domingo, 14 de julho de 2013

contemplando

Olho através da vidraça, o mundo lá fora. 
Não tenho vista para o mar.
Não tenho a linha do horizonte, nem margens, nem adivinhações.
Não tenho albatrozes voando, nem sonhos se aproximando.
Não tenho motivos, exigências ou planos.
Não tenho amores nem desamores nem motivações ou provocações. 
Não tenho paisagens na memória, que hoje amanheceu presente. Sem peneiras nem fantasias. 
Não tenho futuros de fé, neste dia outonal e farrusco.
Não tenho orações, preces elevando as mãos nem céus azuis e santos.
Não tenho terra nem crias junto de mim. 
Olho através da vidraça, o mundo lá fora. Tenho montes em tela castanha. Pintados de verde esperança. 
Tectos de casas já velhas. Chaminés e antenas. Parabólicas. Tentativa de modernidade. 
Oiço uma bola bater pela mão duma criança, no rinque dos dias calmos como hoje.
Oiço o choro d'um menino, que se lamenta noite e dia e que não há forma de o calar.
Oiço o sino tocar na igreja, a chamar para a missa dos crentes.
Olho através da vidraça. 
Cansam-me os olhos, indiferentes. 
Desvio o olhar desanimada e olho dentro de mim. E vejo o que não vi ontem nem verei amanhã. Em mais momento nenhum. E pestanejo. E tiro os óculos. 
E arranco-me sorrisos e conclusões. 
Não tenho o que não depende de mim. Mas oiço o meu coração, a razão. 
Apago o que quero e renovo o que me apetece.
Afinal, tenho-me por inteiro neste domingo baço e desinteressante. E faço de mim o que me for mais favorável. 
Nem que seja, chorarem-me os olhos de tanto olhar para o que vejo e não vejo.
Olho através da vidraça. Olho dentro de mim e capto com o olhar clínico, o meu melhor plano.

Habib Koité - N´Teri


Porque hoje é domingo, vivo na Europa e tenho um saudade visceral da minha placenta.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

o dia dê

É hoje.............................................................................

quarta-feira, 10 de julho de 2013

Aimee Mann - You Do

 Porque senti saudades...

para te dizer olá

Depois de pés ao caminho, mente desejando e voluntariando-se na imaginação para não ser longo e chato, 
depois de passar a avenida dos castanheiros selvagens a passo de caracol, 
depois de avistar o azul ao longe e o desenhar todas as vezes que não venho até aqui e que hoje não esteve verde esmeralda mas que foi tão acolhedor como há muito tempo não era, num baloiçado embalo, umas vezes doce outras mais alvoraçado, sempre branco e divertido, 
depois do túnel das toalhas pindericamente garridas, eis-me finalmente, bem lúcida, na praia que é igual a ontem, e a todos os ontens e anteontens que já a vivi e se torna especial porque é a que tenho. E foi escolhida, imposta por mim para este fim. Um dia feliz.
Sim, porque não percorro tanto caminho para morrer na praia, se bem que facilite. Por vezes acho mesmo que me estou só a pôr a jeito. Mas não há-de ser grave. A insolação. Que mereça internamento e cuidados médicos e hospitalares. É verão, calor e ilusão.... 
Céu, mar e areia é tudo o que preciso para reconstruir o clima. 
Há um povoado inteiro na beira da praia. Na margem de cá. 
Como um rio navegável, há uma fileira de cabeças e corpos seminus ondulando-se ao sabor da maré. Correntes trazendo e levando prazer. Parece baloiço de kanuco. Parece posso ir ao sabor da espuma, na primeira onda que me há-de encorajar. Até chegar à outra margem, feito rio, eu jangada, chegando finalmente a terra quente e firme.
Até te avistar. Sim, porque mesmo na imaginação, mesmo na saudade do futuro, não faço a viagem em vão. O momento é este. E eu estou aqui só para te dizer, olá.

hoje

Acordei de alma adormecida e mente num turbilhão.
A alma diz que sim, a mente diz que não.
E eu digo que as duas têm razão.

m.c.s.

entre ditados e pensamentos

" Se bô nasce num pé d´manga ca tem hipótese de ser um laranja " ditado caboverdiano que muito gosto.
Se tu nasces num pé de manga (( d'uma mangueira ) não tens hipótese de ser uma laranja.
Não fui eu que disse mas assino por baixo.

m.c.s.

nem mais uma palavra...


quelle chaleur!

