domingo, 22 de fevereiro de 2015
de agora em diante
Hoje, revisitei o armário e arejei todos os sapatos de salto alto.
Em bom.
Decidi que nunca mais desço do alto dos meus saltos.
Cá por coisas...
m.c.s.
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015
entre-fugas
Podes até ir embora...
Fugir das palavras. Do meu olhar.
Do meu corpo e das minhas mãos.
Fugir da minha influência.
Persistência.
Da minha sedução.
Mas não consegues fugir-me da memória.
Nem do meu coração.
m.c.s.
Fugir das palavras. Do meu olhar.
Do meu corpo e das minhas mãos.
Fugir da minha influência.
Persistência.
Da minha sedução.
Mas não consegues fugir-me da memória.
Nem do meu coração.
m.c.s.
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
a minha insónia
Deito-me na insónia da noite. E acho-te.
E porque és um sonho tão valioso, que não te quero perder, não adormeço.
m.c.s.
E porque és um sonho tão valioso, que não te quero perder, não adormeço.
m.c.s.
entre-Tanto
Eu estou à tua espera. Mas enquanto espero, amo.
Amo com os olhos que te olharam.
Com a boca que te beijou.
As mãos que te tocaram.
E com a pele que se arrepiou.
Amo com a alma que em ti esbarrou.
Com a intenção que floresceu.
Com o sonho que me despertou.
Com o coração que te amou.
E com a memória que te guardou.
Eu estou à tua espera. Mas enquanto espero, amo.
Com as palavras que me inspiraste.
Com os poemas que na diferença, marcaste.
Com a música que me dançaste.
E com o caminho que me ensinaste.
Eu estou à tua espera. Mas enquanto espero, amo.
Porque me quero inteira. Genuína.
Verdadeira.
Amando.
Quando chegares...
m.c.s.
Amo com os olhos que te olharam.
Com a boca que te beijou.
As mãos que te tocaram.
E com a pele que se arrepiou.
Amo com a alma que em ti esbarrou.
Com a intenção que floresceu.
Com o sonho que me despertou.
Com o coração que te amou.
E com a memória que te guardou.
Eu estou à tua espera. Mas enquanto espero, amo.
Com as palavras que me inspiraste.
Com os poemas que na diferença, marcaste.
Com a música que me dançaste.
E com o caminho que me ensinaste.
Eu estou à tua espera. Mas enquanto espero, amo.
Porque me quero inteira. Genuína.
Verdadeira.
Amando.
Quando chegares...
m.c.s.
por estaca
Posso não passar da cepa torta, mas vou colocando umas estacas para me enxertar.
Digo eu, a escutar minha raiz. que diz ser robusta.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2015
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015
a amizade quando é especial
As pessoas diferenciam-se nas pequenas e nobres atitudes, nos gestos menos iguais, nas palavras raras. Na memória que não apagam nem negam. Reconhecem. Guardam. Cuidam.
Por isso há pessoas especiais na nossa vida. Digo eu a pensar em alguém muito especial, que me entrou pela vida há quase 42 anos e nunca dela sairá.
Obrigada pessoa que um dia me disseste,
sabe que o cigarro faz mal? a quem respondi,
é a mim que faz.
Podias ter dado meia volta e simplesmente não mais me dizeres uma única palavra. Mas ficaste.
Podia eu ter dado meia volta e ter-te mandado dares uma volta. Mas porque somos especiais, não aconteceu. E ainda hoje nas voltas da vida dizemos palavras. Sentidas. Especiais...
É isto, amizade. Especial.
m.c.s.
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015
entre-eus
Acordei bem comigo e melhor acompanhada não podia estar.
Disse-me, olhando por mim acima, por mim abaixo, cada pedaço tocado por ti, cheirando a ti, à espera de ti,
- Aqui está um belo dia para exibir os meus eus vagabundos. Estes que te trazem tatuado a ferro e fogo.
Assim sendo, aqui vamos nós palmilhar caminhos meus.
Ah, levo a máquina, para o caso de te colocares a jeito entre mim e eu e queiras ficar na fotografia, connosco.
terça-feira, 3 de fevereiro de 2015
essa sou eu...
Vertendo verdade.
Deixando as palavras vagabundearem pelos sentimentos.
Até à lágrima. Ao sorriso. À comoção.
Livre.
