segunda-feira, 11 de novembro de 2013

Parabéns, minha terra independente


A propósito de comemorações

De repente eram 23 horas em Portugal continental, em Angola meia-noite.
Desconsegui ouvir os foguetes, morteiros, sei lá eu, os festejos, pela data que hoje a minha terra comemora, mas adivinhei-os. E a lágrima, esta bendita lágrima sempre a perseguir-me, soltou-se, rolou e veio rosto abaixo, ganhando a velocidade dos pensamentos.
Os pensamentos são como os sonhos e a gente voa, de sonho em sonho.
E tão de repente como o tempo que chega e nos traz comemorações duma data histórica, lembrei Agostinho Neto. Cuja ideologia eu defendia.
E lembrei aquela época. E assim cheguei à música que tocou tanto nas rádios de Angola e Portugal. Hasta siempre comandante.
E subitamente fui acometida por uma vontade imensa de a ouvir e cantá-la nesta exaltação de ser filha d' um país que tem trinta e oito anos. Acabadinhos de fazer.
De repente lembrei-me de duas pessoas que não conhecem a minha Angola senão do que lhes transmiti desde sempre. Nasceram depois. Num ambiente de paz neste país que foi colonizador, da Europa.
E lembrei-me duma frase que se usa muito no Ribatejo. " Uma fava não pode dar uma ervilha ". A fava sou eu. Aqui a lembrar de Agostinho Neto. Da música proibida à época. Dos poemas. Das esperanças. Da liberdade dos povos. Da justiça. De igualdade.
Não, as minhas crias jamais poderiam ser umas ervilhas.
De repente, tudo faz sentido e saúdo Angola neste dia tão importante para todos os angolanos. Para mim. Para gente como as minhas crias que defendem a liberdade, a igualdade, a independência dos povos.
De repente, é dia de celebração da Independência da minha pátria. E eu a lembrar-me de Hasta siempre Comandante.

parabéns minha filha ( salvé o dia 10 de Novembro )


Falar para ti é fácil. Sou tua mãe. 
Sempre te falei. Também quando falei para as paredes. ( sorriso ). E mesmo quando me calei disse tudo o que precisavas silenciar. O que precisava calar.
Falar de ti, é mais difícil. 
Não que não diga tudo o que me vai na alma. Não que não faça jus à filha que és. Não que esqueça que és a minha cria primeira. A primogénita.
Falar de ti, demora. É elaborar um texto com vários parágrafos. Muitos.
É errar na pontuação, que vais corrigir com certeza.
É não ter muitas interrogações, mas vários pontos de exclamação e algumas reticências.
Falar de ti é antes demais, uma alegria. Vários, muitos lol.
Um discurso de sucesso, porque tu és o sucesso na minha vida. Na tua vida. Na vida de muitos amigos que te rodeiam. Das pessoas que contigo se cruzam.
Vês? Eu começo a falar de ti e parece que me estou a entusiasmar, mas tu sabes que não. 
Falar de ti é falar com os olhos, com a mente e com o coração nas mãos. Com os cinco sentidos. 
É falar de alguém que não quero de novo placenta ligada a mim mas quero-te de braços abertos para a vida e para mim. Para ti...
É orar todas as noites pela tua saúde e felicidade, quando falo de ti a Deus. 
É ler-te a cada semana. Para comentar depois. 
É ver-te cada quinta-feira no pequeno écran para te dizer a seguir o que achei.
É apreciar-te trabalhando em Alfama, por dedicação e prazer.
É almoçar contigo num sítio giro, simples, ou em casa enquanto trocamos palavras. Contamos histórias, planeamos viagens, gargalhamos. Falamos de ti.
Falar de ti, significa que houve um momento mágico na minha vida. Uma hora feliz. Um amor para sempre que nasceu quando te adivinhei em mim. 
Um sentido, para viver neste orgulho de mãe em que me deixas quando te percebo em doses que a olhos estranhos e cépticos são exageradas, para mim são o ser lindo e muito à frente que és, do qual nunca duvido; despreconceituosa, justa, inteligente, honesta, amiga, bem humorada, simples, humilde. Boa pessoa.
Falar de ti é apreciar a clareza das tuas palavras. Reconhecer a ambição de venceres. A capacidade de chefia. A transparência das atitudes. A luta pela tua independência, enquanto pessoa. A luta pelas tuas ideias sociais, pela justiça, pela igualdade de direitos. O teu desprendimento com o dinheiro. A capacidade de viveres com uma, com dez, ou cem notas do banco de Portugal. E seres a mesma de sempre.
Falar de ti é falar de alguém que é e quer ser sempre pessoa melhor.
É confiar em ti e apoiar-te incondicionalmente. É seguir-te de olhos fechados porque me levarás sempre para o melhor de ti.
É desejar que o mundo seja como tu. Que na tua rua, no teu emprego, no lugar onde te sentas, por onde passas, onde fazes férias, as pessoas sejam como tu.
Seria com certeza um mundo mais autêntico onde tu te sentirias sempre em casa.
Falar de ti é falar dos teus amigos. Olhar cada um deles e perceber a pessoa que és, através deles. A amizade escolheu-te porque te é dado escolher cada pessoa como reflexo de ti. Como se te escolhessem para reflexo delas. Conseguem...
Falar de ti é dizer que podes não ser a filha que qualquer mãe quer ter, mas eu não quereria que fosses outra. Mesmo quando achas que és a minha mãe. Mesmo quando acordas e não falas na primeira meia-hora. Mesmo quando me encontras ao fim de dias e te esqueces de me dares um beijo. Mesmo quando me dizes: A sério mãe? Menos.
Mesmo quando defendes os teus pontos de vista como se a razão estivesse toda desse lado. 
Falar de ti e para ti, é dizer-te, obrigada. Por ter a alegria de ser tua mãe.
Gosto tanto tanto tanto de ti, meu amor, minha princesa!
Muitos parabéns. Tem um dia muito feliz. Tem uma longa vida e muita saúde. Sorri sempre como se fosses uma menina e ama todos os dias, com o coração enorme de mulher linda que és. 
Continua defendendo os teus ideais sem esmoreceres e torna este mundo um pouco melhor se fores capaz. Eu sei que és. Aos poucos consegues. Conseguiste-o comigo...
Amo-te. Por isso falar para ti é fácil. Já falar de ti torna-se mais difícil por ser uma emoção e um orgulho.
Falar para ti e de ti é abrir os braços e dar-te um abraço maior do que o universo, do que a eternidade. Para lá de todas as eternidades que possam existir. 
Em todos os dias da nossa vida...

