quinta-feira, 5 de novembro de 2015

dádiva

É na tarde que cai, que me cala fundo, o silêncio que se ergue na noite.
Envolve a terra com o seu manto de luz e palavras por dizer.
Não são precisos gestos. Nem olhares. Ou ecos. 
Acendem-se as estrelas. Ligam-se os planetas. Dançam as constelações. Ao som do divino.
A voz do anoitecer diz tudo d' um poente festivo. 
Um barco no horizonte, um voo de albatroz, cânticos da kianda, lá longe. Do outro lado do mar. Do outro lado do tempo. 
Onde a festa multicor do sol fecundando a terra gera a noite e o luar. Que se prateia dando brilho e magia ao dia que se vai. 
É na tarde que cai que contemplo em exaltação o milagre da vida.
Levanto as mãos ao céu e agradeço de alma e coração tudo o que o Deus me deu.

m.c.s.

quarta-feira, 28 de outubro de 2015

reflexão

Acordar é colocar-me na primeira pessoa do verbo Viver. 
E nessa bênção, o Universo fez a sua parte.
Cabe-me fazer a minha. 
E merecer o ar que respiro.

m.c.s.

domingo, 25 de outubro de 2015

o luto



O luto não se faz se não há morte
Na liberdade de viver
No incondicional amor

Quantas noites e dias para sobreviver? 
Quanto tempo para matar a dor? 
Quantos lutos p' ra vencer?

O luto não se faz se não há morte
E a vida não se compadece da má sorte
A memória é a que resta
E um bater desmaiado do coração
Um sopro de ar por entre a fresta
Uma oração...

O luto é filho da puta
Arranca tudo, da pele à alma
Desafia os tempos numa luta 
Que não promete sequer a calma
Mas não se faz se não há morte
E é preciso sobreviver
Nessa injusta e má sorte
Mesmo se uma parte nos morrer...

m.c.s. ( com endereço a amigo muito querido, com um abraço d' um tamanho sem tamanho em luto desde o dia 21/09 )

o (im)possível

É possível, sim, tornar uma raridade numa probabilidade. 
E enquanto a mente aceita como possibilidade, o caminho faz-se. 
Digo eu, que acredito que o raro existe e o impossível acontece se o pensamento o capacita.

m.c.s.

aviso de última hora

Quando a hora muda podem mudar as vidas
Os sonhos.
As almas sofridas...
E no sonho, a alma virar 
Uma página talvez
Nesse livro por fechar
E crer que chegou a vez
De acreditar...
Quando a hora muda adormece-se o tempo em vão
Resgata-se o sono, o sonho, o amor
Resgata-se até o espírito do verão 
Só não se acaba com a dor
Só não se enterra o coração
Quando a hora muda podem até os relógios recuar 
Disfarçando a intenção
Criando ilusão
Mas tudo é igual em mim
Calendário por cumprir
Neste princípio do fim
Neste tudo ou nada que há-de vir
Quando a hora muda, não muda a vida não
Nem o coração
Nem sequer fantasmas do passado
Caminham nas horas achadas e perdidas
Matando e refazendo tempo,
Mas sempre ao meu lado

( Aviso de última hora - Se nada muda nem a hora de mudar -
Duma vez por todas - 
Quando a hora muda, é hora de mudar )

m.c.s.

negociando

- Este Sto António tem cara de safado. Disse ela. 
- Por isso estou a negociar com ele. Disse eu, de vela na mão.

m.c.s.

dizer...

Dizer tudo como os tolos é percebê-los.
Aceitá-los.
Querer ser mais um. Deles.
Dizer tudo como os tolos é não ter medo de o dizer.
De se estripar e de se perder.
Dizer tudo como os tolos é dizer que quer amar.
E nesse amor cego se principiar.
E louco se infindar.
Dizer tudo como os tolos é (des)conhecer o amor, bater com ele de frente;
e dele saber que vale a pena a loucura desse viver.
Eu digo tudo como os tolos porque nesta minha doideira digo o que (te) quero, vivo e amo.

m.c.s.

grata

Há noites. Negras. Que me queria desperta. 
Para embalar e adormecer este amor que tenho no peito, nos braços e na pele. Visceral. 
Há noites sem cor. Que queria transformadas em dias. 
Tempo. Eterno.
Para morrer e ressuscitar, de tanto amar.
Há noites parideiras de manhãs.
Assim. Brancas. Puras. Dispostas.
E gratas. Só por acordar. 
E deixar o espírito sentir e falar.
Sonhar...

m.c.s.

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

o Tejo em fotografia




fim de tarde no Tejo - Lisboa


no Portinho da Arrábida ( eu )


não ser capaz

Quando alguém se quer pôr no meu lugar, eu sorrio. Apenas.
Ninguém poderá vestir a minha pele, que não é elástica.
Nem tem poiso certo e seguro.
Às vezes, nem eu consigo pôr-me no meu lugar.
Que é estreito. Sonhador. Absurdo. Utópico.
Outras, sensato. Disciplinado. Real. Cruel. Injusto.
E eu não caibo lá.

m.c.s.

fim de tarde no Tejo - ontem


domingo, 11 de outubro de 2015

Descrédito

Mais triste que perder um amor é não acreditar numa curva do destino, onde o amor espera por mim. 
Para nesse encontro me achar e me perder...

m.c.s.



desistência

Desistir do amor, é matar-me todos os dias.
E deixar-me morrer para o dia seguinte.
  
m.c.s

sobre o amor

Finito?
Infinito?
Que sei eu sobre o amor...
Sei que te quero, momento.
E que seja infinito, nesse finito amor...

m.c.s.

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

a propósito da república

Mais um feriado roubado ao povo. 
Mais um dia votado ao esquecimento da História. 
Ou seja, mais uma data para esquecer. E morra quem se negue.
Pensando com as cinco oitavas no lugar...foram mesmo outros quinhentos. 
O povo que se queixe, porque quem não se sente, diz outro povo anterior, antigo e guerreiro, valente e lutador, não é filho de boa gente ( aquela que nos ensinaram que o povo português era ) 
Ora, mas vamos lá ao que interessa - que importância tem o dia da implantação da república hoje? Isso foi chão que já deu uvas...
Agora só bananas e das pequenitas. Da Madeira, a bem dizer...

domingo, 4 de outubro de 2015

à espera de amanhã

Cheiro-te terra molhada
Sinto-te vento feroz
Oiço-te trovão desgarrado
Espantalhando-me o medo
Roubando-me o sono
Devolvendo-me a voz

(Des)outonando-me sem segredo...

Depois da tempestade espera-se a bonança
Pensamento
Frase feita
E refeita 
na minha mente
Todas as mentes prenhes d' esperança
Desejo crescendo 
No caminho da salvação
Na urgência de mudança 

Amanhã será diferente!

m.c.s.

sexta-feira, 2 de outubro de 2015

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

pensamentando-me

Nem todos os lugares somos nós. 
Os nossos lugares, são escolhas do coração que a memória perpetua. 
E aonde regressamos quando a saudade se faz presente.

m.c.s.