sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

quando for primavera...


Há nas árvores nuas, nos seus troncos cor de terra, uma súplica aos céus.
Há no sol que promete uma tarde amena, promessas de primavera. 
E na chuva que insiste em cair fustigando as sebes do jardim, arrastando as folhas secas caídas nas ruas, um acenar fugitivo à estação que se prepara para nos deixar. 
Há nesse fim de tempo um não sei quê de nostálgico que nem os melros e as andorinhas atenuam com os seus voos rasantes e graciosos.
Há um estado geral de melancolia poética no ar, que se abraça às almas sensíveis e toca os corpos fragilizados pelo inverno rigoroso. 
Há um desejo de mudança sem dramas ou precipitações.
Um dia destes sem darmos pela passagem estaremos no meio das amendoeiras em flor, colhendo cerejas e desnudando-nos no fim da tarde à beira-mar enquanto as gaivotas perseguirão o peixe que a traineira pescou no mar alto. 
Um dia destes, os dias serão maiores e as noites mais quentes. 
E eu estarei finalmente a caminho d' um tempo de mudança. Quando for primavera...




quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

ADELE - Skyfall (Official video HD)

memórias




Nasci na cidade. Em África.
Com cultura portuguesa mas uma cidade africana. Nos seus contrastes.Sabores, cores, linguajar, hábitos, gentes.
Foi importante o crescimento ali. Foi igualmente importante os pais serem portugueses. Nascidos na " Metrópole ". Um numa aldeia da Beira Alta, outro, numa de Trás-os-Montes.
Não sabendo, até cá chegar, o que era uma aldeia, sô Santos decalcou-as a papel vegetal na minha romântica forma de olhar as coisas, de as sentir e de as desejar viver.
Nesta minha já longa vida, Vivi apenas um mês numa aldeia. A do sô Santos. Num lugar tão longínquo que agora é que vem ao caso dizer que, onde o Judas perdeu as botas.
Desse tempo ficaram mágoas que vou esquecendo. Lágrimas que secaram. Ficou a aldeia. A memória.
Na época desvaneceu-se a idéia romântica apesar de ser uma aldeia de casinhas em pedra, da igreja à entrada,tal como a escola, da capela bem no centro, do largo do Cruzeiro, dos palheiros, dos muros em pedra negra, da venda, da casa dos grandes senhores de brasão, com o dito encrestado na pedra, dos miúdos brincando pelos lameiros, do balir dos rebanhos,do eco da serra, das vinhas ao fim das tardes sopradas pelo vento, do sol a pique em Agosto, da água da fonte, das amoras 
silvestres, dos grilos e dos pirilampos nas noites quentes, do céu estreladíssimo. Do silêncio. 
Da voz de Deus...
Desvaneceu-se porque não era o tempo certo. Não estava no tempo certo.
Desvaneceu-se porque era urgente chorar. Fazer o luto da dor de ter deixado, quem sabe, a minha cidade, para sempre. A cidade dos contrates. Africana, apesar de ser talhada ao jeito dos portugueses.
Apesar da minha realidade completamente afastada da idéia romântica dos montes e serras cobertos de estevas e giestas. De oliveiras e pinheiros e pasto. Apesar da ordenha doleite. Da coalhada. 
Dos queijos feitos com saber e arte, na mistura de cabra e ovelha, dos chouriços, salpicões e alheiras secando à lareira. Apesar das procissões. Das festas de verão em honra do santo padroeiro, da música pimba e das recusas aos convites para dançar. Apesar dos serões e das estórias de raposas e lobos famintos. E do sobrenatural...
Apesar de tudo resisti. Apenas um mês que hoje me parece ter passado num ápice e que na época custou uma eternidade.
Trouxe para o centro do país uma realidade que não queria para mim e esqueci-a de seguida. Mas as estórias que o pai contava quando estávamos na minha cidade, essas ficaram para sempre e reconheci-as nos olhos, nas mãos, na voz, na postura daquele povo que vivia para lá do Marão.
Trouxe a minha realidade e acho que me prometi nunca viver numa aldeia. Rodeada de montes e serras. Afogando-me. Aprisionando-me, limitando-me. 
Viver numa aldeia sem quês nem porquês...
Passaram quase quatro décadas. Ontem passei o dia numa aldeia do Ribatejo. Abraçada pela serra. 
Debaixo de um tecto maravilhosamente azul e dum sol que brilhou especialmente para mim que o recebi de braços abertos. De oliveiras, figueiras e ciprestes. Montes e lameiros. Torres de igrejas ao longe. Chaminés deitando fumo. Cheiro a lenha. Cães, gatos, ovelhas, pombos e codornizes, cabras e galinhas. Alfaces, couves, nabos, coentros e beterrabas. Limoeiros, laranjeiras, amendoeiras, pitangueiras e cana d'açúcar. Flores e trepadeiras. Tanque com peixinhos vermelhos. Adega. Telheiros. Cheiro a pão a fazer-se no forno a lenha. O cheiro da aldeia aguçando os sentidos. Despertando-me o romantismo. Romanticamente... 
É tão simples estar à distância da liberdade de aceitar o tempo e o lugar e vivê-lo!
O sábado a tocar-me os sentidos. A aldeia a tocar-me a emoção. A família a tocar-me a alma!
É tão fácil ser feliz!

