro, Amigo!
Uma reles duma pedra faz-nos parar, desistir e voltar para trás.
Só que quando leio isso, penso em Nelson Mandela que viveu encarcerado tantos anos numa cela miserável, do tamanho duma casa de banho, de um apartamento vulgar.
E isso é meio caminho andado, mesmo com as areias pondo-me à prova. O outro meio caminho, percorrê-lo-ei, sim, ainda que tenha que enfrentar uma pedreira, ou eu não me chame maria clara.
Do passado

Conta-me histórias de antigamente.
Quero sentar-me no patim da tua casa.
E no apogeu da minha infância, Acreditar.
Nas estrelas do céu da minha terra, na vida de cada uma.
E na tua. E na minha.
E comer ginguba quentinha, torrada, no meio da areia, da lata grande.
Ginguba com pão...
E ouvir-te a voz mimosa, cantando as canções de antigamente.
Uma antiguidade mais antiga que tu.
A confundir-se com o lendário.
O patim da tua casa, já não existe, mas eu construo-te outro.
Seguro, tão bonito como aquele.
Onde caibam os nossos sonhos.
E noites estreladas, e com a luz da lua no nosso olhar e as palavras...
As palavras que sabiamente nos oferecias...
Conta-me histórias. Conta-me histórias de outros tempos.
Do antigamente...
Tenho Saudades
TENHO UM FILHO NA FRANÇA
Chegou ao balcão uma utente, pedindo uma informação.
E começou por dizer: Tenho um filho na França...
Há manhãs que desabam sobre nós, ou nós que desabamos na manhã, no dia todo...
As saudades provocam desmoronamentos na alma, dores fortes no coração.
Convivo com a Saudade há muito tempo. Não me habituo porém a ela.
Parecido com o que sinto pela terra onde vivo.
Permaneço, mas nunca permiti que me tratasse por tu.
Assim é, este sentimento feroz, que de mansinho toma conta de nós e moe, moe, e tortura o corpo e o espírito, com a persistência e a arrogância dos grandes males.
Eu resisto, dobro-o, finto-o, mas...Também eu tenho um Filho em ( na ) França...
Chegou ao balcão uma utente, pedindo uma informação.
E começou por dizer: Tenho um filho na França...
Há manhãs que desabam sobre nós, ou nós que desabamos na manhã, no dia todo...
As saudades provocam desmoronamentos na alma, dores fortes no coração.
Convivo com a Saudade há muito tempo. Não me habituo porém a ela.
Parecido com o que sinto pela terra onde vivo.
Permaneço, mas nunca permiti que me tratasse por tu.
Assim é, este sentimento feroz, que de mansinho toma conta de nós e moe, moe, e tortura o corpo e o espírito, com a persistência e a arrogância dos grandes males.
Eu resisto, dobro-o, finto-o, mas...Também eu tenho um Filho em ( na ) França...
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Presente Pipoca Mais Doce
Mais uma vez ganhei um presente da Ana ( do blog Pipoca Mais Doce ).
Desta feita um conjunto de batons, de cores variadas, numa embalagem frisada, em dourado,
da Estée Lauder. E perfiladinhos, dentro de uma caixa vermelha, cujo interior, de veludo, vermelho também.
Fiquei muito contente, não é? Logo batons!
Obrigada, querida.
Presentes COCAN 2010
Vivo que eu sei lá!
A irmã mais velha, ao telefone, pergunta:
Rafael, onde estás?
Estou a trabalhar. Com a mãe!
Onde? Volta a perguntar a irmã, divertidíssima.
Na Renova...
O Rafael vai fazer 3 anos, em Maio.
E sabe que a Renova é a empresa onde o pai trabalha.
A empresa da mãe ainda ninguém lhe disse qual era.
O Rafael estava com a mãe, no local de trabalho dela.
É um menino espertíssimo. Vivo que eu sei lá!
Rafael, onde estás?
Estou a trabalhar. Com a mãe!
Onde? Volta a perguntar a irmã, divertidíssima.
Na Renova...
O Rafael vai fazer 3 anos, em Maio.
E sabe que a Renova é a empresa onde o pai trabalha.
A empresa da mãe ainda ninguém lhe disse qual era.
O Rafael estava com a mãe, no local de trabalho dela.
É um menino espertíssimo. Vivo que eu sei lá!
Voluntária desempregada
Há um ano e meio ofereceu-se para fazer voluntariado.
Foi à casa do Menino Jesus e falou com as freiras, que se encontravam naquela Instituição.
Gostava de ajudar as crianças nos trabalhos de casa, preparar as lições com elas, ensiná-las a estudar...
