sábado, 26 de julho de 2014

o Louvre

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obrigatório para turistas - Torre Eiffel




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Evidentemente que não sendo a primeira vez que visitava Paris a prioridade não foi visitar a torre. Ainda assim, ela surgiu no meu campo de visão mais do que uma vez durante esses dias de turismo pela cidade luz.

última noite em Paris - 5 de Julho 2014

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quinta-feira, 17 de julho de 2014

numa volta ao Porto











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de Gaia para o Porto






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Por estas bandas há três semanas.

estação de São Bento - Porto



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dia de aniversário








sábado, 12 de julho de 2014

parabéns para mim

Nem sempre mulher nem sempre criança.
Andei pelos intervalos a aprender a ser gente. Ainda hoje vou tomando ensino aqui e acolá, por onde calha a sabedoria dos mais velhos e mais espertos, dos mais simples e amigos. Dos mestres.
Cortei o cabelo. Deixei-o longo. Vesti casacos, despi -me calor. Calcei sapatos, chinelos e botas. Andei descalça no chão vermelho do barro da terra-mãe.
Usei a bata, usei o sistema. Cantei baladas, cânticos de igreja, ouvindo discos, cassetes e outros que tal.
Estudei os mapas, soube-os de cor. Aprendi a nadar, a brincar e a escorregar. A evitar perigos maiores.
Comi gelados, quitaba, maboques. Também o pão, que o diabo amassou.
Vi nascer gente. Embalei-a nos braços. Pari outros tantos. E amei-os placenta. Abri-lhes as portas que outras se abriram depois.
Vi partir gente. E sofri. Parti também eu para outro lugar. Sem regressar.
Chorei lágrimas de sangue, derrotas, fracassos. Traída que fui, morri-me por dentro. Ressuscitei e não mais me matei.
Renasci da dor. Criei argumentos, defesas, deixei os lamentos. Arrependimentos...
Trabalhei mulher, mãe, anos a fio. Profissional. Pus ponto final e conheci um espaço de mim que não esperava. Mas me aguardava.
Orei e agradeci. Clamei por vitórias e consegui.
Teci a linha que na minha mão tem nome de destino. Sina. E sem desmerecer, sem sequer saber sigo-a com fé.
Acordo manhãs, nevoeiro e chuva, frio e gelo. Derreto-o e acendo a lareira, apanho o sol, que me há-de aquecer.
Deito cansaços. Fracassos. Vazios. Algumas decepções. E solidões...
Sonho na esperança do dia merecer. Ao fim deste tempo quero muito viver.
Já tive um ano, dez, vinte, trinta e cinco, cinquenta. Tive até cinquenta e oito. Há pouco.
Hoje quero a memória de tudo o que fui, conservar. Sou parte de mim e de outras que fui. Sou cinquenta e nove anos de vida e aprendizagem. Subindo degraus. Tropeçando. Algumas vezes parando ou até recuando.
Sei que não aprendi tudo o que a mulher que sou precisa aprender.
Por isso me desejo um caminho futuro para percorrer.
Parabéns a mim. Feliz aniversário também. Obrigada, pai e mãe. Filho e filha. Família e amigos. Dona Pitanga. Professores. Colegas. Vizinhos. Pessoas do bem. Universo e tudo o que me fez crescer e ver mais além.

m.c.s.

Chegou o dia 12 de Julho


obrigada Universo!


terça-feira, 1 de julho de 2014

apesar da eternidade


Ele era a minha raiz. Minha saúde. Muleta.
Dia de sol e de chuva também. Rebuçados de mentol.
Bolos da Royal. Ida à praça. À praia e ao futebol.
Ele eram quadras de Aleixo. Fado cantado. Desgarrado.
Minha saudade, no olhar saudoso da terra longe.
Família e passado.
Casa e trabalho.
Ele eram sonhos. Tantos...
Ele era um sonhador. Ingénuo e alegre sofredor.
E de estórias, real contador.
Ria e chorava sem vergonha de chorar. E encantava.
Ele era um misto de passado e futuro.
Dono do tempo, que muito amava.
Ele era Inquietação. Persistência. Teimosia e sedução.
Ele era coração...
Amigo. Marido. Pai, filho, Irmão. Tudo era. Tudo foi, na perfeição.
E eu amei-o ainda e depois de menina. Respeitei-o e admirei-o mulher.
Ele é o meu pai, sô Santo (s), aquele da minha devoção.

m.c.s.