auto-desconhecimento



Conheço-me?!
Não, não tenho essa pretensão 
Conheço lugares de mim 
Cores e gestos
Palavras e afectos
Conheço-me na canção
Conheço as mágoas e os passados dias de desilusão
Os sonhos e as pontes
Alguns dos meus eus instáveis
Conheço-me o ego elástico e a elasticidade dos sentimentos
As suas variáveis
As fúrias e as frustrações 
Os ódios e as paixões
E os heróis em mim
As emoções
Conheço-me?!
Não. Não tenho essa pretensão
Conheço-me no limite mas não o ilimitado de mim
E pouco mais sei que matéria sou e também coração
E o meu início e o meu fim
Não conheço, nem quero conhecer 
Apenas desejo o conhecimento de em mim permanecer...

m.c.s.

figos da índia


velhos tempos em que eu cantava no Cazumbi


o meu coração mora em Angola


sábado, 16 de fevereiro de 2013

porque hoje é sábado


logo pela matina, espelho meu, espelho meu


Porque hoje é sábado eu devia estar ainda a repousar do cansaço e do stress da semana. Mas não. Porquê? Porque não me sinto cansada nem tão pouco stressada. Felizarda, dirão. 
Sempre que acordo cedo quando não tenho obrigação de o fazer, lembro um homem bom, inteligente, sábio, que tive a felicidade de ter conhecido, amado e admirado profundamente e que contribuiu para me sentir bem com a minha pele, na maior parte das vezes. O avô Carvalho, que era um homem que se deitava cedo e cedo se erguia, cumprindo o ditado. Saúde teve sempre, pessoa de porte elegantíssimo, um senhor, material e espiritualmente.
E falando de saúde, estou na fase de me cuidar um pouco mais. Porquê? Porque estava a ficar uma bazaruka. Com a fratura do ombro fraturei-me um pouco. Na vontade. Deixei de fazer por mim aquilo que ninguém o faz que é tratar-me bem. Com a desculpa de que estava fragilizada, doentinha, atirada às traças, fui enfardando o que devia e o que não me fazia falta. Resultado, um cachalote de águas turvas, feio e roliço. E com dificuldades em me sentir saudável. O que me vale é a lucidez de me analisar, criticar e voltar a fazer coisas bem feitinhas, que eu sei como se fazem e que me dão até algum prazer. Sobretudo nos resultados. 
Afinal, eu gosto de andar, nadar, gosto de fruta, vegetais, saladas, sopas, carnes e peixes grelhados, água, batidos, limonadas. Não fumo, raramente bebo café, não adoço nada com açúcar, raramente bebo bebidas álcoolicas. Sei pisar chão seguro e seguir pelo rumo certo. E agora surge a pergunta. Então porque não sou sempre elegante e saudável, bem disposta e optimista? Porque não sou perfeita. Ah, nem quero. Pecar é bom. O problema não está no pecado mas na inércia. Na falta de lucidez para se sair do pecado. 
Mais uma vez deus deu-me descernimento para pular fora e aqui estou eu há duas semanas desinchando veloz e alegremente que nem aqueles balões a quem tiram o ar viciado.
Porque hoje é sábado e me levantei cedo por motivos que não vêm ao caso, mas que têm a ver com afectos, dei uma espreitadela na Sic Mulher e o Dr.Oz, fresco, rico e belo, apareceu-me a dizer que papaia e ovo cozido ingeridos em jejum e simultaneamente acelera o metabolismo, contribuindo assim para o emagreciemnto.
E eu acreditei. Apesar de saber que vende marcas, que ganha balúrdios, este senhor televisão sabe o que vende ao seu público. E depois, o homem é um charme...né?
