terça-feira, 27 de janeiro de 2015
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
entre gestos (3)
Amanheceste-me...
...e agora é tarde para me anoitecer
Para te esquecer
Para me perder de ti, sol reinante em mim
Exalto-o, entre-comas, entre-gestos,
na liberdade que o poema me dá
E recuso a rotação da terra
O dia sideral
Amanheceste-me...
E eu renasci nesse entre-Tanto
Qual aurora boreal.
m.c.s.
...e agora é tarde para me anoitecer
Para te esquecer
Para me perder de ti, sol reinante em mim
Exalto-o, entre-comas, entre-gestos,
na liberdade que o poema me dá
E recuso a rotação da terra
O dia sideral
Amanheceste-me...
E eu renasci nesse entre-Tanto
Qual aurora boreal.
m.c.s.
entre gestos (2)
...depois, ah depois...
Tudo mudou.
A noite cantou hinos de glória.
A lua estremeceu e sorriu.
E as estrelas pararam de cintilar,
para brilharem no meu olhar.
E tu,
tu vieste morar nesse luminoso lugar...
m.c.s.
Tudo mudou.
A noite cantou hinos de glória.
A lua estremeceu e sorriu.
E as estrelas pararam de cintilar,
para brilharem no meu olhar.
E tu,
tu vieste morar nesse luminoso lugar...
m.c.s.
entre gestos
...e então, deste-me a mão.
Dei-te a mão.
Tocou-me a voz e o calor.
Uniram-se as linhas, desse destino.
E foi um minuto. Não mais que alguns segundos...
A mão esquerda abandonei-a no teu ombro.
Encostei o meu peito ao teu.
O coração amainou.
E dancei...
Já não lembrava a união dos pares.
A melodia de dois corações. Bailando.
Sentindo.
Ansiando.
Harmonizando.
...e então, entreguei-te a minha paz...
m.c.s.
Dei-te a mão.
Tocou-me a voz e o calor.
Uniram-se as linhas, desse destino.
E foi um minuto. Não mais que alguns segundos...
A mão esquerda abandonei-a no teu ombro.
Encostei o meu peito ao teu.
O coração amainou.
E dancei...
Já não lembrava a união dos pares.
A melodia de dois corações. Bailando.
Sentindo.
Ansiando.
Harmonizando.
...e então, entreguei-te a minha paz...
m.c.s.
domingo, 18 de janeiro de 2015
dia internacional do riso
No dia em que conseguirmos rir deste jeito, o mundo dos humanos será um lugar mais puro e feliz.
Há dias em que consigo imitar os animais. E acredito que o mundo vai dar-me essa pureza e felicidade.
sábado, 17 de janeiro de 2015
amor-perfeito
Quando espio o teu rosto, na memória que sustento,
há nesse acto de te olhar, uma alegria infantil
De te de novo tatear...
Como da primeira vez, sinto no peito o prazer de te ver a sorrir,
qual criança sonhadora, traquina e livre,
Inconsequente
E sorrio eu também...
Como da primeira vez, sinto o universo soltar-me a mão,
mergulho no teu olhar, salgado e livre mar,
histórias, lonjuras, aventuras,
e navego assim ao som do teu marulhar...
Quando espio o teu rosto e me quero inspirar,
dou-te uma cor, e és vermelho,
uma flor, amor-perfeito,
uma ave, és albatroz
um beijo serás na boca,
palavra e és mais do que sabes, do que sei,
és pensamento, insónia,
a minha tempestade, inquietação, paixão...
És a lágrima e o segredo,
libertador dos meus medos,
orgasmo da minha alma,
que me pacifica e acalma
És a minha inspiração...
Quando espio o teu rosto, neste tempo em que te invento,
és o que eu sentir, o que eu quiser,
e eu...eu sou simplesmente mulher.
m.c.s.
há nesse acto de te olhar, uma alegria infantil
De te de novo tatear...
Como da primeira vez, sinto no peito o prazer de te ver a sorrir,
qual criança sonhadora, traquina e livre,
Inconsequente
E sorrio eu também...
Como da primeira vez, sinto o universo soltar-me a mão,
mergulho no teu olhar, salgado e livre mar,
histórias, lonjuras, aventuras,
e navego assim ao som do teu marulhar...
Quando espio o teu rosto e me quero inspirar,
dou-te uma cor, e és vermelho,
uma flor, amor-perfeito,
uma ave, és albatroz
um beijo serás na boca,
palavra e és mais do que sabes, do que sei,
és pensamento, insónia,
a minha tempestade, inquietação, paixão...
