quarta-feira, 15 de outubro de 2014
terça-feira, 14 de outubro de 2014
segunda-feira, 13 de outubro de 2014
pai
Se o céu abriga os bons
Onde estarão os melhores?
Onde estás tu, estrela do meu firmamento?
Estás na minha memória, narrador da minha história e dos passos que aprendi.
Estás no coração que ensinaste a amar, a perdoar e respeitar.
Estás nos olhos, nas mãos, na esperança que faz parte de mim.
Estás na avenida, anos por ti palmilhada, amada.
Estás nas quadras rimadas, nos fados chorados, nas terras para trás dos montes, além rio, além pontes.
Nas estevas e nos andores. Nas preces e nas promessas.
Estás nos amores que semeaste quando andaste por aqui.
Afinal ainda não foi hoje que partiste.
Porque estás no presente, dia, hoje, sempre...
m.c.s. ( à memória de sô Santos 10/10 )
Onde estarão os melhores?
Onde estás tu, estrela do meu firmamento?
Estás na minha memória, narrador da minha história e dos passos que aprendi.
Estás no coração que ensinaste a amar, a perdoar e respeitar.
Estás nos olhos, nas mãos, na esperança que faz parte de mim.
Estás na avenida, anos por ti palmilhada, amada.
Estás nas quadras rimadas, nos fados chorados, nas terras para trás dos montes, além rio, além pontes.
Nas estevas e nos andores. Nas preces e nas promessas.
Estás nos amores que semeaste quando andaste por aqui.
Afinal ainda não foi hoje que partiste.
Porque estás no presente, dia, hoje, sempre...
m.c.s. ( à memória de sô Santos 10/10 )
bater asas e não voar...
Sou como aquela ave de cativeiro. Que tem asas mas não foge.
Quando o meu coração está preso só tenho olhos para a gaiola.
Digo eu, ensaiado um voo doméstico...
m.c.s.
Quando o meu coração está preso só tenho olhos para a gaiola.
Digo eu, ensaiado um voo doméstico...
m.c.s.
segunda-feira, 6 de outubro de 2014
o medo
Na noite que o medo abraça,
na esperança de a conquistar
Vejo as lágrimas que chorei,
sonhos que embalei
serem levados para o mar
As lágrimas se vão misturar
ao sal tão precioso
que há-de temperar
o manjar mais saboroso
Os sonhos serão levados
pela espuma branca da onda
pela vela a velejar
e pela corrente dos rios
que os hão-de salvar
Rápidos no seu desaguar...
Na noite que o medo abraça
para se sentir corajoso
Não há nem frio nem sorte,
nem mantas para me agasalhar
Há desejo de o vencer
Salvando lágrimas e sonhos
Mergulhados no mar...
Na noite que o medo abraça
Há mistérios a desvendar
Debaixo do negro véu
que a noite não quer guardar
Há a bravura do medo
O mocho surdo e quedo
Há um amanhecer conquistado
Para voltar a sonhar...
m.c.s.
na esperança de a conquistar
Vejo as lágrimas que chorei,
sonhos que embalei
serem levados para o mar
As lágrimas se vão misturar
ao sal tão precioso
que há-de temperar
o manjar mais saboroso
Os sonhos serão levados
pela espuma branca da onda
pela vela a velejar
e pela corrente dos rios
que os hão-de salvar
Rápidos no seu desaguar...
Na noite que o medo abraça
para se sentir corajoso
Não há nem frio nem sorte,
nem mantas para me agasalhar
Há desejo de o vencer
Salvando lágrimas e sonhos
Mergulhados no mar...
Na noite que o medo abraça
Há mistérios a desvendar
Debaixo do negro véu
que a noite não quer guardar
Há a bravura do medo
O mocho surdo e quedo
Há um amanhecer conquistado
Para voltar a sonhar...
m.c.s.
verdadeira solidão
A solidão maior acontece quando percebes que nem o teu eco te escuta.
Nem a tua sombra te olha.
Nem a tua pele te veste...
m.c.s.
Nem a tua sombra te olha.
Nem a tua pele te veste...
m.c.s.
da realidade ao sonho
Há sonhos tão antigos quanto eu. Por sonhar...
Marcas do tempo de quem muito viveu no coração de quem quer sonhar.
Como rugas que não acautelei nem quis maquilhar.
Livres desejos de quem muito sonha e tem noites para do tempo se evadir e se inspirar.
Há sonhos que esperam a vez para a história começar.
Não se impõem nem desistem. Não se perdem na bruma da espuma nem navegam ao deus dará das conclusões.
Não são sinaleiros nem policiam a minha vontade de me entregar.
Sabem qual é o seu lugar. Na esquina da vida, na arte da escrita, na noite tão longa, no despertar da manhã. No respirar.
E não se anunciam. Nem arrepiam caminho. Seguros. Antigos. Ali estão, vendedores de sonhos. Só tenho de acreditar.
Há sonhos que vivê-los é mais do que sonhar. É desafiar. A natureza das minhas convicções. Dos meus pesadelos. Da minha vontade de os matar.
Um dia queria agarrar nesses sonhos tão velhos quanto eu e sonhá-los sem rede nem peneira. Sem culpa nem desculpa. Sem intenção de me magoar.
Aquele sonho de final feliz. Que me viesse, das insónias, salvar...
sexta-feira, 3 de outubro de 2014
na rota do albatroz
Como um voo de albatroz.
Ainda hoje, na dúvida, me pergunto se o sonhei ou se foi o sonho que quis habitar a minha fragilidade de mulher de asa quebrada.