Abençoados os ricos. Deles é o reino do ar condicionado sem pensamentos pobres como a conta da luz no fim do mês.
Digo eu que quando ligo o único que tenho e é na sala, faço contas que sou rica e esqueço-me que era péssima a matemática.
É que com este calor, até o rico desconfia que fica burro quanto mais o pobre!

m.c.s.

lembrando...

Eu não me esqueci de ti. Eu tenho é a memória fraca para lembrar o mapa e te localizar no meu coração. Digo eu que ando meio perdida e não encontro a rota dos pontos cardeais.

m.c.s.

desejo

Hoje eu quero a rosa dos ventos. Para sentir a brisa do sul e florir poderosamente.
Digo eu que não costumo pedir muito, mas quem não pede, não ouve Deus.

m.c.s.

na busca da fé

" Eu não sei quem é Deus mas vivo como se o conhecesse " disse Manuel Sérgio, o professor das " estrelas ".
Maravilhoso! Belo! 
Também eu queria, todos os dias da minha vida dizer, que não sei quem é Deus, mas vivo como se o conhecesse. Estou lá perto. Um dia Deus me dará o privilégio de viver em mim sempre, porque me tirará todas as dúvidas. Acredito, eu...

m.c.s.

é o julho a acontecer

Acordei nostálgica. E assim vou continuar.
Julho nasce, sorri, vibra e chora em mim.

Estou em tempo de sentir-me a perder, num jogo que a vida trava com o meu tempo.
Digo eu, que me estou a envelhecer.

m.c.s.

pipocando


sexta-feira, 5 de julho de 2013

Musicas de Cabo Verde - ( Morna, na vós de; Bana- Isolada)


De repente vi a música. Abri o vídeo para tentar saber qual era. As músicas do Bana são demais conhecidas. E amadas. 
D'um tempo quando tinha quinze anos e fui viver para junto de uma família caboverdiana, cuja matriarca de nome Arminda, me ensinou a amar Cabo Verde e a estimar e respeitar o povo caboverdiano. Conheci ali na sua casa muita gente boa que jamais esqueci e que recuperei quando estive em Luanda há uns anos atrás. 
Esta música, esta morna, era cantada por uns e outros quando decidiam fazer serenatas, também a mim, por isso a sei de cor num crioulo invejável que me foi ensinado por essas pessoas que ficaram no meu coração para sempre.
Obrigada mano Zé por ires descobrir sabe-se lá aonde esta morna que tanto me diz...

aspiração

Há momentos que queríamos eternos. São especiais e únicos. 
Porque há pessoas especiais e únicas que nos oferecem momentos eternos. E nos tornam também únicas e especiais.
Quero o presente da eternidade dos momentos nas pessoas especiais e únicas mesmo que apenas num segundo. Para acreditar sempre na eternidade. 
Digo eu, que colecciono momentos eternos.

m.c.s.

no horizonte

foto tukayana.blogspot
Daqui eu vejo além. Penso além e amo além.
Daqui eu sei que a minha felicidade também está além.


m.c.s.

viajando na maionese

A minha casa é como um aeroporto. O lugar de partida e de chegada para os meus sonhos de andar nas nuvens. 
Vou voar hoje para sul, sem medo de perder o norte. Dia não são dias, digo eu, viajando na maionese...

m.c.s.

promessa

Um dia...
Bem, eu não gosto de promessas. Fiquei-me nesse preconceito de que promessas, tal como outras palavras, leva-as o vento.
Não gosto que jurem sangue de cristo com vontade de jurar sangue de barata.
Nem que prometam mundos fundos e não tenham nem uns trocados para dar. 
Nem que digam que sim quando não sabem, senão, ser nim.
Eu não gosto de promessas. Mãos erguidas e unidas como se estivessem a orar.
Dedo no pescoço e juntos o polegar e o médio sacudidos, num ritual antigo e fora de moda a reforçar juras que nem sempre, quase nunca se cumprirão.
Eu não gosto de promessas. Amanhã isto, aquilo e aquele outro. Faço, fazemos, compro, desisto, acabo, começo, terei, direi, irei, vais ver...
Eu não gosto de promessas. Tão pouco de as fazer. 
Mas hoje apetece-me fazer uma, numa excepção à minha regra.
Um dia...um dia prometo, que vou amar-te como tu mereces, de coração livre e inteiro.

acordei levando...