sábado, 9 de novembro de 2013

década de 80

                                         Já fui assim...

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

eu

Fui menina inquieta
Nervosa e insegura
Alma ingénua e pura
Amando sem do amor saber
Descobrindo-o timidamente
Suspirando para não perceber
Que tal como nasce, o amor
Pode partir de repente...
Fui mulher-coração
Dona dos meus sentimentos
Amor-furacão
Para sempre
E sofrida...
A momentos 
Mais sofrida que o próprio sofrer
Por não fazer das partidas
Recomeços, 
Novos sinais de vida
Por não saber, o amor entender... 
Do que acabou, fui mistura
Desilusão e amargura
Solidão
Desamor
E na dor, fui saudade...
Mas hoje, olhando a mulher
Que não matei por piedade
Sou a esperança a crescer
No chão da minha verdade.

m.c.s.

concluindo

Há notícias felizes, que valem mais do que todo o dinheiro do mundo.
Digo eu, a sentir-me rica.


m.c.s.

terça-feira, 5 de novembro de 2013

é p' rá manhã

Amanhã é outro dia.
Vou encontrar-me com o outono, em terras de interior. 
Digo eu a esfregar as mãos de contente. 
Não, não pirei. Não virei o bico ao prego, nem tão pouco acho o Ribatejo o melhor lugar do mundo. Perdoem-me os ribatejanos. 
A natureza é fantástica ali mas as terras não são apenas paisagem. E, cada um com a sua região. Com os seus costumes, com os seus defeitos e qualidades. Com a sua tacanhez. E soberba. Eu nunca menti a respeito.
Mas de facto, a possibilidade primeiro, depois a decisão de lá ir, por fim, o acerto com quem me há-de trazer de volta, deixou-me optimista. Quase aos pulinhos.
É que vocês não sabem, mas tenho andado um pouco deprimida. 
Não, não. Repito que não é o Ribatejo a ausentar-se em mim e eu nele, a provocar esse estado depressivo. Até hoje não, daqui para a frente vai-se lá saber?! Até já vi porcos voarem...
Então, qual o motivo do meu desconforto a misturar-se com um não sei quê de triste e frio?
É simples. O outono está lá arrumado em gavetas. Cabides. Sapateiras. E eu aqui junto da cidade grande, num clima que até há pouco era ameno mas que num repente me lembrou que ainda não me instalei de armas e bagagens neste lugar.
Preciso de casacos. Preciso de cachecóis. Preciso de sapatos fechados. De botas. 
Diz que quem tem duas casas é rica. Mesmo que as duas juntas não valham um cu. Dizem que tem mais emis para pagar. E manias também. Rica não sou nem a caminho disso, manienta, acho que também não. Mas não posso prová-lo. 
Sei que por vezes lá vem uma insinuação, uma provocação, para os mais atrevidos e indelicados, uma acusação, porque ah e tal, nariz empinado, emproada, engoliu um garfo, e tal e coisa. Pudera! Eu vejo o mundo do alto de 1,73, convenhamos. 
Os cães ladram e a caravana passa, o que não vai passar é o frio e a chuva e eu amanhã lá irei encontrar-me com as minhas bikuatas . Fazer imbambas e trazê-las para este kimbo onde passo quase todo o tempo do mundo. No fundo no fundo, vira o disco e toca o mesmo. Posições diferentes mas é mais do mesmo e a isto já estou habituada.
De modos que, amanhã é outro dia. E eu vou pôr-me a caminho para mais uma visita àquele que foi o meu poiso durante trinta e sete anos. 
Há coisas que nunca mudam e quando a gente está amarrada a um lugar, dê as voltas que dê, não consegue soltar amarras e esquecer. Até porque outros valores mais altos se alevantam e desses escuso-me a falar. Só porque sim.