És a lágrima e o segredo,
libertador dos meus medos,
orgasmo da minha alma,
que me pacifica e acalma
És a minha inspiração...
Quando espio o teu rosto, neste tempo em que te invento,
és o que eu sentir, o que eu quiser,
e eu...eu sou simplesmente mulher.
m.c.s.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
como beijos
São beijos as letras que junto.
A dizerem do gesto, as palavras que eu escrevo.
São memória. De beijos que te dei.
São a história d' um abraço. Mil abraços que te ansiei.
E o movimento...
A dança dos corpos em união.
São as horas tardias e a paixão...
São dias e noites assim. Escrevendo dentro de mim.
Lábios, bocas ávidas. Quentes.
São beijos ardentes, as palavras que te invento.
Escrevo eu. Escreve o vento.
E a mão dum deus maior,
Tatuando e perfumando a minha pele de palavras
Feitas de beijos que não apaguei
m.c.s.
A dizerem do gesto, as palavras que eu escrevo.
São memória. De beijos que te dei.
São a história d' um abraço. Mil abraços que te ansiei.
E o movimento...
A dança dos corpos em união.
São as horas tardias e a paixão...
São dias e noites assim. Escrevendo dentro de mim.
Lábios, bocas ávidas. Quentes.
São beijos ardentes, as palavras que te invento.
Escrevo eu. Escreve o vento.
E a mão dum deus maior,
Tatuando e perfumando a minha pele de palavras
Feitas de beijos que não apaguei
m.c.s.
das memórias...
A dádiva da riqueza interior, o que alicerça a nossa personalidade, o que nos faz erguer e recomeçar a cada decepção, advém das memórias de momentos felizes.
Quando nas lembranças retemos esses momentos anulando os outros menos bons, estamos na construção do presente e do futuro. Estamos a fim de ser pessoas felizes e resolvidas para todo o sempre.
Eu estou. Digo eu, a olhar com ternura e saudade para o que já fiz, já fui, já recebi, já realizei, aprendi, vivi, de bom.
O resto? Não tem lugar de pódio. Só o que me faz bem e provoca saudade, tem.
m.c.s.
uma história de amorzade
- ...e lembras-te quando pedias à tua mãe: Ó mãe dá-me uma coca-cola...dá láaaaaa, vai lá buscar...
Sorrisos meus. Mergulho o olhar nas suas palavras e nas memórias desses tempos distantes em que havia mãe. Havia a terra.
Havia, nós, crianças brincando todos os dias. Uma com a outra. Como irmãs. Ali na Avenida, ali no Largo, ali na Vila Alice.
- Em que casa foi isso? perguntei eu.
- Aquela ao pé dos Bastos.
- Ah, pensei que era na outra. Na cubata, como o meu pai chamava.
- Ah sim, a das mulembeiras. Sorrisos abertos. A saudade e o amor, no olhar trocado por nós.
- ...e o Luís, o Armindo, o Américo, o teu irmão, que iam lá para o quintal à ginguba que o empregado assava ...
- Pois, eles saltavam as aduelas e iam buscar também o peixe frito; o Luís é que se lembra que era frito em...
E dissemos ao mesmos tempo,
óleo de palma. O tempo a voltar... ainda a " cubata " ainda as mulembeiras, ainda o sabor, o cheiro, ainda todos nós, ali. O tio Augusto, o avô Carvalho, a mãe, o pai...
- ...e lembras-te do Kaquito a pentear-se em frente ao espelho do quintal? Cheio de banga...( gargalhadas ), horas e horas. Era vaidoso, que só ele. E a morimba à entrada.
- Do lado esquerdo ( dissemos outra vez, ao mesmo tempo ), depois o armário e o cadeirão.
E mergulhámos nas lembranças. Só nossas. Vividas por ambas em tempos tão antigos que facilmente seriam varridos, esquecidos, mas não de nós. Não por nós.
- E o teu pai com a bomba do flit... e faço o gesto. Gargalhadas de novo.
E os sapatos pretos e brancos, picotados. E os quartos...
- E as balalaicas que ele usava...
- E quando mudaram de casa e ouvíamos a rádio brazaville às escondidas, muito baixinho...
Ouvi de novo o rádio fanhoso, vi de novo o sr. Eurico sentado à mesa. Atento ao que ouvia. Com ar de conspiração. Senti de novo o aroma do peixe cozendo no caldo. Da farinha de musseque misturada com o óleo de palma retirado com todo o cuidado da panela, onde, para além do peixe, coze também a batata doce e a mandioca.