P.S. Hoje, dia 1 de Julho, primeiro dia do nosso mês, sô Santos completarias 89 anos. E mais uma vez não me esqueci. Apesar da distância a separar-nos, pai. Da eternidade ...

a perda maior


Há nos anseios mais profundos duma mulher, o desejo de florir. A necessidade de amar incondicionalmente.
Há no dia em que a primeira falta acontece a alegria desmedida de gerar um ser. O poder do milagre. E toca a barriga que ainda não cresceu. E desenha uma figurinha, botãozinho de rosa. Ela que já é uma flor. Pronta. E inicia o processo do amor. Esse que não há igual. Nem maior. Nem comparável.
E o corpo arredonda-se. E os enjoos acontecem. O sono multiplica-se. A vontade de o ver. E de o ter. De o sentir. De o mimar. De o proteger.
E ele nasce. E tudo acontece como deve acontecer. Não há uma predisposição trabalhada para amar. Há sim uma involuntária capacidade para perceber que o centro do mundo deixou de ser ela, mulher, para ser esse rebento que " lhe pertence ". Sangue do seu sangue. Amor da sua vida, para sempre. E inicia assim o processo de ser mãe.
Trata do filho sem que alguém a ensine. O instinto é superior. E amamenta. E vela o seu sono. E levanta-se de noite vezes sem conta a ver se respira. Aconchega-lhe as roupinhas. Contempla-o. Comove-se. Ama-o nessa linguagem muda do olhar, do cheirar, do tocar.
Um filho perde-se e recupera-se a cada centímetro de crescimento. Num dia é um bebé, noutro é um rapazinho, uma menina de caracóis, Num dia diz mamã, noutro já pede papa. Num dia deita a cabeça no ombro dela, noutro já o leva pela mão, para a escola. Num dia é um menino, noutro já é um rapazote. Uma miúda.
E quando se dá por isso, o ser, que esteve ligado à mulher pelo cordão umbilical, corta-o. E vai à sua vida. Voando com asas de voar e voltar.
E o amor de mãe chora por dentro e sorri por fora e diz: vai. Com a certeza de que volta no intervalo. Sempre...
É desses intervalos que uma mãe vive. É isso que lhe dá alento. Coragem. Futuro. Motivo.
Uma mãe não mais tem um sono descansado desde que o seu filho nasce. Mas nunca mais deixa de sonhar. Venturas, para a sua cria.
Uma mãe é corajosa mesmo que morra de medo. E incentiva.
Uma mãe é o abrigo do seu filho e acolhe-o de braços abertos e coração maior. Quando e sempre que ele volta.
Uma mãe está preparada para tudo. Porque tudo aprende. Tudo ensina. Tudo deseja para o amor da sua vida. E quando à noite se deita a sua prece vai para Deus, rogando que proteja com o Seu infinito poder, o amor maior da sua vida. E lhe dê vida.
Uma mãe dá a sua vida pelo filho. Morre por ele. E não está preparada para o ver partir para sempre. Porque a natureza não devia falhar.
Uma mãe deve partir primeiro. Por tudo e também porque fica destroçada para sempre. Vencida. Perdida. Impedida de sonhar. De projectar. De sentir, ver, abraçar, esperar. Os intervalos.
Qual a maior angústia, o maior pesadelo de uma mãe? Não partir antes do seu filho.
Uma mãe só é mãe se houver um ser que a faça sentir assim.
Se um filho morre, a mãe morre com ele.

m.c.s.