.

falando da história

Há pessoas que me mudaram a história.
Há pessoas que me fizeram mudar de história.
Há aquelas que não fazem parte da minha história porque eu não quis.
E há por último aquelas que largaram a história porque quiseram largá-la. 
Porque partiram...
Há pessoas que me mudaram a história fazendo-me sofrer.
A essas eu não agradeço mas reconheço que sem elas estaria ainda no lugar da conformação e ignorância. Por isso não as subestimo. Nem esqueço.
Às outras, respeito e amo.

acordei na saudade

Tenho saudades...
Tenho saudade de mim, de ti, de nós. Do tempo da nossa união. Na terra onde me escolheste e pariste. Onde vivemos felizes.
Do último mimo da noite e da primeira preocupação da manhã.
Do teu chamamento.
Da tua voz. Das variantes dessa voz que sorria, se emocionava e algumas, poucas vezes, se zangava. E me acariciava e acalmava. 
Do aroma a ovos estrelados em azeite e café de cafeteira. 
Da roupa cheirando a Omo, estendida na corda. 
Da panela do feijão cozendo no fogareiro a carvão. 
E da massa com carne, guisando no fogão. 
Das saudades que sentias da tua terra-mãe.
Tenho saudade do teu cabelo preto e liso que eu penteava. 
Dos teus sapatos de salto e das carteiras que eu experimentava e tu deixavas. 
Das rosas brancas que regavas. E das cristas de galo também.
Do toque das tuas mãos. Das tuas mãos de rainha-mãe.
Da máquina de costura oliva, que pedalavas ao fim da tarde. 
Tenho saudades do teu olhar cor de mel, poisado em mim.
E do meu nome nos teus lábios.
Da tua protecção. Do teu desvelo. Da tua presença.
Do teu amor. Por nós. Por mim. Nunca mais ninguém me amou tanto quanto tu.
Tenho saudades da minha placenta.
Tenho tanta saudade de ti, de nós, eu em ti e tu em mim, minha mãe!


à procura dos pontos cardeais

Vejo-me a sul um pouco desnorteada. 
Perder o norte, procurá-lo sem o achar, é uma viagem à senhora da asneira.
Se ao menos eu encontrasse o caminho...
Estatisticamente o meu lugar é ao centro. 
Na verdade, só estou bem onde não posso estar. 
Na verdade só estou bem onde sonho estar.
Preciso d' um mapa com outros pontos cardeais.
Quem sabe eu me encontro, te encontro, nunca mais nos desencontramos?!
Um dia ainda te vou mostrar a Rosa dos Ventos...

sobre o amor

Amar é uma capacidade.
Sentir o Amor é ter a arte para o converter em algo eterno. E vivê-lo como se fosse acabar.
Digo eu, que sou inábil.

m.c.s.