Por isso, mundo feio e gorducho que se queira mais sensual e magrinho - Papaia e ovo cozido logo pela matina. Por falar nisso, já comi meia papaia mesmo antes de ver o programa. Quanto ao ovo cozido...pois, não tenho ovos no Olival porque a estadia é curta e tenho mais que fazer do que compras, como se não houvesse amanhã.
Não sei se me quero ( mais ) sensual, porque isso...enfim, cada um é p'ró que nasce e eu...bem, tenho dias...que já lá vão. Lolol! 
Mas ainda assim, quero-me mais leve e estou a fazer por isso. Acredite-se ou não. 
Eu posso ser desplicente mas se meto na cabeça uma que me agrade, ah faço, cumpro, exigo-me, regozijo-me com as minhas próprias penalizações, masoquizo-me, para me narcisar depois em frente ao espelho, num, espelho meu, espelho meu, quem é que já consegue vestir umas roupinhas que estavam a aguardar melhores dias, quem é? Espelho meu, espelho meu, quem é que já não tem cara de lua cheia, nem papadas, nem excedentes na cintura e no estômago? 
Espelho meu, espelho meu, quem é que está feliz com a sua iniciativa, insistência, disciplina e crença? Eu. Daqui por mais um mês. 
Ah julgavam que isto era atar e pôr ao fumeiro? Não que não sou nenhuma alheira, farinheira, chouriço ou presunto. Os presuntos já não são muito gordos mas tudo ocupa espaço. E assim como assim nada se faz sem sacrifício, trabalho e paciência. Ao longo dos anos tenho tido as minhas doses...
Pois que isto não é estalar os dedos qual fada carregada de varas de condão. E como tal, já a seguir vou andar uns quilómetros entre o Olival e a Póvoa. Para preparar o meu sábado com saúde e alegria. É que se não for eu a tomar conta de mim, ninguém toma, pois já sou crescidinha, calmeirona, dirão os mais inconvenientes e descuidados. E assim como assim eu nem gosto que me tomem conta da vidinha. São gostos, feitios, defeitos, que sei eu? Não vou mudar, mas só neste particular, porque daqui por um mezinho ninguém lembrará a criatura espaçosa que já só bebia coca-cola, comia pão como se a farinha fosse acabar e fazia asneiras umas atrás de outras e não eram aviõezinhos com os dedos que isso não engorda. E dependendo do ponto de vista torna-nos criaturas feias, ou não.
Voltando ao motivo da minha escrita e porque não tendo acordado inspirada arranjei este tema como pretexto para mais uma vez escrevinhar qualquer coisita, deixo aqui não o testemunho mas a promessa de que uma manhã destas hei-de comer papaia e ovo cozido. O Dr. Oz que me aguarde, pois que nesta vida devemos experimentar tudo...o que nos pareça Bom. É já amanhã antes que se faça tarde.
Papaia e ovo cozido! Que combinação estranha...mas se ele o diz, quem sou eu para duvidar?!


quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

namorados




Namorados! Associação bonita. Dupla. Plural. 
Momento. Lindo de viver. 
Partilha abençoada. 
Paixão em brasa. Ternura quanto baste.
Mãos dadas. Olhos nos olhos. Sorrisos aos montes.
Beijos e abraços. Sussurros e declarações de amor.
Colo, nuvens e sonhos. 
Bobeira.
Música. Poesia...
Namorados! 
Toda a gente já foi.
Quem não foi, quer ser. 
Há até os namorados para sempre. 
Namorados...eternos se fazem, os românticos.
Romances, filmes e estórias de encantar.
Gente que apenas quer receber e dar.
Amar.