Essa sou eu. Se me tocam as cordas duma guitarra antiga e me cantam canções de magia e afectos. De embalar.
De adormecer e sonhar.
Bailar...
Como é bom ter passado! E não sentir nem medo, nem peso, nem culpa.
Nem arrependimento. Apenas saudade.
Nem arrependimento. Apenas saudade.
Esse sentir do amor que não morre.
E ficando, se aconchega ternamente no coração.
Como cacimbo de fim de tarde, da terra que me gerou e pariu.
E amou.
Essa sou eu. Vertendo verdade. Falando baixinho, num sussurro.
Luz ténue, disco tocando, quase silenciosamente.
E a emoção a espalhar-se na pele. Invadindo a alma arrepiada.
E o coração grande. A crescer...
A bater suavemente.
Vagabundeando-se no sagrado que é o eterno.
Essa sou eu...
m.c.s.
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015
entre sonhos
Olhei o espelho. Mergulhei em mim. Cachoeira d' águas mansas. Transparentes. Espelhos d' água.
Olhos no meu olhar. Sem constrangimentos nem culpas ou desculpas. De frente.
Contemplando todos os eus de mim. A ver se algo mudara.
Era eu. Aquela mulher. Inteira. Vestindo a sua pele. Ocupando-a confortavelmente. Cabendo nela. Generosamente...
Em paz.
Tal como o coração. Tranquilo. Aplaudindo discretamente.
Era eu. Aquela mulher. De rosto lavado.
Nem sinais de baton. Eyeline. Máscara. Artifícios.
Sem faltas. Nem personagem. Ou qualquer produção.
Era eu aquela mulher. Simples. Limpa. Nua.
Alma serena. Completa. Pura.
D' olhos doces. Que me olhava. Do espelho.
Como se o tempo parasse e eu fosse um longo olhar.
Via-a bonita. Sim. Bonita.E renovada. Sem rugas ou sequer marcas de expressão.
Os lábios desejando beijar.
Como se o dia prometesse beijos da tua boca. E a vida nos abraçasse e embalasse na canção.
Podia ser Bocelli, Sinatra ou Betânia.
Mas era rouquidão, feito voz, sentimento, coração, de Pablo Alborán. E lhe escutasse,
- "Por fin lo puedo sentir/Te conozco y te reconozco que por fin/ Sé lo que es vivir/ Con un suspiro en el pecho/ Y con cosquillas por dentro/ Por fin sé por qué estoy así/ Tú me has hecho mejor/ Mejor de lo que era... "
Era meu o sorriso que o espelho devolvia. Era eu. Aquela mulher que sorria a desejar o mundo suspenso. A fazer-te eterno. Ali. Aqui...
Olhei o espelho. Coração silencioso. Batendo. Brandamente. Apelos mudos...
Olhos feitos mel. E boca à espera de beijos. Sabendo a beijos. Que me roubaram a alma e me devolveram vida.
Era eu aquela mulher. Que contemplava em si, o Amor. E cantava, baixinho e feliz, como se inventasse a canção,
" Y por fin sé por qué estoy así,
Tú me has hecho mejor
Mejor de lo que era... "
domingo, 1 de fevereiro de 2015
hoje, o meu nome é saudade
Hoje, o meu nome é saudade.
O passado resgatado no olhar, na pele, nas entranhas. No coração.
Esse tempo bom. Esse sentir. Tudo o que falei, olhei, toquei, cheirei. Recebi. Vivi.
Saudades dos pais. Do avô.
Da minha terra. Da minha infância. Da minha rua. Do colégio, do liceu.
Saudade dos meus amigos. Aqueles que ficaram para trás. Que partiram já.
Saudades de gajajas, maboques, sape-sape, pitangas.
Da Lucrécia, da Minda.
Cheiro de pão quente da padaria Independente.
Terra molhada. Flor de acácia.
Quitandeira, zungueira. Sotaque. Pregão. Meu chão.
Saudade do cacimbo e do pôr do sol. Do sábado. Da Ilha. Samba. Corimba. Mutamba.
Saudade de Trás-os-Montes. Dos tios.
Das cerejas do quintal. Do folar de carne e dos económicos.
Favaios e lareira. Castanhas. Alheiras.
Dos acordes das guitarras enquanto se faz o pão. Do Paulo e do João....