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

os iluminados

Diz que querem alterar a lei e a partir de agora, por apartamento, a pessoa ou família, apenas poderá ter dois cães ou quatro gatos.
Fazem-se entrevistas, também de rua, a gente que não tem animais, que vive com animais, que sofre com os animais dos outros, que embirra com eles, que os detesta, que detesta vizinhos e os seus animais, que trata deles, que trabalha em canis, hospitais de animais, veterinários, dirigentes de associações protectoras de animais, legisladores. 
Faz-se a notícia. Espalha-se a mesma nos diversos órgãos de comunicação social. 
Gera-se a polémica. Dividem-se opiniões. 
Eu estou folgada. A Pitanga também. Se quiser ser irónica direi que somos duas gatas num apartamento, por isso há um certo equilíbrio nisto. Nada a declarar. Quero que vão ter um menino pela barriga das pernas, porque mesmo que me proibissem a Pitanga eu não obedeceria e compravam, comigo, uma verdadeira guerra felina, onde valeria tudo até tirar olhos.
Mas, vou deixar-me de conjecturas e muito a sério porque o assunto o é, darei a minha opinião sobre tudo isto, apenas porque tenho opinião e não por estar em situação de risco. 
Comigo está tudo bem. À parte moscas e mosquitos que não é culpa minha, não os quero alimentar e abrigar sabendo todos nós de quem é a culpa, pois que devia passar o carro da tifa todas as semanas no meu kimbo e noutros do país e nem sabem o que isso é, até porque estão mais preocupados com outras coisas que parece não nos dizem respeito, mas dizem e muito, deviam tratar o lixo de forma mais eficaz, limpar as matas, fechar pocilgas e outros espaços onde habitam animais a céu aberto e sem qualquer higiene. À parte tudo isto que é mau porque nos leva à farmácia para a compra de pomadas e de repelentes, à loja para a compra de insecticidas, enfim, tenho apenas um animal de estimação, o que para o código do animal de companhia, está perfeito.
Porque me coloco sempre no lugar do outro e vá, até me consigo colocar no lugar do animal, isto não custa nada, apenas é preciso os ter e conhecê-los para ser possível vestir a pele deles, vou dizer umas quantas coisas que a meu ver preciso de as dizer pois que está aqui alguma coisa entalada que tem de sair porque odeio andar engasgada.
Começo então por dizer que antes de mais vou falar de pessoas e de condições de habitabilidade. 
E claro vou ter de falar em minorias vivendo em casas minúsculas e sem quaisquer condições. Sabemos que este país recebe gente de vários continentes. E sabemos que vêm, no mais das vezes, trabalhar, no que os portugueses não querem e deixam para quem não se importa e precisa mais. E sabemos que os salários são miseráveis. Sabemos também que se juntam e alugam apartamentos chegando a viver aos 10, 12, 15 pessoas num espaço exíguo e apenas com uma casa de banho. Sabemos, eu sei, porque já fui vizinha ( sou ) de gente nestas circunstâncias, que quanto menos educados, letrados, menos adultos e fora da família, mais barulho fazem e a horas que não passa pela cabeça de ninguém que trabalha, que está integrado no meio e com as cinco oitavas no lugar. Mas, diariamente, em prédios normalíssimos, de apartamentos de família, acontecem estes comportamentos em casas onde vivem estas pessoas, estes grupos, nas condições já descritas. 
Gente a mais. Subindo e descendo, consumindo luz do condomínio, deixando a porta de entrada do prédio aberta e sujeita ao acesso de estranhos com tudo o que isso pode acarretar. 
Odores desagradáveis, fruto da falta de higiene. Escadas sujas de beatas, palitos, cascas de fruta. 
Roupa pingando nas cordas, para a roupa dos vizinhos de baixo, por vezes manchando-a. Toque das nossas campainhas a horas que não lembram ao diabo e que nos sobressaltam, acordam, apenas para entrarem no prédio e não nas nossas casas. 
Barulho; desde conversas em altos berros toda a noite e dia, a música, som de instrumentos musicais ultrapassando os decibéis suportáveis e por fim, discussões entre pessoas adultas, com palavras impróprias, violência física, choro de crianças às horas mias improváveis para adultos que precisam de descansar.
E porque não quero nem posso falar só de estrangeiros que vivem no país, há também as famílias numerosas, portuguesas, que, não me querendo repetir, digo apenas que vivem como aqueles que descrevi. Há grupos de estudantes universitários que a acrescentar aos comportamentos escusados e exagerados, têm o álcool e as drogas, que geram conflitos até entre eles. Há também famílias pequenas, pessoas que vivem sozinhas que têm comportamentos aberrantes. E há ainda gente que recebe pessoas em casa e as acoberta, completamente desconhecidas dos outros moradores, e que se comportam nas casas que as recebem de forma obscena e escandalosa para quem está e vive nos restantes apartamentos do prédio.
O que fazemos? Pouco mais que nada. Se a hora for avançada, suporta-se uma, duas vezes. À terceira hesita-se mas acaba-se telefonando para a polícia. Antes pensa-se nas represálias. Apanham-se depressões por insónias, inseguranças e sobressaltos que todos esses comportamentos, que não criamos e nos são alheios, provocam. E não fazemos mais nada. 
Ganhamos ódios de estimação, massacramos quem connosco vive, quem vive perto ou longe de nós, vitimizamo-nos falando destas vivências de vizinhança, amaldiçoamos as criaturas, mas...mais nada. 
E depois deste discurso ainda há quem ache que com animais é diferente? Porque são animais? Porque há quem não goste deles? 
Porque uma pessoa é uma pessoa, um animal é só isso, um animal?
Quem atira com estas propostas de lei cá para fora, tenha juizinho. 
É que não tem mais nada que fazer, está bom de ver. E com tanto desgoverno, o conselho, é, que se centre em pessoas. Pois que, pessoas bem tratadas, apoiadas e felizes, animais de companhia bem tratados, apoiados e felizes. 
Deixem-se de números. Ou seja deixem-se de tretas. E acabem com esse circo.
O país de tanga, maltratando-se, sendo maltratado e eis que de repente a preocupação é o número e a forma como animais de estimação vivem com os seus guardadores. 
Eh pá, tenham a santa paciência! 