P.S. Ontem, domingo, viajava no comboio para Lisboa, depois d' um fim de semana fantástico a norte, quando a notícia de que Judite de Sousa perdera o seu único filho, André, me deixou sem ar. Sem chão. Com a alma dorida. À ideia do sofrimento desta mulher da televisão, que todos conhecemos.
Nenhuma mãe merece ver o seu filho partir para a eternidade. Não há lugar em nós, mães para apaziguar essa dor. Digo eu, apenas por instinto.
Paz à sua alma, filho de sua mãe. E que Deus proteja esta mãe.

terça-feira, 24 de junho de 2014

conversa de ...( tuge )



Sem rede. Nem papel.
Ou chão...
Sem apoio, WC,
ou penico à mão.
Subitamente,
sem sinal nem previsão
Uma incontrolável dor de barriga
E o ser mais controlado, betinho,
Rico, ou vaidosão, vira apenas um cagão.


m.c.s.

P.S. Inspirada, sabe-se lá em quê, em quem...

domingo, 22 de junho de 2014

a propósito de patriotismo

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Assim estão as ruas do Olival Basto.
Bandeiras portuguesas ao vento...
O patriotismo exibido sem vergonha.
Não quero ser ovelha ranhosa mas se calhar não ter vergonha de ser-se português e pegar-se o touro pelos cornos devia ser a atitude. Não hoje. Sempre.
Mas está tudo preso a um jogo que Portugal tem de ganhar.
Mas estão todos ansiosos pelo hino para se emocionarem.
E vibrarem num jogo que é mata-mata como dizia Scolari.
Já Paulo Bento diz que é um jogo para homens. Ahn?
Sorri , ao ouvi-lo. E não pude evitar uns pensamentos travessos.
Acho que ele não percebeu no imediato, se bem que depois deu a volta à conversa. Será que de repente os jogadores da selecção foram meninas indefesas perante os terríveis alemães? Ronaldo uma cachopa?
Meninas ou homens, ou seja lá o que Paulo Bento lhes quis chamar, metendo os pés pelas mãos, eu também estou pronta para ver o jogo. E desejosa que a selecção portuguesa ganhe. Mostrando que um dia é da caça outro do caçador.
Não tenho uma bandeira portuguesa à janela. Eu não embandeiro em arco. E não me parece que a vitória de Portugal mude alguma coisa na minha vida. Sei bem o que mudava e não tem a ver com esta bandeira, mas isso são outros quinhentos. Porém às 11 horas da noite mudarei de canal para assistir a mais um jogo do Mundial, que não sendo por acaso, mas marcado, é entre a selecção portuguesa e a dos EUA. E eu também sou portuguesa.
Não me interessa quem é o melhor. Que ganhe Portugal. Mas se não o conseguir, gente, não é a morte do artista.
A morte do artista é tudo o que vai acontecendo de ruim, neste Portugal derrotado, todos os dias...

quarta-feira, 18 de junho de 2014

as ditas ( bolas de berlim )


" Aqui estão elas,
As bolinhas de berlim
São fofinhas e amarelas
Eu tenho uma só p' ra ti..." diz ela, correndo a praia de saco na mão, pé descalço, a areia a escaldar, bem disposta e exibindo as bolas de berlim amarelas, já fofas não sei porque não as apalpei pois não as comi, porque sou gulosa mas não sou louca e uma pessoa tem andado mal das entranhas e tudo e tudo e elas não matam mas moem.
A minha amiga Olívia chamou-a e eu disse-lhe, não me digas que vais comer uma bola de berlim à minha frente e eu vou ficar a olhar? e ela até estava capaz de desistir, mas eu encorajei-a. Afinal sou sensata ou sou um rato?

Bolas há muitas. E eu não tenho outra igual a mim.
Não conhecia a vendedora nem o seu pregão, puro marketing mas achei piada e francamente, gostei do seu ar bem disposto.
Ainda há gente que quer e gosta de trabalhar. Aqui está algo que eu era capaz de fazer na boa e ao mesmo tempo curava-me desta gula de bolas de berlim da praia. Do Tamariz.
Já aí vem uma?