Temporariamente. Fugazmente. Como motivação. Talvez no limite ilimitado do conhecimento, para minha salvação. Para os sonhos não sucumbirem em mim. E os voos não terminarem.
Foi um sonho lindo. Por capítulos. De um livro, que um dia hei-de escrever. Logo que o saiba fazer e me garantam esse saber. Essa isenção. Esse distanciamento de autor. Essa memória do segundo certo, da vírgula justa, da interrogação oportuna, do ponto final.
Há sonhos com honras de passerelle. Tapete vermelho. Flutes e brindes com champanhe francês.
Há sonhos que têm o perfume de flores de frangipani. o sabor do pão com doce de tomate, a visão do carro da tifa por ruas da minha cidade.
Há sonhos que têm trompetes e palcos, camarotes e melodias celestiais. Anjos, potes de mel e comboios de beijos. Anseios, paixão, dependência e alma. Gémea.
Há sonhos que têm as paisagens ilimitadas dos trópicos e o voo gigante dos albatrozes perseguindo os barcos no alto mar.
Há sonhos assim, especiais.
Nunca soube sonhar um sonho assim porque não tive nunca uma alma gémea. Mas mesmo cega, ignorante e adormecida, quis sonhar um sonho maior.
You anda I...Tu e eu...apaixonados.
Acordei. Do sonho ficou-me o coração batendo acelerado como o da criança assustada. As palavras que nunca ninguém me tinha dirigido. A declaração d' um quase amor, quase paixão, quase verdade...
Do sonho ficou-me a capacidade para sonhar para sempre.
Do sonho ficou-me a canção. You anda I...
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Michael Bublé - You And I
só porque me lembrei de almas gémeas que não foram mas podiam ter sido. Albatrozes, carro da tifa, pão com doce de tomate e flores de frangipani.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
amanhecendo
Amanheci abrindo os olhos assim como quem levanta as persianas daquela janela virada para os amanheceres de todos os outonos brigões. Ora com pedaços de chuva, granizo de empedrado transparente e violento, ora com vendavais vingativos, ora com sóis agressivamente quentes na urgência de mostrarem serviço.
Não sei dessas quezílias temporais nem quero adiantar-me. Os meus olhos abertos na mansidão dum domingo que promete, fixa os cantos do quarto, visíveis daqui. O meu horizonte está nessa limitação branca, nas barreiras. Sem fita métrica nem escadote não arrisco medir o ponto que vai d' um princípio ( aquele que olhei primeiro ) a um fim. Palmo a palmo percorro a parede, fazendo contas de cabeça. Um quarto é um quarto. Nos fundos da casa, num apartamento, numa moradia, num hotel ou num barco.
Um quarto é a nossa intimidade. Alma nua. Instinto, repouso e sobrevivência. Um quarto não é apenas o lugar aonde a gente dorme. É o nosso porto. Luta de (des)poderes. Alcova de anseios e clímax de sucessos. Libertinagem. Leitura. Dos nossos eus. Um quarto é um espelho. Imagens, quadros, filmes, tudo sem filtros.
Um quarto é o hoje puxando o cordel da memória, dando guita às lembranças, chamando espíritos de luz, espantalhando fantasmas como quem entreabre portadas viradas para o passado, que de tanto ter passado parece foi noutra encarnação, que me deixam espreitar. Pelo buraco da fechadura.
Embrulhada que estou nos lençóis brancos ( cada vez mais gosto de lençóis brancos como os do enxoval da minha mãe ), sentindo-lhes o cheiro a lavado ( parece de sabão azul e branco ) viro-me para o lado do coração. E as minhas forças da natureza maiores em dia de santo descanso de todas as angústias e medos parece me arrancam do fundo de mim e me gritam vitórias. E me incentivam a continuar neste trilho. E me dizem que não estou só na curva do caminho, naquele canto do quarto. Na limitação dos limites. Neste outono urgente em se outonar.
Amanheci assim, passeando-me preguiçosamente pelas margens de amores tão grandes como os rios maiores do mundo, que estão certos de ir abraçar o mar e levam muitos beijos para o adoçar. E enquanto vão e não vão, beijam também os barqueiros no seu navegar.
quinta-feira, 25 de setembro de 2014
condição
Para lá de que céus
De que nuvens
De que asas, te transporto no meu peito?!...
Para lá de quantas vozes
Quantos sonhos
Quantas preces, te guardo e protejo
De todos os males profundos?!...
Para lá de muitos mundos
Do meu amor
Da saudade
Minha dor...
Vais no rumo certo
Em busca da tua verdade
Estrada que se abre ao caminho
Estrela que te há-de guiar
Presente abrindo futuros
E eu aqui a sorrir-te
Com vontade de chorar...
Para lá do universo
De mim e de todas as urgências
Das palavras em prosa e verso
o que eu quero é ver-te feliz
Meu eterno petiz
Nos bastidores do silêncio
No desejo de voar
No abraço do meu colo
Ou num palco a dançar
m.c.s.
De que nuvens
De que asas, te transporto no meu peito?!...
Para lá de quantas vozes
Quantos sonhos
Quantas preces, te guardo e protejo
De todos os males profundos?!...
Para lá de muitos mundos
Do meu amor
Da saudade
Minha dor...
Vais no rumo certo
Em busca da tua verdade
Estrada que se abre ao caminho
Estrela que te há-de guiar
Presente abrindo futuros
E eu aqui a sorrir-te
Com vontade de chorar...
Para lá do universo
De mim e de todas as urgências
Das palavras em prosa e verso
o que eu quero é ver-te feliz
Meu eterno petiz
Nos bastidores do silêncio
No desejo de voar
No abraço do meu colo
Ou num palco a dançar
m.c.s.
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