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

solitária, ou não?

Acordei num dia de sol maravilhoso.
Acordei uma hora mais cedo. Em casa.
Acordei numa manhã que me trará coisas boas. Chegadas. Viagens. Encontros.
Abraços e beijos. Sorrisos.
Acordei e esse acto de vida, devo merecê-lo. Tenho de o merecer. Por isso, acordar é a minha possibilidade de não fazer tudo igual. 
Mas para isso é preciso lucidez. 
A capacidade para perceber que nem sempre estou certa. 
Nem sempre sei . Nem sempre o que sei é o correcto. 
Nem sempre o mundo gira à minha volta. Quase nunca afinal. 
Nem sempre sou justa e tolerante.
Nem sempre ajudo ao meu crescimento. 
Nem sempre sei o significado da palavra compaixão. 
Nem sempre me enfrento ao espelho, olhos nos olhos e me reconheço pessoa que merece receber este sol maravilhoso, acordar numa manhã generosa de viagens e afectos. Sorrisos.
Nem sempre me amo...
Acordei reflectindo. Colocando-me na primeira pessoa destes verbos a conjugar, para ser, não um ser especial, mas apenas aquele que merece o ar que respira. O sol, que hoje é especialmente maravilhoso. Para mim...
Colocando-me nesse lugar de destaque para melhorar este acto de saber viver feliz e tranquila. De bem comigo e com os outros. 
De pazes feitas com os eus mais sombrios da minha existência. Não aponto dedos porque humana que sou, estaria apontando-os a mim também, excluída que não estou, de culpas. 
Acordei reflectindo. E quanto mais o faço, mais solitária me sinto...
Mudar arrogâncias é difícil. Substitui-las por humildade, por compaixão é uma pretensão sem sucesso.
Mudar mal intencionados ( há más pessoas ) que nunca se descobriram e desmascaram, é muito desgastante e complicado. Um fracasso.
Porque neutralizar a homofobia, a xenofobia, o racismo, é uma missão quase impossível, quando estão ao nosso lado, numa reunião de amigos, viajam no mesmo autocarro, ou metro, estão na nossa terra, no nosso emprego, na escola que frequentamos, têm o mesmo sangue que nós, são amigos, governam cidades, países, o mundo.
Acordei reflectindo. Na lucidez que me confere o reconhecimento de mim e a observação aos outros. 
E se o dia maravilhoso que hoje o universo me dá, é para mim uma bênção que questiono se a mereço, também a reflexão me causa o mau estar que cada vez mais vou tendo de me sentir solitária neste mundo a que pertenço, frequento, me é por vezes oferecido até generosamente e bem intencionado e onde os valores, as posições assumidas, as palavras fáceis e excessivamente repetitivas de críticas aos outros, aos seus modos de vida, às suas escolhas, à cor da pele, posição social, produzem o efeito de doença colectiva, cegueira e arrogância. 
Acordei para um dia de sol maravilhoso. Não o quero perder. Porque diariamente tento merecê-lo. Um dia, consigo. 
Quem me dera poder dizer-te, sim, não estou a falar para uma parede, espero, o que estou a fazer é a reflectir, a falar alto para me ouvir, no limite, para me fazer ouvir por ti, para que reflictas também, te encares e te questiones. E quem sabe, me sigas o exemplo sem que o que te digo pareça pretensão absurda, arrogância, ordem ou vaidade. Quem me dera conseguir esse crédito!
O mundo podia não ser melhor, mas eu não me sentiria tão isoladamente só, uma ilha. E tu serias seguramente um ser mais lúcido e responsável por ti. Quem me dera que fossemos uma multidão. De gente feliz e merecedora do sol maravilhoso que hoje se faz sentir...