" Pata de negreiro/Tira e foge à morte/Que a sorte é de quem/A terra amou/E no peito guardou/Cheiro da mata eterna/Laranja Luanda/Sempre em flor "...
Hoje o meu nome é saudade.
Do príncipe, na cidade Luz.
Da caçula, no Ribatejo.
Da kamba diami em solo africano. Da Julieta, na neve.
Do verão. Do sul. Bola de berlim. Dias de sol. Onda batendo na rocha.
Hoje o meu nome é saudade. De mim, em ti. De ti. Em mim.
m.c.s.
( 30 de Janeiro - Dia da Saudade )
( 30 de Janeiro - Dia da Saudade )
entre-vozes
Há um grito abafado nas palavras por dizer,
um desesperado silêncio
de tudo lembrar,
de não querer esquecer.
Por muito tempo vou calar a razão
que insiste em não deixar falar o coração.
Por muito tempo vou deixar falar o eco dessa interior voz,
repetindo a vontade que tenho de te renascer.
Há no silêncio, no grito abafado, no meu sentimento,
a voz dizendo,
a voz cantando,
a voz chamando...
a voz insistindo para te permanecer...
m.c.s.
um desesperado silêncio
de tudo lembrar,
de não querer esquecer.
Por muito tempo vou calar a razão
que insiste em não deixar falar o coração.
Por muito tempo vou deixar falar o eco dessa interior voz,
repetindo a vontade que tenho de te renascer.
Há no silêncio, no grito abafado, no meu sentimento,
a voz dizendo,
a voz cantando,
a voz chamando...
a voz insistindo para te permanecer...
m.c.s.
tarte de pera & gengibre
Ingredientes:
(massa)
225 g de farinha de trigo sem fermento
40 g de açúcar
125 g de margarina vegetal fria
raspa de 1 limão
1 ovo caseiro
(recheio)
5 peras descascadas, sem caroço e partidas em quartos
2 c. de sopa de açúcar mascavado
1 pedaço de gengibre fresco, descascado
raspa de 1 limão
gema para pincelar
açúcar em pó para decorar
queijo fresco batido para servir (ou iogurte grego, natas...)
Preparação:
Numa tigela, colocar a farinha e o açúcar.
Adicionar a margarida partida em cubos até o preparado ficar em migalhas.
Juntar a raspa de limão e ovo e amassar até ligar e a massa ficar homogénea.
Fazer um disco e embrulhar em película aderente. Levar ao frio por 30 min.
Enquanto a massa refrigera, colocar os quartos de pera numa taça e juntar o açúcar mascavado, o gengibre fresco ralado e a raspa de limão. Misturar tudo e reservar.
Estender a massa e dar-lhe uma forma circular.
Colocar as pera sobre a massa, deixando alguma área livre à volta.
Dobrar a massa para dentro, sobre as peras e pincelá-la com a gema de ovo batida.
Levar ao forno pré-aquecido a 180 ºC durante 40-45 min, altura em que a massa deverá estar dourada.
Polvilhar com açúcar em pó e servir com queijo fresco batido levemente açucarado.
quinta-feira, 29 de janeiro de 2015
cá por coisas
Insistir na pessoa errada é o mesmo que chover no molhado.
Digo eu, a questionar-me sobre o certo e o errado. A tentar perceber se sou insistente.
Porque de chuva, gosto.
terça-feira, 27 de janeiro de 2015
segunda-feira, 26 de janeiro de 2015
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
entre gestos (3)
Amanheceste-me...
...e agora é tarde para me anoitecer
Para te esquecer
Para me perder de ti, sol reinante em mim
Exalto-o, entre-comas, entre-gestos,
na liberdade que o poema me dá
E recuso a rotação da terra
O dia sideral
Amanheceste-me...
E eu renasci nesse entre-Tanto
Qual aurora boreal.
m.c.s.
...e agora é tarde para me anoitecer
Para te esquecer
Para me perder de ti, sol reinante em mim
Exalto-o, entre-comas, entre-gestos,
na liberdade que o poema me dá
E recuso a rotação da terra
O dia sideral
Amanheceste-me...
E eu renasci nesse entre-Tanto
Qual aurora boreal.
m.c.s.
entre gestos (2)
...depois, ah depois...
Tudo mudou.
A noite cantou hinos de glória.
A lua estremeceu e sorriu.
E as estrelas pararam de cintilar,
para brilharem no meu olhar.