quarta-feira, 11 de junho de 2014

aquele abraço

Há neste mundo de Deus alguém que guarda no peito a sabedoria do afecto.
Para a oferecer, enlaçar e como ninguém mais, a abraçar. E ma ofertar.
Como se sempre fosse pouco. Nunca possa ficar perto nem vá viver amanhã. Como se fosse o último dos seus actos.
Como se a alegria de me ter igual, se misturasse com o medo de se perder de mim.
Como se celebrasse o mais valioso de todos os seus desejos.
Que se agiganta e me prende e nesse enlace se une a terra e o céu, a noite e o dia.
A lua e o sol, mais a água e o fogo. Numa roda-viva.
E todos os elementos fossem pouco para esse gesto supremo de amor que nunca morre.
Que a cada abraço explode.
Reconhecem-se os corações unidos e o mundo silencia-se e suspende-se.
E o seu abraço, condão que me faz especial e única, dura um minuto ou dois, não mais, mas é um para todo o sempre, que nem sempre é logo, a fazer-se tarde. Nem sempre certeza. E nunca foi nunca.
Há neste mundo de Deus alguém que o Criador colocou no meu caminho para me abraçar de quando em vez, como se fosse um menino.
Como se fosse o protector, Como se fosse um eterno amor. E desse amor vivesse.
E nesse abraço se mistura a pele, o corpo e a mente. E as nossas almas pungentes.
Entre a dor e o prazer, o carinho e as eternidades que nos dividem e afastam, há um novelo de sentimentos que nos envolve e se agiganta. Insolúvel. Uma energia sempre latente, em espera, que o tempo não apagou.
É um abraço com tudo o que o nada nos dá e deixa existir. E o mundo pára. E nos contempla a sorrir.
Abraço-ternura, coragem, força, silêncio, saudade.
Abraço-memória, palavras, beijos. Bondade.
Abraço-sorriso no olhar. Abraço bom de dar.
Abraço maior do que o amor que se faz. Abraço-perfeito.
Abraço único. Sempre diferente, sempre igual.
Abraço-chegada, despedida, até qualquer dia.
Abraço em perda, abraço-alegria.
Aquele abraço maior do que o mundo. Maior do que o universo.
Maior de qualquer eternidade que possa acontecer.
De bem querer de quem se quer bem, para além da vida que nos separou, para além de tudo o que nos roubou. Para além do que restou.
Aquele abraço refém no coração e também na memória, até outra vez, que pode ser amanhã, daqui a uns meses, anos, décadas, ou quem sabe quando. Até fazermos de novo história.
Deus é quem sabe e vai-nos pondo no caminho e vamo-nos perdendo e encontrando entre abraços.
Podia dizer que era de filho, mas não.
Podia dizer que era de pai mas também não. Nem de avô, irmão, sobrinho ou tio. Nem de genro. Tão pouco de marido, amante ou namorado.
Podia dizer um nome. Não é preciso. Não vale a pena. É de alguém especial que se cruzou na minha sina e me ficou.
E a cada abraço acontecendo, vejo o universo nos unindo para esse gesto de amor, de quem partiu, mas a cada abraço voltou.
Que saudade tenho eu, hoje, desse gesto. Do calor, do amor que cabe nesse abraço, eterno laço que me enlaçou.

a memória de um sonho

Que adiantam  as águas a navegar,
se não és porto seguro onde possa ancorar?
Que adianta a bóia de salvação se não me vais acompanhar?
Que adianta seres chão, tecto e pão se eu não te vou habitar?
De que forma me faço presente se és passado sem futuro,
num tempo sem tempo para te alcançar?
Sou o que sobra d' um mundo que pus no teu olhar.
Sou uma réstia de nada, de tudo e do que não sei calcular.
Sou a promessa d' um amor que nunca irá terminar.
Um pequeno sopro de vida, uma cruz erguida, um rio que não secou
Sou uma bala perdida, uma alma sofrida, na noite, que te sonhou
Sou uma rosa colhida, uma luz teimosa, chama milagrosa
Que o universo não apagou
Aquela, aquela chama que quis a mais bela
e que sendo apenas ela, sempre te iluminou...

m.c.s.