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

dona Pitanga


Dona Pitanga é a minha companheira do dia-a-dia. 
Tem quatro anos, é siamesa e muito felina.
Mas à noite, quando chega a hora do descanso, tal como uma criança, que procura o colo da mãe, salta do sofá para os meus braços, aninha-se entre mim e o computador, enrola-se num novelo e dorme. Ou, simplesmente quer festas no pescoço, na cabeça. Quer ouvir-me a voz. Abana e ondula o rabo satisfeita, lambe-me os dedos e arrisca esticar a patinha almofadada de unhas recolhidas e retribuir com uma festa no meu rosto. A cada serão. A cada momento de sofá, de televisão ou computador.
Quando saio de casa vem comigo até à porta e fica a olhar-me como se tivesse pena de me ver sair. O que me parte o coração. Quando volto está lá. Miando do lado de dentro enquanto dou à chave. 
Se falo ao telefone ou no skype é possuída d' um ciúme profundo e tenta morder-me os pés, faz asneiras; chama a atenção de todas as formas e feitios. 
Não é agressiva com as pessoas que frequentam a casa, porém há escolhidos para os seus mimos. As minhas crias são as preferidas. 
Odeia andar de carro ou de comboio. Odeia a gateira porque a associará a viagens, a prisão, provavelmente. Quem a transporta, passa a ser um alvo. Há duas pessoas de quem foge assim que entram em casa. Esconde-se debaixo do sofá, das camas, em lugares pouco acessíveis, mesmo que essas pessoas não a queiram transportar. Foge também de mim se me vê mexer na gateira. 
Tem períodos de cio ( o caso agora ) dramáticos. Derruba tudo o que lhe apetece. Parte, estraga. Mia desenfreadamente. Roça-se por tudo quanto encontra pelo caminho. É uma tortura para ela e para mim, porque não é a minha Pitanga. Aquela que eu tenho comigo no resto dos dias. Transforma-se numa gata infeliz, assanhada, frustrada. De meter dó. 
Quando quero passar fora um fim de semana prolongado, uns dias de férias, é um sarilho. Porque, se por um lado me custa deixá-la, morro de saudades dela e de pena de a saber sozinha, por outro lado tenho dificuldade em arranjar quem cá venha a casa tratar dela. Já paguei a uma pessoa de fora. A quem entreguei a minha chave, em quem confiei. Já tive os meus filhos, o meu irmão a fazerem esse sacrifício para as suas vidas, para mim, esse favor. Mas é sempre factor determinante para as minhas escolhas de ausências de casa. 
Enfim, Dona Pitanga faz parte da minha vida. De uma forma muito activa. Muito importante. Imprescindível. 
É mais uma cria que tenho. Com uma diferença. Não cresce. É para sempre o bebé que precisa de mim. Que me faz muito bem. Que me mudou comportamentos. Que exigiu de mim rotinas agradáveis. Que me permitiu amar para além do amor...
Nunca imaginei sequer a possibilidade de colocar uma gata dentro de casa até que essa circunstância aconteceu. E ainda bem que aconteceu.
Não sei como teria sido a minha vida sem a sua presença, mas sei como passou a ser depois disso. E agradeço esta dádiva com muita gratidão. 
Ganhei a Pitanga depois duma perda, à época, muito dolorosa. Uma amiga pôs-me a Pitanga nas mãos, era ela bebezinha, mal comia. Para colmatar essa perda. E eu que inicialmente, quando me desenhava essa possibilidade, reagia mal, dizendo que não queria animais em casa, que aos fins de semana vinha para Lisboa e que não saberia tratar dum gato, quando recebi o telefonema dessa amiga dizendo, apareceu uma gatinha linda e meiguinha, no meu quintal, foi abandonada com certeza. Tenho-a aqui. Já tem dona. Vou levá-la aí. O primeiro sinal foi o do coração. Que disparou numa taquicardia incompreensível, completamente assustada, mas a recebê-la já. As palavras da chantagem resultaram. Abandonada, linda e meiguinha.
E assim, Dona Pitanga, entrou na minha vida. Até hoje. Para bem. Não tenho dúvidas nenhumas. Em troca, trato-a como uma princesa. Com todo o amor, dedicação e carinho. Como trato quem me ama e de mim precisa. Como trato quem amo. E eu amo esta gatinha linda e travessa, para lá do que não sei, como diz um herói, que faz parte da minha vida também.