E tu,
tu vieste morar nesse luminoso lugar...
m.c.s.
Tudo mudou.
A noite cantou hinos de glória.
A lua estremeceu e sorriu.
E as estrelas pararam de cintilar,
para brilharem no meu olhar.
E tu,
tu vieste morar nesse luminoso lugar...
m.c.s.
entre gestos
...e então, deste-me a mão.
Dei-te a mão.
Tocou-me a voz e o calor.
Uniram-se as linhas, desse destino.
E foi um minuto. Não mais que alguns segundos...
A mão esquerda abandonei-a no teu ombro.
Encostei o meu peito ao teu.
O coração amainou.
E dancei...
Já não lembrava a união dos pares.
A melodia de dois corações. Bailando.
Sentindo.
Ansiando.
Harmonizando.
...e então, entreguei-te a minha paz...
m.c.s.
Dei-te a mão.
Tocou-me a voz e o calor.
Uniram-se as linhas, desse destino.
E foi um minuto. Não mais que alguns segundos...
A mão esquerda abandonei-a no teu ombro.
Encostei o meu peito ao teu.
O coração amainou.
E dancei...
Já não lembrava a união dos pares.
A melodia de dois corações. Bailando.
Sentindo.
Ansiando.
Harmonizando.
...e então, entreguei-te a minha paz...
m.c.s.
domingo, 18 de janeiro de 2015
dia internacional do riso
No dia em que conseguirmos rir deste jeito, o mundo dos humanos será um lugar mais puro e feliz.
Há dias em que consigo imitar os animais. E acredito que o mundo vai dar-me essa pureza e felicidade.
sábado, 17 de janeiro de 2015
amor-perfeito
Quando espio o teu rosto, na memória que sustento,
há nesse acto de te olhar, uma alegria infantil
De te de novo tatear...
Como da primeira vez, sinto no peito o prazer de te ver a sorrir,
qual criança sonhadora, traquina e livre,
Inconsequente
E sorrio eu também...
Como da primeira vez, sinto o universo soltar-me a mão,
mergulho no teu olhar, salgado e livre mar,
histórias, lonjuras, aventuras,
e navego assim ao som do teu marulhar...
Quando espio o teu rosto e me quero inspirar,
dou-te uma cor, e és vermelho,
uma flor, amor-perfeito,
uma ave, és albatroz
um beijo serás na boca,
palavra e és mais do que sabes, do que sei,
és pensamento, insónia,
a minha tempestade, inquietação, paixão...
És a lágrima e o segredo,
libertador dos meus medos,
orgasmo da minha alma,
que me pacifica e acalma
És a minha inspiração...
Quando espio o teu rosto, neste tempo em que te invento,
és o que eu sentir, o que eu quiser,
e eu...eu sou simplesmente mulher.
m.c.s.
há nesse acto de te olhar, uma alegria infantil
De te de novo tatear...
Como da primeira vez, sinto no peito o prazer de te ver a sorrir,
qual criança sonhadora, traquina e livre,
Inconsequente
E sorrio eu também...
Como da primeira vez, sinto o universo soltar-me a mão,
mergulho no teu olhar, salgado e livre mar,
histórias, lonjuras, aventuras,
e navego assim ao som do teu marulhar...
Quando espio o teu rosto e me quero inspirar,
dou-te uma cor, e és vermelho,
uma flor, amor-perfeito,
uma ave, és albatroz
um beijo serás na boca,
palavra e és mais do que sabes, do que sei,
és pensamento, insónia,
a minha tempestade, inquietação, paixão...
És a lágrima e o segredo,
libertador dos meus medos,
orgasmo da minha alma,
que me pacifica e acalma
És a minha inspiração...
Quando espio o teu rosto, neste tempo em que te invento,
és o que eu sentir, o que eu quiser,
e eu...eu sou simplesmente mulher.
m.c.s.
quinta-feira, 15 de janeiro de 2015
como beijos
São beijos as letras que junto.
A dizerem do gesto, as palavras que eu escrevo.
São memória. De beijos que te dei.
São a história d' um abraço. Mil abraços que te ansiei.
E o movimento...
A dança dos corpos em união.
São as horas tardias e a paixão...
São dias e noites assim. Escrevendo dentro de mim.
Lábios, bocas ávidas. Quentes.
São beijos ardentes, as palavras que te invento.