- E quando ias comigo até à esquina do largo com a Fernando Pessoa, onde moravam aqueles putos muito magros e altos a quem pus a alcunha de sputnik e ficávamos ali a falar, a falar, eh eh, depois eu ia contigo de novo até à casa do Armindo...
- E eu voltava a ir na direcção da tua casa, para te levar...
- Tínhamos assunto, aka!
Gargalhadas misturadas com um sentimento bom de saudade e nós de novo. Juntas. Noutra terra. Noutro país. Noutro século.
Passado muitas décadas. Nós, outras pessoas. Maduras. Vidas diferentes.
Nós amigas, desde que nasci. Abri os olhos e ela estava lá. Com três anos. Falei as primeiras palavras e ela estava lá.
Dei as primeiras quedas, chorei as primeiras lágrimas, ela lá. Ouvi as primeiras músicas e ela lá ouvindo-as comigo.
Cantando juntas, batendo palmas, a caminho do Cazumbi. Na carrinha azul do avô Carvalho. Nos banhos de mar na Chicala. No quintal onde não faltava um pombal, um coradouro de roupa branca, a mãe Rosa lavando-a na celha, um carro antigo que já não andava, o galinheiro e o espelho do Kaquito, pendurado numa trave de madeira.
Nós aqui, lembrando a infância e a adolescência, o Percy Sledge, no my special prayer ou no love me tender e as conversetas sobre todas as inquietações e sonhos sentidos e sonhados,
- Sempre me lembrei de ti muito positiva, divertida, bem disposta, disse-me ela. Positiva eu? era mesmo? Eras pois. Eras assim, como és.
Quando na Antena 1 passaram aqueles programas sobre a descolonização, eu segui-os e ouvi a tua entrevista, num dos programas e reconheci-te pela voz. Olha a minha amiga Clara...gostei tanto de te ouvir...
- Mas a minha voz não mudou desde aqueles tempos de Luanda?
- Não, filha. Tá tal e qual. Na mesma.
A voz dela também. Reconhecia-la entre milhares de vozes.
Passeámos, almoçámos. Ficámos horas conversando. Dos tempos passados. Dos de agora. Como já não fazíamos desde o tempo da Vila Alice. Ela casou cedo. Depois veio para Portugal. Para o Barreiro. Onde se radicou. Voltámos a estar juntas muitos anos depois, na Marinha Grande, num almoço de gente daquele tempo, nossos vizinhos. Depois voltámos a ver-nos em Sintra para o mesmo efeito. E depois estivemos quase uma década sem nos reencontrarmos. O ano passado, no início do verão passei o dia com ela e sua família, no Barreiro, num período de doença minha, uma faringite que me deixou afónica. Pouco pude falar. Voltámos a estar juntas quando o Kaquito, seu irmão, veio dos Estados Unidos para umas curtas férias. Assim os amigos do Largo , o Luís, o Armindo, o Américo e nós, voltámos a juntar-nos. Nesse dia combinámos encontrarmo-nos sem interferência de outros. Só as duas. Como nos velhos tempos. Nós e a nossa amizade. Nós e as nossas memórias. A nossa intimidade. Dando beijos nos corações. Pronunciando palavras como abraços. No colo. Uma da outra.
Aconteceu. Ontem. E voltei para casa de alma cheia.
Sou uma pessoa tão afortunada! Porque tenho uma amiga tão antiga quanto eu. Porque resgato tudo o que fui, o que vivi, o que fomos, como fomos, a cada encontro. Porque há alguém que gosta de mim quase há seis décadas só porque sim.
E eu pago da mesma moeda. Com o tal amor que nunca morre.
Amo-te o que a amizade que te tenho é capaz, Lisete. Tudo.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
fora de questão
Perguntaram-me onde mora o ódio. Não soube responder. Apenas sei que fica no lugar mais longe do amor.
E eu nunca fiz esse caminho, porque estou sempre perto de amar...
m.c.s.
E eu nunca fiz esse caminho, porque estou sempre perto de amar...
m.c.s.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
ocorrência
- Dona Claraaaaaaaaaaaaa! Dona Claraaaaaaaaaaaaaaaa!
Ouvi do fundo da loja. Do balcão dos enchidos e queijos, pão e bolos.
Era a Marta.
Aproximei-me dela. Ria bem disposta. Espalhafatosamente. Bolacheirona.
- Está toda contente! Ontem lembrei-me de si. Veja lá. Disse cá p' ra mim, a Dona Clara deve estar nas nuvens.