o facebook

O facebook é pai e mãe de todos os virtuais.
É telefone. Carta. Notícia. Velocidade. 
Esquina de rua onde a gente espreita.
Cortina se abrindo. Voz chamando. Representando.
É palco. E bastidores. 
É tela. Clique. Música e palavra. Partilha.
Reconstrução.
O facebook é livro. Folha em branco. 
É estação. Flores e sol. Praia e férias.
Chuva, trovão. Neve.
O facebook é culpa, desculpa. Intromissão. 
É vício. É chamado de ladrão. 
Castigador e vilão. Patrão. 
Sarcástico. Humorista. Sabichão. Engatatão. 
O facebook é ponte. Cultura. Romance. Jogo. 
Habilidade. Vaidade. Ego, satisfação. 
Companhia. Distracção.
Mente e coração.
O facebook é um curtido. 
Sem sexo nem nacionalidade. Sem partido nem profissão. 
Preconceitos ou religião.
O facebook não é a minha vida.
Não é o meu desejo maior. A minha maior necessidade.
Tão pouco a maior verdade, mas está na minha vida. Como uma velha amiga.
Presente. Quase sempre.
Por isso numa palavra confesso que o facebook com todo o seu senão, é um grande amigão!

terça-feira, 22 de outubro de 2013

a propósito de amizade

Quando estou junto d' um amigo, a minha alma relaxa, descansa, sorri e se entrega.
E a felicidade acontece.

Digo eu, porque sei.

m.c.s.

a saudade

Lá longe, aonde eu nasci, a vida vivia-se, saboreando-a devagar.
Naquele tempo, o dia tinha mais de vinte e quatro horas, a semana mais de sete dias, o mês mais de trinta e um e o ano era a perder de vista, de vida boa. 
O amor e a amizade eram sentimentos sagrados porém banais. Espalhados pelos lares, pelas ruas, pela família. Em cada esquina. 
Amando era a única forma d' a gente saber viver.
Estava no tempo de vida fácil. Amava porque era implícito, copiando e repetindo esse amor que via a cada dia, a cada gesto, a cada abraço e beijo. Em casa.
Que saudade desse tempo!
Nessa época, o pai que deixara a sua terra há muito, alimentava a saudade falando da sua infância. Da sua adolescência. Da sua aldeia. Dos seus pais e irmãos que deixara para trás. Dos campos e serras. Da horta. Das oliveiras e dos rebanhos de ovelhas e cabras. Dos fumeiros, dos folares, dos figos lampos e das cerejas. Das castanhas e das sardinhas. Das missas e das procissões. Das festas da Senhora de Jerusalém. Dos banhos no rio Sabor. Dos lobos e raposas. Da caça aos pássaros. Dos ninhos de cobras. Dos carros de bois. Das viagens à cidade grande. Das idas a cavalo num burro, para Espanha, negociar gado. 
Das peças de teatro, no Cruzeiro lá da terra, onde fora actor principal. Das serenatas à janela das raparigas, cantando cantigas de amor. 
E eu ouvia as histórias. Imaginava esse tempo e rejubilava. E não só me via lá nos lugares que não conhecia, como sentia saudade de algo que não vivera. Ainda.
Porque a vida era de amor e facilidade, aos domingos, rumava à praia para um dia maravilhoso de sol, ondas e banhos salgados. 
Diversão e companhia. Iguarias. E três horas esperando, depois delas, para fazer a digestão, que o pai não brincava e o medo de me perder era demais, por isso tão rigoroso. E eu obedecia. 
Sentava-me na areia, ao sol, na praia da Samba, em frente ao mar e olhava os barquinhos ao longe. E cortava a linha do horizonte com a força da ambição de avançar no tempo. E sonhava com a terra do pai. As pessoas do pai. Os teatros, as serenatas, a horta, os montes e serras e as ovelhas e pastores. As vinhas, as estevas, as fontes, a capela, os ribeiros e riachos. E sentia uma estranha sensação de saudade. D' um mundo desconhecido. Que nunca vivera. Que no íntimo queria muito conhecer. E amar. 
Foi entre histórias do passado, sonhos do presente e desejos do futuro que aprendi com o pai, esse sentimento universal. Uma palavra tão portuguesa. Intemporal. 
Por isso hoje sei que a saudade vem da perda de algo que a gente gosta e já viveu. Ou da ideia de que irá gostar e viver. Perdendo ou não...