Levou uma amiga e colega da Faculdade.
Já eram duas a querer fazer algo pelo seu semelhante.
Não lhes disseram que não.
Que iam falar com as responsáveis.
Ainda hoje estão à espera da resposta das responsáveis por esta Instituição, perdida numa cidade de interior, junto à Serra da Estrela.
Foi à casa do Menino Jesus e falou com as freiras, que se encontravam naquela Instituição.
Gostava de ajudar as crianças nos trabalhos de casa, preparar as lições com elas, ensiná-las a estudar...
Levou uma amiga e colega da Faculdade.
Já eram duas a querer fazer algo pelo seu semelhante.
Não lhes disseram que não.
Que iam falar com as responsáveis.
Ainda hoje estão à espera da resposta das responsáveis por esta Instituição, perdida numa cidade de interior, junto à Serra da Estrela.
Divagando
Quando ao serão nos juntamos, à mesma mesa, eu, a Manuela e a Joana, é certo e sabido que se come e se fala, muito. E divaga-se. E exploram-se idéias e nasce a luz...
Conversar com uma futura psicóloga e uma futura socióloga, ao mesmo tempo, parece tarefa difícil, mas não é.
Ontem, o tema era o mundo que cada um tem. Que cada um é capaz de alargar. Os limites desse mundo.
Qualquer uma de nós quando fala, toma como exemplo, o exemplo ao nosso lado, à nossa frente, no trabalho, na escola, em férias ou mesmo, o nosso.
Se o mundo que a gente vai conquistando, construindo, se tornar gigante mas não seja, o melhor, para os outros, o que acontece?- perguntei.
Respondeu-me a socióloga: Então esse Mundo é um Mundo à parte.
Há que colocar nele pessoas à parte, diferentes.
O seu Mundo, o que já tem.
Sim senhora. Sorri com a resposta desta mulher que tem um mundo à parte, no qual eu entrei e permaneço.
Conversar com uma futura psicóloga e uma futura socióloga, ao mesmo tempo, parece tarefa difícil, mas não é.
Ontem, o tema era o mundo que cada um tem. Que cada um é capaz de alargar. Os limites desse mundo.
Qualquer uma de nós quando fala, toma como exemplo, o exemplo ao nosso lado, à nossa frente, no trabalho, na escola, em férias ou mesmo, o nosso.
Se o mundo que a gente vai conquistando, construindo, se tornar gigante mas não seja, o melhor, para os outros, o que acontece?- perguntei.
Respondeu-me a socióloga: Então esse Mundo é um Mundo à parte.
Há que colocar nele pessoas à parte, diferentes.
O seu Mundo, o que já tem.
Sim senhora. Sorri com a resposta desta mulher que tem um mundo à parte, no qual eu entrei e permaneço.
Emigrantes
Acho admirável a forma rápida como as pessoas de Leste, que vivem em Portugal, aprendem e falam a língua nacional. E com calão. E com diminutivos.
É comum ouvir, " adeusinho " bebé ", " obrigadinho ", " minha " senhora, " de nada ", respondendo ao obrigado, e outras expressões e palavras soltas, tão ao jeito português e até, de trazer por casa.
Eles são atentos, espertos e muito esforçados. E quando falam, são determinados e parecem estrangeiros a viverem há muito tempo neste país.
Diariamente atendo estrangeiros ao balcão da minha secção, ou mesmo, sentada à secretária.
É fácil atender estas pessoas porque rapidamente nos esquecemos que não dominam a língua.
Hoje deparei-me com um que sabia muito pouco português. Lembrei-me de mim em França, falando e gesticulando com o empregado do hotel de Monteppelier a propósito das toalhas e do papel higiénico, e das malvadas das escadas que simplesmente não existiam.
E pude compreender tão bem o que estas pessoas sentem quando aqui chegam...
Portugal, está a tornar-se um país muito mais interessante. E deve-o às diversas culturas e povos que se juntaram aos portugueses e a este país.
Que cheguem sempre e venham por bem.
É comum ouvir, " adeusinho " bebé ", " obrigadinho ", " minha " senhora, " de nada ", respondendo ao obrigado, e outras expressões e palavras soltas, tão ao jeito português e até, de trazer por casa.
Eles são atentos, espertos e muito esforçados. E quando falam, são determinados e parecem estrangeiros a viverem há muito tempo neste país.
Diariamente atendo estrangeiros ao balcão da minha secção, ou mesmo, sentada à secretária.
É fácil atender estas pessoas porque rapidamente nos esquecemos que não dominam a língua.