Fez-se luz em mim. Falava do Benfica. Ela que é do Sporting, mas casada com um benfiquista, o Mário.
Antes de ir para Lisboa, passei na loja. E falámos do jogo. Souberam assim que eu ia à Luz.
- Han?! Isso é que foi. Três han?!
- Foi um grande jogo, Marta. O Benfica podia até ter perdido mas eu vinha de alma cheia na mesma. Jogou-se muito naquele estádio. Foi muito bonito e limpo. Disse eu com um sorriso de orelha a orelha, claro.
O dia está soalheiro. É domingo. O Benfica deu uma alegria aos seus adeptos. A Pitanga já tem o areão. O meu almoço já foi. E eu, que estava para assistir à marcha silenciosa em Paris, depois de ter uma Marta tão espontânea, a dizer que ontem à noite pensou em mim, se bem que apenas por causa do meu clube e da minha alegria pela vitória, ter-me-á imaginado aos pulos numa bancada ( por acaso no sector 5, 3º piso, fila D, nº 6 ) exibindo histericamente o cachecol do glorioso, entrego nas mãos de Deus e vou mas é arejar as ideias, receber os raios solares e sentar-me quem sabe a ver o mar.
A vida corre. Eu hoje até dissertava sobre a gratidão e consequentemente sobre a ingratidão, mas fica para amanhã. Se não for antes. Porque tenho mais que fazer. Vou no trilho certo. Em busca de bem estar, quem sabe um momento de alegria e felicidade. Paz hoje já tenho. Quando estamos nos pensamentos dos outros só porque sim e não porque não, é porque gostam de nós certamente. Isso humaniza-nos e torna-nos mais tranquilos. Receptivos. Gratos.
Grata sou à Marta e a todos quantos de alguma forma me associam a qualquer coisa boa das suas vidas. É recíproco. Porque tenho para mim que ninguém gosta de quem não gosta da gente. E eu tenho uma memória gigante.
a propósito de despropósitos
Ó Gustavo Santos, és tão, tão, tão...vá, vou mesmo dizer o que penso porque tenho liberdade de expressão e quero usá-la sem medos, aqui, hoje e agora, pondo-me a jeito (?) ( discutível ), és tão idiota que até me dá pena.
Ó senhor músculos, olhar caçador, atitude de menos, que pretensão! A de quereres ensinar o padre nosso ao vigário.
Dando-te a ares de entendido. Dono de verdades.
Apresenta lá o Querido Mudei a Casa, meu, que nem aí te acho a menor graça, o menor talento.
Tens uma vaidade do tamanho do perigo que os terroristas representam. Gigante.
Puseram-se a jeito? Limites para o humor? O humor tem de ter comédia? Brincamos aos tontos e às loiras?
Humor britânico? Humor negro? Han? isso não te diz nada? Humor inteligente, não? Que cutuca? Que espevita? Que faz reagir? Que muda? Que é trabalho ao serviço do mundo?
Humor tem de ter comédia...para te rires, é, ó palhaço? Vai ao circo ou pede que te façam cócegas.
Ó pá, vai mazé dar banho ao cão.
foto do google
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
vagabundeio-me
Vagabundeio-me pela beira do caminho, destinatária, direita ao destino que hoje não queria marcado.
Passos lentos, mochila às costas. Cachecol enrolado no pescoço, a proteger e a enlaçar. E um lar no olhar. A deixar para trás...
Uma saudade súbita a juntar às saudades d' outros dias, outros lares, outros anos a findarem e a começarem também.
Só, de novo. Na bagagem sempre mais do que espero, preciso ou peço.
No peito, rosas e sorrisos. Palavras do coração. Na pele a suavidade das boas intenções. Oferecidas. Na alma, gratidão.
Vagabundeio-me pela estação deserta e fria, chegada sem pressa, sem hora marcada, tanto faz que ganhe ou perca, o comboio que me há-de levar. Carris, vento soprado, da serra.
Despenteia-me, essa brisa gelada que me regela os ossos e me sussurra coisas que o espírito ainda há pouco tranquilo, já em modo carente, quer ouvir.
Vagabundeio-me em olhares. Por este lugar. Onde jazem pessoas de bem, minha raiz. E vivem outras também, que me escutaram, falaram e amaram. E amam.
Vagabundeio o meu olhar pela linha que me leva onde tenho de ir. Rio abaixo. Tejo desejoso de mar.
Vagabunda dos sentidos hoje perseguiria a corrente para a fazer parar.
E ficar-me-ia por aqui, onde é tão fácil ficar, sem a voz do tempo a dizer que é hora de regressar.
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