Hoje acordei a pensar em saldos. Eles andam aí. Os saldos. E não só.Também acordei dorida. Combalida e vencida.  A prostituta da idade não dorme, não se esquece, não me poupa. Poupados são os portugueses, nas palavras e nos actos. Ainda é pouco o que a gente vê por aqui. Por falar nisso, lá terei de ser testemunha de alguém que levou uma corneta para a ponte e vai daí foi à força parar a uma orquestra, orquestrada que foi a sua música. Quiseram provar por á mais bê num prazer mórbido e fascista, que cantava bem mas não alegrava e quem quer festa tem de lhe suar a testa.
Mas são também pobres os portugueses, pois que dão o dito e três tostões pelos  saldos que já espreitam, só para gastarem o que têm e não têm. E lhes foi roubado.
Tenho para mim que não é assim que lá vão, pois que sempre ouvi dizer que quem nasceu para lagartixa nunca chegará a jacaré e saldos, é coisa de pobre, tem cara de pobre e é dirigido aos pobres. Aos que lhes falta a garra e a vontade de vencerem, mesmo que não olhem a meios para atingir fins, nem os saibam justificar. Quem a sabia toda eram os caçadores de jacarés e crocodilos que os matavam, os exibiam como troféus, ficavam  bem na fotografia e depois lhes tiravam a pele para embonecarem as bonecas e calçarem os donos do povo, mas isso eram outros tempos e outros poderes, outros quinhentos de coisa colonial, se bem que por vezes parece  estou a ver esse filme,  rebobinada que é  a película. O cenário e as luzes da ribalta.
O povo, tal como eu, que hoje acordei a pensar nos saldos, suspira por eles. É um ritual. E o povo gosta de rituais. E da barafunda. E do vai e vem nos centros comerciais, quem dá mais, quem pode mais, quem se veste mais?!  Falando em vestir, faço um reparo, não é bem vestir, é mais  consumir, o que atrai a populaça sequiosa de novidades já que as notícias fresquinhas que quem manda, nos dá,  hoje são novidades e amanhã, mais do mesmo. É que para velho já basta a potassa. E continuando nos saldos que é um gosto que não compromete nem manda ninguém para a cadeia, a menos que roubem, o povo prepara-se para um assalto às lojas, para se vestir de moda que é isso que o meu povo gosta e quer, por pouco dinheiro, se bem que há por aqui, ali e acoli uns  perdedores que apostam em  deixá-lo nu em pelota, tal é o chá de sumiço que têm dado às poupanças do zé povinho.
E porque feirar é bem português já dizia o paulinho das dúzias, quando percorria as feiras de fio a pavio, hoje era o que me apetecia fazer, não fosse estar um calor dos diabos e ter acordado com uma dor limitativa e obscena, que parece me arrancam o coração pela boca e a alma pelos olhos. E me deixa prostrada a assistir aos quinquilheiros desta praça venderem a ervilha que é este kimbo, sem escrúpulos nem arrependimentos. Não fosse o big brother e acreditava que a minha hérnia está aos coices porque estou a pagá-las todas, já que não tenho humor nem estaleca para as provações.Acho vou ligar o 999 da MEO e assim acreditar que sou jovem, bonita, saudável, rica, feliz e burra e este país é um paraíso à beira mar conquistado, só para eu desfrutar. Ah e não será preciso lutar e contra os canhões marchar, marchar, até porque estou mal da coluna. Que se chegue à frente quem a tem. Não sei se os há.  Pois que nos últimos tempos entre bitacaias e carraças, venha o diabo escolha. Desconfio que com o acordo ortográfico acabaram as letras maiúsculas para  Homem com o dito h, big.