Hoje deparei-me com um que sabia muito pouco português. Lembrei-me de mim em França, falando e gesticulando com o empregado do hotel de Monteppelier a propósito das toalhas e do papel higiénico, e das malvadas das escadas que simplesmente não existiam.
E pude compreender tão bem o que estas pessoas sentem quando aqui chegam...
Portugal, está a tornar-se um país muito mais interessante. E deve-o às diversas culturas e povos que se juntaram aos portugueses e a este país.
Que cheguem sempre e venham por bem.
Santa Ana
A Caxito, cidade perto de Luanda, se deslocam os peregrinos, sobretudo, aos domingos.
Para além de ser um passeio muito bonito, o encontro com a fé é muito importante. As igrejas, antiga e nova, ficam na rua principal de Caxito. Esta igreja moderna, do lado direito da rua para quem vai de Luanda e a capela antiga, mesmo de fronte, do lado esquerdo da estrada. Junto à última, está uma obra moderna, a Casa de Santa Ana.
Visitei Caxito e as duas igrejas, num domingo bonito, de sol. Parecia que o tempo parara ali, ou que o tempo passava devagar.
Sentia-se a fé, a serenidade de quem vive com alegria, na santa paz do Senhor e de Santa Ana.
As pessoas aqui, são profundamente católicas e praticam o catolicismo de uma forma plena. Com rituais, com práticas antigas, quer no comportamento dentro da igreja, com um respeito desmedido; com a cabeça coberta por véus, na aprendizagem do catecismo ali ao domingo, com um padre de origem sul americana, falando um português espanholado; quer nas oferendas e no cumprimento de promessas.
As senhoras dali, e ligadas à igreja,
Os homens, alguns, velhos, fizeram-me sentir uma ternura doce, que me derreteu o coração.
Já não me lembrava de como era o meu povo e foi aqui no Caxito, em Santa Ana que tive o reencontro mais bonito.
Olhei e pensei só para mim: Este sim, é o meu povo.
Como me fazia falta, estar no meio desta gente!
O ambiente era favorável, afável e muito prazeiroso.
Senti-me neste lugar, uma angolana de corpo inteiro, de alma livre. Tive vontade de cumprimentar toda a gente, de distribuir sorrisos, de tirar milhões de fotografias, para perpetuar a minha alegria, o meu encontro com Santa Ana.
Os meus amigos estavam comigo e eu fui muito feliz nesse domingo, perto de quem eu sou.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Conte muitos...

Hoje faz anos uma pessoa especial.
Um homem, que não sendo meu filho, meu irmão, meu cunhado, conseguiu ser o homem com quem pude relacionar-me sem que a condição de ser homem me agoniasse. Porque houve um período da minha vida que assim foi.
Fuzilava tudo quanto fosse homem que mexesse, se me fosse dado esse poder.
O Zé Manel, foi uma pessoa na minha vida. Nesse período medonho. Apenas pessoa.
Um amigo que me apoiou, que me ajudou e que está sempre presente se for preciso e mesmo para o lazer, não se nega.
Dizem que, marido de amiga é mulher.
Será um pouco assim. Assexuado, sem contudo perder a sua condição de homem.
Nesse período mau, no dia dos namorados o Zé Manel trouxe duas caixas de bombons que ofereceu a duas mulheres. Ao mesmo tempo.
Uma à mulher e minha amiga do peito e outra, a mim.
Nunca soube se fora um gesto combinado entre eles, o mais provável é que tenha sido, mas ele aceitou fazer esse papel de alguém que estima a pessoa que sabe que se sente só e infeliz, após 29 anos de comemoração do dia, e quer fazer-lhe um agrado.
Nunca mais esqueci o gesto. Nem que me vai buscar muitas vezes ao comboio, ao autocarro, que me vai pôr a casa quando saio da deles à meia-noite ou 1 hora da manhã, que me leva ao Fundão para que veja o meu filho apresentar um trabalho, que me leve às compras, que abdique do seu lugar à mesa ( apesar do Rafael me dizer sempre - esse lugar é do pai ) para que eu me sente onde me sentei a 1ª vez que ali comi. Que prepara um café ou um crepe, ou os dois.
Que me elucida acerca de comportamentos próprios do sexo masculino, que me dá a sua opinião, em suma, que me apaparica e me estenda a mão sempre que preciso.
Vou mais uma vez cair no lugar comum, mas vale mais cair porque quero e não porque quem tropeça, também cai... os amigos são o melhor que a gente tem na vida e eu tenho-os.
O Zé Manel é um bom amigo, mas é também uma óptima pessoa. Um marido excepcional, um pai extraordinário, um familiar exemplar, um cidadão singular.