Bem aventurados os que namoram.
Parabéns a esses, no dia instituído. 
Namorem também hoje que o dia é vosso!
 

m.c.s.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

o baleizeiro do meu tempo...


palhaçada


É Carnaval! 
Hoje sinto-me uma palhaça mascarada de funcionária pública de 4ª categoria.
Porquê?
Porque há-os de 1ª e há-os das outras. 
É com estas medidas que vamos salvar a pátria. Trabalhando ( poucos ) na terça-feira de carnaval...
Que palhaçada!!!!

domingo, 10 de fevereiro de 2013

No campo com o Cuky

foto tukayna.blogspot.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

é na noite que cai


É na noite que cai
Que se erguem sombras
Esboços de ti
Desenhos a preto e branco
Esbatidos no tempo...
Somos almas desencontradas
Nas esquinas dos dias
Nos becos da vida
Nos relógios coloridos das estações
Calendários do passado e do presente
Nas manhãs, tardes e noites vividas
No tempo que não vivemos ainda
É na noite que cai
Que se me amanhecem os sonhos
E as marcas que deixam
São claros sinais gritando
Que não desista de ti...
Passeio-me pela escuridão da noite
Num tempo de luz
Caminho na esperança
Que será última, a perder
E espero...que a noite é longa
Espero na ilusão a iluminar-me os dias
Para finalmente te viver.

m.c.s.

terça-feira, 5 de fevereiro de 2013

Ana Moura - 'Até ao Verão'

esboço de ti




Desenho desesperadamente o teu rosto. Todos os contornos. 
Com especial rigor para o brilho verde do olhar. 
Para o sorriso permanente e malandro da expressão, para o nariz arrebitado, eterna criança que nunca deixarás de ser. 
Para a cor morena da tua pele que o sol africano embeleza. 
Para o timbre sedoso da tua voz. 
Ah a voz sempre a determinar os meus afectos!
Desenho o teu rosto bonito, sempre bonito, cada vez mais bonito, na esperança de te eternizar nas minhas mãos, na pele e no meu olhar.
E marcar-te a ferro e fogo no coração para os dias que hão-de chegar. 
Desenho-te através da imagem de luz, relíquia que conservo guardada há tanto tempo...
Tanto tempojá...que passou a guerra, o verão, mil verões e invernos frios e desolados.
Milhões de crepúsculos sob o olhar atento do Mussulo.
Passei pontes que nos aproximam e afastam, passaram Natais e carnavais, cairam governos. 
Chegaste, partiste, silenciaste, voltaste, sonhei-te.
Ah como te sonhei! Foste um milagre sem explicação, uma aparição.
Passou o tempo, tanto tempo, passou o século, séculos, que enquanto te faço um esboço, desespero de pânico de te envelhecer na minha memória se te não desenhar. E percas o brilho do olhar, o sorriso nos lábios e até o nariz se envelheça finalmente, 
conformadamente. E te tornes um estranho.
Enquanto te desenho oiço-te o sotaque. Pérola de quem nasce e vive em África.
Ai como oiço os sotaques! E África... 
Eu desenho-te. E enquanto vais ganhando forma pelas minhas mãos vou escutando a voz do meu coração. 
Não. Nunca te esquecerei. Nunca te apagarei.
Nunca serás um estranho e desconhecido fantasma de ti em mim.
Nem sombra, nem desgosto,nem fim.
Tatuei-te na memória. Para sempre. 
E para todo o sempre te desenhaste e te tornaste a outra parte da minha estória.

quem nos acode?