um dia com intenção

A minha vida é uma estrada semeada de flores. A chuva vai regando-as. Viçosas se vão mantendo. Algumas são hoje regadas pelas
lágrimas da saudade. Não florescem menos mas têm a candura, o romantismo, a  cor bela da memória, da paz e da eternidade. São
as estevas e as camélias que me enfeitam a vida e me amparam no caminho.
Esta estrada semeada de flores que a chuva e as lágrimas da sobrevivência e da saudade vão regando...
Alimentar a memória é manter viva a minha origem. Perfumá-la. Engrandecê-la.
Hoje não é um dia qualquer. É um dia com intenção. Que foi de festa e conclusão. Do amor.
As minhas flores, em união. Entrelaçando as suas vidas. Jurado que foi amor e lealdade, fidelidade, num todo para sempre até que a morte os separasse.
E cumpriram. E não foi difícil. Porque se amaram e respeitaram muito.
Não nasci dessa união abençoada por Deus e registada pelos homens em papel legal. Fui concebida antes. Quando o amor foi mais forte e se materializou na sua verdadeira essência física. Nasci quando tinha de nascer. Pouco depois da data da celebração.
E à ideia de ser fruto d' um amor sem rede, sem barreira nem preconceito, sem medo, sorrio ainda hoje, neste dia em que faz cinquenta e nove anos que os meus pais  foram à missão de S. Paulo pedir a bênção de Deus e a provação dos homens para viverem na paz santa, o seu amor e união.
A minha estrada pode secar. As flores podem abandoná-la. Mas estevas e camélias sempre acompanharão a minha jornada. Regá-las-ei para todo o sempre. Mesmo que não chova nunca mais.
Hei-de mantê-las vivas com as lágrimas da minha saudade.
Salvé dias como este. Abençoados. que me abençoaram...

de repente

De repente, olho o azul do livro já lido e sinto uma saudade dorida, do azul do mar no fim de tarde quente. Do linguarejar das gaivotas perseguindo a velha traineira, das casuarinas da lIha e da lua conversando com o farol.
De repente a dor indefinida deste sentir que fecho a cadeado e me perco da chave, cresce, agigantando-se e envolve-me como se eu fosse a própria dor do mundo. E faz-se presente nesta ausência de tudo o que me memoriza os afectos. Os odores e as cores.
De repente, o metro é um insuportável momento de ócio e impaciência. Um lugar vazio de futuros, de fé e de esperança.
Olham-me. Vejo-os e nada me dizem nos silêncios do cansaço que desenha bocas cerradas, olhares vagos e ombros descaídos.
De repente volta-se contra mim, a solidão geográfica em que me viajo.
Um nada feito de intervalos, de alguns, muitos meios-tempos.
Foi a manhã que não amanheceu sorrindo nem o olho me piscou cúmplice. Foi o caminho solitário de decidir. O encontro. O almoço oferecido. A troca de palavras como beijos, de sorrisos como chuva. Amenizando...
Foi a cabeça doendo, mil miligramas de qualquer coisa. Para males que nem sempre têm remédio. Nem abrem espaço a milagres.
Foi a tarde passando entre roupas e Santos, manjericos e exageros.
E é o metro. A viagem. O sonho de abrir uma porta fechada. Mas não. Ninguém sonha impossíveis e as portas são invisíveis neste fim de tarde que eu queria coroar de borboletas. Daquelas da minha saudade. Daquelas que desenhavam voos alegres e felizes. Sem memória nem saudade.
De repente, olho o azul do livro já lido e fico perto do céu. E longe de tudo o que acinzenta o meu olhar.

sonhos meus

É na noite que me calo
E escuto o silêncio chegar
devagar...
É na noite que me dispo
Do que outros me vestiram
Abandono o que não é meu
E deixo-me ir devagarinho
Abraçada a morfeu...
É na noite que os sonhos
Fogem da minha mão
Esgueiram-se por entre o tempo
Ganham outra dimensão
E é na noite, que, liberta
Minha alma viajante
Veste a pele de aventureira
Livre, mulher, amante
E foge de mim matreira
P'ra viver os sonhos meus
P'ra entrar nos sonhos teus.


m.c.s.

na Feira do Livro



O talento é discreto e humilde.
Tem o olhar sereno, a voz doce e a cor da paz.
E a energia dos bem-aventurados.
O talento, este, é da minha terra.
Neto d' um homem do Namibe.
E chama-se Ondjaki.
Ganhei o dia, hoje, na Feira do Livro.
Que privilégio ouvir este escritor!
Que alegria adquirir mais um livro dele...