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

os homens

Não gosto da expressão pouco imaginativa e sem graça " Os homens são todos iguais ". Ou " Daaaaaah homens! " ou ainda " Homens, está tudo dito ".
Menos ok? Nem tanto ao mar...
Acho injusto, que é que querem?! Recapitulo a minha história e encontro nela,homens fantásticos. A saber, o avô Carvalho, sô Santos, tio Augusto, mano Zé, o meu filho, para não falar daqueles ( alguns ) de quem recebi algo parecido com amor.
Hoje não é o dia do homem. Parece. Mas não. Tão pouco vem aí chumbo.
Há dias que uma mulher tem rasgos de consciência e pensa. 
Ontem calhou-me. Dei comigo a pensar nesta espécie com alguma tolerância.
Perante factos. A que me rendi. Portanto ressalvo que não estou a ser puxa-saco nem tão pouco me deu agora para o elogio. 
Poucas vezes distingo homens de mulheres. Mesmo caindo no lugar comum arrisco dizer, porque é verdade, que para mim, há pessoas. E mais nada. 
Claro que, se estou com os bicos da placa do fogão faiscando, sem que os tivesse acendido, entro em pânico e não me ocorre sair a correr de casa direita ao supermercado para pedir ajuda à Marta. Páro em frente ao Mário e digo-lhe que estou com um problema que por acaso sei descrever muito bem, como mulher que sou e decepciono-me quando ele me diz que não percebe nada do assunto, mas o cunhado ( homem portanto ) pode resolver-mo, ignorando qualquer aptidão da Cristina, sua cunhada e eu até acho pensando bem, com cara de quem desaparafusaria o forno para desligar o fio do isqueiro do fogão, na boa ( agora que já vi estou pronta para o fazer ).
Claro que se sair à noite, prefiro um homem para me levar a casa. Os músculos servirão para alguma coisa se for molestada.
Claro que se penso no amor, na paixão, no colo, é em homem que penso.
No mais, são pessoas. Importa pouco se não vestem saias, não pintam os lábios de vermelho, as unhas dos pés, não dão importância a pormenores, deixam a tampa da sanita levantada, discutem no trânsito, ouvem relato de futebol no rádio do carro, ou têm vergonha de passar a ferro. 
Volto então a dizer que ontem a minha tolerância, para não dizer admiração, que isso seria dar-lhes muita confiança, aumentou de forma inequívoca. 
É que as mulheres, lá estou eu a cair no mesmo erro, mas não sei de que forma posso dizer isto a parecer que tudo é a mesma coisa, porque não é, as mulheres adoram comprar. Consumir, gastar, exibir. E vão às compras. Sem eles ou com eles.
Se o fazem sem eles são mulheres felizes. Isto se têm poder de compra e usam o seu próprio cartão de crédito. 
Se o fazem com eles, mulheres felizes são. Porque...aqui é que está, eles ficam à porta. Pagando, ou não. Esperando. 
Ridiculamente esperando. Quase sempre. Sentados nos sofás e bancos, nos corredores dos centros comerciais, empoleirados nos varandins. Lendo jornais. Desfolhando revistas. Dormindo de boca aberta, babando-se para o lado. Ou no limite, entusiasmados, olhando por cima dos óculos as boazudas que passam mexendo provocantemente as coxas. 
Não há dúvida. Os homens são uns santos. Uns anjos, alguns, papudos, mas não vou desvirtuar agora a espécie, porque eles merecem que me debruce sobre o assunto.
É que dar volta a uma loja leva no mínimo meia hora e estou a ser muito razoável. Escolher a mala, a calça, a mini-saia, a blusa ou o casaco, ou tudo isto duma assentada só, leva mais uma hora. Continuo benevolente. Experimentar as peças pode custar mais meia-hora, até me sinto ridícula a fazer estas contas de cabeça, entrar na fila e pagar, outra meia. Nisto passaram-se duas horas e meia se não estou em erro. E o desgraçado lá fora. Coçando a cabeça, metendo conversa com o segurança da porta, mandando mensagens à dita compradora, por vezes compulsiva, bufando, avermelhando-se, ameaçando entrar na loja e fazer um escândalo, fazendo figura de otário, ou ficando aliviado e feliz quando finalmente ela sai da loja. E nem sequer quer saber quanto gastou ou em quê. 
Não! Tenho de me render. Homem ganhou! Como se diz na banda. E rendo-lhe as minhas homenagens. Para além de que há homens e homens. 
Não são todos iguais nem andam todos as medir pilinhas. Por isso, quando falarmos de homens, devemos sempre pensar - Homens? Ponto e vírgula, devagar com o andor. Não são todos iguais. Há uns...mais iguais que outros. 

outonando-se


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

sempre acreditando

Quem tem medo não arrisca nem se surpreende. Sem riscos, morre de susto e solidão.
Digo eu, que já fui medrosa... 

m.c.s.