Eu juro que sou uma senhora. Embora não me valham de nada as juras, eu faço por isso. Não por jurar à toa. Mas por ser uma senhora bem comportada, tolerante, consciente do meu lugar e valor na sociedade, amiga do seu amigo, caridosa, cumpridora, trabalhadora, boa cidadã, bem educada. 
Tenho os meus defeitos e respondo por isso.
Mas quando oiço um imbecil dizer que se os sem-abrigo podem, nós, os outros, também temos de poder pois não somos diferentes, nem dos gregos ( não percebi a alusão ??? ) nem dos sem-abrigo, ( ainda percebi menos ??? ) a primeira coisa que fiz foi falar alto e sozinha, de mim para mim, quer dizer de mim para ele, que o tinha ali em frente, na televisão. E a palavrita que me saiu assim como que estando, acho está sempre, preparadita na ponta da língua, para saltar, não me torna uma senhora, muito pelo contrário, resvala-me de imediato, num ápice, o pé para o chinelo, mas senhores, como enchi a boca com aquelas três palavrinhas que aprendemos quase que ali quando ainda nem sabemos dizer mãe, pai, ou, dá, e que nos prometem jindungo na língua se alguma vez temos a desfaçatez, a vulgaridade de a pronunciar. 
Eu não queria acreditar. De boca aberta ouvi a criatura e só me ocorreu para além de fazer aviões com os dedos e rezar padres nossos tortos, indignar-me. Ainda tenho direito à indignação. 
Ou não?
Bem sei que levo bordoada se for para a rua indignar-me que segundo eles só se perdem as que caem no chão, mas na minha casa, mando eu. Quer dizer, enquanto cumprir. Pois que se não cumprir lá vêem eles tirar-me o direito ao abrigo, à dignidade. E afinal têm razão, num instante e me torno um sem-abrigo, que tenho que me aguentar à bronca. 
Ah pois é! É vê-los senhores, cada vez mais, cada vez mais unidos em grupos, cada vez menos 
toxicodependentes e cada vez mais criaturas com a minha idade, a nossa idade, a tua idade, a 
idade dos nossos pais, embrulhados em cobertores com os seus poucos e tristes haveres do lado, por exemplo na avenida da Liberdade, ali paredes meias com as lojas de marcas caríssimas, os hotéis onde se alojam turistas estrangeiros. E eles, os tais que vêem para a televisão mandar bitaites que melhor era mergulharem a cara numa lata de porcaria e borrarem-na toda, eles que nada fazem por estes infelizes que não têm eira nem beira senão o beiral dos telhados, as portas de entrada, os vãos de escada, e os alimentos que os voluntários todas as noites distribuem para que tenham um mínimo abaixo do decente mas que os deixa permanecerem neste mundo, numa morte adiada, eles, os senhores engravatados referem-nos como se estivessem a fazer uma grande comparação, uma lógica e legal comparação.
E nós? Os tais outros que não somos mais que os gregos e os sem-abrigo, nós, aqueles que lutam para não chegarem a ser sem-abrigo, aqueles que ajudam os sem-abrigo, nós aqueles que ao contrário dos sem-abrigo, porque ainda temos a felicidade de ter a ilusão de possuirmos algo de nosso, diariamente somos roubados, diariamente nos são retirados direitos, diariamente nos são aplicados deveres acima das nossas possibilidades?
Nós, aqueles que viram reduzidos 300 a 400 euros mensais nos seus ordenados e aumentados 
impostos, transportes, propinas, gastos com a saúde, Imis, alimentação, luz, gás, água? 
São esses , nós, a quem a imbecil criatura se referiu, que temos de nos aguentar à bronca?
Afinal o país pretende ser um sem abrigo na Europa? Afinal os senhores deste país pretendem 
reduzir o seu povo apenas a sem-abrigo? E eles o que serão? Os voluntários que nos oferecerão um prato de comida com 605 forte? Judas, como na última ceia de Cristo?
É que diariamente põem termo à vida, portugueses, por causa destes senhores. 
É que diariamente portugueses perdem as suas casas, os seus veículos,  penhorados e vendidos que são, por incumprimento das prestações.
É que diariamente os portugueses perdem os seus postos de trabalho. 
É que o país está com fome. O país está pelos cabelos. De rastos. Nas últimas. Enquanto uns e 
outros continuam as suas vidinhas burguesas como se nada estivesse a acontecer.
Pois é. Ainda tenho direito à indignação. E como não estou vinculada a partido algum, não tenho cargos políticos, já tenho a idade que tenho, já comi o pão que o diabo amassou e já atravessei mar, dou-me ao luxo de dizer umas quantas e são a voz de muitas vozes que oiço diariamente porque ainda não estou surda.
E remato com umas palavrinhas que me andam sempre a bailar nos últimos tempos.
Grandes f.d.p. Que putice pegada!
Quem nos acode? Afinal não há ninguém que olhe por nós?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

queria ser um albatroz


Se eu fosse um albatroz, hoje, neste momento, iniciava o vôo para Sul.
Digo eu que vôo nas asas da inspiração que me permite sonhar.
Que saudades, tantas, muitas, todas, de casa!

m.c.s.

1961/2013