Não estou a exagerar. É mesmo. Não há muitos como ele. E estou sempre a dizer à minha amiga que o estime, que não arranja outro nem sequer parecido, quanto mais igual.
E hoje faz anos...
Parabéns!
Que a saúde seja sempre como a de hoje, boa.
Que os sonhos que sei que têm, os dois, se concretizem.
Que o Rafael possa crescer no seio do lar que lhe deram sempre com a mesma dedicação e amor que hoje tem e que seja uma bênção a presença desse menino, sempre.
Deus vai recompensá-lo pelo que faz pelos outros.
Eu posso dizer que a minha recompensa consiste na lealdade, na gratidão e na amizade.
Um bom dia Zé Manel e que este se repita por muitos muitos anos.
Temporal

Ontem, só à noite, me dei conta do que aconteceu na Ilha da Madeira.
Não vi televisão durante o dia e não falei com pessoas a quem essa tragédia tivesse tocado.
É uma tragédia que toca a todos e ainda que não tenha lá familiares, ou amigos, conheço algumas pessoas que são madeirenses e vivem no Funchal, com quem privei todas as vezes ( e foram várias ) que fui de viagem, e permaneci, nesta linda ilha que é a Madeira.
Conheço as pessoas que trabalham na Secretaria da Cultura, como a Fernanda, o João Paulo, o Professor e outros, bem como os motoristas, todos, que acompanham os convidados do Festival de Pequenos Cantores da Madeira, que se realiza todos os anos na capital da Ilha. Conheço a maestrina Zélia, do coro fantástico que é, o Coro que acompanha as canções do festival. Conheço alguns dos donos dos restaurantes a que sempre fui, todas as vezes que visitei a Madeira.
Conheço madeirenses que não vivem na Madeira.
O povo madeirense é português.
Por isso estou ainda mais perturbada com o que estão a viver.
Ao ver as imagens na televisão, fiquei num dó de alma pela cidade.
O Funchal é um mimo. Uma flor no jardim.
E a propósito, onde é que anda o seu dono e senhor? O jardineiro desse jardim?
É que pode ser impressão minha, mas vi ontem à noite e hoje, as notícias, mas só nos mostraram a miséria em que a região se encontra, de Alberto João Jardim, népias.
Estará a banhos numa qualquer ilha quente, nua e carnavalesca?
Não, sou eu a ser mázinha, porque o senhor já deu uma conferência de imprensa e tem recebido muitos telefonemas dos diversos sectores políticos, inclusive de Manuel Alegre...
O sr. Presidente da República, o sr. Primeiro Ministro, e até Durão Barroso se manifestaram muito consternados, apoiando a Madeira e o seu presidente regional.
Haverá apoio à Ilha e às vítimas. Isto li eu. Porque na televisão, não os vi, mas pode ser defeito da minha televisão.
Será que esta televisão,( aparelho de televisão ), que é nova, faz boicote às tragédias nacionais, ou são só as televisões que estão fartas de politiquices?
Haja quem perceba!
Ainda o Carnaval
Na sexta-feira à tarde havia uma diligência com menores. Duas crianças, irmãs, iam ser ouvidas, pelos magistrados, do Ministério Público e Juiz de Direito. Há um funcionário a apoiar a diligência.Existe uma certa etiqueta, uma tradição nestas casas da justiça.
O Juiz e MºPº vestem uma " beca ", por cima da roupa. Como se fosse um vestido, a preceito, até aos pés e preto.
Os funcionários vestem uma capa negra.
Para que fiquem melhor e totalmente esclarecidos, os advogados vestem " toga ". Farpelagem parecida com a dos juízes. Fica ali no meio termo entre o vestido e a capa.
Estas crianças de que falei tinham 7 anos, o mais velho e talvez 5, o mais pequenino.
Brincavam ao balcão com carrinhos pequeninos, miniaturas de marcas poderosas, sendo que o balcão, era a pista.
Vendo o funcionário passar, fazendo quase esvoaçar a sua capa negra, o mais velho perguntou à mãe:
Ele está vestido ao quê?
A mãe tenta explicar.
A criança julga-se ainda no Carnaval e quer saber qual a máscara da criatura de capa preta.
A mãe vê-se nas amarelas, para que a criança perceba que ali é o Tribunal e não estamos no Carnaval...
Para aquele menino, o funcionário da capa preta estava mascarado de Vampiro. Disse-o com todas as letras.
O subconsciente, mesmo dos pequeninos de 7 anos, é poderoso. Ou será que foi só coincidência?
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