Escrevo eu. Escreve o vento.
E a mão dum deus maior,
Tatuando e perfumando a minha pele de palavras
Feitas de beijos que não apaguei
m.c.s.
A dizerem do gesto, as palavras que eu escrevo.
São memória. De beijos que te dei.
São a história d' um abraço. Mil abraços que te ansiei.
E o movimento...
A dança dos corpos em união.
São as horas tardias e a paixão...
São dias e noites assim. Escrevendo dentro de mim.
Lábios, bocas ávidas. Quentes.
São beijos ardentes, as palavras que te invento.
Escrevo eu. Escreve o vento.
E a mão dum deus maior,
Tatuando e perfumando a minha pele de palavras
Feitas de beijos que não apaguei
m.c.s.
das memórias...
A dádiva da riqueza interior, o que alicerça a nossa personalidade, o que nos faz erguer e recomeçar a cada decepção, advém das memórias de momentos felizes.
Quando nas lembranças retemos esses momentos anulando os outros menos bons, estamos na construção do presente e do futuro. Estamos a fim de ser pessoas felizes e resolvidas para todo o sempre.
Eu estou. Digo eu, a olhar com ternura e saudade para o que já fiz, já fui, já recebi, já realizei, aprendi, vivi, de bom.
O resto? Não tem lugar de pódio. Só o que me faz bem e provoca saudade, tem.
m.c.s.
uma história de amorzade
- ...e lembras-te quando pedias à tua mãe: Ó mãe dá-me uma coca-cola...dá láaaaaa, vai lá buscar...
Sorrisos meus. Mergulho o olhar nas suas palavras e nas memórias desses tempos distantes em que havia mãe. Havia a terra.
Havia, nós, crianças brincando todos os dias. Uma com a outra. Como irmãs. Ali na Avenida, ali no Largo, ali na Vila Alice.
- Em que casa foi isso? perguntei eu.
- Aquela ao pé dos Bastos.
- Ah, pensei que era na outra. Na cubata, como o meu pai chamava.
- Ah sim, a das mulembeiras. Sorrisos abertos. A saudade e o amor, no olhar trocado por nós.
- ...e o Luís, o Armindo, o Américo, o teu irmão, que iam lá para o quintal à ginguba que o empregado assava ...
- Pois, eles saltavam as aduelas e iam buscar também o peixe frito; o Luís é que se lembra que era frito em...
E dissemos ao mesmos tempo,
óleo de palma. O tempo a voltar... ainda a " cubata " ainda as mulembeiras, ainda o sabor, o cheiro, ainda todos nós, ali. O tio Augusto, o avô Carvalho, a mãe, o pai...
- ...e lembras-te do Kaquito a pentear-se em frente ao espelho do quintal? Cheio de banga...( gargalhadas ), horas e horas. Era vaidoso, que só ele. E a morimba à entrada.
- Do lado esquerdo ( dissemos outra vez, ao mesmo tempo ), depois o armário e o cadeirão.
E mergulhámos nas lembranças. Só nossas. Vividas por ambas em tempos tão antigos que facilmente seriam varridos, esquecidos, mas não de nós. Não por nós.
- E o teu pai com a bomba do flit... e faço o gesto. Gargalhadas de novo.
E os sapatos pretos e brancos, picotados. E os quartos...
- E as balalaicas que ele usava...
- E quando mudaram de casa e ouvíamos a rádio brazaville às escondidas, muito baixinho...
Ouvi de novo o rádio fanhoso, vi de novo o sr. Eurico sentado à mesa. Atento ao que ouvia. Com ar de conspiração. Senti de novo o aroma do peixe cozendo no caldo. Da farinha de musseque misturada com o óleo de palma retirado com todo o cuidado da panela, onde, para além do peixe, coze também a batata doce e a mandioca.
- E quando ias comigo até à esquina do largo com a Fernando Pessoa, onde moravam aqueles putos muito magros e altos a quem pus a alcunha de sputnik e ficávamos ali a falar, a falar, eh eh, depois eu ia contigo de novo até à casa do Armindo...
- E eu voltava a ir na direcção da tua casa, para te levar...
- Tínhamos assunto, aka!
Gargalhadas misturadas com um sentimento bom de saudade e nós de novo. Juntas. Noutra terra. Noutro país. Noutro século.
Passado muitas décadas. Nós, outras pessoas. Maduras. Vidas diferentes.
Nós amigas, desde que nasci. Abri os olhos e ela estava lá. Com três anos. Falei as primeiras palavras e ela estava lá.
Dei as primeiras quedas, chorei as primeiras lágrimas, ela lá. Ouvi as primeiras músicas e ela lá ouvindo-as comigo.
Cantando juntas, batendo palmas, a caminho do Cazumbi. Na carrinha azul do avô Carvalho. Nos banhos de mar na Chicala. No quintal onde não faltava um pombal, um coradouro de roupa branca, a mãe Rosa lavando-a na celha, um carro antigo que já não andava, o galinheiro e o espelho do Kaquito, pendurado numa trave de madeira.
Nós aqui, lembrando a infância e a adolescência, o Percy Sledge, no my special prayer ou no love me tender e as conversetas sobre todas as inquietações e sonhos sentidos e sonhados,
- Sempre me lembrei de ti muito positiva, divertida, bem disposta, disse-me ela. Positiva eu? era mesmo? Eras pois. Eras assim, como és.
Quando na Antena 1 passaram aqueles programas sobre a descolonização, eu segui-os e ouvi a tua entrevista, num dos programas e reconheci-te pela voz. Olha a minha amiga Clara...gostei tanto de te ouvir...
- Mas a minha voz não mudou desde aqueles tempos de Luanda?
- Não, filha. Tá tal e qual. Na mesma.
A voz dela também. Reconhecia-la entre milhares de vozes.
Passeámos, almoçámos. Ficámos horas conversando. Dos tempos passados. Dos de agora. Como já não fazíamos desde o tempo da Vila Alice. Ela casou cedo. Depois veio para Portugal. Para o Barreiro. Onde se radicou. Voltámos a estar juntas muitos anos depois, na Marinha Grande, num almoço de gente daquele tempo, nossos vizinhos. Depois voltámos a ver-nos em Sintra para o mesmo efeito. E depois estivemos quase uma década sem nos reencontrarmos. O ano passado, no início do verão passei o dia com ela e sua família, no Barreiro, num período de doença minha, uma faringite que me deixou afónica. Pouco pude falar. Voltámos a estar juntas quando o Kaquito, seu irmão, veio dos Estados Unidos para umas curtas férias. Assim os amigos do Largo , o Luís, o Armindo, o Américo e nós, voltámos a juntar-nos. Nesse dia combinámos encontrarmo-nos sem interferência de outros. Só as duas. Como nos velhos tempos. Nós e a nossa amizade. Nós e as nossas memórias. A nossa intimidade. Dando beijos nos corações. Pronunciando palavras como abraços. No colo. Uma da outra.
Aconteceu. Ontem. E voltei para casa de alma cheia.
Sou uma pessoa tão afortunada! Porque tenho uma amiga tão antiga quanto eu. Porque resgato tudo o que fui, o que vivi, o que fomos, como fomos, a cada encontro. Porque há alguém que gosta de mim quase há seis décadas só porque sim.
E eu pago da mesma moeda. Com o tal amor que nunca morre.
Amo-te o que a amizade que te tenho é capaz, Lisete. Tudo.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2015
fora de questão
Perguntaram-me onde mora o ódio. Não soube responder. Apenas sei que fica no lugar mais longe do amor.
E eu nunca fiz esse caminho, porque estou sempre perto de amar...
m.c.s.
E eu nunca fiz esse caminho, porque estou sempre perto de amar...
m.c.s.
terça-feira, 13 de janeiro de 2015
segunda-feira, 12 de janeiro de 2015
ocorrência
- Dona Claraaaaaaaaaaaaa! Dona Claraaaaaaaaaaaaaaaa!
Ouvi do fundo da loja. Do balcão dos enchidos e queijos, pão e bolos.
Era a Marta.
Aproximei-me dela. Ria bem disposta. Espalhafatosamente. Bolacheirona.
- Está toda contente! Ontem lembrei-me de si. Veja lá. Disse cá p' ra mim, a Dona Clara deve estar nas nuvens.
Fez-se luz em mim. Falava do Benfica. Ela que é do Sporting, mas casada com um benfiquista, o Mário.
Antes de ir para Lisboa, passei na loja. E falámos do jogo. Souberam assim que eu ia à Luz.
- Han?! Isso é que foi. Três han?!
- Foi um grande jogo, Marta. O Benfica podia até ter perdido mas eu vinha de alma cheia na mesma. Jogou-se muito naquele estádio. Foi muito bonito e limpo. Disse eu com um sorriso de orelha a orelha, claro.
O dia está soalheiro. É domingo. O Benfica deu uma alegria aos seus adeptos. A Pitanga já tem o areão. O meu almoço já foi. E eu, que estava para assistir à marcha silenciosa em Paris, depois de ter uma Marta tão espontânea, a dizer que ontem à noite pensou em mim, se bem que apenas por causa do meu clube e da minha alegria pela vitória, ter-me-á imaginado aos pulos numa bancada ( por acaso no sector 5, 3º piso, fila D, nº 6 ) exibindo histericamente o cachecol do glorioso, entrego nas mãos de Deus e vou mas é arejar as ideias, receber os raios solares e sentar-me quem sabe a ver o mar.
A vida corre. Eu hoje até dissertava sobre a gratidão e consequentemente sobre a ingratidão, mas fica para amanhã. Se não for antes. Porque tenho mais que fazer. Vou no trilho certo. Em busca de bem estar, quem sabe um momento de alegria e felicidade. Paz hoje já tenho. Quando estamos nos pensamentos dos outros só porque sim e não porque não, é porque gostam de nós certamente. Isso humaniza-nos e torna-nos mais tranquilos. Receptivos. Gratos.
Grata sou à Marta e a todos quantos de alguma forma me associam a qualquer coisa boa das suas vidas. É recíproco. Porque tenho para mim que ninguém gosta de quem não gosta da gente. E eu tenho uma memória gigante.
a propósito de despropósitos
Ó Gustavo Santos, és tão, tão, tão...vá, vou mesmo dizer o que penso porque tenho liberdade de expressão e quero usá-la sem medos, aqui, hoje e agora, pondo-me a jeito (?) ( discutível ), és tão idiota que até me dá pena.
Ó senhor músculos, olhar caçador, atitude de menos, que pretensão! A de quereres ensinar o padre nosso ao vigário.
Dando-te a ares de entendido. Dono de verdades.
Apresenta lá o Querido Mudei a Casa, meu, que nem aí te acho a menor graça, o menor talento.
Tens uma vaidade do tamanho do perigo que os terroristas representam. Gigante.
Puseram-se a jeito? Limites para o humor? O humor tem de ter comédia? Brincamos aos tontos e às loiras?
Humor britânico? Humor negro? Han? isso não te diz nada? Humor inteligente, não? Que cutuca? Que espevita? Que faz reagir? Que muda? Que é trabalho ao serviço do mundo?
Humor tem de ter comédia...para te rires, é, ó palhaço? Vai ao circo ou pede que te façam cócegas.
Ó pá, vai mazé dar banho ao cão.
foto do google
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
vagabundeio-me
Vagabundeio-me pela beira do caminho, destinatária, direita ao destino que hoje não queria marcado.
Passos lentos, mochila às costas. Cachecol enrolado no pescoço, a proteger e a enlaçar. E um lar no olhar. A deixar para trás...
Uma saudade súbita a juntar às saudades d' outros dias, outros lares, outros anos a findarem e a começarem também.
Só, de novo. Na bagagem sempre mais do que espero, preciso ou peço.
No peito, rosas e sorrisos. Palavras do coração. Na pele a suavidade das boas intenções. Oferecidas. Na alma, gratidão.
Vagabundeio-me pela estação deserta e fria, chegada sem pressa, sem hora marcada, tanto faz que ganhe ou perca, o comboio que me há-de levar. Carris, vento soprado, da serra.
Despenteia-me, essa brisa gelada que me regela os ossos e me sussurra coisas que o espírito ainda há pouco tranquilo, já em modo carente, quer ouvir.
Vagabundeio-me em olhares. Por este lugar. Onde jazem pessoas de bem, minha raiz. E vivem outras também, que me escutaram, falaram e amaram. E amam.
Vagabundeio o meu olhar pela linha que me leva onde tenho de ir. Rio abaixo. Tejo desejoso de mar.
Vagabunda dos sentidos hoje perseguiria a corrente para a fazer parar.
E ficar-me-ia por aqui, onde é tão fácil ficar, sem a voz do tempo a dizer que é hora de regressar.
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